sábado, 20 de agosto de 2011

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti!

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti!

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 30/11/2009 e atualizado no dia 25 de Agosto de 2012)


Reproduzi aqui no blog o texto do Luiz C. Azenha, intitulado 'A patética Esquerda sem povo'. E gostei tanto do mesmo que decidi escrever uma análise com base nos pontos levantados pelo Azenha em seu brilhante texto.

Então, vamos lá:

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti

"Azenha: Lula ‘roubou’ o povo das Esquerdas radicais!!".

Foi brilhante a conclusão do Azenha em seu texto.

E neste sentido, de 'roubar' o povo (prefiro a expressão trabalhadores, e irei usá-la no lugar de 'povo', ok?) das Esquerdas vanguardistas iluminadas pelo espírito de Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao e cia, Lula nem foi o primeiro a fazer isso no Brasil.

Getúlio Vargas também fez o mesmo, ao criar a legislação trabalhista e reconhecer os direitos dos trabalhadores que, pela primeira vez na história do Brasil, passaram a ser tratados como cidadãos e as suas reivindicações foram, em grande parte, atendidas pelo governo de Vargas.

E foi justamente por isso que Vargas se tornou verdadeiramente adorado pelos trabalhadores brasileiros da época, tal como acontece com Lula, hoje, que é respeitadíssimo entre os trabalhadores, mas é ainda mais admirado entre os pobres e os miseráveis.

Para mim, ao levar adiante um processo de inclusão social, econômico e político, Lula está completando as obras de Vargas e Jango.

O primeiro (Vargas) reconheceu os direitos dos trabalhadores urbanos, o segundo (Jango) criou a legislação trabalhista para o trabalhador rural (foi o governo Jango que elaborou o Estatuto do Trabalhador Rural e estimulou a sindicalização dos mesmos).

Porém, estas políticas trabalhistas tinham uma limitação: elas somente beneficiavam os trabalhadores com registro em carteira de trabalho e que estavam organizados em sindicatos.

Mas, e os demais, que existiam em grande número? E aqueles que permaneciam na informalidade e que nunca tiveram qualquer chance de ter acesso às leis trabalhistas criadas por Vargas e aprofundadas por Jango?

Lula deu continuidade às políticas de inclusão social e política implantadas por Vargas/Jango e criou um conjunto de políticas públicas que beneficiam, justamente, a estes setores que, antes de Lula, não chegavam a se beneficiar com as leis sociais e trabalhistas que vigoravam no país há muitas décadas.

Eram os excluídos.

E não foi apenas através de políticas de inclusão social (como o Bolsa-Família, o Luz Para Todos ou o ProUni) que Lula conseguiu isso mas, principalmente, através da geração de empregos formais (foram gerados quase 15 milhões deles no governo Lula), do controle e da redução da taxa de inflação, e que é fundamental para se aumentar a renda dos mais pobres, pois estes não tem recursos para aplicar no mercado financeiro, como ocorre com os ricos e as classes médias mais abastadas.

O governo Lula reduziu a taxa de inflação pela metade quando se compara com o governo FHC, com a mesma caindo de 12,5% ao ano em 2002 para 5,9% em 2010, e o aumento real do salário mínimo atingiu 53% em seus oito anos de mandato.

A combinação de geração de empregos formais em número recorde, concessão do maior aumento real para o salário mínimo desde o governo Jango, a criação e ampliação de políticas de inclusão social, redução da taxa de desemprego (caiu de 10,5% em Dezembro de 2002 para 5,3% em Dezembro de 2010) e a redução da inflação pela metade fizeram com que o governo Lula terminasse a obra de Vargas/Jango, ou seja, a de construir um país melhor e digno Para Todos.

Não é à toa, portanto, que 40 milhões de brasileiros subiram de classe sócio-econômica, ascendendo, principalmente, das classes D/E para a classe C. Outros 10 milhões subiram para as classes A/B. No total, 50 milhões de brasileiros ascenderam social e economicamente no país entre 2003-2010. E este processo teve continuidade no governo Dilma, sendo que em seu primeiro ano de governo a pobreza diminuiu 7,9%, segundo o IPEA.

Assim, pela primeira vez na história do Brasil temos, hoje, a chance de construir um país em que todos possam desfrutar de uma vida digna e mesmo aqueles que estão, ainda, no mais baixo degrau da escala sócio-econômica, tem possibilidades reais e concretas de melhorar de vida.

O governo Lula criou, para as classes D e E e mesmo para grande parte da classe C a possibilidade concreta e real de melhorar de vida. Tais segmentos, que são a maioria absoluta da população, nunca chegaram a se beneficiar, de fato, com as leis trabalhistas de Vargas/Jango.

Isso aconteceu não por culpa deles, é claro, mas em função do fato de que o processo de inclusão social iniciado por eles foi interrompido pela Ditadura Militar. Esta, aliás, foi instalada justamente para isso mesmo, ou seja, para destruir com aquele projeto de inclusão iniciado por Vargas e que teve continuidade com Jango, dizendo que o mesmo era sinônimo de ‘comunismo’, o que era uma gigantesca asneira, é claro.


Mas, o argumento ‘comunista’ colou junto às classes médias e altas da época e entre as Forças Armadas e isso resultou na derrubada do governo Jango.

E o que a Ditadura Militar fez depois disso? Intensificou o processo de exploração da força de trabalho, arrochando brutalmente os salários. Foi justamente para viabilizar tal política de arrocho que o movimento sindical, tanto rural como urbano, foi duramente reprimido pela Ditadura.

E o resultado disso é que nos dois primeiros anos da Ditadura Militar mais de 10 mil dirigentes sindicais foram afastados de seus cargos, com muitos sendo presos, torturados, exilados e até assassinados. Tal política foi mantida até 1985 e aumentou fortemente a concentração de renda e as desigualdades sociais no país durante o período ditatorial.

E o estrago feito pela Ditadura nas áreas econômica e financeira (a falência do Estado, com o brutal aumento da dívida externa, o forte aumento da inflação, o forte crescimento do desemprego e o arrocho salarial) inviabilizaram qualquer tentativa de se redistribuir a renda em benefício dos mais pobres e dos trabalhadores durante os 21 anos de regime ditatorial no Brasil. 

Já o projeto neoliberal de Collor e de FHC, na verdade, radicalizou essa política implantada pela Ditadura Militar, de aumentar a exploração da força de trabalho, e não poderia, mesmo, portanto, resultar em qualquer melhoria para os trabalhadores e para os mais pobres. No governo FHC, por exemplo, a taxa de desemprego subiu de 3,4% (em Dezembro de 1994) para 6,5% (Dezembro de 2002). segundo o IBGE.

Assim, coube ao governo Lula (apoiado pelos mais significativos movimentos sociais brasileiros, como o sindical, de sem-terra, sem-teto, estudantil, entre muitos outros) a tarefa de retomar o projeto de se construir uma Nação mais justa, igualitária, democrática, soberana.

Vejam que a política externa do governo Lula é uma continuação da política externa independente que começou a ser implantada ainda no final do governo JK, que tinha Jango como Vice-Presidente, e que já defendida pelo PTB no início dos anos 1950.

Neste modelo de sociedade e de Estado, os trabalhadores, os mais pobres e os miseráveis podem ter a chance de ascender social, econômica, política e culturalmente.

E é neste aspecto, de se criar políticas que promoverm a ascensão das classes mais pobres, que entendo que o governo Lula é uma continuação do projeto de Vargas/Jango.

E não é à toa que, principalmente nos casos de Vargas e de Lula, ambos conseguiram afastar os trabalhadores e os mais pobres dos grupos mais radicais das Esquerdas .

Aliás, Jango não conseguiu isso e teve que se aproximar das Esquerdas mais radicais (que se fortaleceram muito entre 1961-1964) e isso foi fundamental para que fosse derrubado pelas Direitas em 01 de Abril de 1964. Estas até aceitavam Jango como Presidente, mas desde que ele se afastasse dos grupos nacionalistas e esquerdistas mais radicais e adotasse políticas conservadoras, o que ele não aceitou, evidentemente.

E é por causa disso que as Esquerdas radicais tem tanto ódio de Lula e do PT.

Aliás, elas destilam contra Lula e o PT o mesmo ódio que direcionavam contra Vargas, Jango e o PTB e justamente pelo mesmo motivo: porque eles, com suas políticas trabalhistas e reformistas de inclusão social, cultural, política e econômica, afastaram os trabalhadores das Esquerdas mais radicais.

Recentemente, li o livro ‘O Imaginário Trabalhista’ (muito bom... recomendo a leitura), do brilhante historiador Jorge Ferreira, onde ele conta que, na época do segundo governo Vargas, o PCB decidiu fazer oposição radical ao mesmo e, daí, os seus militantes começaram a ir para as portas das fábricas falar mal de Vargas, chamando-o de ‘agente do Imperialismo’ e outras imbecilidades do mesmo tipo.

Sabe o que aconteceu? Os pecebistas passaram a levar um monte de pedradas e de pauladas dos trabalhadores. Estes ficaram com tanto ódio dos comunistas que quando Vargas se suicidou o primeiro prédio que os trabalhadores atacaram, no Rio de Janeiro, foi o do jornal do PCB, o 'A Voz Operária'.


Depois disso, o PCB percebeu o absurdo de se falar mal de Vargas e se aliou ao PTB e a Jango. Somente nos meses anteriores ao Golpe de Abril de 1964 é que o PCB se integrou aos grupos nacionalistas e esquerdistas mais radicais.

Não duvido muito, que daqui a alguns anos, as Esquerdas radicais percebam que essa oposição radical, maluca e suicida que fazem ao governo Lula, está afastando-as dos trabalhadores e dos mais pobres.

E daí, mesmo que a contragosto, talvez elas voltem a se aproximar de Lula e do PT. 

Mas, até lá elas irão levar muita paulada e muita pedrada dos trabalhadores, principalmente nas urnas.

Então, o Azenha 'matou a charada' com este texto.


Links:

Pobreza no Brasil diminui 7,9% em 2011, diz IPEA:

http://revistaepoca.globo.com/Negocios-e-carreira/noticia/2012/03/pobreza-no-brasil-diminui-79-em-2011.html

Taxa de Desemprego em Dezembro de 2002 foi de 10,5%:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR55190-6012,00.html

Taxa de Desemprego em Dezembro de 1994 foi de 3,4% (metodologia antiga):

http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/monografias/GEBIS%20-%20RJ/pme/1994_PME_12.pdf

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-lula-e-as-esquerdas.html

Por que Vargas, Jango e Lula foram os melhores presidentes da história do Brasil:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/07/por-que-vargas-jango-e-lula-foram-os.html

Vargas, Jango e a nova Política Trabalhista entre 1951-1964:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-nova-politica.html

Vargas, o PTB, Eduardo Gomes, Hugo Borghi e os marmiteiros:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-o-ptb-eduardo-gomes-hugo-borghi.html

Nassif e o Golpe de 64:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/nassif-o-golpe-de-1964-e-analise-de.html

Azenha:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/o-jornalista-luiz-carlos-azenha-pelo.html

Livros sobre o governo Jango:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/livros-sobre-o-governo-joao-goulart.html

Nassif, o governo Jango e o Golpe de 64:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/nassif-o-governo-jango-e-o-golpe-de.html

Lula, Jango e a coalização com o centro moderado:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/03/lula-jango-coalizao-com-o-centro.html

2 comentários:

Cássio Moreira: por amor as causas perdidas... disse...

http://www.sul21.com.br/jornal/2012/11/o-golpe-de-1964-foi-contra-o-trabalhismo/

Cássio Moreira: por amor as causas perdidas... disse...

http://www.sul21.com.br/jornal/2012/06/o-nacionalismo-economico-da-era-vargas-e-o-governo-lula-dilma-rousseff-retomada-de-um-projeto/