segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Fim da Globalização Neoliberal provoca a falência da 'Terceira Via' de Blair/Giddens e Social-Democracia keynesiana renasce nos países desenvolvidos! - Marcos Doniseti!

Fim da Globalização Neoliberal provoca a falência da 'Terceira Via' de Blair/Giddens e Social-Democracia keynesiana renasce nos países desenvolvidos! - Marcos Doniseti! 
Bill Clinton e Tony Blair conduziram os seus partidos (Democrata e Trabalhista) para a defesa dos interesses do Grande Capital financeiro, virando as costas para a classe média e para a classe trabalhadora industrial que eram as bases eleitorais de suas legendas. Mas a derrocada da Globalização Neoliberal levou à derrota de Hillary para Trump e gerou a ascensão de Jeremy Corbyn, um típido social-democrata keynesiano, para a condição de líder do Partido Trabalhista britânico em 2015. 

Em sua página no Facebook, o meu amigo Diogo Costa perguntou: 


1. Porquê boa parte da esquerda, que protestou contra o neoliberalismo e os acordos de livre comércio, em passado não muito distante, não valoriza a contraposição que Trump está fazendo contra isso?

2. Como a esquerda conseguiu a proeza de perder a bandeira da luta contra a globalização neoliberal e os acordos de livre comércio para a direita - nos EUA, na França, no Reino Unido, etc.?

Esta é a minha resposta:

Isso aconteceu porque neste países os partidos que, antigamente, sustentavam as políticas do Estado de Bem-Estar Social, tipicamente social-democratas e keynesianas, passaram a ser adeptos da chamada 'Terceira Via', que foi, na prática, a rendição dos social-democratas keynesianos para as políticas neoliberais (thatcheristas). 

Isso foi feito por meio da defesa da chamadas 'Terceira Via' neoliberal. 

A 'Terceira Via' foi obra de Tony Blair/Anthony Giddens, que transformaram o Partido 
Trabalhista britânico (que construiu o Welfare State no Reino Unido no Pós-Guerra) em uma legenda neoliberal. 

Esse processo foi interrompido apenas com a eleição de Jeremy Corbyn para a liderança do Labour Party em 2015. Uma nova geração de militantes trabalhistas foi responsável por essa vitória. Muitos jovens aderiram ao partido apenas para poder eleger Corbyn como o líder da legenda.
François Hollande e Lionel Jospin, do Partido Socialista Francês, que adotou as políticas neoliberais da 'Terceira Via'. Jospin promoveu um verdadeiro festival de privatizações e Hollande impôs uma reforma trabalhista tipicamente neoliberal e que é rejeitada pela maioria absoluta dos franceses. Com isso, Hollande se tornou tão impopular que desistiu de tentar a reeleição na eleição presidencial que acontecerá em Maio deste ano.

Mas a maioria dos deputados trabalhistas ainda é adepta da Terceira Via de Blair/Giddens e, por isso, acontecem muitos conflitos entre Jeremy Corbyn e tais deputados neoliberais. 


Mas ele tem o apoio da maioria dos eleitores e militantes do partido e, assim, consegue se manter à frente do mesmo. 

Já nos EUA quem promoveu essa virada do Partido Democrata para o neoliberalismo foi o Bill Clinton. Foi ele, por exemplo, que aboliu a Lei Glass-Steagal, que foi uma das principais medidas adotadas por Roosevelt a fim de impedir que novas crises financeiras acontecessem. Tal lei separou bancos comerciais (de varejo) dos bancos de investimentos.

Ao abolir tal lei, o governo de Clinton acabou permitindo que bancos voltados para atender ao grande público acabassem se fundindo com os bancos de investimentos, que atuam muito mais voltados para a especulação financeira. 

Isso deu origem a gigantescas corporações financeiras, que são 'grandes demais para quebrar'. E quando quebram, o Governo salva as mesmas rapidamente, a fim de impedir que aconteça uma nova Depressão Econômica. 
Políticas tipicamente social-democratas e keynesianas do governo de Franklin D. Roosevelt estão voltando a ser adotadas. Até mesmo Trump fala em promover grandes investimentos públicos em infra estrutura, a fim de gerar empregos qualificados nos EUA, tal como fez Roosevelt em seu longo governo (1933-1945). 

Assim, o governo de Clinton aprofundou as políticas de desregulamentação da economia dos EUA que Reagan havia iniciado. E Obama não fez nada para reverter isso, muito pelo contrário, deu continuidade a políticas que são favoráveis à Globalização Neoliberal e que somente beneficiam os 20% mais ricos da população. 


É por isso que, nos EUA, considera-se que o Partido Democrata traiu e abandonou a classe média e a classe trabalhadora industrial, que sempre formaram a base do seu eleitorado. Essa base eleitoral reunia a maioria absoluta da população e fez com que os Democratas desfrutassem de uma significativa hegemonia política e eleitoral no Pós-29.

Afinal, entre 1932 e 1976 os Democratas venceram as eleições presidenciais de 1932, 1936, 1940, 1944, 1948, 1960, 1964 e 1976 (8 vitórias), enquanto que os Republicanos ganharam apenas em 1952, 1956, 1968 e 1972 (4 vitórias). E mesmo no caso da eleição de 1968, a vitória de Nixon somente foi possível devido ao assassinato de Robert Kennedy, que era o franco favorito para vencer a eleição presidencial daquele ano. 

Com as políticas de Clinton, o Partido Democrata acabou se tornando tão neoliberal quanto o Partido Republicano, que aderiu ao Neoliberalismo devido ao triunfo de Reagan em 1980. Até então, os Republicanos também eram defensores das políticas keynesianas. 
O anti-neoliberal Benot Hamon (da ala mais esquerdista do PSF) é o virtual candidato do Partido Socialista Francês em Maio deste ano. Ele venceu o primeiro turno das primárias do PSF neste domingo (22/01/2017) e terá o apoio do terceiro colocado, Arnaud Montebourg, que também é contrário ao neoliberalismo. Hamon defende a criação de uma Renda Básica Universal no valor de 600 Euros mensais e a taxação de riquezas geradas por máquinas e robôs a fim de financiar a Seguridade Social. 

O governo de Nixon, por exemplo, chegou a decretar o controle de preços de vários produtos, devido ao aumento da inflação que foi provocado pelo fim do padrão-ouro do Dólar, motivo pelo qual Milton Friedman disse que ele fez o governo mais socialista da história dos EUA.


As políticas neoliberais promoveram um grande aumento da concentração de renda em todos os países desenvolvidos. 


Nesta eleição presidencial, Trump se beneficiou, sim, dos movimentos que contestavam a hegemonia dos 1% mais ricos e fez um discurso de campanha que atraiu os setores da população que estão descontentes com os rumos do país e de suas vidas, pois estão empobrecendo. Nos EUA, os movimentos do Occuppy também abriram espaço para a ascensão de U.S. Senator Bernie Sanders, que é um típico social-democrata keynesiano. Se ele tivesse sido o candidato Democrata teria vencido a eleição com facilidade. O movimento dos 'Indignados' da Espanha gerou a formação do 'Podemos, que possui um programa tipicamente social-democrata e keynesiano.

Caso o Senador Bernie Sanders tivesse sido escolhido como o candidato à Presidente pelos Democratas, ele poderia ter levado o partido de volta para a defesa das políticas social-democrata keynesianas. Porém, a sua candidatura foi sabotada pelos Clinton e pelas lideranças do partido, o que foi um grave erro, pois ele derrotaria Trump com facilidade (as pesquisas o mostravam com 10 a 15 p.p. de vantagem sobre Trump). 

Na França, o governo de Lionel Jospin foi o que mais promoveu privatizações na história do país. E o governo de François Hollande foi ainda mais neoliberal do que o de Jospin, tendo imposto uma reforma trabalhista tipicamente neoliberal, contra a vontade da maioria dos deputados e eleitores do PSF, bem da maioria absoluta da população francesa, que era majoritariamente contra tal reforma. 

Assim, o PSF também tornou-se uma legenda neoliberal. 
O percentual de trabalhadores sindicalizados despencou nos EUA nas últimas décadas, caindo de 35% (1955) para apenas 11% (2015). No setor privado o percentual de sindicalizados é de apenas 6%. 

Agora, com a crise final do Neoliberalismo Globalizante ficando mais explícita do que nunca, uma grande parte dos líderes, eleitores e militantes do PSF decidiram levar o partido de volta para as suas origens, passando a defender novamente políticas social-democratas keynesianas. 


Com isso, o PSF deverá ter Benoît Hamon (anti-neoliberal) como o seu candidato à Presidente em Maio deste ano.

Logo, está chegando ao fim a época em que os partidos que, antigamente, eram defensores de políticas de defesa do Estado de Bem-Estar Social e que aderiram ao Neoliberalismo tinham condições de vencer eleições.

Agora, em vários países, tais partidos estão ou retornando às suas origens (caso do Partido Trabalhista Britânico) ou estão perdendo rapidamente o seu eleitorado e encolhendo bastante (foi o que aconteceu com o Pasok da Grécia). 

As pesquisas para a eleição presidencial francesa deste ano mostravam que o candidato do Partido Socialista 
'A Doutrina do Choque': Livro de Naomi Klein mostra como a imposição de políticas neoliberais exigiu a adoção de medidas fortemente repressivas por parte de inúmeros governos, no mundo inteiro. Boris Ieltsin, por exemplo, chegou a bombardear o Parlamento russo, em 1993, para impor as políticas neoliberais, que estavam empobrecendo rapidamente o povo russo.  

Não e só 'fofoca de campanha,' não. Ele está retirando os EUA do TPP e já anunciou que vai renegociar o NAFTA. Se Canadá e México não concordarem com as mudanças, ele irá retirar os EUA do bloco. Ele também já avisou que não vai tolerar a instalação de indústrias no México para exportar a produção para os EUA, ameaçando taxar a mesma em 35%.


Trump é a demonstração clara de que as elites dos EUA estão rachadas. Uma parte é contra Trump, mas muitos dos membros do Big Business são a favor dele, pois está claro para muitos que os EUA estão vivendo uma fase de decadência. .

Uma das principais causas do empobrecimento da classe média e da classe trabalhadora industrial nos EUA foi o enfraquecimento dos sindicatos. Em 1955, 35% dos trabalhadores dos EUA eram sindicalizados, contra apenas 11% atualmente. E no setor privado, esse índice é ainda menor, de apenas 5%. Está explicado porque tantos trabalhadores empobreceram nos EUA e porque os empregos precários estão se disseminando no país. Entre os 31 países membros da OCDE apenas quatro países possuem um percentual menor de trabalhadores sindicalizados do que os EUA.

Tanto o governo de Reagan, quanto o de Thatcher, precisaram reprimir duramente o movimento sindical para poder impor as suas políticas neoliberais excludentes. Sem o enfraquecimento dos sindicatos elas eram inviáveis. A Ditadura Militar brasileira teve que fazer o mesmo para poder arrochar os salários dos trabalhadores. No Chile de Pinochet aconteceu a mesma coisa. Na Rússia, no governo ditatorial de Boris Ieltsin, que chegou a bombardear o Parlamento do país para impor as suas políticas de livre-mercado, aconteceu o mesmo. 
Trump e Theresa May adotam discursos e políticas nacionalistas e protecionistas, abandonando as políticas neoliberais. Trump se volta mais para a geração de empregos industriais qualificados dentro dos EUA, enquanto que Theresa May faz duras críticas às desigualdades sociais provocadas pelo Neoliberalismo. 

Logo, o enfraquecimento dos sindicatos contribuiu decisivamente para a precarização das relações trabalhistas e para o aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais e da pobreza. 


O fato concreto é que a Globalização Neoliberal é sinônimo de crise capitalista. 

Somente o seu fim é que poderá encerrar a crise. No fim das contas, um outro modelo de Globalização irá se impor. E a China e a Rússia, com a política do 'Um Cinturão, Uma Estrada', já estão liderando a mudança. 

Este é mais um motivo pelo qual os EUA irão mudar. Ou os EUA mudam ou ficarão cada vez mais isolados e a sua decadência irá se acelerar nos próximos anos e décadas; 


O governo de Trump será caracterizado pela adoção de um Nacionalismo Protecionista, de uma Política Industrial e um grande aumento dos Investimentos em Infra Estrutura (até parece que Trump está copiando o Lula, mas sem as políticas sociais distributivas que caracterizaram o governo deste). Falta apenas Trump investir na área social. Mas se ele fizesse isso daí já não seria o Trump, mas o Lula ou o Bernie Sanders.
O senador Bernie Sanders poderia ter sido o candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, mas os líderes do mesmo sabotaram a sua candidatura, pois o mesmo é um duro crítico das políticas e defende reduzir drasticamente os poderes do sistema financeiro (Wall Street). As pesquisas mostravam que ele derrotaria Trump com extrema facilidade. 

Links:


Trump retira os EUA do TPP:

http://www.dw.com/pt-br/trump-retira-eua-do-maior-acordo-comercial-da-hist%C3%B3ria/a-37244166

Candidato mais à Esquerda, Benoît Hamon vence primeiro turno das primárias do Partido Socialista Francês:

https://www.publico.pt/2017/01/22/mundo/noticia/benoit-hamon-ganha-as-primarias-da-esquerda-francesa-1759286

Trump ameaça BMW, que deseja construir fábrica no México e exportar produção para os EUA:

http://g1.globo.com/carros/noticia/2017/01/trump-tambem-ameaca-bmw-por-fabrica-no-mexico.html

Trump crítica belicista dos EUA para o Iraque:

http://g1.globo.com/mundo/eleicoes-nos-eua/2016/noticia/2016/09/trump-critica-politica-dos-eua-para-o-iraque-na-televisao-russa-20160909144505244662.html
Anthony Giddens e Tony Blair, em 1999, deram início ao projeto da 'Terceira Via' neoliberal, que foi adotada por inúmeros partidos socialistas, trabalhistas e social-democratas europeus, que abandonaram a defesa do Estado de Bem Estar Social keynesiano. O colapso da Globalização Neoliberal, no entanto, enterra o projeto da 'Terceira Via'. Não é à toa que, atualmente, até mesmo a Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May (do Partido Conservador), e Christine Lagarde (Presidente do FMI) criticam duramente as desigualdades sociais geradas pelo Neoliberalismo. 

José Carlos de Assis: O fim da Globalização:


https://www.brasil247.com/pt/colunistas/josecarlosdeassis/276448/O-fim-da-globaliza%C3%A7%C3%A3o-pela-m%C3%A3o-desesperada-de-Donald-Trump.htm

Os EUA e as Guerras de US$ 6 Trilhões:

http://www.orientemidia.org/guerras-de-seis-trilhoes-de-dolares-dos-eua/

Trump diz que vai renegociar o NAFTA e ameaça abandonar o bloco se não acontecer mudanças:

https://br.sputniknews.com/americas/201701227492163-trump-nafta-eua-mexico-canada/

Moniz Bandeira - Vitória de Trump significa derrota de Wall Street:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/dessa-vez-wall-street-perdeu-diz-moniz-bandeira-sobre-trump

George Soros - Trump é aprendiz de ditador e será derrubado:

'O Precariado': O ótimo livro de Guy Standing mostra que um percentual cada vez maior de trabalhadores dos países desenvolvidos estão empregados em serviços precários. E é justamente isso que levou à vitória do Brexit, de Trump e do 'Não' no referendo italiano convocado por Matteo Renzi. 

Pepe Escobar: Por que as Novas Rotas da Seda apavoram os EUA:


Trump e Theresa May são aliados:


Oito homens mais ricos do mundo tem mais riquezas do que os 3,6 bilhões de pobres:


Christine Lagarde dá bronca em Meirelles em Davos e defende que políticas que reduzem desigualdades sociais devem ser prioridade:


Guy Standing: A explosão de raiva dos eleitores ocidentais se deve ao crescimento do trabalho precário!


Pepe Escobar - Vitória de Trump foi revide do povo contra as elites:


Benoit Hamon vence primárias (1o. turno) e deverá ser candidato do PSF à Presidência da França:


Políticas antissindicais aumentaram as desigualdades sociais nos EUA:

A concentração de renda aumentou consideravelmente nos EUA nas últimas décadas. A participação dos mais ricos na renda nacional cresceu de 43% (1970) para 51% (2013). Enquanto isso, a participação dos 80% de menor renda (classe média e pobres) diminuiu de 57% para 49%. 

EUA: 58% dos novos empregos são precários:


A Terceira Via de Tony Blair e Anthony Giddens:


Boaventura de Sousa Santos: As Esquerdas europeias precisam ser refundadas (entrevista de 2011):

sábado, 21 de janeiro de 2017

Com o apoio dos trabalhadores e da classe média empobrecidos, Trump e Theresa May irão enterrar a Globalização Neoliberal! - Marcos Doniseti!

Com o apoio dos trabalhadores e da classe média empobrecidos, Trump e Theresa May irão enterrar a Globalização Neoliberal! - Marcos Doniseti!
Da mesma forma que Reagan e Thatcher impuseram a Globalização Neoliberal goela abaixo do mundo inteiro, Trump e Theresa May parecem dispostos a enterrar a mesma.

No Brasil, devido à burrice e desinformação imensa que atinge as suas elites e a sua classe média reacionária, que são muito influenciadas (para dizer o mínimo) por uma Grande Mídia retrógrada e mentirosa, a ficha demora para cair. 


Logo, elas ainda não perceberam que Trump é anti-Globalização Neoliberal, à qual as elites tupiniquins veneram acima de tudo. 

E não é apenas o Trump que é anti-globalização neoliberal. 

A Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, também é. E vejam que ela é do Partido Conservador, o mesmo de Thatcher, da mesma maneira que Trump é do Partido Republicano, o mesmo de Reagan. 

E foram Reagan e Thatcher que espalharam a Globalização Neoliberal pelo Mundo, usando do FMI e do Banco Mundial como instrumentos de imposição das políticas de abertura unilateral das economias dos países em desenvolvimento, obrigando os mesmos a arrochar salários, eliminar direitos trabalhistas e previdenciários, cortar drasticamente os investimentos públicos em infra estrutura e na área social. 

Marine Le Pen, que estará no segundo turno da eleição presidencial francesa (que irá se realizar em Maio de 2017) também é contra a Globalização Neoliberal, afirmando publicamente a sua posição a favor de um Nacionalismo Econômico. Na Itália, o maior partido do país, o 'M5S' (Movimento Cinco Estrelas, liderado por Beppe Grillo) também adota um discuso anti-Neoliberal, exigindo o fim das políticas de arrocho. 
O custo de mão-de-obra na indústria de automóveis dos EUA é cinco vezes do que no México, o que explica porque tantas indústrias se instalam no país vizinho a fim de exportar a produção para o mercado ianque. Porém, Trump já avisou que irá fechar o mercado para tais empresas, obrigando-as a produzir os veículos nos EUA.

Na Espanha, o 'Podemos' (liderado por Pablo Iglesias) surgiu há pouco tempo como uma força política que também condena a Globalização Neoliberal e já é o terceiro maior partido do país, quase empatado com o tradicional e histórico PSOE de Felipe González, que se converteu inteiramente ao Neoliberalismo. 


Em Portugal, tivemos a eleição de um governo de Esquerda moderada (formado pelos Partidos Socialista, Comunista, Verdes e o Bloco de Esquerda) que enterrou as políticas neoliberais e de arrocho. Com isso, a economia lusa é, agora, uma das que mais cresce na UE e o desemprego está diminuindo de forma significativa. 

E antes de todos estes países, tivemos a Grécia elegendo o Syriza, outra força política contrária às políticas neoliberais e de arrocho, mas que foi massacrada pela UE (pela Alemanha de Merkel em especial), que impediu que o país adotasse políticas favoráveis ao crescimento econômico e à justiça social. 

A forma brutal com que a Grécia foi tratada pela Alemanha mostrou, com certeza, para muitos europeus, que não havia alternativa: Ou seus países abandonavam a UE ou então estariam sempre sob o domínio germânico, sendo proibidos de enterrar as políticas neoliberais. Isso ajuda, e muito, a explicar porque os britânicos decidiram retirar o Reino Unido da União Europeia. E a nova Primeira-Ministra, Theresa May, já avisou: Esta saída será completa. 
A Síria: Antes e depois da Guerra que teve os EUA como um dos maiores responsáveis, armando e apoiando os grupos de extremistas islâmicos, incluindo o 'Estado Islâmico'/Daesh.

No fim das contas, o Trump, junto com Theresa May, pode acabar liderando a formação de um novo bloco de países, construindo um outro tipo de relação econômica e comercial entre os mesmos, mais parecida com o que a China e a Rússia estão fazendo com o projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada', no qual todos os 

países se beneficiam. 

É o que o Pepe Escobar chama de relação 'Ganha-Ganha', enquanto que na Globalização Neoliberal apenas os Grandes Capitalistas (dentro de cada país) lucram. Ou vocês acham que o fato de que apenas oito bilionários possuam mais riqueza do que os 3,6 bilhões mais pobres do planeta é uma mera coincidência? 

Claro que não é. 

Afinal, a imposição de políticas neoliberais (em todos os países, ricos e emergentes) sempre resulta no aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria. 

E muito diferente do que se pensa, a maioria da população dos EUA (classe média, classe trabalhadora industrial, pobres) também foi muito prejudicada pela Globalização Neoliberal. 

A população dos EUA passou a comprar produtos chineses e mexicanos baratos, o que contribuiu para manter a inflação sob controle? 

Sim. 
Os EUA lançaram mais de 26 mil bombas em sete países apenas no ano de 2016. E dizer que Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

Mas os EUA também passaram por um processo de desindustrialização acelerada que está destruindo e empobrecendo a classe trabalhadora industrial e a classe média do país, aumentando muito a concentração de renda e as desigualdades sociais. 


A partir da década de 1970 a concentração de renda aumentou muito no país. Agora, os 20% mais ricos possuem mais riqueza do que outros 80%. A classe média está encolhendo e empobrecendo, sendo que a sua renda média é 7% menor do que era em 1999, mesmo com o PIB per capite tendo crescido consideravelmente neste período.

Os EUA também tem os piores índices de criminalidade entre todos os países desenvolvidos. E ainda possuem 47 milhões de pessoas que somente conseguem comer porque ganham um cupom do governo e o trocam por alimentos nos mercados (é o programa Food Stamp, criado por Franklin D. Roosevelt na época da Grande Depressão como parte do 'New Deal'). 

E apesar da aprovação do Obamacare, 30 milhões de habitantes dos EUA ainda não tem acesso a um plano de saúde. 
Local abandonado de Detroit que abrigou uma fábrica da Ford e que foi transferida para outro país. Nas últimas décadas os EUA passaram por um rápido processo de desindustrialização, devido à transferência de inúmeras unidades de produção para países como o México e a China. 

Atualmente, 58% dos empregos que são criados nos EUA são precários, que são caracterizados por baixos salários, longas jornadas de trabalho, virtual inexistência de benefícios ou de benefícios muito limitados (principalmente plano de saúde e previdência social) e total impossibilidade de ascender na carreira. 


E isso aconteceu porque as políticas neoliberais globalizantes destruíram os sindicatos, visto que a espinha dorsal do movimento sindical eram os trabalhadores industriais. E as indústrias foram embora dos EUA, para o México e para a China, principalmente. 

Antes do governo Reagan, pouco mais de 24% dos trabalhadores do setor privado dos EUA eram sindicalizados e, com isso, conseguiam negociar e conquistar bons salários, muitos benefícios e boas condições de trabalho. Agora, esse índice de sindicalização é de apenas 6,7%. 

Neste momento, 35% dos trabalhadores dos EUA são precários. E o percentual aumenta a cada ano, já que a maioria absoluta dos novos empregos que são criados também são precários. 
A porcentagem de trabalhadores sindicalizados despencou nos EUA nas últimas décadas. Em 1955, 35% dos trabalhadores dos EUA pertenciam a algum sindicato. Em 2015 esse percentual era de apenas 11%. Entre os 31 países membros da OCDE, os EUA estão apenas na 27a. posição em porcentagem de trabalhadores sindicalizados. 

Logo, os EUA são um país rico que estão construindo relações de trabalho típicas de países subdesenvolvidos. É como se tivéssemos um grande Bangladesh dentro da sua economia. E essa 'Economia de Bangladesh' cresce a cada ano que passa. 


Quando comentamos sobre tudo isso a impressão que temos é que estamos falando sobre um país pobre e subdesenvolvido, mas não é o caso. Trata-se da nação mais rica do mundo, com um PIB de US$ 18 trilhões (cerca de 23% do total mundial), uma renda per capita de US$ 55.000 e que possui um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão anuais, o que representa 43% dos gastos militares mundiais.  

Assim, a participação dos gastos militares dos EUA no total mundial é quase o dobro da participação do PIB do país no total global, demonstrando claramente o quanto tais gastos são exagerados. 

E é exatamente destes gastos que Trump pode retirar os recursos necessários para financiar os seus projetos de reindustrialização dos EUA e de investimentos em infra-estrutura (ele pretende investir US$ 1 trilhão em 10 anos no setor). 
O número de greves com a participação de 1000 trabalhadores ou mais despencou nos EUA a partir do governo Reagan. Na década de 1970 ou 1980 o número de greves (média anual) foi de 280. Em 2015 foram apenas 12. Nos EUA, os trabalhadores sindicalizados recebem salários melhores e tem melhores planos de saúde e de previdência social do que os que não são sindicalizados. E as diferenças de salários entre homens e mulheres também são menores entre os sindicalizados. 

O que Trump vai fazer, em seu governo, é dar uma série de estímulos para reindustrializar os EUA:


A) incentivos fiscais;

B) subsídios;

C) aumento de tarifas de importação;

D) financiamentos em condições favoráveis.

O nome disso é Política Industrial, expressão essa que os Neoliberais odeiam, pois entendem que se trata de uma 'interferência indevida' do Estado sobre a economia. 

O que os neoliberais não dizem é que é graças a essa 'interferência do Estado na economia' que países como EUA, Alemanha, França e, também, o Brasil cresceram e se desenvolveram. 

Nos EUA, por exemplo, as pesquisas em ciência e tecnologia são, essencialmente, financiadas pelo Estado. Os gigantescos gastos militares e, no passado, na indústria aeroespacial  (NASA) são maneiras pelas quais o Estado subsidia indústrias privadas que investem tais recursos em novas tecnologias. 
'O Precariado': Livro de Guy Standing mostra que um percentual cada vez maior de trabalhadores dos países desenvolvidos são precários. E é justamente isso que levou à vitória do Brexit, de Trump e do 'Não' no referendo italiano convocado por Matteo Renzi. 

As empresas que conseguem os contratos com o Estado para atuar nestes setores são dos próprios EUA (Boeing, Lockheed Martin, entre outras). 


Assim, por meio dos maciços investimentos na área militar e aero-espacial, os EUA acabam adotando uma política industrial que subsidia e estimula a formação de grandes empresas privadas, que desenvolvem tecnologia de ponta, o que contribui decisivamente para o desenvolvimento econômico nacional.

Em seu livro 'O Estado Empreendedor' (página 134), a economista italiana Mariana Mazzucato também diz que empresas como a Apple receberam uma série de incentivos diretos e indiretos por parte do Estado, tais como: 

A) Investimento direto de capital nos estágios iniciais de criação e crescimento; 

B) Acesso à tecnologias resultantes de programas de pesquisa governamentais, iniciativas militares e contratos públicos, ou desenvolvidas por instituições de pesquisa públicas, todas financiadas com recursos federais ou estaduais;
O livro 'O Estado Empreendedor', da economista italiana Mariana Mazzucato, prova que o Estado sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas que resultam em novas tecnologias. Graças à elas, pequenas empresas como a Apple puderam crescer e se desenvolver, tornando-se grandes corporações. 
C) Criação de políticas fiscais, comerciais ou de tecnologia que apoiavam empresas americanas como a Apple, permitindo que elas mantivessem seus esforços voltados para a inovação em períodos nos quais os desafios nacionais e/ou mundiais impediam que as empresas norte-americanas continuassem à frente, ou faziam com que ficassem atrás na corrida pelos mercados mundiais.

Mazzucato também diz, em seu livro, que "Quando a Apple foi criada para vender o 
Apple 1 em 1976, as tecnologias básicas do produto estavam fundamentadas em técnicas desenvolvidas com investimentos públicos feitos nas décadas de 1960 e 1970 na indústria de computadores" (página 135). 

Então, o que Trump quer fazer nos EUA, durante o seu governo, não é nenhuma novidade. Ele apenas está adotando, em benefício de outros setores da economia do país, uma série de políticas públicas de apoio e fortalecimento industrial e tecnológico que já beneficiam, há muito tempo, os setores militar, de informática, entre outros. 

Lula fez o mesmo no Brasil, principalmente em setores como petróleo, a construção civil e a construção naval, com a política de conteúdo nacional para a construção de sondas, plataformas e navios a fim de poder explorar o petróleo do pré-sal. 
A concentração de renda aumentou muito nos EUA entre 1970 e 2013. Os 20% mais ricos passaram a deter 51% da renda nacional, contra 49% dos outros 80% da população (classe média e trabalhadores pobres). 

A ideia do governo Lula era a de usar a exploração do pré-sal para desenvolver setores industriais cujas atividades estão diretamente relacionadas à exploração das gigantescas reservas do pré-sal, gerando renda e empregos no país.


Com isso, o Brasil passou a ter a 4a. maior indústria de construção naval do mundo e suas principais construtoras passaram a ganhar contratos para a construção de inúmeras obras pelo mundo afora, principalmente na América Latina e na África.

A respeito da atual situação econômica dos EUA e de sua população, podemos citar uma frase famosa do Ditador Garrastazu Médici: 'O país vai bem, mas o povo vai mal'. 

É por isso que quando o Trump fala que a população está empobrecendo, mesmo com as elites enriquecendo, ele sabe do que está falando. E a população dos EUA também, porque sentiu na pele todas estas mudanças que lhe foram imensamente prejudiciais. 

Trump venceu a eleição presidencial porque, mesmo sendo um membro da elite ianque, soube explorar esse descontentamento e apontou para medidas concretas que tomaria, para beneficiar os trabalhadores e a classe média, caso fosse eleito, como a promessa de tirar os EUA de acordos de livre-comércio (TPP), de renegociar outros (NAFTA) e, também, de reindustrializar os EUA por meio da adoção de uma política industrial (concedendo subsídios, incentivos fiscais, financiamentos facilitados, aumentando tarifas de importação).
Bernie Sanders era o mais progressista dos pré-candidatos presidenciais, defendendo um amplo conjunto de propostas de caráter social-democrata e keynesiana, mas o Partido Democrata sabotou a sua candidatura, beneficiando Hillary.

Quando o bloco soviético europeu desmoronou, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Francis Fukuyama, disse que, com o triunfo da Globalização Neoliberal liderada pelos EUA, a 'história havia chegado ao fim' pois, após o colapso do chamado 'Socialismo Real', não existiriam mais modelos alternativos ao livre-mercado e à 'democracia liberal' do Ocidente. 


As vitórias de Trump, o Brexit, a derrota de Matteo Renzi na Itália e todas as mudanças que estão ocorrendo no mundo atualmente mostram que a tese do 'fim da história' chegou ao fim.

Agora, existem alternativas à Globalização Neoliberal, sim. Gostem ou não delas. 

Entre as principais alternativas existentes à mesma, nós temos: 

A) Nacionalismo Econômico Protecionista de Trump, May, Marine Le Pen, entre outros;

B) Reformismo Social-Democrata Keynesiano do novo governo de Portugal, do 'Podemos' espanhol, de Bernie Sanders e do Syriza grego;

C) Globalização Inclusiva da China e Rússia, via projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada', que é um gigantesco projeto de integração econômica, que procura atrair países da Europa, Ásia e África, e que é baseado na ideia de 'Ganha-Ganha', com todos os países se beneficiando, como já explicou o Pepe Escobar em seus inúmeros textos a respeito do assunto;

D) Nacionalismo Reformista e Progressista latino-americano (Lula-Dilma, Kirchner, Chávez-Maduro, Rafael Correa, Mujica-Tabaré, Michele Bachelet, Evo Morales, Daniel Ortega). 

Este último modelo entrou em crise em alguns países, mas ainda é cedo para enterrar o mesmo, até porque ele ainda está forte no Equador, Bolívia, Nicarágua, El Salvador e Chile e também não foi derrubado na Venezuela, apesar das inúmeras tentativas golpistas da oposição reacionária (realizadas com o apoio total dos EUA) e da fortíssima sabotagem que se promove contra a economia do país.
Chávez, Kirchner, Correa, Lula e Evo Morales formaram uma geração de governantes progressistas latino-americanos que promoveram reformas sociais e nacionalistas que reduziram fortemente a pobreza e a miséria na América Latina. Agora, os governos neoliberais de Macri e Temer estão empobrecendo rapidamente a população de Argentina e Brasil. E o México, também com governo neoliberal, sofrerá fortemente as consequências das políticas protecionistas de Trump.

Além disso, os novos governos neoliberais de Temer e Macri estão colhendo resultados catastróficos nas áreas econômica e social (uma forte Recessão, aumento do desemprego, da pobreza, da miséria, arrocho salarial, rápido aumento da Dívida Pública, eliminação de direitos trabalhistas e previdenciários) e isso está fortalecendo cada vez mais os nomes de Lula e Cristina Kirchner para a próxima eleição presidencial. 


Entre os países latino-americanos, aquele que mais irá sofrer as consequências das políticas nacionalistas e protecionistas que Trump irá adotar será, inegavelmente, o México. 

Trump já avisou Ford, GM, Toyota e BMW que se elas construírem fábricas no México para exportar a produção para os EUA, ele irá impor uma tarifa de importação de 35% sobre a mesma, inviabilizando tais investimentos. Não é à toa que o peso mexicano está se desvalorizando bastante desde a vitória de Trump.

E isso acontece em um momento no qual o governo neoliberal de Enrique Peña Nieto promoveu um forte aumento no preço dos combustíveis, o que provocou protestos imensos no país, que foram chamados de 'Gasolinazo' (referência ao 'Caracazo' venezuelano de 1989). 

É bom ressaltar, também, que tais governos neoliberais serão imensamente prejudicados pelas políticas nacionalistas e protecionistas que os governos de Trum e Theresa May irão adotar. 

O mundo está mudando rapidamente e a história está muito longe de terminar. 
As dívidas das famílias britânicas aumentaram fortemente entre 2000 e 2015. Apelar para o endividamento foi uma das soluções adotadas para compensar a redução do rendimento das famílias. 

Links:


Michael Moore avisou porque Trump era o favorito:


http://www.brasilpost.com.br/michael-moore/donald-trump_b_11217240.html

Trump anuncia saída dos EUA do TPP e renegociação do NAFTA:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-11-22-Trump-anuncia-primeiras-medidas-EUA-fora-do-acordo-transpacifico

Theresa May e Donald Trump são aliados:

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/linhas-cruzadas/detalhe/esconde-theresa-may-um-donald-trump

George Soros ataca Trump:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-01-20-Trump-e-um-aprendiz-de-ditador-que-vai-falhar-diz-George-Soros

Governos Lula/Dilma: Brasil passa a ter a quarta maior indústria de construção naval do Mundo:

http://www.defesaaereanaval.com.br/brasil-e-o-quarto-maior-construtor-naval-do-mundo/

Discurso de posse de Trump reafirma políticas nacionalistas e protecionistas:

http://observador.pt/2017/01/20/o-discurso-de-trump-descodificado-em-5-pontos/

Governo Temer determina que somente empresas estrangeiras participarão de obras da Petrobras no RJ:

https://www.brasildefato.com.br/2017/01/18/so-estrangeiras-participarao-da-licitacao-da-maior-obra-da-petrobras-dos-ultimos-anos/
Trump já avisou a várias empresas (Toyota, Ford, GM e BMW) que não irá permitir que eles fabriquem veículos no México e os exportem para os EUA. Se elas tentarem fazer isso, serão fortemente taxadas (em até 35%).

Depois de Ford, GM e Toyota, Trump ameaça taxar produção que BMW pretende exportar para os EUA a partir do México:


http://g1.globo.com/carros/noticia/2017/01/trump-tambem-ameaca-bmw-por-fabrica-no-mexico.html

México: 'Gasolinazo'  deixa 6 mortos e 1500 feridos:


Oxfam exalta política de aumento real para o Salário Mínimo adotada pelos governos Lula e Dilma:


Christine Lagarde dá bronca em Meirelles e defende que políticas que reduzem desigualdades sociais devem ser prioridade:


Guy Standing: A explosão de raiva dos eleitores ocidentais se deve ao crescimento do trabalho precário!


Pepe Escobar: Vitória de Trump foi revide do povo contra as elites:

A Dívida Pública dos EUA aumentou fortemente a partir dos governos de Bush Jr e de Obama, passando de U$ 7,3 trilhões (2004) para US$ 18,2 trilhões (2015). Isso aconteceu devido aos gigantescos gastos militares (Guerras do Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Ucrânia) e à salvação do sistema financeiro privado do país (que faliu em 2008). 

Políticas antissindicais aumentaram as desigualdades sociais nos EUA:


EUA: 58% dos novos empregos são precários:


O enfraquecimento dos sindicatos nos EUA:


EUA: Enfraquecimento dos Sindicatos prejudica a ascensão social e econômica dos filhos dos trabalhadores:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!
Trump venceu a eleição presidencial nos EUA derrotando Republicanos e Democratas. Afinal, ele nunca foi o candidato preferido dos líderes Republicanos (que preferiam Ted Cruz). E depois ele derrotou Hillary, defensora de políticas neoliberais e imperialistas. 

Trump venceu a eleição presidencial devido ao fracasso do governo Obama!


E também não há como negar: Trump é protecionista. 

A maneira como ele ameaçou a Ford, GM e Toyota, caso estas instalassem novas fábricas no México, a fim de exportar a produção para os EUA, dizendo que iria elevar fortemente as tarifas de importação para tais veículos, mostra que ele não está para brincadeira. 

Ele se elegeu Presidente dos EUA, principalmente, por ter explorado o imenso descontentamento popular existente no país com o processo de desindustrialização, que gerou o empobrecimento e o encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

Isso levou à criação de uma ampla camada de trabalhadores precários (o Precariado, como a denominou Guy Standing), que ganham baixos salários, submetem-se a longas jornadas de trabalho, não tem nenhuma perspectiva de ascender na carreira e não desfrutam de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 

Atualmente, quase 60% dos novos empregos que são criados nos EUA são precários e a cada década diminui a participação dos trabalhadores industriais, dos pobres e da classe média na renda nacional, enquanto aumenta a participação dos 20% mais ricos, que são o segmento que mais se beneficia com o processo de Globalização Neoliberal. 
Trump já avisou a Ford, a Toyota, a GM e a BMW de que não irá permitir a instalação de fábricas no México a fim de exportar a produção para os EUA. Trump não acredita no livre-comércio. 

Para reverter este processo, o governo de Trump vai querer promover o retorno de inúmeras industrias para os EUA, as mesmas que, nas últimas décadas, se transferiram para países com custos de produção bem inferiores aos dos EUA (México e China, principalmente). 


Para implantar tal política, Trump irá taxar fortemente as importações de produtos industrializados, principalmente as que são originárias do México e as da China.

É por isso que as falas de Trump a respeito do México e da China sempre são as mais agressivas. 

Adotar tal postura faz parte, na verdade, de uma estratégia de Trump que visa forçar os governos do México e da China a rever as suas políticas comerciais, de maneira a que a reindustrialização dos EUA, que Trump ambiciona promover, possa ser colocada em prática.

E se os governos chinês e mexicano se recusarem a fazer concessões (limitando por conta própria as suas exportações industriais para os EUA), Trump apelará para o protecionismo puro e duro. 

Por isso é que Trump 'fala grosso' com China e com México, para onde foram a maior parte das indústrias ianques nas últimas décadas (esse processo é chamado de 'deslocalização'). 
A concentração de renda aumentou bastante nos EUA entre 1970 e 2013. Neste período, a participação dos 20% mais ricos passou de 43% da renda nacional para 51%, enquanto que a participação da classe média caiu de 42% para 37% e a dos 20% mais pobres diminuiu de 15% para 12%.

Por isso é que Trump já avisou a Ford, GM e Toyota: Querem vender nos EUA? Então que produzam nos EUA. 


E para reindustrializar os EUA, o governo de Trump precisará de muito dinheiro, pois a política industrial que ele irá implementar fará uso de subsídios, incentivos fiscais, financiamento em condições favoráveis, aumento das tarifas de importação. 

Além disso, Trump quer investir US$ 1 trilhão em infra estrutura nos próximos 10 anos (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, etc). 

E para fazer tudo isso o governo de Trump irá necessitar de muito dinheiro. Mas Trump terá que encontrar uma maneira de fazer tudo isso sem: 

A) Aumentar a inflação (devido ao encarecimento de produtos e insumos importados), o que derrubaria a sua popularidade; 

B) Aumentar os juros (FED), devido ao aumento do déficit público (afinal as despesas para infra-estrutura e para reindustrialização serão imensas), o que jogaria a economia dos EUA na recessão; 
As políticas neoliberais e de arrocho que foram impostas em muitos países nas últimas décadas levaram à formação do Precariado, que é formado por trabalhadores que recebem baixos salários, são submetidos à longas jornadas de trabalho, não tem acesso a direitos sociais, trabalhistas e previdenciários (ou tem, mas de forma muito limitada) e que não possuem qualquer perspectiva de ascender profissionalmente. 

C) Valorizar fortemente o Dólar (pois o aumento dos juros pelo FED atrairia muito capital para os EUA), o que prejudicaria as exportações dos EUA. 


Para atingir os seus objetivos sem provocar estes efeitos negativos é que o governo de Trump precisará de um mundo mais tranquilo, com menos guerras e gastos militares menores, pois as despesas com a reindustrialização e a recuperação da infra estrutura dos EUA serão imensas. 

Com menos guerras e conflitos, seria possível reduzir os gigantescos gastos militares dos EUA (US$ 1,5 trilhão anuais) e usar os recursos economizados para financiar reindustrialização e investimentos em infra-estrutura (US$ 1 trilhão em 10 anos) nos EUA. 

Assim, se o governo de Trump reduzisse os gastos militares e com guerras em 20%, ele teria US$ 300 bilhões para gastar com os seus planos (reindustrialização e infra estrutura). E com isso, seria possível neutralizar os efeitos negativos que estas políticas poderiam provocar (ver itens A, B e C). 

É justamente por isso Trump deseja dialogar e fechar acordos com a Rússia e também quer esvaziar a OTAN, reduzindo significativamente a participação dos EUA na mesma. 

Trump quer usar a OTAN na guerra contra o Terrorismo e não para ficar destruindo outros países (Síria, Líbia, que se transformaram em territórios livres para a atuação dos extremistas islâmicos originários do mundo inteiro). 
A Síria foi devastada pela Guerra. O país foi invadido por dezenas de milhares de extremistas islâmicos, originários do mundo inteiro, e que foram armados até os dentes pela OTAN-CCG-Turquia-Israel. 

Trump também não quer mais usar a OTAN para ficar provocando a Rússia na Ucrânia (como o medíocre e superestimado Obama fez), onde um Golpe de Estado ('Revolução Colorida') patrocinado por Obama/Hillary colocou neoliberais e neonazistas para governar o país. 


E este novo governo ucraniano iniciou uma guerra contra as regiões do Leste do país, que possuem fortes laços com a Rússia (étnicos, linguísticos, culturais, econômicos, comerciais). Trump deseja, assim, reduzir os gastos dos EUA com a OTAN.  

Logo, se os países europeus quiserem uma OTAN forte e atuante e que promova guerras pelo mundo afora, atuando como um 'Xerife Global', então eles que paguem por isso. 

Eles (Alemanha, França, R. Unido, Itália) que saiam pelo mundo fazendo guerras.

As mudanças que Trump quer promover representam o início do fim do domínio da banca mundial (Wall Street e associados) sobre o planeta.

E é em função disso que Trump está sendo tão atacado pela Grande Mídia e por Hollywood, que são sustentados por Wall Street. 
As desigualdades sociais cresceram fortemente no Reino Unido e em todos os países desenvolvidos nas últimas décadas, o que é criticado por Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico que abandonou a Terceira Via neoliberal defendida por Tony Blair. Corbyn defende o estabelecimento de um Salário Máximo, a fim de se reduzir as diferenças entre os que ganham mais e aqueles que ganham menos.  

Hollywood e Grande Mídia não são mais lucrativos em praticamente lugar nenhum do 
Mundo. As novas mídias (Internet, Netflix, etc) estão enfraquecendo e levando ao desaparecimento de inúmeras publicações impressas e corroendo a audiência das grandes empresas de comunicação.

Exemplo disso é que as três maiores redes de TV dos EUA (CBS, ABC e NBC) tinham mais de 90% da audiência no início dos anos 1970 e, atualmente, elas chegam, no máximo, uns 25%. O grande público se bandeou para outras mídias (TV paga, Internet, Videogames, Netflix)

Também são poucos os filmes de Hollywood que geram lucros (praticamente só os blockbusters). 

Assim, como a Grande Mídia e Hollywood conseguem se manter? 

Wall Street banca. 

Literalmente. 

E isso acontece porque o papel atual das Mídias e de Hollywood não é o de gerar lucros, mas o de 'fazer a cabeça' da população mundial, exportando os heróis, valores, símbolos e estilo de vida ianques para o mundo inteiro. 
Síria? Iraque? Líbia? Não. Esta é uma antiga fábrica da Ford, que se localizava em Detroit, e que foi fechada devido ao processo de desindustrialização que atingiu com força aos EUA nas últimas décadas. Muitas destas fábricas foram transferidas para o México e China, onde os custos de produção são bem inferiores aos dos EUA. 

E isso, por sua vez, está intimamente associado às políticas expansionistas dos EUA pelo mundo inteiro, que visam criar uma Ditadura Global do país no seculo XXI (PNAC).


Os governos de Bush e de Obama entregaram o controle dos seus governos para Wall Street e para os Neocons (neofascistas defensores do PNAC, Projeto para um Novo Século Americano)

Por meio do PNAC, os EUA ambicionam implantar uma Ditadura Global e, para isso, querem impedir o surgimento de qualquer potência (mesmo que tenha alcance meramente regional) que possa contrariar aos interesses estratégicos dos EUA. 

Obama também tentou conter essa expansão (não-imperialista) do projeto russo-chinês do 'Um Cinturão, Uma Estrada' (que começou em 2013).

Tanto no caso da tentativa de expansão do poder dos EUA via PNAC, como no caso da polpitica de contenção do aumento da influência da Rússia-China (que fizeram uma aliança estratégica) na Eurásia, os EUA usaram de várias políticas:
Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz estão entre os principais líderes dos Neocons. Bush Jr. adotou as políticas imperialistas e neoliberais do grupo após os atentados de 11/09/2001. 

A) Guerras por Procuração (Líbia, Síria);


B) Golpes de Estado e Processos de Desestabilização (América Latina, Ucrânia, Egito, Tunísia);

C) Espionagem Global (NSA);

D) Guerras Secretas (Drones e Forças Especiais).

Mas as políticas de Bush/Obama fracassaram totalmente. 

E internamente o governo de Obama nada fez para impedir a continuidade do processo de desindustrialização, de aumento da concentração de renda e do empobrecimento e encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

As desigualdades sociais continuaram aumentando em seu governo. 

Aliás, tais desigualdades sociais aumentaram tanto nos países desenvolvidos que até mesmo a nova Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, do Partido Conservador, disse o seguinte em seu discurso de posse (14/07/2016):

"Isso significa lutar contra a injustiça ardente de que, se você nasceu pobre, vai morrer, em média, nove anos mais cedo do que os outros.Se você é negro, é tratado com mais rigor pela Justiça criminal do que um branco. Se é filho da classe operária, tem menos chance de ir para a universidade. Se estiver numa escola pública, é menos provável ter as melhores profissões do que se você recebeu educação privada. Se é mulher, vai ganhar menos do que um homem. Se tem problemas de saúde mental, não tem ajuda suficiente. Se é jovem, vai ser mais difícil do que nunca ter a própria casa.".
Assad e Putin: A atuação do governo russo em favor do governo e do povo sírios foi fundamental para que o Presidente da Síria conquistasse importantes vitórias na guerra que os extremistas islâmicos (quase todos estrangeiros) iniciaram e que promoveu uma brutal destruição no país, provocando uma crise de refugiados que atingiu em cheio a União Europeia. Trump quer fechar acordos com a Rússia, pois sabe que isso irá liberar recursos substanciais para reindustrializar os EUA e investir na infra estrutura do país. 

Com este duplo fracasso do governo Obama (interno e externo), uma mudança de política por parte dos EUA tornou-se inevitável.


E é justamente este fracasso que explica a vitória de Trump. 

Embora Trump possua inimigos poderosos (CIA, Wall Street, Hollywood, Grande 
Mídia, Indústria Bélica, Esquerda Neoliberal e Pós-Moderna), que tentaram até mesmo impedir que ele tomasse posse da Presidência, ele também conta com o apoio de uma parte significativa das elites capitalistas dos EUA que estão plenamente conscientes do fracasso das políticas adotadas pelos governos d Bush e de Obama. 

Isso explica porque Trump nomeou tantos representantes do Grande Capital para ocupar cargos importantes em seu governo. Afinal, ele é um membro das elites capitalistas ianques mas, tal como muitos outros integrantes das mesmas, Trump se deu conta do enfraquecimento dos EUA no cenário mundial. Logo, não é à toa que o seu lema de campanha foi o de 'Fazer a América Grande Novamente'. Como eu já escrevi, o Trump é o Gorbatchev dos EUA e ele tentará promover mudanças no país a fim de fortalece-lo novamente. 

A luta promete ser dura e a se levar em consideração o que aconteceu com Abraham Lincoln e John F. Kennedy, o novo presidente dos EUA deveria se preocupar bastante com a sua segurança. 
Theresa May é a líder do Partido Conservador britânico e faz duras críticas às políticas neoliberais, que começaram a ser impostas pelo governo de Thatcher. Ela também anunciou que o Reino Unido fará uma saída completa da União Europeia. O Brexit mostra o quanto as políticas neoliberais são rejeitadas atualmente. 

Links:


A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! 


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2017/01/a-alianca-entre-china-e-russia-e-nova.html

A eleição de Donald Trump e o fim do neoliberalismo progressista - Nancy Fraser - 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/46163/a+eleicao+de+donald+trump+e+o+fim+do+neoliberalismo+progressista.shtml

EUA armaram o Estado Islâmico e se recusaram a ajudar governo da Síria na luta contra o grupo terrorista: 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/37414/wikileaks+eua+armaram+estado+islamico+e+se+recusaram+a+ajudar+siria+no+combate+ao+grupo.shtml

Theresa May critica as desigualdades sociais no Reino Unido:

http://oglobo.globo.com/mundo/sem-falar-em-brexit-theresa-may-foca-discurso-em-justica-social-19708286

Dívidas dos estudantes universitários nos EUA ultrapassa US$ 1,3 trilhão:


Pepe Escobar: A Nova Guerra Híbrida do século 21:


Theresa May anuncia saída plena do Reino Unido da UE:


As Guerras Sujas dos EUA que matam milhares de inocentes pelo Mundo:


Vídeo - Documentário 'Guerras Sujas', de Jeremy Scahill (legendado em Português e na Íntegra):