quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Marta Suplicy, Gabeira, Aloysio Nunes, Charles Elbrick e a luta armada contra a Ditadura Militar! - por Marcos Doniseti!


Marta Suplicy, Gabeira, Aluisio Nunes, Charles Elbrick e a luta armada contra a Ditadura Militar! - por Marcos Doniseti

A candidata petista ao Senado e ex-prefeita da capital paulista, Marta Suplicy, criticou duramente a Mídia e simpatizantes do PSDB/DEM devido ao fato deles atacarem a ex-ministra Dilma como tendo sido 'terrorista', pelo fato dela ter participado da luta armada contra a Ditadura Militar.

De fato, em, suas declarações, Marta cometeu alguns equívocos. Afinal, Gabeira não foi escalado para matar o embaixador e nem teve papel relevante algum no sequestro. Porém, é bom que se diga que esta confusão é de responsabilidade, na sua maior parte, do próprio Gabeira, que no livro 'O que é isso, Companheiro?', supervalorizou a sua participação no sequestro do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, em Setembro de 1969. Como é de conhecimento público, Gabeira apenas era o inquilino da casa onde o embaixador ficou escondido e era o responsável pela impressão do jornal, chamado 'Resistência', do MR-8. E a impressora ficava na casa em que o embaixador dos EUA ficou escondido. Nada mais do que isso.

Quem leu o livro de Gabeira e assistiu ao filme, no entanto, pensa que ele foi o autor da idéia de sequestrar o embaixador. E não foi o Gabeira que teve tal idéia. A mesma surgiu num diálogo travado entre o Franklin Martins e o Cid Benjamim. Sobre isso, assistam ao 'Hércules 56', no qual o Franklin conta isso.

Gabeira também chegou a escrever, nas primeiras edições de seu livro, que ele teria sido o autor do manifesto que foi, posteriormente, divulgado pela mídia por exigência dos sequestradores. Essa é outra mentira divulgada tanto pelo livro, como pelo filme 'O que é isso, Companheiro?'.

Na verdade, o autor do manifesto foi o Franklin Martins e que, depois de escrevê-lo, coletou sugestões e idéias dos outros participantes da operação. Inclusive, posteriormente, em novas edições, Gabeira fez a correção, reconhecendo que Franklin Martins foi quem escreveu o manifesto.

Mas, quem se deu ao trabalho apenas de ler ao livro do Gabeira e de assistir ao filme baseado em seu livro, tem a impressão de que Gabeira foi o cérebro de tudo e o personagem mais importante da operação: Afinal, segundo Gabeira, ele é que teve a idéia de sequestrar o embaixador, ele escreveu o manifesto e ele teria sido escalado para matar o embaixador caso a Ditadura Militar se recusa-se em atender as exigências feitas pelos sequestradores. Tudo falso! Tudo mentira!

Para saber mais a respeito deste assunto, sugiro que assistam ao maravilhoso documentário 'Hércules 56' e que leiam o livro também, com o mesmo título, ambos do Silvio Da-Rin. O documentário e o livro são excelentes e contam com entrevistas feitas com vários dos libertados em troca do embaixador dos EUA e contém um debate com alguns dos principais organizadores e comandantes da operação, como o Franklin Martins, Daniel Aarão Reis Filho, Cláudio Torres, Manuel Cyrillo e Paulo de Tarso.

Mas, e ao contrário do que se pensa, o Gabeira não é o único a ter participado da luta armada contra a Ditadura Militar que, hoje, é aliado das forças mais conservadoras mas, cujo passado de guerrilheiro, a Grande Mídia e os líderes e simpatizantes de Serra e do PSDB/DEM/PPS não fazem questão de lembrar.

O ex-Chefe da Casa Civil do governo José Serra e candidato do PSDB ao Senado em SP, o Aloysio Nunes Ferreira Filho, também foi guerrilheiro e participou ativamente da luta armada contra a Ditadura Militar, tendo sido integrante da ALN (Ação Libertadora Nacional), liderada pelo Marighella.

Entendo que a crítica que a Marta fez não foi tanto ao Gabeira, mas à Grande Mídia e aos membros do PSDB/DEM/PPS, seus seguidores e simpatizantes, que escondem essas informações da opinião pública sobre o passado do Gabeira (e aqui incluo, também, o nome do Aloysio Nunes) e que, tal como a Dilma, participaram da luta armada contra a Ditadura Militar.

Apesar deste passado em comum com Dilma, nem por isso Gabeira e Aloysio Nunes são chamados de 'terroristas' pela Grande Mídia ou pelos tucanos e tampouco tem 'fichas falsas' publicadas em jornais que, como a 'Folha' o fez, classificaram a Ditadura Militar como tendo sido uma 'Ditabranda'.

Por que será que Dilma, de um lado, e Gabeira e Aloysio Nunes, de outro, recebem tratamentos tão diferentes por parte da Grande Mídia e dos líderes e simpatizantes do PSDB/DEM? Por que Dilma é classificada como 'terrorista', enquanto que Gabeira e Aloysio Nunes não o são, se os três participaram da luta armada contra a Ditadura Militar e tem esta história em comum?

Creio que foi esta a crítica que a Marta quis fazer, mas ela verbalizou a mesma de forma um tanto quanto equivocada, inclusive difundindo informações erradas a respeito do assunto (e que foram falsamente promovidas pelo próprio Gabeira em seu livro e no filme baseado no mesmo) e que já foram corrigidas pelo Franklin Martins e pelo Daniel Aarão Reis Filho, dois dos principais participantes da operação de rapto do embaixador dos EUA em Setembro de 1969.

Os equívocos de Marta, no entanto, não podem esconder o óbvio, e que é muito mais importante nesta discussão, que é o tratamento diferenciado dado a Dilma, de um lado, e a Gabeira e a Aloysio Nunes, de outro, mesmo com os três tendo participado da luta armada contra a Ditadura Militar.

Aliás, considero que a participação deles nesta luta deve ser motivo de orgulho para todos eles e não há nada do que se envergonhar por isso.

Quem deveria se lamentar pelo que fez são os torturadores e assassinos que, a serviço de uma Ditadura Militar Terrorista, massacraram e destruíram com as vidas de centenas de pessoas que se encontravam sob a custódia do Estado e que, como tal, jamais poderiam ter sido submetidas a tratamento tão vil, cruel, desumano e criminoso.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u736079.shtml

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