sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Por que o PT é um partido Social-Democrata e Reformista! - por Marcos Doniseti!

Por que o PT é um partido Social-Democrata e Reformista! - por Marcos Doniseti!  (atualizado no dia 15/11/2011)


O PT realizou, na semana passada, o seu 4o. Congresso. Este foi muito importante, porque reforçou o caráter reformista do partido, como uma força política organizada que visa resgatar milhões de brasileiros que vivem na pobreza e na miséria, além de continuar a sua luta pela realização de mudanças de natureza estrutural na sociedade brasileira, com o objetivo maneira a construir um país soberano, justo, moderno e democrático.

A partir de 1995 o PT tornou-se, na prática, um partido na linha da Social-Democracia escandinava que construiu o Welfare State no pós-guerra. Os dirigentes e militantes do PT podem até não concordar com isso, mas foi o que aconteceu. E esta é a linha programática dominante nos governos do PT, tanto no plano federal, como nas esferas estadual e municipal.

Felizmente isso aconteceu, aliás. Pois foi somente a partir desta mudança que o partido se tornou uma alternativa real de poder e pôde governar o país em favor dos trabalhadores e dos mais pobres.

Aliás, esta é a verdadeira missão do PT. O resto é conversa fiada para boi dormir.

Foi somente a partir do momento em que deixou de lado os purismos sectários e pseudo-revolucionários de muitos dos grupos que ajudaram, sim, a criar o partido e que acabaram expulsos do PT por atuarem como 'um partido dentro do partido' - caso da Convergência Socialista, que deu origem ao PSTU - que o PT pôde diminuir as resistências ao partido em segmentos importantes da burguesia e das classes médias.

A parte mais lúcida destes grupos sociais elitistas já percebeu que o PT não é mais um partido com vocação revolucionária, mas reformista, numa linha de Centro-Esquerda, que pode até não ser o 'sonho de consumo' destes setores elitizados e, muitas vezes, retrógrados, da sociedade, mas é melhor ter um PT reformista de Centro-Esquerda governando o país e que distribui renda, amplia o mercado consumidor, aumenta o faturamento e o lucro das empresas, do que vê-lo nas mãos de neoliberais incompetentes que quebram o país 3 vezes em 4 anos de governo e que o mantém de joelhos para o FMI por um período interminável de tempo, ou sob o controle de esquerdistas radicais alucinados que desejam reinventar a roda, a terra, o fogo, a água e o ar.


Desta maneira, ao mudar a sua linha de atuação, tornando-se menos sectário, mais pragmático e adotando uma política claramente reformista de Centro-Esquerda (e mesmo que não admita isso, dada a força interna de segmentos de Esquerda que ainda professam o Socialismo na sua vertente marxista), o PT também ajudou a uma parcela da burguesia e da classe média a alterar as suas percepções sobre o partido, mesmo que com ressalvas, aceitando-o como um ator legítimo da disputa política do país. Sem isso, o PT teria dificuldades gigantescas para crescer e se consolidar, muito maiores do que aquelas que já enfrentou ao longo dos seus 31 anos.

Ao conseguir ampliar os seus espaços de atuação na sociedade, o PT conseguiu eleger Lula para a Presidência da República e levar adiante, durante o período 2003-2010, um projeto de mudanças graduais, mas progressivas, na sociedade brasileira.

Como parte desta nova linha política reformista, o governo Lula não modificou as estruturas produtivas da sociedade (os meios de produção continuaram nas mãos da burguesia, sim) mas implantou políticas que retomaram o crescimento econômico do país e que efetivamente melhoraram a distribuição de renda.

Conciliando o controle da inflação, o respeito aos contratos herdados do governo anterior e à Constituição, a retomada do crescimento econômico e a melhoria da distribuição de renda, o PT adotou um programa clássico reformista de Centro-Esquerda (tipicamente keynesiano e roosevelteniano) , mas que melhorou, inegavelmente, a vida de milhões de trabalhadores e dos mais pobres.

A geração de 17 milhões de empregos formais (entre 2003-2011), o aumento significativo do poder de compra do salário mínimo, a criação de políticas de inclusão social (Bolsa-Família, Luz Para Todos), permitiram que 50 milhões de brasileiros entrassem para o mercado consumidor e passassem a desfrutar de benefícios que, antes, muitos sequer sonhavam, como ter a sua casa própria, comprar um carro novo, comprar a casa própria e até viajar de avião.

Se tais conquistas foram possíveis, tudo isso deve-se ao fato do PT ter abandonado a linha purista, sectária e pseudo-revolucionária que predominou no partido até a eleição de José Dirceu para a presidência do mesmo, em 1995.

Caso o PT tivesse insistido nessa trajetória inicial de radicalismo infantial e inconsquente, ele até poderia se manter como um partido 'puro, coerente, honesto e imaculado' (como dizem ser, por exemplo, os nanicos PSOL, PSTU e PCO) , mas jamais teria tido a possibilidade de governar o país e, portanto, de adotar políticas que, inegavelmente, melhoraram as condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres.

A democracia brasileira precisa de um partido reformista de Centro-Esquerda que mantenha um diálogo constante com os movimentos sociais (sem criminalizá-los, como tanto gosta de fazer a Direita neoliberal e troglodita - muito bem representada pela trinca PSDB-DEM-PPS e, também, por essa Grande Mídia controlada por meia-dúzia de famílias poderosas - Marinho, Frias de Oliveira, Sirotsky, Civita, Saad, Abravanel - e de mentalidade golpista e reacionária que ainda sobrevive no país), adote políticas que atendam (mesmo que parcialmente) as suas reivindicações, ampliando e aprofundando o processo de conquista de direitos, e que adote políticas que beneficiam aos trabalhadores e aos mais pobres.

Na verdade, todas as democracias modernas e maduras necessitam de um partido com essas características. E no Brasil o único partido que reúne todas elas é o PT, gostem ou não disso os críticos do partido e os anti-petistas alucinados e histéricos.

Nenhum outro partido político brasileiro possui a penetração que o PT alcançou junto aos movimentos sociais do país (sindical, estudantil, de trabalhadores rurais, GLBT, feministas) e tampouco elege tantos parlamentares, prefeitos, governadores e, mais ainda, o Presidente da República como o PT o faz.

Não é à toa, portanto, que as outras legendas de Centro-Esquerda brasileiras (PDT, PSB, PCdoB) acabem, mesmo que a contragosto, se comportando como planetas que giram em torno do Sol petista.

Aliás, um dos maiores problemas enfrentados nos EUA e na União Européia, hoje, é que eles não tem mais partidos assim, já que as antigas agremiações trabalhistas, socialistas e social-democratas européias adotaram o programa neoliberal. A Social-Democracia alemã, o Trabalhismo britânico, os Socialistas franceses são exemplos perfeitos disso. O mesmo raciocínio vale para o partido Democrata dos EUA que, anteriormente, defendia as políticas do New Deal de Franklin D. Roosevelt, classicamente reformistas e social-democratas, mas que também foi abandonando, gradualmente, este ideário nas últimas décadas.


Não foi à toa, portanto, que o governo de Obama se preocupou mais em salvar o sistema financeiro privado falido do que em governar em favor da classe média empobrecida, dos desempregados e dos mais pobres.Isso foi resultado, em grande parte, desse caráter neoliberal que o Partido Democrata adquiriu nas últimas décadas, em especial a partir do governo de Bill Clinton.

O resultado de tudo isso é que, hoje, a Centro-Esquerda européia e dos EUA está órfã e sem perspectiva alguma, mesmo com a crise generalizada e a falência do Neoliberalismo.

Felizmente, este partido partido reformista e de Centro-Esquerda ainda existe no Brasil e é o PT.

Vida longa ao PT.

Nenhum comentário: