sábado, 20 de agosto de 2011

Lula, Jango, a coalizão com o Centro Moderado e as lições da História! - por Marcos Doniseti!

Lula, Jango, a coalizão com o Centro Moderado e as lições da História! - por Marcos Doniseti! 

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 07/03/2010)



É sempre bom lembrar um pouco de História, pois esta ensina inúmeras lições.

Pouco se comenta, mas uma das principais razões que levou a Direita tupiniquim a promover o Golpe de 1964 é que iríamos ter eleição presidencial em Novembro de 1965 e os dois grandes favoritos para vencer a mesma eram JK, do PSD, e Brizola, do PTB.

Quer dizer, a Direita sabia que não tinha chance alguma de vitória na eleição presidencial e este foi um dos principais motivos para que ela apelasse para o Golpe contra Jango.

O grande erro de Jango, dos líderes e dos grupos nacionalistas e esquerdistas da época (Brizola, Arraes, Prestes, PTB, CGT, PCB) foi ter rompido a aliança com o PSD. Foi isso que permitiu que a UDN e a Direita conseguissem apoio suficiente junto à classe política, e a segmentos moderados da opinião pública e da sociedade, para o Golpe contra Jango que, originalmente, era apenas um projeto das facções mais extremistas e radicais da Direita tupiniquim daquele período.

Entendo que foi, também, em função disso que o Presidente Lula, conhecedor deste grave erro cometido pelas forças democráticas e progressistas na época do governo Jango, construiu um amplo governo de coalizão e manteve (mesmo que ao custo de algumas insatisfações localizadas, porém controláveis por Lula) a aliança com o PMDB (que é o PSD de nossa época) e com outras forças moderadas e até conservadoras politicamente (caso do PP, PTB, PR).

Sem o apoio destas forças políticas centristas e moderadas, o governo Lula teria perdido o controle do Congresso Nacional, que cairia nas mãos do PSDB e do DEM. Estes, iriam criar umas 250 CPIs contra o governo Lula, para investigar qualquer bobagem (até o filme sobre a vida de Lula teria sido investigado), e os mesmos teriam conseguido inviabilizar uma série de projetos essenciais para o governo, como os do novo marco regulatório do pré-sal, desgastando o governo Lula e, até, dando início a algum processo de Impeachment, sob qualquer pretexto.

Desta maneira, a Direita troglodita e reacionária, representada pelo PSDB/DEM, entraria na campanha presidencial em plena ofensiva, enquanto o governo Lula estaria acuado, nas cordas, levando bordoadas de tudo quanto é lado.

Com a manutenção, porém, da aliança com o PMDB e com o Centro moderado, o governo Lula manteve a maioria no Congresso Nacional e, assim, está conseguindo aprovar os projetos do seu interesse, algo que não aconteceria (sob hipótese alguma) se a aliança com as forças do Centro moderado tivesse sido rompida.

Além disso, terminar essa aliança com as forças centristas teria provocado o isolamento político da candidatura presidencial de Dilma e levado a que as mesmas se aliassem ao governador José Serra.

Assim, Dilma iria para a campanha apenas com o apoio de partidos como o PT, PDT, PC do B e, talvez, o PSB. As demais forças políticas (PMDB, PTB, PP, PR) cairiam no colo da candidatura de Serra. Este, iria dispor de muito mais tempo na televisão, fecharia alianças e acordos políticos amplos em todos os estados, com um grande número de partidos, e teria muito mais palanques fortes e competitivos em quase todos os estados da Federação. E tudo isso, é claro, seria reforçado pelo apoio total, completo e uníssono da Grande Mídia Golpista. Com isso, as chances de vitória de Serra na eleição presidencial iriam aumentar consideravelmente. Dilma até poderia vencer a eleição, mas isso se tornaria uma tarefa muito mais complexa e difícil.

Logo, ao manter a aliança com as forças centristas moderadas, o Presidente Lula garantiu um amplo arco de apoio e de sustentação para a candidatura presidencial da ministra Dilma e, com isso, ela conseguiu, em poucos meses, eliminar a imensa vantagem que o candidato tucano possuía nas pesquisas e, muito antes do horário eleitoral gratuito começar, ela já atingiu uma situação de empate técnico, confirmado por duas das mais recentes pesquisas (Vox Populi e Datafolha).

Dilma transformou em pó a grande vantagem que o governador de SP possuía até três meses atrás. E ela alcançou isso mesmo sendo, ainda, desconhecida para 50% do eleitorado, como a mais recente pesquisa Datafolha demonstrou.

Fico imaginando o que não acontecerá quando toda a população ficar sabendo que Dilma é ministra do governo Lula desde o início do governo (há mais de sete anos, portanto), que ela é a principal responsável por gerenciar programas fundamentais do governo federal (como o ‘Minha Casa, Minha Vida’, o do PAC e o do Pré-Sal) e que são de grande importância para o país, que é a candidata escolhida pelo PT para concorrer à Presidência da República e que terá o apoio total do Presidente Lula.

Uma pesquisa feita recentemente, na região da Baixada Fluminense, constatou que quando o nome de Dilma é associado ao do Presidente Lula ela dispara, subindo de 26% para 42% das intenções de voto, com Serra caindo dos mesmos 26% para 21%. Assim, nestas circunstâncias, Dilma passa a ter o dobro das intenções de voto do governador tucano de SP.

Portanto, caso Dilma vença as eleições (e as chances disso acontecer são imensas) grande parte dos méritos da vitória será do Presidente Lula, que segurou a aliança com o PMDB mesmo quando esta era fortemente bombardeada pela Grande Mídia, principalmente no caso do ex-Presidente José Sarney, que sofreu uma das mais virulentas campanhas midiáticas da história do país. E vejam que o Sarney sempre foi um aliado desta Grande Mídia, tendo, inclusive, em seu governo, nomeado o ACM para Ministro das Comunicações, o que agradou e muito a Grande Mídia na época, principalmente a Rede Globo.

Logo, embora nem todos do PT gostem desta aliança com as forças do Centro moderado, o fato é que, sem isso, ficaria virtualmente impossível ter maioria no Congresso Nacional, aprovar as medidas de interesse do governo federal no mesmo e as eleições seriam muito mais difíceis.

E quem poderia estar, hoje, debatendo intensamente, enfrentado uma crise profunda, a respeito das possibilidades de vitória de Dilma nas eleições presidenciais seriam o PT, os partidos aliados, o Presidente Lula e, claro, a própria Dilma.

Mas, em vez disso, quem enfrenta uma crise profunda é a candidatura do governador de SP, tanto que nem ele mesmo sabe, de fato, se será mesmo candidato à Presidente ou se tentará a reeleição para o governo do estado.

E mesmo ‘jornalistas’, setores da sociedade e partidos que sempre acreditaram na vitória da sua candidatura presidencial, agora se questionam se fizeram a escolha certa. Muitos já estão convencidos de que a derrota é inevitável e que Dilma vencerá por ampla margem.

Portanto, a atitude do Presidente Lula em manter a aliança com as forças centristas moderadas foi fundamental para a estabilidade do seu governo e para a força crescente da candidatura da ministra Dilma.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/03/lula-jango-coalizao-com-o-centro.html

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