segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Neoliberais mentem sobre as causas da crise atual! - por Marcos Doniseti!

Neoliberais mentem sobre as causas da crise atual! - por Marcos Doniseti!



Os neoliberais, na maior cara-de-pau, dizem que a principal causa da crise grega seria a existência de um Estado de Bem-Estar Social no país. Mas, essa tese é totalmente falsa. E por vários motivos.

O que provocou a 'crise grega' não foi a existência de um Welfare State no país de Heródoto, mas a ajuda do Estado ao sistema financeiro grego, que faliu na crise de 2008-2009. A dívida dos bancos gregos foi estatizada, tal com aconteceu em outros países, (caso dos EUA e da Grã-Bretanha, onde a dívida pública também disparou graças à estatização das dívidas bancárias). E foi isso que levou a dívida pública do país para a estratosfera.

Que cobrem dos banqueiros, portanto, a conta pela crise. Eles se livraram das suas dívidas e as transferiram para o Estado, ou seja, para o povo grego, que agora é obrigado a pagar pela conta da transferência.

Mas a crise grega é, na verdade, apenas mais um caso que comprova a falência do Neoliberalismo em escala global e que está em processo de virtual colapso no mundo inteiro e não apenas na Grécia.

Basta ver a situação em que se encontra os EUA, por exemplo, onde o trabalho precário já atinge 1/3 da força de trabalho e a pobreza e o desemprego são recordes. 

O fato é que a  'Era Neoliberal' acabou. Chegou ao fim. Simples, assim.

O que estamos assistindo é o colapso do sistema de poder político-econômico imposto ao mundo inteiro nas últimas décadas, baseadas nas políticas Neoliberais.  


Na verdade, a crise é fruto do desmonte do Estado de  Bem-Estar Social existente nos países ricos e que está sendo destruído pelas políticas do Neoliberalismo já há várias décadas. 


Com o desmonte do Welfare State tivemos um aumento brutal da concentração de renda e das desigualdades sociais, bem como do trabalho precário, da pobreza e da miséria. E isso aconteceu em TODOS os países que adotaram o Neoliberalismo. Como continuar crescendo se a renda da população diminui? Simples: apelando para as dívidas e para a especulação financeiras. 


Com isso, nas últimas décadas, as dívidas do setor privado dispararam (tanto de empresas, como dos consumidores) e foi esse processo que entrou em colapso a partir de 2008-2009, e no mundo inteiro. 

E qual foi a solução adotada pelos governos neoliberais dos países ricos? Eles transferiram as dívidas privadas para o Estado, o que arrebentou com as contas públicas de todos os países ricos. E é por isso que, hoje, os Estados estão quebrados em, praticamente, todos os países desenvolvidos. E é claro que a crise tinge com maior intensidade aos países com as economias mais frágeis, como são os casos (dentro da Zona do Euro) da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália.


Portanto, o que estamos vivenciando não é uma 'crise da Grécia', como se diz por aí, mas o colapso do Neoliberalismo.

A situação européia poderia ser amenizada (mas não resolvida) se as dívidas dos países quebrados da Zona do Euro (Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda e Itália) fossem consideradas como dívidas da Zona do Euro como um todo, mas os outros povos (principalmente os alemães) e países não aceitam isso.

A Zona do Euro sofre com o fato de que tem um BC único, uma moeda única, uma política monetária única (taxa de juros única) e uma política fiscal única (com os tetos de endividamento e de déficit públicos impostos pelo Tratado de Maastricht, que criou o Euro; 65% do PIB no caso da dívida pública e 3% do PIB no caso do déficit público) mas, ao mesmo tempo, a questão da dívida pública é tratada individualmente, por país, o que é um absurdo total.

Isso cria uma situação totalmente maluca e contraditória, que somente agrava a crise e que é a seguinte: Na hora de exportar, por exemplo, os gregos exportam com seus produtos cotados em Euro, que é uma moeda muito forte, bastante valorizada. Assim, seus produtos ficam muito caros no mercado internacional, pois a sua produtividade é muito inferior à de uma Alemanha ou de uma França, por exemplo. 

Com isso, sem crescimento das exportações, a economia grega não cresce e para superar essa restrição ela é obrigada a se endividar, fazendo empréstimos com banqueiros alemães, franceses, britânicos, principalmente. 


Daí, na hora de pagar as dívidas, os gregos são cobrados pelos demais países da UE como se fosse um país independente, de fora da Zona do Euro. É como se a Grécia fosse um país africano ou asiático, como se fossem estrangeiros, embora façam parte do processo de integração européia. 


E daí, o país acaba sendo forçado a tomar essas medidas absurdas, que são semelhantes aquelas que eram impostas ao Brasil e aos demais países endividdados do Tercerio Mundo na década de 1980: corte de salários, aumento de impostos, privatizações, redução de investimentos públicos, eliminação ou redução de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 


Tais medidas estão fazendo, é claro, com que as condições de vida dos gregos regridam rapidamente.

Assim, repito: Tais países somente sairão da crise caso abandonem o Euro. Senão, irão regredir décadas em termos de desenvolvimento econômico e social, o que já está em pleno andamento, aliás.

Ou alguém pensa que 43% dos jovens espanhóis vão aceitar ficar desempregados pelo resto de suas vidas?

Como já foi mostrado aqui, no blog, os governos dos países ricos estão cometendo os mesmos erros do início da Grande Depressão, adotando medidas que somente agravam a crise, aumentando ainda mais o desemprego, a pobreza e a miséria. (ver link abaixo).


Os governantes do países ricos esqueceram completamente das lições da história. Deveriam todos voltar para os bancos escolares.

E deveriam fazer isso antes que seja tarde demais e apareça um novo Hitler com suas 'Soluções Finais' e com seus projetos de uma 'Nova Ordem'.


link:
http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/11/governos-atuais-dos-paises-ricos.html

Nenhum comentário: