sábado, 20 de novembro de 2010

Sérgio Malbergier, a crise do Neoliberalismo e a 'morte' da Esquerda!!


Sérgio Malbergier, a crise do Neoliberalismo e a 'morte' da Esquerda!!

O texto do Sérgio Malbergier, publicado ontem (obs: no dia 26/02/2009) na 'Folha Online', é sério candidato a ser eleito uma das 'pérolas do ano', tal a quantidade de asneiras que o mesmo escreveu. Abaixo, comento o texto, colocando as minhas observações logo abaixo do que o Sérgio escreveu.

Texto:

Crise capitalista mata a esquerda

1) "Você conhece alguém que tenha se tornado "de esquerda" (como isso soa antiquado!) com a atual crise do capitalismo?".


R- Não, mas sei que milhões de trabalhadores estão ficando desempregados no mundo inteiro em função da crise e a imagem que eles têm do 'livre-mercado' não deve ser das melhores, para dizer o mínimo.

2) "O sistema mais uma vez agoniza. Mas se nos anos 1930 essa agonia fortaleceu totalitarismos à esquerda e à direita, desta vez a saída é para o centro. Ainda bem.".

R - Falta combinar isso com os governos que estão adotando práticas protecionistas e com os trabalhadores que estão cada vez mais irritados com a presença de trabalhadores estrangeiros em seus países.

3) "Ninguém que conta quer revolucionar nada, mas aperfeiçoar (o que por enquanto significa limitar) as poderosas forças do mercado e da livre iniciativa.".

R - E quem garante que esse 'aperfeiçoamento' será suficiente para superar a crise? E desde quando a imposição de limites para a atuação do mercado representa um aperfeiçoamento do mesmo?

4) "A crise global serviu para mostrar os limites atuais do liberalismo econômico, assim como os ataques do 11 de Setembro frearam o avanço das liberdades individuais.

Mas são dois movimentos convergentes, inevitáveis em nossa cultura individualista, baseados na percepção, cada vez mais óbvia para mais gente, de que quanto menos o governo interferir em nossas vidas e quanto mais formos donos dela, melhor.".

R - Então, deve ser por isso que os banqueiros do mundo inteiro estão implorando por ajuda estatal a fim de salvar as instituições financeiras, não é mesmo? E deve ser por isso que o Estado, no mundo todo, já injetou um valor gigantesco, de vários trilhões de dólares, para evitar uma Depressão econômica, correto? Está explicado...

5) "Pois por mais que se fale da importância do Estado neste momento, ninguém o defende como solução permanente para as necessidades de desenvolvimento das nações. Muito pelo contrário".

R - Então, porque o Estado é que está novamente, tal como ocorreu na década de 1930, na época da Grande Depressão, socorrendo o setor privado falido do mundo todo? E também ninguém defende, com exceção dos xiitas de sempre, a manutenção da desregulamentação desenfreada e que foi um dos fatores principais que desencadeou a crise. Muito pelo contrário.

6) "A emergência da China capitalista fechou o círculo econômico global. O capitalismo foi flex o suficiente para abraçar o maior Partido Comunista da história que conduz a maior expropriação de mais-valia do mundo para lucro de grandes corporações ocidentais.

E todos estavam felizes com o casamento. Até o colapso do sistema financeiro como o conhecíamos e sua dolorosa recomposição.".

R - O colapso do sistema financeiro está diretamente relacionado justamente à expansão da economia chinesa, que atraiu empresas de setores inteiros das economias dos países ricos (automóveis, tecidos, calçados, etc) e forçou a queda da renda dos trabalhadores nos países ricos. Daí, para poder crescer com a renda da população estagnada, os países ricos apelaram para a especulação financeira e o endividamento (público e privado, principalmente privado) para continuar crescendo. E tal financiamento foi bancado pelos países que têm grandes superátivs comerciais com os EUA, principalmente a China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e Alemanha. Enquanto eles emprestaram para os norte-americanos, a economia dos EUA cresceu. Agora, que chegou a hora de pagar as dívidas acumuladas, a economia dos países ricos cai na pior crise desde a Grande Depressão. Assim, a exportação de empregos para a China foi um dos fatores que contribuiu para o início e o fim dessa farra de especulação e de endividamento. E a China ainda mantém restrições à entrada e saída de capitais e o governo controla o sistema financeiro, além de possuir ainda milhares de estatais. Portanto, a China está muito distante de adotar políticas neoliberais.

7) "Nos Estados Unidos de Barack Obama, o maior líder global e sua equipe deixam claro sempre que podem que o estatismo da hora é tão inevitável quanto indesejável no longo prazo. A Europa também está fincada do centro para a direita, como na Alemanha, na França, na Itália e no Reino Unido (sim, o trabalhismo britânico é de direita).".

R - O estatismo pode ser indesejável, mas quem disse que ele não será necessário e por um bom período de tempo? Muitos economistas respeitados já acreditam que a economia norte-americana irá crescer muito pouco e isso irá persistir durante muito tempo. Muitos, inclusive, temem que os EUA enfrentem uma situação semelhante à do Japão durante a década de 1990/2000, quando o país asiático ficou estagnado. E a escolha de responsáveis pela eclosão da crise para superar a mesma não é, exatamente, uma atitude muito inteligente de Obama.

E quem disse que o fato de tais países (Alemanha, França, Itália, etc) ter governos de Direita os impedirá de fazer aquilo que for necessário para sair da crise? Afinal, não são estes mesmos governos que estão estatizando o sistema financeiro (vide Gordon Brown) e defendendo uma refundação do capitalismo e com uma regulamentação muito mais rígida da economia do que a que existe atualmente, como fez a União Européia recentemente?

8) "Na Ásia, o capitalismo enriqueceu os principais países da região, com a exceção óbvia da obscurantista Coréia do Norte, que repele pelo exemplo.".

R - E quem, afinal, defende o modelo norte-coreano como solução para alguma coisa?

9) "Na América Latina, os dois líderes mais populares são Lula e Álvaro Uribe, o presidente da Colômbia, ambos também de centro-direita no diapasão macroeconômico.".

R - Mas, os governantes que estão ganhando TODAS as votações e eleições na região são Chávez, Morales e Rafael Correa. Chávez já venceu 14 de 15 votações que disputou. E em quase todos os países latino-americanos estamos assistindo a vitórias de partidos de Esquerda e de Centro-Esquerda nas eleições. Até na Guatemala e no Paraguai, que sofreram duramente, por várias décadas, com ditaduras violentas de Direita, isso aconteceu. E a Colômbia é uma ditadura disfarçada, na qual são assassinados, todos os anos, centenas de militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda, de direitos humanos, etc. Belo exemplo, esse, não? Quanto à Lula, ele mesmo já declarou que não acredita que o mercado resolva tudo sozinho e afirma claramente que o Estado têm um papel importante a cumprir na promoção do desenvolvimento econômico e social. Mas, parece que você não ficou sabendo disso.

10) "A tal Revolução Bolivariana de Hugo Chávez e Cia parece mais uma paródia da paródia, "Bananas" de Woody Allen levado à vida real por personagens ainda mais autênticos, dirigidos por Zé Celso Martinez.

O petrocaudilho venezuelano, por exemplo, apenas clona o modelo da antiga República venezuelana que dividia a renda da venda do petróleo aos EUA entre os apaniguados de AD e Copei. Agora a divisão é entre os favoritos do ex-coronel que quer ficar eternamente no poder, como seu ídolo Fidel Castro, o ditador de pijamas, que colocou seu irmão Raúl no comando modorrento de um regime moribundo. Quem quer isso?".

R - Faltou você dizer que os favoritos de Chávez são os pobres e miseráveis venezuelanos, que representavam a maioria da população quando ele tomou posse na Presidência, no início de 1999, e hoje são uma minoria, pois o governo Chávez reduziu substancialmente a taxa de desemprego, elevou o poder de compra do salário mínimo (que é o maior da América Latina), aumentou fortemente os investimentos em Saúde e Educação. E isso explica porque Chávez venceu 14 de 15 votações realizadas no país desde que se elegeu Presidente, em 1998. Então, parece que o povo venezuelano é um dos que quer isso que você tanto critica.

11) "Quem quer a rigidez, a prepotência, a ineficácia e a corrupção inevitáveis dos governos pantagruélicos? Ninguém. Ou quase ninguém.".

R - E quem quer a continuidade do livre-mercado, da livre-especulação e da visão de que o 'Governo é o problema e não a solução', como dizia Reagan? Ninguém. A não ser você e mais alguns poucos neoliberais xiitas que não percebem que o mundo mudou.

12) "As viúvas mais enrustidas da foice e do martelo tentam gritar que a solução para a aguda crise do capitalismo são as antigas ilusões socialistas tão desacreditadas pela história. No último Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, até as mangueiras perceberam quão esvaziado está o movimento esquerdista global em plena crise capitalista.

A mão invisível que pune financistas inescrupulosos e suas muitas vítimas também golpeou, mortalmente, as pretensões da antiga esquerda de se reerguer como opção ao sistema hegemônico.".

R - Esse é o típico discurso anti-comunista histérico e rasteiro, que convence apenas os eternos manipuláveis e desinformados. Parece que você acredita que o Capitalismo neoliberal está ganhando cada vez mais adeptos no mundo. Deve estar, mesmo, principalmente entre os milhões de trabalhadores que estão ficando desempregados, entre a classe média que vê o seu padrão de vida despencar e entre os contribuintes, cujo dinheiro que pagam para o governo sob a forma de impostos está sendo utilizado maciçamente para salvar especuladores e bancos falidos, como o Citigroup, que acabou de ser (parcialmente) estatizado pelo governo Obama. Calcula-se que o novo pacote de salvamento dos bancos privados falidos poderá chegar a ter um custo total de ‘apenas’ US$ 2 Trilhões. Haja imposto para bancar (com trocadilho) tudo isso.

13) Um ganho colateral importante nessa triste crise transformadora.

R - Ganho colateral para quem? Só se for para os especuladores e financistas que enviaram as fortunas que pilharam para os paraísos fiscais e que ganham bônus bilionários enquanto dezenas de milhões de trabalhadores perdem os seus empregos mundo afora?

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/sergiomalbergier/ult10011u509477.shtml

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