domingo, 4 de setembro de 2011

As perspectivas para os EUA e para a UE - por Marcos Doniseti!

As perspectivas para os EUA e para a UE - por Marcos Doniseti!


As políticas neoliberais adotadas nas últimas décadas nos EUA e na UE entraram em processo acelerado de colapso a partir de 2008.

Com isso, as economias das duas regiões mais ricas do mundo ficarão estagnadas por muitos anos, ainda, e ambas terão que conviver com um nível cada vez maior de desemprego, de pobreza e de miséria.

Uma das causas da crise é o brutal do endividamento do Estado.

Como exemplo disso, os EUA já tem uma dívida pública total que equivale a 150% do PIB (somando as 3 esferas de governo: federal, estadual e municipal), déficit público anual de 10% do PIB e um desemprego de 9%.

Para piorar ainda mais a situação, o povo americano não tem como aumentar o seu nível de consumo, pois sofre com as imensas dívidas acumuladas durante muitos anos, com a diminuição do seu poder de compra e com o aumento do desemprego, que joga os salários, já arrochados, para um patamar ainda menor.

Com tantas dívidas, com a renda fortemente arrochada e com o Estado ianque literalmente quebrado, os EUA entrarão numa Longa Estagnação.

E a UE vai pelo mesmo caminho. Aliás, a UE terá que, nos próximos anos, tomar medidas drásticas para salvar o seu sisteme financeiro privado, que será duramente atingido com a quebra e com as crescentes dificuldades das economias periféricas do bloco, como são o caso da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália.

A dívida total da Itália, Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal chega a US$ 4 trilhões. Então, se eles derem um calote ou mesmo promoverem moratórias no pagamento desta dívida,o sistema financeiro europeu irá para o buraco, é claro. E caso isso aconteça, a UE terá que promover o salvamento do sistema financeiro privado europeu, a fim de evitar o início de uma Grande Depressão no Velho Mundo.

Afinal, são justamente os bancos privados das duas maiores economias da UE, Alemanha e Franças, os que mais fizeram empréstimos para os chamados PIIGS (em inglês: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). [1].

Então, qualquer crise mais séria nos PIIGS atingirá em cheio ao sistema financeiro das duas maiores economias européias. Uma crise destas proporções, muito provavelmente, destruiria com o Euro e, talvez, com a própria UE, pelo menos na sua atual conformação.

A União Européia, no fim das contas, terá que assumir a responsabilidade para resolver essa crise, tornando-se a responsável pelo pagamento destas dívidas. E é claro que, depois, a fatura será cobrada (como já está acontecendo) dos povos destes 5 países e dos europeus em geral, que também entrarão numa Longa Estagnação.

E isso vai agravar ainda mais a situação econômica e social na UE, que irá conviver por muito tempo desemprego elevado, aumento da pobreza e da miséria. E é claro que isso terá reflexos políticos sérios, fortalecendo ainda os grupos extremistas, principalmente da Extrema-Direita, fenômeno este que já está em andamento.

O massacre promovido pelo neonazista contra militantes Trabalhistas na Noruega que o diga...

Tudo isso demonstra que as políticas neoliberais adotadas nas últimas décadas nos EUA e na UE já eram. Não tem futuro. Tais políticas estão exterminando com a classe média.

As classes médias numerosas e consumistas dos países ricos foram construídas pelas políticas do Welfare State, de Bem-Estar Social, que foram implantadas no Pós-Guerra.

Com o desmanche do Welfare State, as classes médias dos EUA e da UE estão sendo dizimadas. Enquanto isso, aqui no Brasil, o governo Lula colocou 40 milhões de pessoas na classe média!

A única solução para a crise nos EUA e na UE seria recuperar e reconstruir o Welfare State, o Estado de Bem-Estar Social, mas não há movimentos políticos-sociais suficientemente fortes exigindo isso, muito pelo contrário. Basta ver o exemplo do Tea Party nos EUA para se constatar isso.

A fraqueza dos movimentos poíticos-sociais populares (sindical, estudantil, etc) abre caminho para o reforço do Neoliberalismo falido, tanto nos EUA, como na UE, e é isso que estamos vivenciando neste momento.

O movimento sindical está fortemente debilitado em todos os países ricos. O grau de sindicalização dos trabalhadores despencou nas últimas décadas. Grande parte dos direitos dos trabalhadores já foram restringidos ou eliminados. Agora, nos EUA, os governadores Republicanos estão adotando, em vários dos estados que governam, a política de desmonte das próprias organizações sindicais, como vimos recentemente no Wisconsin.

Isso mostra que, nos EUA, já começou um novo ciclo de destruição dos movimentos sociais. Antes, eliminavam-se os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, que foram implantados e reconhecidos com a política do New Deal, de Franklon D. Roosevelt, adotada durante a década de 1930 (por causa dela a Direita ianque chamava Roosevelt de 'comunista').

Agora, estamos em um novo estágio: trata-se destruir com as organizações que representam os trabalhadores, a fim de intensificar ainda mais o processo de exploração da força de trabalho nos países ricos.

Além disso, nos EUA, os 80 milhões de pessoas (os chamados baby-boomers) que nasceram nos 20 anos seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial (1946-1965), começaram a se aposentar em 2008 (pois a idade mínima para se aposentar nos EUA é de 62 anos) e à medida que eles pararem de trabalhar os gastos com o pagamento de aposentadorias irão disparar no país, pressionando ainda mais o déficit e a dívida pública, já imensos, do país.



Assim, o futuro dos EUA e da UE será muito pior do que pensa. Eles insistirão na continuidade de políticas falidas e que irão aprofundar a crise em vez de resolvê-la.

Portanto, mais do que econômica-financeira, a crise dos EUA e da UE é política-social.

Afinal, cadê as forças políticas-sociais eformistas e alternativas que mude tudo isso? Onde elas estão?

O que tem nos EUA? Os patetas, ignorantes e imbecis do Tea Party, que defendem um neoliberalismo ainda mais radical e que é financiado pelo Grande Capital ianque! Na Europa, os 'Indignados' não conseguem mobilizar toda a população e o que mais cresce são os movimentos da Extrema-Direita xenófoba, neonazista e neofascista.

Com a não adesão da população européia aos movimentos dos chamados 'Indignados', a Extrema-Direita avança cada vez mais em toda a UE.

Parece que décadas de propaganda maciça em favor do neoliberalismo e que construíram uma imagem fortemente negativa da ação do Estado estão sendo fundamentais para neutralizar o crescimento destes movimentos.

As pessoas, na sua maioria, parece que ainda estão anestesiadas pela crença nos fundamentos do Neoliberalismo, como a de que os mercados livres e desregulados funcionam muito melhor do que o Estado.

Portanto, as perspectivas, para os EUA e para a UE, são muito ruins e um agravamento da crise política, econômica e social nas duas maiores economias do mundo é virtualmente inevitável.


[1]Em finais de 2009, os banqueiros alemães e franceses detinham 48% dos títulos da dívida exterior espanhola (os bancos franceses detêm 24% dessas dívidas), 48% dos títulos da dívida portuguesa (aos bancos franceses cabem 30%) e 41% dos títulos da dívida grega (com 26%, os franceses são o principal detentor).

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