segunda-feira, 14 de novembro de 2011

As UPPs não tem nenhuma conexão com a 'guerra contra as drogas' - por Marcos Doniseti!

As UPPs não tem nenhuma conexão com a 'guerra contra as drogas' - por Marcos Doniseti!


A operação das forças de segurança pública do governo federal e do estado do Rio de Janeiro que retomou o controle, para o Estado, das favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, levou algumas pessoas a fazer críticas totalmente equivocadas à política de instalação de UPPs nestes territórios libertados pelas forças do Estado.

Entre as críticas feitas está a de que a instalação das UPPs deveria ter começado antes.

Tais pessoas se esquecem de que o governo de Sérgio Cabral tem menos de 6 anos. O sobrenome do atual governador do RJ é Cabral, mas ele se chama Sérgio e não Pedro Álvares... Mas parece que este fato é ignorado pelos críticos das UPPs.

Assim, os críticos das UPPs falam sobre o governo de Sérgio Cabral como se o mesmo administrasse o Rio de Janeiro desde a época do outro Cabral, o Pedro Álvares, o que é absolutamente patético e totalmente ridículo. Esta é um crítica que pode, até, ser considerada infantil. Aliás, nem uma criança com mais de 2 neurônios faria um comentário tão besta.

Outros críticos (na verdade, muitas vezes são os mesmos da crítica anterior...), também equivocados, das UPPs ainda cometem o desatino de comparar a instalação delas com uma inexistente 'guerra contra as drogas'. Isso é uma asneira monumental. Não existe, absolutamente, nenhuma conexão entre a instalação de UPPs com uma 'guerra contra as drogas'. Esta representa uma visão na qual se acredita que o caminho da repressão seria a única solução para se resolver a questão da produção, do tráfico e do consumo de drogas.

Tal 'guerra contra as drogas' fracassou no mundo inteiro, na verdade.Ela não deu certo em lugar algum deste planeta.

Porém, e felizmente, mesmo com críticas tão estúpidas e equivocadas quanto essas, as UPPs avançam cada vez mais. E o governo do estado do RJ já anunciou que, até a Copa do Mundo de 2014, a intenção é que 40 UPPs já estejam devidamente instaladas por toda a Cidade Maravilhosa.

Ainda bem.



Assim, a política de instalação de UPPs não tem NENHUMA conexão com qualquer tipo de 'guerra contra as drogas'. Ela é, de fato, uma política que promove a retomada de territórios pelo Estado que, anteriormente, encontravam-se sob o controle de grupos paramilitares criminosos organizados, vulgarmente conhecidos como 'traficantes'.

Na verdade, estes 'traficantes' nunca se limitaram, apenas e tão somente, a traficar drogas.

Eles também cometem inúmeros outros crimes brutais e de grande impacto sobre a sociedade, como: assassinatos, sequestros, atentados terroristas, tráfico de armas, corrupção (atuando como agentes corruptores de autoridades públicas: policias, juízes, políticos, etc). Dificilmente existe algum artigo do Código Penal brasileiro que não tenha sido violado pelos tais 'traficantes' que, equivocadamente, são vistos, muitas vezes, como 'benfeitores' das 'comunidades' que controlam.

Esta visão equivocada sobre estes criminosos brutais e violentíssimos contaminou, até mesmo, pessoas que se definem como sendo de esquerda ou progressistas politicamente.

Outros críticos dizem que somente a retomada dos territórios e a instalação de UPPs não resolve o problema. Claro que não. Por isso mesmo é que, depois que o território volta para o controle do Estado e se instalam as UPPs, começa-se a investir em projetos de cultura, lazer, educação, entre outros.


E é justamente a retomada do controle destes territórios pelo Estado que viabiliza estes investimentos públicos em educação, saúde, entre outros, nestes locais.

Sem o controle destes territórios pelo Estado não é possível fazer investimentos públicos nos mesmos.

Logo, a retomada do controle do território e a instalação da UPP é apenas o primeiro passo para que o Estado possa promover investimentos que beneficiem a população local.

Além disso, há uma outra questão importante, frequentemente ignorada por tais críticos, que é o fato de que as UPPs representam uma nova concepção de trabalho policial, deixando de lado a repressão e o uso da violência ostensiva contra a população como um mecanismo (totalmente ineficiente e ultrapassado e que estimula a corrupção) de redução da violência e da criminalidade.

As UPPs representam, na verdade, a adoção do que se chama de policiamento comunitário. E a criação delas parte da criação de um novo tipo de polícia, que procura se aproximar da população, ganhando a confiança e o apoio da mesma, em vez de simplesmente entrar atirando para tudo é quanto lado, como se fazia antigamente.

As UPPs foram resultado da criação de um novo programa, implantado no governo Lula, na gestão do ministro da Justiça (e atual governador do Rio Grande do Sul), Tarso Genro, que é o PRONASCI.


Este programa investe na formação de policiais com outro tipo de mentalidade na forma de se trabalhar para combater o crime, valorizando o contato com a população. É o que se chama de Policiamento Comunitário, no qual polícia e população são aliados, e não inimigos, no combate ao crime.

E os policiais que entram para trabalhar nas UPPs são formados com base nestes novos valores e concepções e não carregam, assim, os vícios dos policiais formados nas concepções antigas, que são repressivas, ineficientes e obsoletas. Desta maneira, com as UPPs, a Polícia passa a se relacionar de outra forma com a população.

Por isso é que as UPPs são bem recebidas pela população nas localidades em que elas são instaladas.

E é por isso que elas estão dando resultados tão bons.

Links:
  
O que é o Pronasci

http://portal.mj.gov.br/pronasci/data/Pages/MJE24D0EE7ITEMIDAF1131EAD238415B96108A0B8A0E7398PTBRNN.htm
Favela da Rocinha receberá R$ 100 milhões em investimentos em obras públicas

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-11-14/favela-da-rocinha-recebera-r-100-milhoes-em-investimentos-em-obras-publicas
   
Após a Rocinha, Maré deve receber a 20ª UPP

http://brasil247.com.br/pt/247/brasil/24207/Ap%C3%B3s-a-Rocinha-Mar%C3%A9-deve-receber-a-20%C2%AA-UPP.htm

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