sábado, 12 de novembro de 2011

Graças a Vargas e Lula, Brasil sente pouco os efeitos da crise dos países ricos! - por Marcos Doniseti!

Graças a Vargas e Lula, Brasil sente pouco os efeitos da crise dos países ricos! - por Marcos Doniseti!



Vejam o que um tal de Jorge N. Rebolla, escreveu no blog do Nassif: 


"Periféricos do euro

Os brasileiros mais velhos sabem exatamente o que são tecnocratas dirigindo a economia. Nenhum dos problemas reais são solucionados. Garantem apenas o lucro dos credores. As próximas duas décadas serão economicamente perdidas no sul da Europa. Foi o que ocorreu em toda a América Latina após a crise que começou no México no início dos anos 1980. A estagnação só foi revertida após o boom das commodities devido as gigantescas importações chinesas."

Daí, na parte dos comentários, um tal de 'aliançaliberal' perguntou o seguinte:

"Rebola quem criou a divida foi os credores ou os devedores? Não foram governos demagogos e perdulários? Não foram eleitos por eleitores ávidos em levar alguma vantagem do estado? Todos sabiam que a coisa era insolvente a longo prazo banqueiros, politicos e eleitores.".

Daí, escrevi a resposta abaixo, para ambos:


Ué, mas que pergunta fora de hora, desse defensor do neoliberalismo falido. 


Afinal, não foram justamente os mercados financeiros desregulados, que subjugaram, praticamente, todos os governos europeus aos seus interesses, os responsáveis por derrubar o Papandreou justamente depois que ele ousou defender a idéia de se promover um referendo sobre o novo acordo da Grécia com a UE?


Então, como é que os neoliberais podem falar que a falência da Grécia foi resultado das livres escolhas feitas pelo povo grego em eleições se eles acabaram de impedir a realização de um referendo sobre o futuro da Grécia e do seu povo?


O povo grego queria escolher qual  o seu futuro. Os neoliberais é que não permitiram.


Além disso, é fato público e notório que a dívida pública grega somente fugiu ao controle depois que o Estado salvou os bancos gregos na Grande Recessão de 2008-2009, quando ela passou de 105% do PIB para 165% do PIB (ver link: http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/11/como-as-dividas-privadas-se.html).

Portanto, foi a política de salvamento dos bancos privados falidos da Grécia que fez a dívida pública do país disparar. Até então ela era elevada, mas perfeitamente administrável.


Sobre o fato de 'tecnocratas' dirigirem a economia, entendo que essa crítica vale para a Ditadura Militar (1964-1985), período no qual os chamados 'tecnotratas' acumularam um imenso poder.


Mas ela não vale para os governos Lula-Dilma, nos quais tivemos, e temos, uma significativa participação de movimentos sociais e de partidos políticos. São estes que ocupam os principais cargos do governo, em ministérios,  secretarias, entre outros. 

Portanto, é uma bobagem monumental dizer que os governos Lula-Dilma foram e ou são comandados por tecnocratas.

Com relação ao período anterior à Ditadura Militar (1964-1985), a crítica aos 'tecnocratas' também não se sustenta, pois nos governos de JK e, principalmente, no de Jango, tivemos uma crescente participação dos movimentos sociais (CGT, UNE, de intelectuais, camponeses, sindicalistas) e de partidos políticos de Centro-Esquerda (PTB e PCB, principalmente) no governo.


E além do mais foi justamente no período em que o Estado brasileiro mais interviu na economia que se lançaram as bases da industrialização e da modernização brasileiras.


Afinal, quem foi que construiu as usinas hidrelétricas, siderúrgicas, refinarias, petroquímicas e rodovias do país, por exemplo? Foi o Estado. Quem criou a Petrobras, CSN, Vale do Rio Doce? Foi o Estado. Quem criou a CLT? Foi o, que modernizou as relações trabalhistas no Brasil Estado. Quem criou o BNDES, que financiou todos, ou quase todos, os projetos privados de investimento produtivo de longo prazo feitos no Brasil depois de 1952? Foi o Estado, é claro.  

E a Petrobras, a CSN, a Vale, o BNDES e a CLT tem, é bom ressaltar, um mesmo pai: Getúlio Vargas. 

E quando a crise global do capitalismo neoliberal globalizado começou, em 2008-2009, foram justamente estas instituições, que foram criadas na 'Era Vargas', que o governo Lula utilizou para combater os efeitos da mesma sobre a economia brasileira. 

A Petrobras elevou fortemente os seus investimentos. O BNDES (junto com os outros bancos públicos: BB e CEF) irrigou a economia com crédito. E o aumento real do salário mínimo (outra criação de Vargas) teve o seu poder de compra aumentado, ampliando o mercado consumidor do país, gerando um aumento de demanda interna que compensou a queda das exportações provocada pela crise internacional (queda de 22,7% em 2009 ou US$ 45 bilhões). 


Portanto, as principais instituições, obras e projetos criados na 'Era Vargas' foram fundamentais para ajudar a tirar o Brasil da crise muito antes dos outros países, onde a mesma continua e se agrava cada vez mais.

Aliás, o BNDES foi usado, pelo então presidente FHC, até para financiar as privatizações feitas em seu governo. Se o setor privado é mais eficiente, então porque FHC não recorreu ao mesmo na hora de financiar as privatizações? Porque ele usou do BNDES, um banco estatal, criado na 'Era Vargas', à qual ele jurou enterrar? É muita hipocrisia desses neoliberais.

E entre 1930-1980, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo, com uma média anual de crescimento de 7%. Por que o Brasil cresceu tanto, nesse período, afinal? Isso aconteceu graças aos investimentos feitos pelo... Estado.


Então, dizer que o Estado não sabe administrar ou conduzir um processo de desenvolvimento econômico é uma grande asneira. A julgar pela atual crise do capitalismo neoliberal nos países ricos, quem não sabe fazer isso é o setor privado. 


 Com relação ao fato do Brasil ter sido beneficiado com o aumento das importações chinesas de commodities, faço uma observação: Não foi apenas o Brasil que se beneficiou com isso, mas TODOS os países que exportam commodities. 

Exemplo: O Chile, exportador de cobre, se beneficiou muito com a valorização das commodities, pois nos anos anteriores à crise de 2008-2009 (a Grande Recessão, como o FMI a chama) o preço do cobre no mercado internacional subiu mais de 300%.

Outra coisa: Atualmente, o mundo inteiro depende da economia chinesa para continuar crescendo e não apenas o Brasil. A China já é a locomotiva da economia mundial e isso já acontece há vários anos.  

E a atual crise nos EUA e na UE, que irá durar, pelo menos, mais uma década (como até a Angela Merkel já admitiu) irá fortalecer ainda mais o papel da China na economia global. 

Até porque, atualmente, o governo chinês já implementou uma política (gradual) de fortalecimento do mercado consumidor interno para, justamente, reduzir a sua dependência em relação às exportações, que serão prejudicadas pela crise na UE e nos EUA. 


Além disso, o Brasil somente se beneficiou com esse rápido crescimento da economia e da demanda chinesas por commodities porque o governo Lula redirecionou a política externa e comercial do país no sentido de se fortalecer as relações com os países emergentes (China incluída) mudando radicalmente de orientação quando comparado com o governo FHC, que privilegiava as relações econômicas e comerciais com os países ricos, defendendo a adesão do Brasil à ALCA, por exemplo.


Tal mudança de rumo da política externa, promovida pelo governo Lula, aliás, sempre foi muito criticada pelos tucanos neoliberais, que a classificam como sendo 'terceiro-mundista',  usando uma expressão tipicamente depreciativa para definí-la.


Portanto, se o Brasil, atualmente, se beneficia com o aumento das importações chinesas, isso não aconteceu por vontade do Divino Espírito Santo ou em função de algum milagre de origem Divina, mas devido à mudança promovida pelo governo Lula na política externa e comercial brasileira e à herança bendita da 'Era Vargas'.


Logo, e inegavelmente, é mérito do governo Lula, e do grande presidente e Estadista que foi Getúlio Vargas, o fato de que o Brasil, neste momento, está sendo bem pouco afetado pela fortíssima crise que atinge a União Européia e os EUA.


Caso a política externa do governo FHC (que, como já foi dito aqui, dava prioridade total para fortalecer as relações do Brasil com os países ricos) tivesse sido mantida pelo governo Lula, agora o Brasil estaria sendo fortemente atingido pelos efeitos desta crise. 

E sem as criações da 'Era Vargas', o Estado brasileiro estaria bastante fragilizado e em condições bastante precárias. Desta maneira, ele não teria os instrumentos necessários para combater os efeitos da crise do capitalismo neoliberal globalizado, tal como acontece, neste momento, nos países ricos, onde tudo foi privatizado  e os instrumentos tradicionais (redução de juros, por exemplo) não tem mais como ser utilizados.


Sem essa mudança de rumos, adotada pelo governo Lula, teríamos visto acontecer, no Brasil, entre outras coisas, uma grande fuga de capitais, a redução de investimentos externos e internos, uma forte recessão, um grande aumento do desemprego, um significativo arrocho salarial, entre outras consequências que atingem os países que são fortemente dependentes das economias dos EUA e da UE. É o que acontece, neste momento, por exemplo, com o México e com os  países do 'Leste Europeu'.


Então, deve-se à mudança promovida, pelo governo Lula, na política externa brasileira, e à herança bendita da 'Era Vargas', o fato de que o nosso país sente muito menos os efeitos daquela que é a pior crise econômica e social enfrentada pelos países capitalistas desenvolvidos desde a Grande Depressão dos anos 1930. 


Obrigado, Presidente  Vargas!


Valeu, Presidente Lula!

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