segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Theresa May, nova Primeira-Ministra do Reino Unido, joga o Neoliberalismo na lata de lixo! - Marcos Doniseti!

Theresa May, nova Primeira-Ministra do Reino Unido, joga o Neoliberalismo na lata de lixo! - Marcos Doniseti!
Entre 1979/1980, Margaret Thatcher e Ronald Reagan deram início à Contra-Revolução Neoliberal, que se espalhou pelo mundo todo nas décadas seguintes e que, agora, parece que está vivendo a sua crise final. Nem os Conservadores britânicos querem mais continuar com tais políticas. 
Tudo indica que o processo de Globalização Neoliberal está com os seus dias contados.

Até o novo governo do Partido Conservador do Reino Unido, cuja primeira-ministra Margaret Thatcher deu início, em 1979, à Contra-Revolução Neoliberal, está jogando no lixo o modelo de livre mercado desregulado, Estado Mínimo (só para os pobres e para os trabalhadores), arrocho salarial e de eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que foi imposto ao mundo inteiro desde que Thatcher e Ronald Reagan passaram a governar, respectivamente, o Reino Unido (em 1979), e os EUA (1981).

A nova Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, já faz discursos e defende a adoção de políticas como se estivesse à frente de um governo Social-Democrata de Centro-Esquerda, o que seria mais comum caso eles estivessem sendo feitos pelo novo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que é um autêntico Social-Democrata keynesiano ligado à ala mais esquerdista do tradicional Labour Party. 

Entre as principais propostas defendidas pela nova Primeira-Ministra britânica estão a adoção de uma política industrial (que é um verdadeiro palavrão para os neoliberais do mundo todo) que estimule setores importantes para o desenvolvimento da economia britânica (automobilística, siderúrgica, eletrônica, aeronáutica, farmacêutico), bem como ela quer investir em programas de qualificação da força de trabalho (algo como o Pronatec de Lula-Dilma). 
Theresa May, a nova Primeira-Ministra do Reino Unido, defende o abandono das políticas neoliberais e de arrocho, que foram impostas ao país a partir do governo de Margaret Thatcher. Foi a imensa impopularidade de tais políticas que levaram os britânicos a votar pela saída do Reino Unido da União Europeia. 
A própria saída do Reino Unido da União Europeia contribui para que tais políticas possam ser implementadas, pois ela gerou uma desvalorização significativa da Libra, o que serve como estímulo à produção industrial do país, pois barateia a produção nacional e encarece as importações. 

Além disso, as previsões catastróficas sobre as consequências da saída do Reino Unido da União Europeia (recessão, aumento do desemprego, perda de competitividade da economia do país, etc) não se confirmaram. Tudo indica que elas foram feitas apenas para aterrorizar os britânicos, a fim de poder influir no resultado final do referendo, levando-os a votar favoravelmente à permanência do Reino Unido na União Europeia. 

A nova primeira-ministra britânica também faz duras críticas às políticas neoliberais que levaram ao aumento das desigualdades sociais no Reino Unido nas últimas décadas. 

Em um discurso recente, Theresa May disse o seguinte:

"Significa lutar contra a injustiça candente que faz com que, se você nasceu pobre, morrerá pobre e nove anos antes dos outros. Se você é negro, será tratado com mais dureza pelo sistema judiciário do que se fosse branco. Se você é jovem e branco, da classe operária, terá menos chances que todos os demais britânicos, de chegar à universidade. Se você estuda em escola pública, terá menos chances de obter os melhores postos de trabalho, do que se estudasse em escolas privadas. Se você é mulher, terá salário inferior ao do homem. Se você sofre de doença mental, não encontrará jamais ajuda médica e assistencial adequadas. Se você é jovem, descobrirá que nunca, em tempo algum, foi tão difícil conseguir sua casa própria".
Bernie Sanders conquistou um significativo apoio do eleitorado do Partido Democrata na disputa pela candidatura presidencial. Mesmo com a vitória de Hillary Clinton, graças ao apoio maciço da máquina do Partido Democrata, suas propostas ganharam bastante apelo popular.  
Com certeza, se a Primeira-Ministra britânica visitasse o Brasil e fizesse um discurso desses, os neoliberais, reacionários, coxinhas e golpistas tupiniquins imediatamente lhes diriam coisas como: "Comunista", "Petralha", "Bolivariana", "Vai Pra Cuba", "Populista", "Você está estimulando a luta de classes" e outras asneiras semelhantes.

Assim, a crise que atinge o Neoliberalismo nos países desenvolvidos é de tal ordem que mesmo o Partido Conservador do Reino Unido, o partido de Thatcher, neoliberal de carteirinha, está jogando tal projeto na lata de lixo. 

Nos EUA, Donald Trump, mesmo sendo o candidato do partido de Ronald Reagan (Republicano) e adotando um discurso xenófobo e racista totalmente maluco e equivocado, também faz duras críticas a aspectos fundamentais do processo de Globalização Neoliberal, atacando a fuga dos melhores empregos industriais (e agora do setor de Serviços) para países com baixos custos de mão-de-obra e de produção (México, China, Vietnã, Indonésia, Índia, entre outros). Trump também atada duramente aos Tratados de Livre-Comércio. 

Assim, dois aspectos fundamentais da Globalização Neoliberal (a livre circulação de mercadorias e de mão-de-obra entre os países) são atacados e condenados sem hesitação por Donald Trump. 
O ótimo e essencial livro de Guy Standing explica o processo de formação do Precariado a partir da expansão do processo de Globalização Neoliberal, que se iniciou no final dos anos 1970. 
E um candidato que também defende um governo Social-Democrata keynesiano, Bernie Sanders, teve um excelente desempenho na disputa pela candidatura do Partido Democrata. Hillary Clinton somente se tornou a candidata do partido porque contou com o total apoio da liderança Democrata, que sabotou deliberadamente a candidatura de Sanders.

E recentemente, até mesmo o FMI também admitiu que as políticas neoliberais aumentaram as desigualdades sociais no mundo todo.

Enquanto isso, temos em andamento no Brasil, neste momento, um Golpe de Estado que levou ao poder um governo que irá ressuscitar as políticas neoliberais que já fracassaram mesmo nos países mais ricos e desenvolvidos do mundo e que são os mesmos deram início à imposição de políticas neoliberais, ao mundo inteiro, há algumas décadas (EUA, Reino Unido, etc).

A principal consequência desta Globalização Neoliberal para o mercado de trabalho foi o surgimento do Precariado que, para alguns estudiosos (caso de Guy Standing), constitui uma nova classe social em processo de formação e que vive de trabalhos precários, baixos salários, submetida a longas jornadas de trabalho, com poucos ou nenhum benefício (saúde, pensão, etc), trabalhos temporários ou de meio período. 

Esse Precariado se alastrou por todo o mundo desenvolvido e em um país como a Espanha ele chega a constituir cerca de 85% dos trabalhadores. E mesmo na Alemanha, cerca de 11 milhões de trabalhadores já fazem parte desta nova classe em formação.  
Jeremy Corbyn tornou-se o líder do Partido Trabalhista britânico em Setembro de 2015. Suas propostas vão no sentido de taxas os capitalistas para ter os recursos necessários a fim de aumentar a intervenção do Estado na economia e na área social. Sua plataforma é muito semelhante à de Bernie Sanders e, agora, está sendo adotada até pela nova Primeira-Ministra do Reino, Theresa May, do Partido Conservador, o mesmo de Thatcher. 
Essa precarização acelerada e crescente do mercado de trabalho mundial também chegou aos EUA e, agora, pode vir a se tornar generalizada também no Brasil, visto que as chamadas 'reformas' trabalhista e previdenciária que é defendida pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer visa justamente promover a generalização do trabalho terceirizado, o que abrirá as portas para a total precarização do mercado de trabalho brasileiro.

O governo de Dilma foi derrubado justamente porque o mesmo (junto com PT, PCdoB, Centrais Sindicais e demais movimentos sociais) se opunha inteiramente à tal política de precarização dos empregos no país, bem como se recusava a abrir mão do controle estatal sobre as imensas reservas de petróleo e gás natural do pré-sal (estimativas apontam que elas podem chegar a até 176 bilhões de barris, o que seria a 4a. maior reserva mundial, ficando atrás apenas da Venezuela, Arábia Saudita e Iraque). 

A rejeição às políticas neoliberais foi o principal fator que levou os britânicos a votar favoravelmente à saída do Reino Unido da União Europeia, mas isso foi escondido pela Grande Mídia global, que preferiu inventar uma história fictícia de que a maioria dos britânicos tinha adotado o ideário da extrema-direita (xenófobo e racista).

É bom ressaltar que tal ideia não tem fundamento algum, pois as regiões que deram maior apoio à saída britânica da UE foram aquelas nas quais o Partido Trabalhista é o mais votado. Em muitas delas o apoio à saída da UE chegou ou até passou de 70%. E o ideário do Partido Trabalhista não tem nada a ver com o discurso e a plataforma política da Extrema-Direita, que é marcadamente racista e xenófobo. 
Beppe Grillo é um humorista italiano que fundou o 'Movimento 5 Estrelas'. Sua popularidade cresceu muito, principalmente devido à insatisfação crescente dos italianos com as políticas neoliberais e de arrocho, as quais ele e o seu movimento são contrários. Para ele, o projeto de integração da UE faliu. 
Na época do referendo eu apontei, claramente, esse aspecto fundamental para se entender o resultado do mesmo, mostrando que os mais pobres, os aposentados e os trabalhadores de menor renda e de menor qualificação é que haviam votado maciçamente pela saída do Reino Unido da UE, pois estes são justamente os setores mais prejudicados pelas políticas neoliberais e de arrocho que são impostas pela UE, bem como pela ala neoliberal, thatcherista, do Partido Conservador, da qual David Cameron é o principal líder e representante.

Na Itália, nas recentes eleições municipais, o partido que mais cresceu, chegando a vencer as eleições para os governos de Roma e Turim, foi o 'M5S' (Movimento 5 Estrelas), que também defende o abandono das políticas neoliberais e de arrocho.

Em Portugal, já temos um governo moderado de Centro-Esquerda, do qual fazem parte os Partidos Socialista, Comunista, Verdes e o Bloco de Esquerda, que se dispõe a abandonar as políticas neoliberais e de arrocho.

Na França, a reforma trabalhista, de nítido teor neoliberal e que precariza o mercado de trabalho, foi rejeitada por 70% da população e o governo de François Hollande teve que impor a mesma ao povo francês, pois não tinha apoio suficiente para aprová-la no Parlamento, mesmo com o seu partido (dito 'Socialista') tendo a maioria absoluta dos votos no mesmo.

E pesquisas recentes mostram um crescimento da candidatura presidencial de Marine Le Pen, bem como demonstram que a maioria absoluta dos franceses votaria favoravelmente à saída da França da UE. Na Áustria, na mais recente eleição presidencial, o candidato da Extrema-Direita, que defende o abandono da UE, perdeu a eleição presidencial por uma pequena diferença. Mas uma nova eleição foi convocada e a chance de vitória da Extrema-Direita é significativa.
Donald Trump é um milionário que se tornou o candidato do Partido Republicano, mesmo contra a vontade dos líderes partidários. Seu discurso xenófobo, racista, anti-imigrantes, atrai um eleitorado que está muito insatisfeito com a situação econômica e social dos EUA. Mesmo sendo o país mais rico do mundo, os EUA tem 47 milhões de pessoas que dependem do programa 'Food Stamp' para poder se alimentar. E a maioria dos novos empregos (cerca de 60%) que são criados no país são precários (baixos salários, longas jornadas, temporários, de meio período). 
Enfim, é muito provável que estejamos assistindo aos momentos finais, aos estertores, do processo de Globalização Neoliberal Excludente.

Isso significa que a Globalização irá desmoronar? Muito dificilmente, até porque ela já avançou bastante. 

Mas, ela terá que tomar um outro rumo, que leve em consideração a as reais necessidades da maioria absoluta da população, deixando em segundo plano os interesses do capital financeiro, que sequestrou os governos do mundo todo nas últimas décadas.

Afinal, como disse Joseph Stiglitz (Prêmio Nobel de Economia) "A agenda neoliberal das últimas quatro décadas pode ter sido boa para o 1% superior, mas não foi para o resto... As famílias das classes trabalhadoras e das classes médias não têm se beneficiado do crescimento econômico. Eles compreendem que os bancos causaram a crise de 2008. Mas, daí, eles vem bilhões sendo destinados aos bancos e pouco para salvar suas casas e seus empregos. Com a renda mediana real (corrigida pela inflação) para um trabalhador masculino em tempo integral nos EUA menor que era há quatro décadas atrás, um eleitorado irritado não vem como surpresa". 

A Globalização somente não irá desmoronar se mudar de rumo e o quanto antes. 

É necessário adotar um 'New Deal Global', que transfira renda dos países mais ricos para os mais pobres e, dentro de cada país, dos segmentos mais ricos para os mais pobres da população.
As políticas neoliberais e de arrocho que o governo de Angela Merkel impõe à UE e à Zona do Euro estão ficando cada vez mais impopulares e até mesmo os franceses, que elaboraram o projeto de integração europeia com base na ideia de 'europeizar' a Alemanha e na construção e existência de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), estão cada vez mais rejeitando o processo de integração. Pesquisas mostram que se fosse realizado um referendo na França, a maioria votaria pela saída da UE. 
Mas, para que isso venha a acontecer, é necessário que os novos governos dos EUA e do Reino Unido adotem tais políticas. Por isso que a vitória de Bernie Sanders era tão importante. Mas mesmo um governo de Hillary Clinton, que é totalmente submissa aos interesses do capital financeiro (de Wall Street) não poderá ignorar a crescente insatisfação da população dos EUA com as políticas neoliberais.

E isso talvez obrigue Hillary a ter que adotar, mesmo que a contragosto, uma parcela significativa da plataforma de Bernie Sanders, que defendia taxar os mais ricos e enfraquecer o poder político do capital financeiro (criminalizando muitas das suas atuais atividades), bem como dobrar o valor atual do salário mínimo (que é de US$ 7,50 a hora), criar um sistema público e universal de saúde, entre outras medidas que visam melhorar a distribuição de renda e promover a justiça social nos EUA. 

Que novos ventos soprem pelo mundo.

Seja bem-vinda à essa luta, Theresa May. E que Hillary Clinton siga o seu exemplo, caso venha a se eleger Presidenta dos EUA. 

Basta de arrocho e de austeridade! 

Esse é o recado que os povos do mundo inteiro estão dando por todo o mundo desenvolvido nas últimas eleições e referendos, principalmente nos países desenvolvidos.
O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, criador do New Deal, que tirou os EUA da Grande Depressão, adotando um agressivo programa de aumento dos gastos sociais, de investimentos públicos e de geração de empregos para promover a retomada do crescimento econômico. As políticas do New Deal foram mantidas até que Ronald Reagan se elegeu Presidente e decidiu iniciar o seu desmonte. E o Mundo paga um alto preço por isso, neste momento, enfrentando sucessivas crises econômicas e sociais. Mal termina uma crise e já começa outra. 
A construção de um outro mundo é possível.

Fora Temer Neoliberal e Entreguista! 

Links:

Theresa May e a defesa de políticas keynesianas e intervencionistas:


As propostas de Bernie Sanders para enfraquecer o poder do Capital Financeiro: 


Michael Moore: Porque Trump é o favorito para vencer a próxima eleição presidencial: 


François Hollande impõe reforma trabalhista contra a vontade de 70% dos franceses e da maioria do Parlamento:

http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/agora-na-franca-a-201cdemocracia201d-sem-povo

Líderes políticos de França, Itália, Áustria, Dinamarca e Holanda querem realizar referendos sobre permanência ou não na UE:

http://www.revistaforum.com.br/2016/06/24/85936/

Jeremy Corbyn e as suas propostas para governar o Reino Unido: 

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Conheca-as-propostas-do-novo-lider-do-trabalhismo-ingles/6/34484

'Movimento 5 Estrelas' vence as eleições em Roma e Turim:

http://pt.rfi.fr/mundo/20160620-roma-e-turim-escolhem-autarcas-do-populista-movimento-5-estrelas

'Movimento 5 Estrelas' vence as eleições em Roma e Turim; Partido é contra as políticas neoliberais e de arrocho: 

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2016/06/italia-m5s-partido-com-propostas-anti.html

Donald Trump irá destruir a Globalização Neoliberal?:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2016/07/sera-que-trump-ira-enterrar.html

Luiz Gonzaga Belluzzo - A liquidação do Neoliberalismo: 

http://www.cartacapital.com.br/revista/904/a-liquidacao-do-neoliberalismo

Donald Trump e a crise do Neoliberalismo nos EUA:

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/19980/por-tras-dos-gritos-de-trump-fractura-primaria-nos-eua

Brexit, Trump e os desafios do Populismo:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Brexit-Trump-e-os-desafios-do-populismo/6/36420

Economia mundial necessita de um New Deal Global:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2015/08/economia-mundial-necessita-de-um-new.html

De que maneira o Brasil poderia superar a atual crise econômica e social!! - Marcos Doniseti!

De que maneira o Brasil poderia superar a atual crise econômica e social!! - Marcos Doniseti!
Segundo o Banco Mundial, a pobreza crônica caiu de 6,7% para apenas 1,6% em um período de 8 anos, graças às políticas de investimentos na área social e de estímulo ao crescimento adotadas durante os governos Lula e Dilma. 
Existem alternativas ao que o governo Temer pretende fazer para, supostamente, promover a retomada do crescimento econômico, que envolve medidas de arrocho salarial, eliminação de direitos sociais trabalhistas e previdenciários, privatizações maciças (Pré-Sal, bancos públicos, Petrobras, etc), adoção da terceirização generalizada, redução de investimentos públicos em infra estrutura e na área social?

Claro que há alternativas. Sempre existem alternativas.

Adotá-las ou não é uma questão política e não técnica  (econômica e financeira).

O que poderia ser feito no Brasil, hoje, para tirar o país da crise, é o seguinte:

1) Reforma Tributária Progressiva, tributando mais fortemente quem ganha mais e quem tem um patrimônio maior;

2) Tributar os ganhos de capital, que ficaram isentos de pagar impostos a partir de 1995, devido à medida tomada por FHC;

3) Usar os recursos obtidos por meio da tributação progressiva e sobre ganhos de capital para aumentar os investimentos públicos, principalmente em infra estrutura (energia, transportes, telecomunicações), a fim, de diminuir o custo de produção interna e elevar a produtividade da economia como um todo;

4) Diminuir a tributação sobre a população de baixa renda, principalmente sobre aqueles que ganham até 3 salários mínimos mensais (79% dos brasileiros).

Assim, o consumo interno iria se expandir, levando à retomada do crescimento econômico;
O Salário Mínimo teve um aumento de 91,3% no seu poder de compra durante os governos Lula e Dilma, entre 2003-2016, passando de R$ 200 (2002) para R$ 880 (2016). Caso ele tivesse sido reajustado apenas pela inflação acumulada no período (de 130%), o valor atual do Salário Mínimo seria de apenas R$ 460. 
5) Fim das desonerações de impostos, usando os recursos arrecadados para se promover maiores investimentos em saúde, educação, saneamento básico, habitação e transporte coletivo, melhorando a qualidade de vida da população;

6) Manter o dólar cotado num patamar entre R$ 3,50/R$ 3,80, a fim de estimular a substituição de importações pela produção nacional, aumentando a produção interna e gerando empregos no Brasil.

7) Com a adoção desse conjunto de medidas, a economia brasileira retomaria o crescimento, gerando novos empregos, mais salários, maior consumo, criando-se um círculo virtuoso favorável ao crescimento econômico. E a arrecadação de impostos voltaria a aumentar, gerando a redução do déficit público (primário e nominal). 

E a crise terminaria.

Mas a se julgar pelo que já foi anunciado, o governo Temer irá fazer exatamente o contrário de tudo o que precisaria ser feito para que o Brasil superasse a crise.


Fora Temer!

Links:

Banco Mundial: Redução de pobreza crônica no Brasil:


FMI reconhece que políticas neoliberais aumentaram a desigualdade:


Salário Mínimo atingiu o maior poder de compra em 50 anos:

domingo, 21 de agosto de 2016

Brasil mostra evolução nas Olimpíadas: No Rio 2016 ficou em 13o. lugar! Em Sydney 2000 ficou em 52o. lugar! - Marcos Doniseti!

Brasil mostra evolução nas Olimpíadas: No Rio 2016 ficou em 13o. lugar! Em Sydney 2000 ficou em 52o. lugar! - Marcos Doniseti!
Enquanto elogia os atletas brasileiros que conquistam medalhas, o governo Temer encerra o programa que beneficia os Esportes Olimpicos. 
1) O Brasil conseguiu terminar as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2o. lugar entre os países da América. Ficou atrás apenas dos EUA, conquistando 7 medalhas de Ouro;

2) Considerando o número total de medalhas, o Brasil ficou no mesmo patamar de países como Canadá (22 medalhas), (Coréia do Sul (21 medalhas), Holanda (19 medalhas), Espanha (17 medalhas), de grande tradição esportiva;

3) O Brasil terminou em 13o. lugar na classificação geral, ficando à frente de países como Espanha, Cuba e Canadá;

4) As Olimpíadas do Rio de Janeiro foram um grande sucesso, o que foi confirmado pelo presidente do COI, que definiu o evento como sendo 'icônico';

5) Nas Olimpíadas de Sidney, do ano 2000 (a última do período de governo de FHC) o Brasil não ganhou nenhuma medalha de Ouro. Zero. 

E o Brasil ficou em apenas 52o. lugar, obtendo 6 medalhas de Prata e 6 de Bronze. 

O Brasil ficou atrás de países como Moçambique, Etiópia, Irã, Azerbaijão, Lituânia, Letônia, Estônia e Eslovênia.

Agora o Brasil conquistou 7 medalhas de Ouro e ficou em 13o. lugar;

6) A evolução significativa do Brasil nas Olimpíadas est[a diretamente relacionada aos programas de inclusão esportiva criados pelos governos Lula e Dilma: Bolsa Atleta, Bolsa Pódio e PAAR; 

7) Obrigado, Lula! Obrigado, Dilma;

8) Reacionários e coxinhas golpistas devem estar p... da vida. 

Links:

Da Gazeta do Povo: “Olimpíada do Rio foi icônica”, elogia presidente do COI:

http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/olimpiadas/2016/olimpiada-do-rio-foi-iconica-elogia-presidente-do-coi-5h22yv7tycvf7qmx3eskbhe8m

Quadro de medalhas da Olimpíada de Sidney (2000):

http://olimpiadas.uol.com.br/2008/historia/2000/medalhas.jhtm

Quadro de Medalhas da Olimpíada do Rio de Janeiro (2016):


Graças a Lula, Forças Armadas se beneficiam de atletas militares temporários:


Militar Atleta ou Atleta Militar: PAAR é um programa criado pelo governo Lula para estimular Esportes de Alto Rendimento!


Governo Lula criou o Bolsa Atleta em 2005:


Governo Dilma criou o programa Bolsa Pódio em 2011:


Governo Temer encerra programa Bolsa Pódio:


Conheça o programa Bolsa Pódio:


Governo Temer encerra programa de apoio aos Esportes Olimpícos:


86% dos Atletas olimpícos são beneficiados pelo Bolsa Atleta:

Resultados do Futebol e de Eleições no Brasil: Nada a Ver! - Marcos Doniseti!

Resultados do Futebol e de Eleições no Brasil: Nada a Ver! - Marcos Doniseti!
Gabriel Jesus é um dos bons jogadores revelados no Brasil nos últimos anos. Muitos deles estiveram na conquista da medalha de Ouro olimpíca, título inédito para o futebol brasileiro, que é o mais vitorioso do mundo. Desde a década de 1930 que o Brasil é uma das grandes forças do futebol mundial. E com essa conquista, ele começará a ser respeitado novamente, pois jogadores talentosos temos em grande número, mais do que qualquer outro país. 
Vejam quais foram os resultados da Copa do Mundo e das eleições presidenciais no Brasil desde 1994:

1) Copa 1994: Brasil Campeão; FHC (governo) ganha eleição;

2) Copa 1998: Brasil perde; FHC (governo) ganha eleição;

3) Copa 2002: Brasil Campeão; Lula (oposição) ganha eleição;

4) Copa 2006: Brasil perde; Lula (governo) ganha eleição;

5) Copa 2010: Brasil perde; Dilma (governo) ganha eleição;

6) Copa 2014: Brasil perde; Dilma (governo) ganha eleição.

Notem que a única vez em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo e, no mesmo ano, o candidato governista venceu uma eleição presidencial foi em 1994, ano de lançamento do Plano Real. 

Mas quem tem um pouco de memória sabe que Lula liderava com folga todas as pesquisas até o lançamento do Plano Real. 

As pesquisas da época, sem exceção, mostravam Lula com maioria absoluta de votos já no 1o. turno. Daí veio o lançamento do Plano Real, que derrubou a inflação e, com isso, poucas semanas após o lançamento da nova moeda FHC ultrapassou 

Lula em todas as pesquisas e, desta maneira, venceu a eleição com folga já no 1o. turno.

Logo, a vitória de FHC não teve nada a ver com a conquista da Copa do Mundo, mas sim com o lançamento do Plano Real. Este é que fez a diferença na disputa eleitoral daquele ano. 

Portanto, tem que ser muito ingênuo e desinfomado politicamente para acreditar que a popularidade de Temer irá subir em função da conquista da medalha de Ouro pela Seleção Olimpíca brasileira. 

O que essa conquista mostra é que o futebol brasileiro tem plenas condições de recuperar a competitividade e o prestígio que já desfrutou durante muitos anos, mesmo tendo um futebol muito mal administrado e com uma única rede de tv monopolizando as suas transmissões já há várias décadas. 
Lucas Lima foi um dos bons jogadores revelados no Brasil nos últimos anos. Ele não esteve na Olimpíada devido a uma contusão. E é claro que grandes clubes da Europa desejam contratá-lo. 
A quantidade de bons jogadores que o Brasil vive revelando, todos os anos, praticamente tornam o país um eterno favorito para as principais competições de Futebol do mundo, em todas as categorias, já há muito tempo. Isso não começou agora. 

Não é apenas a seleção principal que já conquistou inúmeros títulos internacionais. 

O mesmo já aconteceu com as seleções de base do Brasil. O único título que faltava, 
o Olimpíco, não falta mais e somente não foi conquistado antes porque o Brasil foi proibido, durante muito tempo, de disputar a competição com jogadores profissionais.

Enquanto os países ditos 'socialistas' levavam as suas seleções principais para a Olimpíada, usando do discurso mentiroso de que eles eram 'amadores', o Brasil e os outros países eram obrigados a levar seleções juvenis, de base, sem nenhum profissional. 

E depois que os profissionais passaram a disputar a Olimpíada, o Brasil chegou, pela primeira vez, à disputa do título em várias oportunidades, mas acabou perdendo na decisão, o que é normal no futebol mundial, que é altamente competitivo.

Agora, esse título foi conquistado porque temos uma ótima geração de bons jogadores, que foram revelados nos últimos anos (Luan, Gabigol, Gabriel Jesus, Thiago Maia, Rodrigo Caio, Marquinhos, Zeca, Walace...). 
Com a contratação de Tite o Corinthians conquistou alguns dos principais títulos da sua história. E sob o seu comando agora a Seleção Brasileira tem um treinador de verdade, o que não acontecia desde a Copa de 2006, pelo menos. Mas o tempo desperdiçado na preparação para a Copa 2018 irá prejudicá-lo. Afinal, foram mais de dois anos de preparação que foram jogados no lixo... 
Eles ainda não tem, em muitos casos, experiência internacional e grande parte deles jamais foi convocado para a seleção principal do Brasil, mas jogam muito bem pelos seus clubes. Gabriel Jesus, que passou a se destacar pelo Palmeiras a partir de 2015, mas cujo desempenho em 2016 melhorou ainda mais, já foi contratado pelo Manchester City (um dos clubes mais ricos do mundo) por 32,7 milhões de Euros. E ele tem apenas 19 anos de idade. 

Assim, mesmo sem ter formado qualquer seleção olimpíca nos últimos quatro anos, mas possuindo uma geração de jogadores talentosos, o Brasil conseguiu conquistar o seu primeiro título olimpíco. 

Copa de 2018 - Preparação desperdiçada! 

O grande problema do futebol brasileiro é que ficamos desde a Copa de 2006 sem um treinador de verdade. 

Dunga nunca foi técnico de nada e não sabe sequer organizar taticamente um time. É ruim demais como treinador. Felipão e Parreira, que comandaram a Seleção do Brasil na Copa de 2014, são totalmente obsoletos. Parreira, inclusive, já tinha se aposentado do futebol quando foi chamado para participar da comissão técnica do Brasil para a Copa. 

E Felipão tem alguns méritos, frutos do seu passado, mas a sua concepção de futebol é medieval. Dar chutões para a frente e rezar para o Neymar resolver tudo sozinho lá na frente, que foi o esquema usado na Copa de 2014, é coisa de quem não entende lhufas de futebol moderno. 

Outra coisa: Podem ter certeza de que muitos dos jogadores que disputarão a Copa de 2018 estiveram nessa Olimpíada, tais como: Luan, Gabigol, Gabriel Jesus, Thiago Maia, Rodrigo Caio, Marquinhos, Zeca, Walace. 
Revelado pelo Corinthians, ainda jovem Marquinhos foi levado para a Europa, tendo sido contratado pela Roma. Agora ele é jogador do PSG, um dos mais ricos clubes de futebol do mundo e tem futebol com qualidade suficiente para ser titular do Brasil na Copa de 2018. 
E olha que um bom número de bons jogadores ficou de fora da Olimpíada, por algum motivo (idade, contusão ou porque o clube não o liberou), como são os casos de Casemiro, Lucas Lima, Douglas Costa, Danilo, Philipe Coutinho e William.

Temos uma ótima geraçao de jogadores, mas não tínhamos um treinador de Seleção que soubesse fazer com que eles jogassem um bom futebol.

Agora temos (Tite, é claro). 

O problema é que a CBF perdeu dois anos com essa palhaçada de acreditar que o inepto e arrogante Dunga seria um treinador de futebol (o que nunca foi) e desperdiçamos um tempo imenso de preparação para a próxima Copa 2018. 

Como sempre, é a mediocridade dos dirigentes esportivos brasileiros atrapalhando o futebol do país, que desde a década de 30 do século 20 sempre foi uma das grandes forças do futebol mundial e que continua revelando novos e bons jogadores quase todos os anos. 

Ou vocês acham que tais jogadores atuam nos maiores clubes do futebol mundial à toa? Será que os dirigentes de Barcelona, Real Madrid, Manchester City, Liverpool, Chelsea, PSG, Atlético de Madrid são todos burros, estúpidos e imbecis quando gastam dezenas de milhões de Euros para contratar jogadores brasileiros? Claro que não. Contratam porque eles são bons.

Repito: agora que temos um treinador de verdade no comando da Seleção Brasileira, temos tudo para voltar a ser respeitados novamente no cenário do futebol mundial. 

E é neste sentido que a conquista da Olimpíada pelo Brasil foi importante. 
Michael Jordan tornou-se um miltimilionário graças aos contratos que assinou tanto como jogador, como em função daqueles que fez como garoto-propaganda. Esporte de alto nível, popular e ídolos de massa também é uma combinação que está presente no futebol globalizado da atualidade.
Ela resgata uma parte do prestígio perdido pelo futebol brasileiro nos últimos anos e mostra que os outros países terão que passar a respeitar a Seleção Brasileira novamente. 

Futebol e Marketing!

Algumas pessoas reclamam do marketing que cerca um craque como é o Neymar. 

Bem, tais pessoas devem ser totalmente malucas para acreditar que é possível deixar o marketing de lado no futebol mundial. Se acreditam nisso, é porque estão totalmente por fora da realidade do atual futebol globalizado e bilionário. 

No futebol globalizado e bilionário que temos no mundo atualmente, o marketing e o desempenho do jogador dentro de campo andam de mãos dadas. Não há como separá-los. Sem chance. 

Um exemplo disso é que um bom jogador como era o inglês Beckham (mas que nunca foi um craque) ganhava mais dinheiro com publicidade do que jogando futebol. 

Com os grandes astros do futebol mundial atual (Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, por exemplo) acontece o mesmo. 
O espanhol Pep Guardiola é considerado, por muitos, o melhor treinador do futebol mundial. E ao lado de outros grandes nomes (José Mourinho, Simeone) ele também ganha salários milionários. No futebol globalizado, isso é a norma. Se você é muito bom no que faz, então acabará se tornando um milionário, seja um treinador ou um jogador de futebol. 
E o mesmo ocorria, por exemplo, com Michael Jordan, o maior jogador da história do basquete. 

Acordem: O amadorismo no futebol mundial acabou e isso ocorreu já há muito tempo.

Links:

Gabriel Jesus é vendido para  Manchester City por 32,7 milhões de Euros: 

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2016/08/palmeiras-e-city-oficializam-venda-de-gabriel-jesus-por-r-121-milhoes.html

domingo, 14 de agosto de 2016

Lula, o Pacto Político, o Golpe de 2016 e a crise da Era da Inclusão Social!! - Marcos Doniseti!

Lula, o Pacto Político, o Golpe de 2016 e a crise da Era da Inclusão Social!! - Marcos Doniseti!
Elites reacionárias apoiaram movimentos retrógrados que exigiam, nas ruas, o fim da Democracia brasileira. Embora não tenhamos tido uma intervenção militar, ocorreu um Golpe de Estado que derrubou Dilma de forma ilegal e que, portanto, rasgou a Constituição do país.
Muitas pessoas que se dizem 'esquerdistas' ou 'petistas' criticam o presidente Lula por ter viabilizado um grande pacto político nacional que reuniu forças progressistas (PT/PCdoB e movimentos sociais como a CUT, UNE, MST, LGBT) junto com forças políticas e sociais conservadoras (PMDB, PTB, PP, entre outros). 

Mas parece que tais pessoas fazem questão de esquecer que foi justamente esse Pacto Político que tornou possível a adoção de políticas que promoveram uma melhor distribuição de renda, bem como a inclusão social e a ascensão dos mais pobres (40 milhões saíram da miséria).

Isso foi possível devido à criação de empregos melhores (foram criados 21 milhões de empregos com carteira assinada entre 2003-2014), salários mais altos (o salário mínimo teve um aumento real de quase 92%), acesso ao ensino superior (por meio do Fies, ProUni, Lei de Cotas e criação de 18 novas universidades federais) e a moradias para a população de baixa renda (Minha Casa Minha Vida, que já entregou 2,5 milhões de moradias para a população de baixa renda), bem como a bens de consumo em geral (automóveis, celulares/smartphones, computadores, geladeiras, etc). 

Lula e as principais lideranças das forças políticas e sociais progressistas brasileiras avalizaram tal pacto, o que permitiu que o PT governasse o Brasil durante 12 anos consecutivos, entre 2012-2014.
Reforma trabalhista do governo de Temer/PMDB/PSDB irá permitir que a CLT seja transformada em letra morta. E até mesmo direitos estabelecidos na Constituição serão aniquilados, o que permitirá um brutal aumento da exploração da força de trabalho do país por parte dos Capitalistas. 
Obs1: O ano de 2015 não entra na conta, pois neste momento as forças conservadoras já haviam rompido tal Pacto Político e se uniram para impedir que Dilma conseguisse governar, a fim de desgastar e enfraquecer o seu governo e, desta maneira, poder derrubá-la do cargo. Infelizmente, as forças mais retrógradas acabaram conseguindo atingir os seus objetivos. E agora o povo brasileiro (os pobres e a classe média) irão pagar o Pato da vitória e da consolidação do Golpe Reacionário e Entreguista que foi vitorioso. 

Mas, qual é a novidade dessa aliança política que Lula construiu no Brasil a fim de se construir uma sociedade com melhor distribuição de renda e com um mínimo de justiça social? 

Nenhuma novidade. 

Isso já tinha sido feito anteriormente em nosso país, com variados graus de sucesso, principalmente pelos governos de Getúlio Vargas, JK e Jango. 

Getúlio Vargas, em seu segundo governo (1951-1954), em outro momento e em circunstâncias históricas distintas, fez a mesma coisa. Embora ele fosse do PTB, a maioria dos seus ministros era de duas legendas conservadoras, o PSD e a UDN (sim, até a UDN teve ministro no governo democrático de Vargas). 
A 'Tribuna da Imprensa', jornal de propriedade do eterno golpista Carlos Lacerda, fazia campanha sistemática contra o governo democrático de Getúlio Vargas. Outros jornais da época ('O Globo', 'Estadão', entre outros) faziam a mesma coisa. Qualquer semelhança com a brutal campanha midiática que se fez contra os governos Lula e Dilma não é mera coincidência.
Esse governo de união nacional foi uma tentativa de Vargas de diminuir a rejeição ao seu nome por parte das forças políticas mais retrógradas (grandes empresários, multinacionais, banqueiros, latifundiários, classes médias mais abastadas, Grande Imprensa, Igreja Católica, setores direitistas das Forças Armadas). 

Porém nem mesmo ele, Getúlio Vargas, com toda a sua legendária capacidade de articulação política, de conciliar interesses conflitantes, conseguiu ser bem sucedido nesta tentativa de se promover um Pacto Político em um ambiente de regime Liberal-Representativo. 

E o resultado desse agravamento dos conflitos políticos e sociais em seu governo democrático foi o Golpe de Estado que resultou no seu suicídio, em Agosto de 1954. 

Mesmo após a morte de Getúlio Vargas e o colapso da política de conciliação de classes colocada em prática pelo pai do Trabalhismo brasileiro durante o seu curto mandato (cerca de 3 anos e 6 meses), o presidente Juscelino Kubistchek continuou com essa política de natureza conciliatória. JK continuou governando com o apoio do PSD (do qual ele, JK, era a principal liderança), um partido conservador e de fortes características fisiológicas, e do PTB, progressista, do qual Jango (vice de JK) era o principal líder. 

Obs2: Sobre o caráter fortemente pragmático e fisiológico do PSD, um dos seus principais líderes, Tancredo Neves (um getulista convicto), disse o seguinte: "Entre a Bíblia e 'O Capital', o PSD fica com o Diário Oficial". 
Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves foram dois dos principais líderes do PSD no período 1945-1965. Ambos eram getulistas e defendiam políticas nacionalistas e reformistas, de caráter moderado, para desenvolver o país. Mesmo assim, JK sofreu várias tentativas de Golpe de Estado (em 1955, 1956, 1959). 
Assim, o PSD lembra muito o PMDB dos nossos tempos, embora tivesse políticos de uma qualidade muito superior ao da época atual, como foram os casos de JK e Tancredo Neves. Aliás, grande parte das lideranças do antigo PSD foram membros do PMDB, incluindo Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. 

Desta maneira, JK conseguiu isolar politicamente os conservadores retrógrados (eternos golpistas, principalmente Lacerda) da UDN, inviabilizando a possibilidade de que as tentativas golpistas fossem vitoriosas. 

E vejam que mesmo sendo um político centrista, um reformista modernizador moderado originário das elites do país, JK enfrentou três tentativas de Golpe de Estado: Em 1955 tivemos um Golpe que tentou impedir a posse de JK/Jango, que tinham acabado de vencer a eleição presidencial, derrotando os conservadores Juárez Távora (UDN) e Ademar de Barros (PSP). 

Em 1956, tivemos uma nova tentativa de Golpe de Estado, por meio de uma rebelião militar, que foi a revolta de Jacareacanga, que acabou derrotada. Em 1959, tivemos outra tentativa de Golpe contra o governo JK, quando ocorreu a revolta militar de Aragarças, que também foi derrotada. 

E é claro que o eterno golpista Carlos Lacerda (o FHC da época) estava envolvido em todas estas tentativas de Golpe. 
Jango e Brizola defendiam a adoção das chamadas 'Reformas de Base' (agrária, urbana, política, tributária, universitária). Mas enquanto o presidente Jango queria promovê-las dentro das regras do jogo democrático, Brizola e as Esquerdas Radicais (Prestes, Arraes, Francisco Julião, PCB, CGT, UNE, Ligas Camponesas) queriam realizá-las 'na lei ou na marra', contribuindo decisivamente para o processo de radicalização política e ideológica que ocorreu no Brasil durante o governo Jango (1961-1964). 
Em 1961, tivemos um novo Golpe de Estado, por meio do qual os ministros militares e as forças mais retrógradas da sociedade tentaram impedir a posse de Jango na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, que pensou que o povo iria sair às ruas e os militares exigiriam a sua permanência no cargo, aproveitando-se para se tornar um Ditador. Ninguém pediu para Jânio ficar no cargo e ele acabou saindo da história para entrar na vida, fazendo caminho inverso ao de Getúlio Vargas, a cuja Carta-Testamento ele plagiou na cara dura quando escreveu a carte de renúncia.

Obs3: 'O Globo' e 'Estadão', que eram os principais jornais conservadores do Brasil naquela época, apoiaram essa tentativa de Golpe. Em 1964, apoiaram o Golpe de 64, que derrubou o governo democrático de Jango e, agora, fazem o mesmo em 2016, apoiando o Golpe que derrubou o governo democrático de Dilma. Isso comprova o quanto a Mídia brasileira sempre foi golpista. 

Jango também tentou fazer o mesmo, em seu governo, promovendo a continuidade da política de conciliação de classes que Vargas e JK haviam praticado, mas ele fez isso em um ambiente de radicalização política e ideológica (tanto interna, quanto externa, em função da vitória da Revolução Cubana).
Já em 1962 o jornal 'O Globo', sempre defendendo medidas reacionárias e que prejudicam os trabalhadores, fazia campanha contra a criação do 13o. Salário, reivindicação essa que acabou sendo atendida pelo governo Jango, que sancionou a lei que criou o mesmo em 1963.
Essa radicaliação foi promovida tanto pelas forças conservadoras, direitistas, que desde a derrota do Golpe de 1961 continuaram promovendo articulações e campanhas que visavam enfraquecer e derrubar o governo Jango (a CIA ajudou muito nesse movimento golpista, financiando as candidaturas de inúmeros políticos conservadores nas eleições de 1962), quanto pelas Esquerdas Radicais (Brizola, Prestes, Arraes, Francisco Julião, PCB, CGT, UNE, Ligas Camponesas), que desejavam promover as 'Reformas de Base' na lei ou na marra. 

Tal radicalização inviabilizou a continuidade dessa política conciliatória, levando à vitória do Golpe de 1964, organizado e promovido pelas mesmas forças políticas e sociais retrógradas que haviam tentado derrubar Getúlio Vargas em 1954. 

Portanto, somente notórios desinfomados podem acreditar que a política conciliatória do governo Lula foi uma novidade. Outros governos (Vargas, JK e Jango), dos mais progressistas da história brasileira, fizeram o mesmo. E também foram vítimas de inúmeras tentativas golpistas. 

O governo Dilma foi derrubado porque as forças conservadoras que sustentavam o Pacto Político feito,  avalizado e sustentado por Lula entre 2002/2014, romperam o mesmo, passando a adotar uma estratégia golpista que permitisse inviabilizar e derrubar o governo Dilma, a fim de impor uma política neoliberal, entreguista, privatista e de arrocho que as forças progressistas se recusavam a adotar. 
Tal como fez em, 1962, quando 'O Globo' fez campanha contra a criação do 13o. Salário, agora os proprietários do jornal voltam a defender o fim dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, fazendo o discurso de 'flexibilizar' a CLT, ou seja, de transformá-la em letra morta. 
Exemplo disso foi a venda (a preço de banana, é claro), pelo governo Temer, de um campo do pré-sal (Carcará) para um empresa de petróleo norueguesa, a Statoil, que pertence ao governo da Noruega, que é o país mais desenvolvido do mundo (número 1 no IDH da ONU). 

A Europa Ocidental e o Pacto Político do Pós-Guerra!

Na Europa Ocidental do Pós-Guerra também tivemos um grande Pacto Político, que reuniu forças de Esquerda e de Direita, que viabilizaram a manutenção da Democracia Liberal-Representativa, ao mesmo tempo em que se promoveu a construção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State).

Durante a vigência deste Pacto Político não importava qual o partido que governasse algum dos principais países europeus (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Bélgica, Holanda, países escandinavos), o Pacto Político que promoveu uma combinação de um regime Liberal-Representativo com a construção e manutenção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) era preservado.

Assim, fosse um partido Social-Democrata/Trabalhista ou um Democrata-Cristão/Conservador que estivesse no governo, as políticas que promoveram grandes investimentos em saúde, educação, habitação, transporte coletivo, previdência social, eram preservadas. 

Tais políticas eram financiadas de duas maneiras principais: 

A) Crescimento Econômico: Tal crescimento foi virtualmente ininterrupto entre 1948 (ano da adoção do Plano Marshall) e 1973 (ano em que ocorreu o primeiro 'Choque do Petróleo'); 

B) Tributação Progressiva: A tributação progressiva da renda e da riqueza, cobrando mais impostos dos mais ricos e menos dos mais pobres. Essa tributação era feita sobre a renda individual, o patrimônio e os ganhos de capital. 
'Pós-Guerra', fantástico livro do historiador britânico Tony Judt sobre a história da Europa no Pós-Guerra, mostra que a construção do Welfare State (Estado de Bem-Estar Social) foi resultado de um Pacto Político do qual participaram forças de Esquerda (Social-Democratas, Trabalhistas e até os Comunistas, caso do PCI) e Direita (Democratas Cristãos, Liberais e Conservadores) . 
Este Pacto Político foi mantido por cerca de 35 anos, entre 1945-1980, e contou com o apoio fundamental e decisivo dos EUA, que tinha interesse em mostrar que uma versão mais 'humanizada' do Capitalismo era mais interessante para os trabalhadores e para a classe média da Europa Ocidental do que o regime do chamado ''Socialismo Real" que vigorava no 'bloco soviético' (URSS, Polônia, Hungria, Romênia, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Bulgária).  

A pobreza e a miséria que grassavam na Europa Ocidental no Pós-Guerra e a existência de um bloco soviético, que se dizia Socialista, em grande parte da Europa Central e no Leste Europeu foi o principal motivo que levou os EUA e as elites capitalistas do Ocidente a aceitar a existência de um Welfare State nestes países ocidentais e que era financiado com uma forte tributação sobre o Capital e os mais ricos. 

Os EUA apoiaram esse Pacto Político de várias maneiras, tais como: 

A) Plano Marshal: Este foi implantado pelos EUA a partir de 1948 e representou uma gigantesca DOAÇÃO de recursos financeiros para que os países da Europa Ocidental pudessem levar adiante e concluir a tarefa de reconstrução, que havia sido iniciada logo após o final da Segunda Guerra Mundial, mas que tinha sido interrompida, em 1947, em função do excessivo endividamento destes países. 
Os países da Europa Ocidental estavam devastados ao final da Segunda Guerra Mundial e não possuíam os recursos (capital) necessários para se reconstruir. O Plano Marshall, adotando entre 1948 e 1953, forneceu (via doação de capital pelos EUA) o capital necessário para que essa reconstrução fosse levada adiante. Sem os recursos do mesmo, a Europa Ocidental jamais teria se recuperado da destruição provocada pela Guerra.
Além de doar esses recursos, os EUA respeitaram a autonomia de cada país europeu que foi beneficiado pelo Plano Marshall, permitindo que o governo de cada um escolhesse em que área investir. Assim, alguns países priorizaram a área social, enquanto que outros deram mais importância para investimentos em infra-estrutura ou no setor industrial.

O Plano Marshall representou uma transferência anual que equivalia a cerca de 10% a 12% do PIB dos países beneficiados (Europa Ocidental). É como se o Brasil, atualmente, recebesse (sob a forma de DOAÇÃO) algo como US$ 240 bilhões anualmente para investir naquilo que considerasse mais necessário para o seu desenvolvimento. É claro que se isso acontecesse o Brasil passaria por um rápido processo de desenvolvimento econômico. 

B) Criação da OTAN: Os EUA literalmente bancaram os gastos militares dos países da Europa Ocidental, por meio da criação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Com a criação da OTAN, as Forças Armadas dos países europeus ocidentais ficaram sob o controle direto dos EUA, o que foi importante para evitar que os mesmos iniciassem uma nova guerra que devastasse, novamente, o Velho Mundo. Em função disso, até hoje é sempre um General dos EUA que comanda a OTAN.

Sem precisar gastar muito com a indústria bélica ou com as Forças Armadas, pois tais gastos eram bancados pelos EUA, os governos da Europa Ocidental puderam destinar uma parcela maior dos seus orçamentos para investimentos na área social. 

Este foi o caso, principalmente, da Alemanha Ocidental. 
Portão de Brandemburgo, em Berlim, ao final da Segunda Guerra Mundial: Grande parte do Velho Mundo encontrava-se nesta situação ao final do conflito que foi desencadeado pelas ambições criminosas e imperialistas da Alemanha Nazista de Hitler.  
C) A Guerra Fria e as Guerras mundo afora: As inúmeras guerras promovidas pelos EUA mundo afora (Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã, entre outras) serviram de fonte de estímulo para o crescimento econômico de todo o mundo capitalista no Pós-Guerra. 

Tais guerras fizeram com que a tensão política internacional se mantivesse sempre em alta, o que fortalecia o clima de paranóia que era característico da Guerra Fria.  

Isto fez com que os gastos militares dos EUA sempre ficassem num patamar elevado, promovendo um grande aumento dos gastos públicos que, por sua vez, estimulava o setor privado a investir cada vez mais, gerando milhões de empregos na área militar. 

A Guerra da Coréia começou em 1949 e terminou em 1953, mas já no ano seguinte os EUA começaram a intervir na Guerra do Vietnã, onde gastaram cerca de US$ 1 trilhão (em valores da época... hoje seria muito mais) durante cerca de 20 anos de conflito. 

Até o final do governo Kennedy a intervenção dos EUA no Vietnã se dava por meio do envio de dinheiro, assessores militares e armamentos. A partir do governo de Lyndon Johnson é que os EUA começaram a enviar soldados para combater, erro este que John Kennedy nunca cometeu. O auge do envolvimento militar dos EUA se deu em 1968, quando chegaram a possuir cerca de 550 mil soldados combatendo no Vietnã.
O envolvimento direto dos EUA nas  Guerra da Coréia (1949-1953) e do Vietnã (1954-1975) fizeram com que os gastos militares atingissem um patamar altíssimo, principalmente nos EUA e no Reino Unido. Tais gastos militares foram fundamentais para se promover o crescimento econômico do Ocidente Capitalista no período 1948-1973. 
Independente dos resultados destas guerras, elas representaram um gigantesco estímulo ao crescimento econômico, sendo fundamentais para que todo o Ocidente Capitalista continuasse crescendo, de forma ininterrupta, entre 1948-1973. 

De certa maneira, a economia do Ocidente Capitalista ficou viciada e dependente das Guerras para poder continuar crescendo, o que gerou a formação de um gigantesco complexo industrial-militar, a cujo crescente poder até mesmo o então presidente Eisenhower advertiu que seria bastante prejudicial aos regimes liberais-democráticos do Ocidente. 

Não foi à toa, portanto, que foi justamente neste período em que tivemos uma grande melhoria nas condições de vida da imensa maioria da população europeia, principalmente da classe média e dos mais pobres. 

Esta foi a chamada "Era de Ouro" do Capitalismo Ocidental (como a denominou o brilhante historiador marxista britânico Eric Hobsbawm) e que combinou três fatores fundamentais para que se melhore as condições de vida da população, que são: 

A) Estabilidade Política; B) Crescimento Econômico; C) Estado de Bem-Estar Social. 

A combinação destes três elementos foi o que gerou a formação de uma imensa classe média, que se tornou a maioria absoluta da população no Ocidente Capitalista (algo que nunca havia acontecido até então), bem como tivemos uma melhoria substancial das condições de vida das classes trabalhadoras e dos mais pobres. 
'Era dos Extremos', livro clássico de Eric Hobsbawm, é fundamental para se poder compreender o século XX. 
Nesta 'Era de Ouro', a distribuição de renda melhorou bastante, as desigualdades sociais foram sensivelmente reduzidas e os europeus passaram a desfrutar de um amplo conjunto de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, bem como de melhores salários e condições de trabalho muito mais dignas. 

Com isso, formou-se um gigantesco mercado consumidor de todo tipo de produto que, até antes da Segunda Guerra Mundial, eram acessíveis apenas aos mais ricos na Europa Ocidental. Os automóveis, por exemplo, somente se massificaram na Europa Ocidental a partir do final dos anos 1950. 

Até mesmo serviços como o fornecimento de água encanada ainda não chegavam a mais da metade das residências de países como Bélgica, Itália, Áustria e Espanha (fonte: livro 'Pós-Guerra: Uma Historia da Europa desde 1945", de Tony Judt). 

Foi esse Pacto Político, portanto, que tornou possível que a população da Europa Ocidental passasse a desfrutar de excelentes condições de vida.

E esse Pacto Político foi mantido, virtualmente sem qualquer alteração, até a ascensão de Ronald Reagan e Margaret Thatcher ao poder, nos EUA e no Reino Unido, entre 1979/1980, que adotaram políticas neoliberais, privatizantes, de desmonte do Welfare State, reprimindo e enfraquecendo duramente o movimento sindical. 
No caótico sistema político-partidário brasileiro até o DEM e o PSOL se uniram, o que ocorreu na eleição municipal de 2012 em Macapá, quando os 'democratas' apoiaram o candidato do PSOL, Clécio Soares, que venceu a eleição. 
O fim do Pacto Político no Brasil e o Golpe de 2016!

Portanto, políticas que promovam uma melhor distribuição de renda e a justiça social dependem, essencialmente, da criação e aceitação de Pactos Políticos amplos, que representem a maioria absoluta da população (trabalhadores assalariados, pequenos proprietários, classes médias), bem como os segmentos mais poderosos e influentes da sociedade (grandes industriais, banqueiros, latifundiários, multinacionais). 

E foi exatamente isso que o governo Lula fez no Brasil e que Dilma deu continuidade, embora sem a mesma capacidade de dialogar e articular politicamente que o maior líder sindical da história brasileira desenvolveu durante muitos anos de diálogo com trabalhadores, mídia, classes médias, movimentos sociais, grandes empresários, igrejas, entre outros segmentos sociais. 

Mas não se iludam: Nenhuma capacidade de articulação política é capaz de manter o Pacto Político quando um dos lados decide romper o mesmo. Assim, se um dos lados rompe esse Pacto Político, tais políticas de inclusão social e distribuição de renda ficam inviabilizadas e o próprio regime Liberal-Representativo fica ameaçado. 

E é exatamente isso que tivemos no Brasil a partir de 2013. 

As 'Jornadas de Junho' que, inicialmente, reivindicavam maiores direitos sociais (educação, saúde, transporte coletivo) foram apropriadas por uma Direita retrógrada, e até por uma Extrema-Direita neofascista, que se unificou durante a campanha eleitoral de 2014.
Lula e Dilma: Sem a realização de acordos políticos com outras legendas, mesmo conservadoras, as quatro vitórias eleitorais consecutivas para a Presidência da República jamais teriam acontecido. E sem as mesmas não teríamos Bolsa Família, Aumento Real do Salário Mínimo, Minha Casa Minha Vida, Fies, ProUni, Ciência Sem Fronteiras, entre outros inúmeros projetos e programas que foram fundamentais para se tirar 40 milhões de pessoas da miséria. 
Nesta campanha eleitoral, todas as principais forças políticas e sociais mais conservadoras se uniram para derrotar Dilma e encerrar a 'Era da Inclusão Social' que havia sido iniciada pelo governo Lula: Latifundiários (agronegócio), Igrejas Conservadoras (principalmente as neopentecostais), Grande Mídia, Sistema Financeiro, Multinacionais, Classe Média abastada, partidos conservadores (PSDB, PTB, PMDB, DEM, PPS), Capital Financeiro Globalizado.

O terrorismo midiático e a operação Lava Jato também foram fundamentais para se enfraquecer o governo Dilma, que passou a ser responsabilizado por uma crise econômica mundial que somente não chegou antes ao Brasil em função das medidas anticiclicas keynesianas adotadas pelos governos Lula e Dilma (redução de juros, aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos, redução de impostos, aumento dos investimentos públicos, aumento de salários e dos gastos sociais). 

Somente a operação Lava Jato tirou o emprego de 1 milhão de trabalhadores apenas em 2015, em nome de um combate à corrupção que se revelou altamente midiático, partidário e seletivo. Grande parte das principais obras de infra-estrutura do país foram paralisadas ou muito prejudicadas em função da operação, incluindo obras de refinarias, petroquímicas, construção naval, entre muitas outras.

E o terrorismo midiático inventou uma crise econômica de uma gravidade inexistente e artificial, chegando a dizer que o Brasil era um país 'quebrado', embora o país tenha acumulado, durante os governos Lula e Dilma, reservas internacionais líquidas (US$ 376 bilhões) suficientes para pagar toda a dívida externa do país (US$ 332 bilhões). E com esse terrorismo da Mídia, a população se assustou e reduziu drasticamente o seu consumo, principalmente de bens e serviços de maior valor. 
Getúlio Vargas e o seu Vice-Presidente, Café Filho (PSP), que o traiu descaradamente em 1954, participando ativamente das articulações políticas que visavam derrubar Vargas da Presidência da República, o que resultou no suicídio deste.
Com isso, por exemplo, as vendas de automóveis zero km despencaram no mercado interno, depois de um primeiro mandato de Dilma no qual as vendas bateram um recorde histórico e chegaram a quase 14 milhões de unidades em apenas quatro anos (2011-2014). 

Some tudo isso com uma classe política apavorada com a possibilidade de ir parar na prisão em função das investigações feitas no país, as quais Dilma nunca tentou barrar, fato este que foi devidamente reconhecido até mesmo pelos procuradores da operação Lava Jato, e estão criadas as condições para que um Golpe de Estado promovido por forças conservadoras seja levado adiante e acabe vitorioso. 

Todos estes segmentos se uniram a fim de inviabilizar, enfraquecer e derrubar o governo Dilma. E eles souberam se aproveitar de eventuais erros de articulação política, de medidas de ajuste econômico que não foram as corretas ou que não foram devidamente explicadas para a população, bem como de falta de diálogo maior do governo Dilma com a base social organizada que havia sido, em grande parte, a responsável pela quase que milagrosa vitória de Dilma na eleição presidencial de 2014.

Os erros cometidos por Dilma em seu segundo mandato (que afastaram a maior parte do eleitorado que havia votado em sua candidatura), a operação Lava Jato, o terrorismo midiático, o pavor da classe política e uma conjuntura econômica desfavorável beneficiaram aos grupos retrógrados, que se unificaram em torno do Golpe. 
Durante os governos Lula e Dilma o Salário Mínimo teve um aumento real de 91,3%, passando de R$ 200 (2002) para R$ 880 (2016), acumulando um reajuste de 340%, contra uma inflação acumulada de 130% no mesmo período. Valor real do Salário Mínimo atingiu o seu maior patamar desde o governo Jango (1961-1964). 
E isso aconteceu mesmo que os interesses destas frações de classe sejam os mais variados possíveis, sendo que em muitos casos são, até, conflitantes entre si. Mas o fato de possuírem um inimigo comum (Dilma, Lula, o PT e as forças progressistas em geral) serviu para unificá-los.

E agora, tal como aconteceu na Europa Ocidental e nos EUA pós-Reagan/Thatcher, o Brasil tem novamente um governo neoliberal, entreguista, reacionário, que já anunciou que irá promover inúmeros retrocessos no país. 

Com isso, os trabalhadores brasileiros e as camadas populares poderão perder direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que foram conquistados ao longo de décadas de luta, e que remontam ao século XIX (no qual já se faziam greves em defesa da criação do salário mínimo e da previdência social) e até aos períodos Colonial e Monárquico (a luta contra a Escravidão é um grande exemplo dessa luta, da qual a criação dos Quilombos e a criação da Capoeira são alguns dos seus maiores símbolos).

A agenda neoliberal do governo Temer/PMDB/PSDB inclu:

A) Privatizações desnacionalizantes (da Petrobras, BB, CEF, BNDES, FGTS, FAT);

B) Entrega do pré-sal ao capital estrangeiro a preço de banana;

C) Criminalização e repressão aos movimentos sociais e dos partidos de oposição (PT e PCdoB, em especial);

D) Desmonte dos programas sociais (ProUni, Fies, Ciência Sem Fronteiras, Minha Casa Minha Vida, entre outros);
Produção do pré-sal cresce rapidamente. Em menos de 10 anos, desde a sua descoberta (em 2006) a produção já passa de 1,2 milhão de barris diários de petróleo e gás natural. E a produtividade do pré-sal é altíssima, chegando a 25 mil barris diários por poço. No Golfo do México a produtividade é bem menor, de 10 mil barris diários por poço. 
E) Desmonte da CLT (o acordado entre empresários e trabalhadores irá se impor sobre o legislado, ou seja, sobre os direitos garantidos por Leis);

F) Reforma da previdência que irá atingir os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho;

G) Abandono do processo de integração latino-americano pelo Brasil.

Estas são algumas das principais medidas que estão sendo colocadas em prática ou ensaiadas por um governo ilegítimo e que não foi eleito diretamente pelo povo. 

Afinal, quem votou nesse programa de governo em 2014? Ninguém. 

O Brasil caminha para uma nova Ditadura? 

O momento atual, no Brasil, é de conflitos políticos e sociais intensos e que deverão ficar muito mais fortes quando todas estas medidas impopulares começarem a ser impostas pelo governo ilegítimo de Temer.

Tais medidas somente serão viabilizadas se algum tipo de regime autoritário for imposto ao país. Dentro das regras do jogo democrático elas são inviáveis, pois vão contra os interesses da maioria da população. 

E mesmo entre os diferentes segmentos golpistas estes conflitos irão se intensificar, caso o governo Temer venha a se consolidar no poder, pois há resistências dentro de certos grupos golpistas a inúmeras medidas impopulares (mudanças na CLT e na Previdência Social, em especial) que irão atingir em cheio ao eleitorado de uma parte dos partidos políticos que apoiaram o Golpe. 
Governo Alckmin usa a PM para reprimir de forma brutal aos estudantes que lutam contra o fechamento de escolas, superlotação das salas de aula e a péssima qualidade da educação pública oferecida pelo governo do PSDB, que governa o estado de São Paulo há mais de 20 anos. É esse tipo de governo que temos, agora, no comando do país. 
O fato concreto é que o Brasil muito dificilmente irá se recuperar tão cedo da crise econômica, política e social atual. 

Um Pacto Político foi rompido e um novo ainda não foi devidamente 'assinado'. E tudo indica que, agora, não teremos um novo Pacto Político. E sem um novo Pacto Político o país corre o sério risco de vir a se tornar ingovernável e por um bom período de tempo ou, então, de caminhar para a instalação de um novo regime autoritário. 

Afinal, o projeto neoliberal privatista, excludente, entreguista e retrógrado do governo de Temer/PMDB/PSDB é inteiramente impopular, sendo rejeitado pela imensa maioria da população, até porque ele não foi aprovado em eleições, como sempre acontece em países liberais democráticos. 

De fato, todos os candidatos identificados com esse projeto neoliberal e retrógrado foram derrotados em quatro eleições presidenciais consecutivas (2002, 2006, 2010 e 2014). Ninguém votou nessa plano de governo reacionário e entreguista que Temer/PMDB/PSDB estão impondo ao país, de forma totalmente autoritária e inconstitucional.  

E tudo indica que quando a população brasileira acordar para a nova realidade já será tarde demais, pois o estrago já terá sido feito. 
'A Segunda Guerra Fria': Livro do historiador brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira explica de que maneira os EUA, bem como ONGs e Think Tanks ianques, promovem processos de desestabilização e Golpes de Estado pelo mundo afora a fim de submeter todos os países à Ditadura Global dos EUA. 
O governo golpista de Temer irá esperar o afastamento definitivo de Dilma do cargo e a realização das eleições municipais para colocar em prática, na íntegra, o seu projeto neoliberal e reacionário e no qual ninguém votou, que inclui a transformação da CLT em letra morta, arrocho salarial, redução e eliminação de benefícios previdenciários, aumento da idade mínima para aposentar, privatizações desnacionalizantes do pré-sal, Petrobras, BNDES, CEF, FGTS, FAT, entre outras medidas anti-nacionais e anti-populares. 

Afinal, será que a população brasileira ficará inerte, sem esboçar qualquer reação a tudo isso que o governo golpista pretende fazer? 

Se não houver reação popular à imposição deste projeto neoliberal, retrógrado e entreguista que Temer quer impor ao país, isso representará o fim de qualquer possibilidade do Brasil vir a ser uma Nação independente, desenvolvida, soberana, justa e democrática. 

Quem viver, verá. 

Links:

Marcio Pochmann e os direitos sociais e trabalhistas: 

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/120/recessao-e-os-direitos-sociais-e-trabalhistas-8939.html

Walter Sorrentino: A agenda golpista e a encruzilhada do país:

http://www.vermelho.org.br/noticia/284964-1

Grandes empresários já demonstram insatisfação com o governo Temer: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/grandes-empresarios-ja-demonstram.html
Inúmeros governadores de estado promoveram as chamadas 'pedaladas fiscais', mas apenas Dilma sofreu um processo de Impeachment em função das mesmas. E mesmo assim, o próprio Ministério Público Federal demonstrou que Dilma não fez 'pedalada' alguma, caracterizando a sua deposição como um claro Golpe de Estado. 
Governo Temer - Crise econômica piora: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/governo-temer-crise-economica-piora.html

Os principais objetivos do Golpe de 2016:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/os-principais-objetivos-do-golpe-de.html

Eleição de 2014 - Ninguém votou no Vice:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/eleicao-de-2014-ninguem-votou-no-vice.html

O pré-sal não é lucrativo? kkkkkk:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/o-pre-sal-nao-e-lucrativo-kkkkkkk.html

Golpe aprofundará recessão que ele mesmo provocou:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/golpe-aprofundara-recessao-que-ele_4.html

O PT quebrou o Brasil? kkkkkkkkkk:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/o-pt-quebrou-o-brasil-kkkkkk-marcos.html
As reservas internacionais líquidas do Brasil cresceram de US$ 16 bilhões (2002) para US$ 376 bilhões (2016). Elas foram acumuladas pelo Brasil durante os governos Lula e Dilma (2003-2016) e são suficientes para pagar toda a dívida externa do país (US$ 332 bilhões), transformando o Brasil em um Credor Externo Líquido. As reservas servem para manter a economia brasileira em uma situação de menor turbulência, mesmo com a economia mundial enfrentando a sua maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930. Elas são suficientes para pagar 30 meses de importações do país. 
Governo Temer irá elevar idade mínima de aposentadoria para 65 anos:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/governo-temer-idade-minima-para.html

Governo de Temer começa a entregar petróleo do pré-sal para os países ricos:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/governo-de-temerpmdbpsdb-comeca.html

A ascensão dos trabalhadores, a classe média e o Fascismo:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/a-ascensao-dos-trabalhadores-classe.html

Herança de Dilma - Brasil iniciou um processo de recuperação econômica no início de 2016:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/06/heranca-de-dilma-brasil-iniciou_2.html

O Brasil que Lula e Dilma deixaram para Temer:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/o-brasil-que-lula-e-dilma-deixaram-para.html

O PT, os programas sociais, Getúlio Vargas e as alianças feitas para governar: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/o-pt-os-programas-sociais-getulio.html

Ninguém votou no plano de governo de Temer: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/ninguem-votou-no-plano-de-governo-de.html
A Renda per Capita brasileira teve um crescimento expressivo durante os governos Lula e Dilma, passando de US$ 2.810 (2002) para US$ 11.670 (2014), acumulando um crescimento de 315,3%. 
Governo Temer faz o Brasil voltar à Primeira República, época do Liberalismo Excludente:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/de-volta-para-o-passado-governo.html

Classe média apoia um Golpe de Estado que irá empobrecê-la: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/03/a-classe-media-apoia-um-golpe-de-estado.html