domingo, 28 de novembro de 2010

Crise financeira se agrava e Citigroup pede para ser Estatizado! - por Marcos Doniseti!


Crise financeira se agrava e Citigroup pede para ser Estatizado! - por Marcos Doniseti! (publicado originalmente no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 23/02/2009)

Informação divulgada hoje diz que o Citigroup pediu, ao governo dos EUA, para ser ESTATIZADO. Isso mesmo! O Banco, que já foi o maior do mundo, está falido. Suas ações valem menos de US$ 2 e os ativos podres que o mesmo detém (tais títulos são chamados de podres porque eles não valem absolutamente nada... é um monte de papel sem valor algum... até papel higiênico vale mais...) superam em muito o valor de todos os seus ativos.

Há algumas semanas atrás, o economista Nouriel Roubini já dizia que o sistema financeiro norte-americano estava quebrado, pois havia acumulado um rombo de US$ 3,6 Trilhões (o que representa quase 28% do PIB norte-americano). O pacote, recentemente anunciado pelo secretário de Tesouro dos EUA, de recuperação do sistema financeiro poderá ter um custo total de US$ 2 Trilhões.

Tudo isso é resultado direto da política de desregulamentação econômica e financeira, rumo ao Estado Mínimo, que se colocou em prática nos EUA e no mundo inteiro nas últimas décadas, principalmente depois que Ronald Reagan e Margaret Thatcher passaram a governar os EUA, em 1981, e o Reino Unido, em 1979, respectivamente.

Reagan e Thatcher acreditavam que o 'Governo é o problema e não a solução' e promoveram um acelerado processo de privatizações e de desregulamentação econômica e financeira, dizendo que o mercado livre levaria o mundo a uma nova era de prosperidade e que o mesmo iria melhorar a vida de todos.

Porém, tal política resultou num brutal processo de especulação financeira, que tomou conta da economia mundial e isso criou uma massa gigantesca daquilo que Karl Marx chamava de 'capital fictício', ou seja, as pessoas e as empresas pensavam que estavam ficando mais ricas, mas isso era totalmente falso, pois tal riqueza era fruto de especulação e não de aumento real de geração de riquezas. Esta era uma riqueza ilusória. Mas, as pessoas e as empresas pensavam que estavam, de fato, ficando cada vez mais ricas e começaram a consumir, a se endividar, a investir e a especular como nunca.

Com isso, o mercado financeiro mundial ficou inundado por um oceano de 'papel' que não tinha lastro e nem garantia alguma (pois estavam atrelados a negócios altamente instáveis, como o crédito subprime, oferecido para pessoas com histórico ruim de pagamento), mas que as instituições financeiras vendiam aos seus clientes (usando de nomes exóticos e atraentes, como 'hedge funds', entre outros) e estes, pensando que estavam aplicando em um investimento seguro, jogaram um caminhão de dinheiro neste festival especulativo totalmente irracional e sem nenhuma conexão verdadeira com a economia real.

Mas, como a renda das pessoas, dos consumidores, dos países ricos, não cresceu nestas últimas décadas (devido, principalmente, ao fato de que as empresas norte-americanas, européias e japonesas transferiram sua produção de bens e serviços para países com baixo custo de produção, como a China, México, Índia, etc, o que derrubou o poder de compra dos trabalhadores dos países ricos) este consumismo e esta especulação desenfreadas foram financiadas com um processo crescente de endividamento. Até que chegou o dia em que as pessoas perceberam que tinham se endividado demais e começaram a atrasar o pagamento das suas dívidas ou até passaram a deixar de pagá-las. Com isso, todo esse 'castelo de cartas' veio abaixo.

Desta maneira, todas aquelas aplicações especulativas que estavam atreladas a estes negócios altamente instáveis e de risco elevado, como o do mercado subprime, desmoronaram de forma espetacular. E o sistema financeiro ficou inundado com uma papelada infindável e que, basicamente, não vale absolutamente nada. E é por isso que os bancos que têm grande quantidade destes 'ativos podres' estão falidos, quebrados, pois os seus ativos são muito inferiores ao valor dos 'títulos podres' que estão em seu poder.

E é isso que irá obrigar o governo dos EUA, mesmo que contra a sua vontade, a estatizar o sistema financeiro do país, que está quebrado. Não há outra saída, como o Nouriel Roubini já diz há um bom tempo. O governo britânico, do trabalhista Gordon Brown, já fez isso, tendo se tornado o dono de 70% das ações do maior banco britânico, o Royal Bank of Scotland.

E é claro que uma crise desta dimensão atinge em cheio a chamada 'economia real', gerando falências e desemprego em massa. Nos EUA, o número de desempregados já está em 11,6 milhões de pessoas e estima-se que mais 3 milhões perderão os seus empregos até o final de 2009. Previsões apontam para uma queda de, pelo menos, 3% no PIB dos EUA e do Reino Unido apenas neste ano. Na Alemanha, a situação é ainda pior (pois o país exporta cerca de 60% do seu PIB) e estima-se uma queda de 5% do PIB do país apenas para 2009. O desemprego está crescendo rapidamente no mundo inteiro e países como Islândia e Irlanda, bem como vários outros, já quebraram.

Assim, e mais uma vez, caberá ao Estado (tão detestado pelos neoliberais) salvar o Capitalismo da total e completa ruína, tal como já ocorreu na década de 1930 e depois da 2a. Guerra Mundial.

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