terça-feira, 15 de novembro de 2011

O PT, o governo Lula e a candidatura de Dilma para Presidente da República! - por Marcos Doniseti!

O PT, o governo Lula e a candidatura de Dilma para Presidente da República! - por Marcos Doniseti 

(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/06/2010)



Li um comentário de um leitor no blog do Nassif dizendo que, no começo, o PT teria sido um partido ‘revolucionário’.

Revolucionário, de fato, o PT nunca foi.

Até mesmo os quadros egressos da luta armada contra a Ditadura Militar e que ingressaram no partido e ajudaram a fundá-lo, já haviam abandonado a idéia de Revolução violenta como forma de chegar ao poder e de se implantar o Socialismo no país, quando participaram da criação do PT. Logo, o partido jamais encampou esta tese revolucionária como sendo o melhor caminho para se chegar ao Poder.

Muito pelo contrário. A própria fundação do PT, da qual participaram inúmeros movimentos políticos e sociais originários das hiper-fragmentadas Esquerdas brasileiras (movimentos de estudantes, operários, intelectuais, sobreviventes da luta armada, de trabalhadores rurais e de sem-terra, das chamadas minorias, da Igreja Católica ligada à Teologia da Libertação e às CEBs, etc) era um reconhecimento de que o caminho revolucionário não havia sido bem sucedido e que era necessário se recuperar e valorizar a idéia de Democracia, que era quase que totalmente desprezada por todos os setores políticos brasileiros, tanto à Esquerda, como à Direita, até antes do Golpe de 64 e da Ditadura Militar de 21 anos.

O principal líder das esquerdas nacionalistas radicais brasileiras do período pré-64, Leonel Brizola, vivia dizendo para que o então Presidente João Goulart fechasse o Congresso Nacional, pois o mesmo jamais aprovaria as 'Reformas de Base', que era o projeto pelo qual as Esquerdas da época lutavam intensamente.

E tal idéia era compartilhada por grande parte dos líderes e dos integrantes destas Esquerdas e dos grupos Nacionalistas mais radicais daquele período histórico. Brizola não pregava no deserto quando fazia tal discurso, mas era apoiado por grande parte, cada vez mais forte no conjunto dos movimentos políticos e sociais de origem popular daquela época.

Aliás, Jango viu que perdia a liderança destes movimentos sociais para Brizola e, como também era fustigado e violentamente atacado pelas forças conservadoras das Direitas, ele acabou isolado politicamente e incapaz de aprovar as ‘Reformas de Base’ no Congresso Nacional. Inclusive, o ‘Plano Trienal’, elaborado por Celso Furtado, acabou rejeitado no Congresso Nacional justamente porque foi bombardeado tanto pelas forças conservadoras, como pelas forças mais progressistas e nacionalistas.

Assim, havia uma grande dose de descrença, entre os principais líderes e integrantes das Esquerdas e dos grupos Nacionalistas, naquela época, de que as mudanças sociais, econômicas e políticas (as então chamadas ‘Reformas de Base’) de que o Brasil precisava, pudessem ser levadas adiante dentro das regras do jogo democrático.



E as Direitas tupiniquins eram, é claro, na sua grande maioria, no período pré-1964, fortemente contrárias às tais 'Reformas de Base'. Estas eram apresentadas, com grande apoio midiático e do governo dos EUA, como parte de um processo de ‘comunização’ ou de ‘cubanização’ do Brasil. Diziam que Jango iria transformar o Brasil numa ‘nova Cuba’. Aliás, esse era o maior medo do governo de John Kennedy. Este chegou a declarar, na época, que a América Latina era “a região mais perigosa do mundo”.

Assim, os grupos direitistas e conservadores da sociedade brasileira naquele período, temerosos da ascensão política e social das classes populares, decidiram, com decisivo apoio do governo dos EUA (principalmente via CIA e Embaixada dos EUA), interromper este processo de mudanças e de inclusão social e política que eram levadas adiante pelo governo Jango e pelas forças nacionalistas e esquerdistas do período.

Daí, as Direitas brasileiras apelaram, em várias oportunidades, para a organização de Golpes de Estado (1945, 1954, 1955, 1956, 1959, 1961) até que, em 1964, o mesmo foi vitorioso, infelizmente.

Entendo que o PT surge, assim, como parte de uma nova tentativa de segmentos importantes das forças políticas de Esquerda e Progressistas do país e que se desenvolveram na luta contra a Ditadura Militar (movimento pela Anistia, as greves do ABC, a reorganização da UNE, a criação das Centrais Sindicais e do MST, as CEBs da Igreja Católica, os movimentos de artistas e intelectuais, remanescentes da luta armada, etc) para alcançar novamente o poder e transformar a sociedade brasileira numa sociedade justa, democrática e igualitária, mas sem se esquecer dos erros cometidos antes de 1964 e fazendo isso dentro das regras do jogo democrático.

Inicialmente, porém, o PT acabou sendo controlado por grupos políticos e tendências mais radicais e fechadas para a formação de alianças com outros partidos políticos. Se isso ajudou, inicialmente, a consolidar o partido, com o tempo essa postura também inviabilizava ou dificultava fortemente o crescimento do partido junto a outras forças políticas e sociais, como as classes médias urbanas e o empresariado.

Mesmo os acordos com partidos mais próximos ideologicamente ao PT (PDT, PC do B, PSB) eram mal vistos por estas alas mais radicais que controlavam o partido.

Esta foi uma época em que o PT fazia discursos como o ‘Fora FMI’ e ‘Não ao pagamento da Dívida Externa’. Nas campanhas eleitorais, os candidatos petistas acabavam tendo que defender tais propostas, mesmo que não concordassem com elas, e as mesmas assustavam as numerosas classes médias urbanas e, ainda mais, ao grande, rico e poderoso empresariado do país.

Os discursos e as práticas políticas mais agressivas e radicais mantinham as classes médias longe do PT e quando as eleições majoritárias iam para o 2o. turno, as mesmas votavam contra o PT, praticando um voto útil em benefício dos candidatos mais conservadores, que acabavam, assim, vencendo as eleições.

Tal fenômeno ocorreu, claramente, por exemplo, na eleição presidencial de 1989, quando Fernando Collor derrotou Lula, graças ao apoio maciço do grande empresariado, das classes médias e, até, de setores populares influenciados pelo discurso de que o PT era formado por ‘agitadores, provocadores, baderneiros’, discurso este que acabava tendo repercussão junto às camadas populares de extração conservadora e desorganizadas politicamente.

E o próprio fato do PT recusar a fazer alianças com partidos moderados acabavam levando Lula e os candidatos do PT a um crescente isolamento político.

Tais discursos e práticas, no entanto, entraram em colapso e se inviabilizaram após três tentativas fracassadas de se eleger Lula para a Presidência da República.

Depois da terceira derrota de Lula para Presidente, em 1998, ficou claro para Lula e para grande parte dos dirigentes do PT que ou o partido saía do isolamento e se abria para alianças com forças políticas centristas e moderadas, bem como adotava um programa de governo e um discurso mais moderados, ou então o partido corria o risco de entrar em um processo acelerado de crise e de decadência, até que acabasse se tornando mais um caso histórico de partido de origem popular e de esquerda que se inviabilizou devido ao seu sectarismo e à sua recusa em ampliar o seu leque de alianças.

Neste sentido, a direção do PT que assumiu o controle do partido a partir de 1995, quando Zé Dirceu se elegeu presidente da legenda com o apoio de Lula e das alas mais ‘moderadas’ do partido, soube perceber e tirar proveito do fato de que o governo FHC havia levado o PSDB para um processo de ‘direitização’ tão forte que isso havia aberto um espaço no centro do espectro político brasileiro.

Em uma situação normal de temperatura e pressão o partido mais ‘vocacionado’ para ocupar esse vácuo no centro político do país, gerado pela ‘direitização’ do PSDB, seria o PMDB. Mas, a fragmentação do partido em inúmeras lideranças estaduais e regionais que se preocupam, prioritariamente, com a sua própria sobrevivência política, e a ausência de um líder nacional que unificasse as diferentes correntes e lideranças da agremiação (como havia sido Ulysses Guimarães), impediram que o PMDB assumisse o papel de comandar e de liderar as forças políticas centristas e moderadas do país.


Com isso, surgiu um espaço que os novos líderes do PT souberam ocupar e, assim, os novos dirigentes do partido levaram o mesmo a se abrir para alianças com o PMDB, PP, PR, PTB e até mesmo com lideranças conservadoras tradicionais de vários estados do país, como José Sarney no Maranhão.

Desta maneira, o PT caminhou, a partir da derrota na campanha presidencial de 1998, para uma maior moderação do seu discurso e dos seus programas de governo e, ainda, ampliou fortemente o seu leque de alianças, abrindo caminho, também, para um grau maior de profissionalização da sua prática política.

Como exemplo disso, tivemos a contratação, pela campanha de Lula à Presidência da República em 2002, do ‘marketeiro’ político Duda Mendonça, que sofria muitas restrições de inúmeros petistas devido à sua histórica ligação com Maluf.

Foi esse processo que viabilizou a vitória de Lula na eleição presidencial de 2002. E o fato do seu governo ter sido moderado, principalmente no período 2003-2005, também serviu para desarmar grande parte dos setores mais conservadores, que sempre procuraram ‘demonizar’ Lula e o PT, sempre acenando com a possibilidade de que o Brasil mergulharia no ‘caos’ e na ‘desordem’ caso Lula vencesse a eleição presidencial.

Mas, os bons resultados econômicos e financeiros colhidos pelo governo Lula, como a redução da inflação, diminuição da dívida pública, redução dos juros básicos, ampliação do mercado consumidor do país, o aumento das exportações e do superávit comercial, o grande crescimento das reservas internacionais do país, acabaram por mostrar que não havia mais razões para se desconfiar de um governo do PT e tampouco para ‘demonizá-lo’, como acontecia antigamente.

E os resultados, também positivos, alcançados na área social, com o aumento do poder de compra do salário mínimo, a ampliação e a criação de programas sociais de grande repercussão na vida dos mais pobres (como o Bolsa-Família e o Luz Para Todos), a queda significativa da taxa de desemprego, a geração de milhões de novos empregos com carteira assinada, a recuperação da capacidade de investimentos do Estado brasileiro, a retomada da produção industrial e do crescimento econômico (a partir de 2004, dando início a um novo ciclo de crescimento da economia brasileira, que foi o mais longo dos últimos 30 anos, durando cinco anos consecutivos), a redução da pobreza e da miséria, bem como das desigualdades sociais no país, permitiram a Lula terminar o seu primeiro mandato com um elevado nível de popularidade e obter a reeleição, derrotando Alckmin com quase 61% dos votos válidos, quase o mesmo percentual alcançado em 2002 na vitória sobre Serra.

E os resultados ainda melhores alcançados pelo governo Lula em seu segundo mandato, tanto na área econômica, como na área social, elevaram fortemente o nível de popularidade do Presidente, que chegou, agora, em 2010, a 83% de aprovação pessoal.


Desta maneira, as forças políticas e lideranças que apoiaram e sustentaram o governo Lula, mesmo em seus piores momentos (como em 2005), chegam a 2010 com grandes possibilidades de, novamente, vencer a eleição presidencial, com a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff, que desempenhou um papel importante no governo Lula, tanto no primeiro, como no segundo mandato, nos ministérios das Minas e Energia e na Casa Civil, bem como coordenando programas importantes como o do Pré-Sal, o ‘Luz Para Todos’, o PAC e o ‘Minha Casa, Minha Vida’.

Dilma, que será a candidata do PT à Presidente da República, terá o apoio oficial, ainda, do PMDB, PDT, PSB, PC do B e PR, podendo também conseguir o apoio de importantes lideranças do PP e do PTB, mesmo que estes partidos não cheguem a declarar apoio oficial à candidatura de Dilma.

Portanto, as forças políticas da Esquerda Reformista e Progressista do país (que integram partidos como o PT, PDT, PSB, PC do B) junto com lideranças e partidos moderados e centristas (PMDB, PR PTB), formam hoje a coalizão dominante no cenário político brasileiro.

E é fundamental que isso tenha continuidade, porque abre a perspectiva de aprofundar o processo de mudanças e de transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que foram iniciadas pelo governo Lula e que poderão ser aprofundadas num futuro governo Dilma, levando à construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, justa, solidária, fraterna, igualitária, desenvolvida, soberana e respeitada pelo mundo.

Por tudo isso, temos que continuar lutando para eleger Dilma para a Presidência da República, a fim de que possamos dar continuidade aos programas e políticas do governo Lula, a fim de aprofundá-las e, desta maneira, poder continuar mudando o país, melhorando a vida do nosso povo e fortalecendo cada vez mais a Nação brasileira.

Brasil, Urgente, é Dilma Presidente!

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