domingo, 18 de setembro de 2011

Indústria automobilística representa 23% do PIB industrial brasileiro! - por Marcos Doniseti!

Indústria automobilística representa 23% do PIB industrial brasileiro! - por Marcos Doniseti!



Alguns críticos da decisão do governo Dilma de elevar as tarifas de importação para automóveis e caminhões dizem que a entrada de carros importados serve para baratear e reduzir os preços dos carros nacionais e que, portanto, tal medida seria prejudicial para os consumidores brasileiros.

Mas isso é conversa para boi dormir e simplesmente não tem nenhum fundamento.

Afinal, a importação de carros cresceu de forma bastante considerável nos últimos anos e nem por isso tivemos qualquer redução nos preços dos carros nacionais, muito pelo contrário. Os preços dos mesmos continuaram sendo reajustados todos os anos, como sempre aconteceu. 

Aliás, essa redução não acontece justamente porque a maior parte dos veículos importados são trazidos para o Brasil pelas montadoras que já estão instaladas ou que atuam no país há muitos anos, como a Ford, GM, Volks, Honda, Fiat, Toyota, etc.

Portanto, uma maior entrada de veículos importados no país não significa maior competição, muito longe disso.

Essa iniciativa, na verdade, é uma estratégia das montadoras já instaladas no país para se aproveitar do Real artificialmente valorizado e, assim, aumentar ainda mais os seus lucros.

Como se isso não fosse suficiente, estas mesmas montadoras que atuam aqui levaram adiante, nos últimos tempos, uma política de substituição de peças e de componentes, dos veículos montados no Brasil, pelos seus similares importados, elevando fortemente o grau de desnacionalização dos veículos produzidos no país.

Caso este processo não fosse interrompido teríamos grandes chances de ver as montadoras instaladas no país se transformarem em meras 'maquiladoras', destruindo com a cadeia produtiva do setor.

Foi isso, por exemplo, que aconteceu no México depois que o mesmo entrou para o NAFTA.

Também não se pode esquecer que a indústria automobilística é responsável pela manutenção de, pelo menos, 3 milhões de empregos em todo o país.

E é do conhecimento até do mundo mineral, como diz o Mino Carta, que os trabalhadores ligados, direta ou indiretamente, à indústria automobilística, constituem uma espécie de 'elite' entre os trabalhadores do setor industrial brasileiro, justamente porque são mais qualificados, mais produtivos e, assim, conseguem ser melhor remunerados do que os da imensa maioria dos setores industriais do país.

Também não se pode esquecer que a indústria automobilísta, sozinha, representa 23% do PIB industrial brasileiro e 5% do PIB total do país.

Portanto, a manutenção da situação anterior à elevação das tarifas promoveria um rápido processo de desindustrialização em um setor que é fundamental para o crescimento industrial e econômico do Brasil.

Logo, ela tem um papel estratégico fundamental em qualquer política que deseje promover o desenvolvimento do país e não pode, pura e simplesmente, ser atirada numa política de livre-mercado desregulado e que acabou de falir no mundo inteiro, jogando a economia mundial na sua maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Na verdade, tal medida do governo brasileiro é apenas uma reação do mesmo, e até tardia, aos efeitos fortemente negativos da guerra cambial, travada entre China e EUA, e que resultou numa rápida e artificial valorização do Real nos últimos meses.

Portanto, reafirmo o que eu disse no meu texto anterior sobre o assunto e que publiquei aqui no blog: a decisão do governo Dilma de elevar as tarifas de importação foi mais do que correta.

E reforço o meu argumento: veio tarde.

Porém, antes tarde do que nunca.

Link:
http://truckshopping.com.br/novidades/2011/06/22/industria-setor-automotivo-e-afetado-por-medidas-do-governo-diz-anfavea/

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