sábado, 20 de novembro de 2010

A 'Folha' e a 'Ditabranda' Militar! - por Marcos Doniseti!


A 'Folha' e a 'Ditabranda' Militar! - por Marcos Doniseti (publicado originalmente no blog 'Guerrilheiro do Entardecer' no dia 23/02/2009).

Um dos textos mais lamentáveis já publicados na história da imprensa brasileira foi um recente editorial da 'Folha de S.Paulo', que disse que a Ditadura Militar brasileira foi uma mera 'Ditabranda'.

Tal afirmação foi duramente criticada por muitos leitores, incluindo intelectuais altamente respeitados, como Maria Victória Benevides e Fabio Konder Comparato, que foram covardemente atacados pela 'Folha' por causa disso.

Há muitos anos eu fui assinante da 'Folha', na época da Redemocratização do país e das 'Diretas-Já', quando a mesma apoiou movimentos como o da Anistia e em defesa das eleições diretas para Presidente da República.

Mas, deixei de assinar a 'Folha' quando notei um crescente conservadorismo do jornal na sua linha editorial e no teor das suas reportagens. E esse caso da 'Ditabranda' mostrou que tomei a decisão correta.

O editorial da 'Folha', em defesa da Ditadura Militar brasileira de 1964-1985, mostra que caiu a máscara, que o jornal usou durante muito tempo, como sendo uma publicação de características mais pluralistas, democráticas e progressistas.

Existem duas hipóteses para explicar porque a 'Folha' adotou uma postura mais progressista durante um certo período de tempo.

A primeira é a de que isso não passou de uma temporária jogada de marketing para fazer da 'Folha' o jornal mais vendido do país.

E há também quem diga que isso foi feito a pedido do próprio regime militar, que promovia, na época, uma abertura política 'lenta, gradual e segura' e interessava a estes setores da Ditadura Militar que a 'Folha' se constituísse num jornal com posições mais liberais do que as da Grande Mídia brasileira da época e que adotasse uma postura favorável à 'Abertura', como de fato aconteceu.

Creio que esta segunda hipótese, aliás, é muito mais provável do que a primeira, pois a 'Folha', até então, nunca havia se caracterizado como um jornal de oposição à Ditadura Militar. Na verdade, a 'Folha' apoiou o Golpe Militar de 1964 e hoje se sabe que veículos do jornal transportavam prisioneiros políticos para ser brutalmente torturados no Doi-Codi (o jornalista Paulo Henrique Amorim escreveu um texto dizendo isso e que é publicado diariamente em seu blog).

Mas, independente das razões disso, o fato é que a 'Folha', nos últimos anos, claramente, adotou uma linha 'jornalística' que ficou muito semelhante, se não for dizer idêntica, mesmo, à da 'Veja', outra publicação que embarcou na onda dos Neocons norte-americanos. De certa maneira, portanto, a 'Folha' retornou às suas origens conservadoras, direitistas e reacionárias.

Na verdade, 'Neocon' é apenas um eufemismo para designar os neo-fascistas norte-americanos. Como os EUA lutaram contra o Nazismo e o Fascismo na 2a. Guerra Mundial, pega muito mal por lá apresentar-se como um defensor de idéias e políticas que eram defendidas por ambas as ideologias totalitárias de extrema-direita. Então, tais pessoas e organizações norte-americanas passaram a se apresentar como sendo apenas como 'neoconservadores' ou neocons.

Esta mudança na linha editorial e jornalística da 'Folha' se confunde com a ascensão de Lula e das Esquerdas à Presidência da República. Devido a este fato, a 'Folha' passou a defender idéias e posturas cada vez mais conservadoras e, agora, com essa história da 'Ditabranda' ela assinou, definitivamente, a sua ficha de filiação ao movimento neofascista internacional, ou neocon. A 'Folha' fez a sua escolha e, agora, ela é de conhecimento de todos.

A questão é: porque, tendo mudado tanto nestes últimos anos e se tornando muito mais conservadora do que era na época da Redemocratização e das Diretas-Já, a 'Folha' continua vendendo cerca de 300 mil exemplares diários, em média. Bem, antes de mais nada, temos que informar que essa era a mesma tiragem que a 'Folha' tinha na época das Diretas-Já. Portanto, a venda do jornal estagnou, mesmo com a população brasileira tendo aumentado em cerca de 60 milhões nestes últimos 25 anos. Portanto, proporcionalmente, a 'Folha' vende, hoje, bem menos do que em 1984.

A verdade é que existe público, no Brasil, para esse tipo de 'jornalismo de esgoto' revisionista e que tenta, agora, justificar os crimes e as atrocidades cometidas pela Ditadura Militar.

Há algum tempo, a 'Veja' fez uma matéria de capa tentando convencer os seus leitores de que D.Pedro II era moderno e mais Republicano do que os próprios republicanos da época. Somente faltou a 'Veja' explicar aos seus leitores porque, sendo tão republicano, assim, D.Pedro II manteve a Escravidão entre 1840 e 1888 e porque jamais abriu mão do Poder Moderador, que lhe dava o direito de intervir em qualquer um dos Poderes do país (Executivo, Legislativo e Judiciário). E é claro que, apesar de tantos absurdos escritos pela 'Veja' nesta patética matéria, os leitores da publicação continuaram defendendo que ela estava correta em suas colocações.

Então, 'Veja' e 'Folha' nada mais fazem que ocupar um 'nicho de mercado', voltado para agradar a um segmento altamente conservador politicamentes das classes médias abastadas do país.

Enquanto existirem pessoas que defendem uma visão conservadora do mundo, teremos publicações com as características da 'Folha' e da 'Veja'. Ninguém é obrigado a adquirir os seus exemplares. Eu não faço há muitos anos. Entre as minhas principais fontes de informação estão publicações como a 'Forum', a 'Le Monde Diplomatique Brasil' e a 'Retrato do Brasil'. 'Folha' e 'Veja' não entram nesta relação.

Por isso que considero que protestar contra estes absurdos que 'Folha' e 'Veja' publicam de nada adiantará. O que temos que fazer é criticar e atacar duramente as colocações deles, dentro de um contexto democrático. De nada adiantará sair por aí reclamando e muito menos espancando os leitores da 'Folha' e da 'Veja'. Se eles gostam do que lêem nestas publicações, por mais mentiroso e desonesto que seja o que o conteúdo do que escrevem, o que poderemos fazer?

Creio que o melhor a fazer, como já disse, é criticar duramente o que eles publicam, o tempo inteiro, denunciando as suas mentiras e desonestidades, e criar fontes alternativas de informação para a população, mostrando que as informações que 'Veja', 'Folha', e demais veículos de informação que fazem parte da Grande Mídia reacionária brasileira, publicam não são corretas e que as pessoas estão sendo manipuladas e de várias formas (alguém aí pensou na inexistente epidemia de febre amarela que a Grande Mídia tupiniquim inventou no início de 2008?).

Aliás, este foi um dos principais motivos pelo qual eu criei este blog.

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