sábado, 20 de agosto de 2011

Jango, Lula e as mudanças políticas-institucionais no Brasil! - por Marcos Doniseti!

Jango, Lula e as mudanças políticas-institucionais no Brasil! - por Marcos Doniseti!

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/03/2009 e atualizado no dia 20/08/2011)


O jornalista Luiz Carlos Azenha, pelo qual tenho um grande respeito, devido ao seu trabalho sério e íntegro, disse em seu blog que:

"A doença que acometeu os governos Sarney e FHC também pegou o governo Lula: a falta de coragem política. O loteamento do governo para garantir a "governabilidade", lá atrás, em 2002, desaguou em 2009 nas vitórias políticas de Collor e Sarney dentro do Congresso. O antigo Centrão divide o poder com o governo Lula, que agora é refém dele para as eleições de 2010. E essa "banda podre" sempre foi, é e sempre será imobilista: do jeito que está, tudo bem. Eles sempre estiveram por cima da carne seca. Assim como FHC, Lula faz um governo "reativo". Não ousa politicamente, apesar de montado em 84% de popularidade. Aposto que o cálculo político do presidente leva em conta que à esquerda dele não há lugar para correr. Por isso, Lula costura à vontade ao centro e à direita.".


Bem, eu não discordo desta avaliação do Azenha.

Mas, há um elemento fundamental que é preciso levar em consideração, que é o fato de que o Congresso brasileiro sempre foi dominado pela Direita, pelas forças políticas e sociais mais retrógradas e reacionárias do país.

Cerca de 80% das 'Vossas Excelências' em Brasília foram eleitas pelo DEM, PSDB, PMDB, PP, PTB, PR e outras agremiações direitistas menos populares.

As Esquerdas brasileiras sempre foram fracas e isso é um dado histórico.

Elas sempre tiveram muita influência junto à intelectualidade, estudantes e setores de vanguarda do movimento sindical e de movimentos populares, mas nunca conseguiram mobilizar e organizar todo o povo.

Além disso, Lula ganhou em 2002 e em 2006 justamente porque se aliou com forças políticas conservadoras. E ele somente consegue governar, com uma certa tranquilidade, pelo mesmo motivo.

Sem isso, Lula não teria sido eleito e não aprovaria um mísero projeto de lei no Congresso Nacional, onde as Esquerdas têm apenas 20% dos eleitos.

Enquanto a Direita dominar o Congresso, esqueçam. Não teremos grandes mudanças políticas-institucionais no Brasil, não. No Judiciário, a situação é ainda pior. Basta ver como Gilmar Mendes faz o que quer e ninguém reage, mesmo no Poder Judiciário. Ele distribui habeas-corpus, inventa grampos inexistes e fica tudo por isso mesmo. Em qualquer país minimamente civilizado, Gilmar Mendes iria para o banco dos reús, no mínimo.

Aliás, esse dilema não é novo.

O então presidente João Goulart também o enfrentou.

Jango queria fazer as 'Reformas de Base', mas o Congresso Nacional, formado majoritariamente pelo PSD e UND (ambos de Direita e que apoiaram o Golpe Militar contra Jango, bem como a própria Ditadura Militar. Aliás, até Ulysses Guimarães e JK apoiaram o Golpe de 64 e ambos eram do PSD de origem varguista) impediu que elas fossem colocadas em prática.

E quando Jango ameaçou radicalizar, decidindo mobilizar a população e os movimentos populares (CGT, Sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, etc) para aprovar as 'Reformas de Base', ele foi derrubado pelas forças mais retrógradas da sociedade brasileira.

E quando o Golpe estourou, Goulart mandou seus aliados não resistir. Depois, no exílio, Brizola quis iniciar um contra-golpe militar, mas Jango não o apoiou, algo que Brizola não perdoou, rompendo com Jango por 10 anos. Somente poucos meses antes da morte de Jango é que Brizola reatou com o ex-Presidente.

Tudo isso explica, na minha opinião, essa "timidez" de Lula.

Ele não quer ser um novo João Goulart.

Link:
http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/o-jornalista-luiz-carlos-azenha-pelo.html

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