quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por que o Brasil continuará crescendo em 2012! - por Marcos Doniseti!

Por que o Brasil continuará crescendo em 2012! - por Marcos Doniseti!

O Brasil deverá continuar com o processo de crescimento econômico, iniciado em 2004 (com uma breve interrupção em 2009), no próximo ano e por várias razões.

O crescimento acumulado do PIB brasileiro em 2011 não foi zero, como algumas pessoas estão dizendo por aí. Ele foi de 3,2%, até Setembro. E no acumulado de 12 meses, o crescimento do PIB brasileiro foi de 3,7%.

Assim, o crescimento econômico brasileiro está garantido em 2011, mesmo que seja em torno de 3%. Entre 2004-2011, um período de 8 anos, o Brasil deixou de crescer apenas em 2009. Desta maneira, já temos 7 anos de crescimento acumulado em 8 anos, algo que não acontecia no Brasil desde... desde... sabe-se lá quando.

Mas o maior mérito do atual período de crescimento econômico brasileiro é que ele se dá em meio a uma Depressão econômica nos países ricos (EUA e UE em especial), que é a pior crise que eles enfrentam desde a Grande Depressão dos anos 1930, e em meio ao início de uma, por enquanto, leve desaceleração econômica na China.

A China é, e já há vários anos, a verdadeira locomotiva que puxa o crescimento econômico global, principalmente dos países emergentes, de quem ela adquire quantidades crescentes de matérias-primas (minérios, alimentos). Depois, a China transforma e industrializa tais matérias-primas e exporta os produtos industrializados, principalmente para os mercados europeu e americano, que são os dois maiores mercados consumidores do planeta.

Como a China deverá continuar crescendo, pelo menos uns 8% ao ano nos próximos anos, então os países que estão aumentando fortemente as suas exportações de matérias-primas para a China, o que é o caso dos países africanos e latino-americanos, deverão continuar crescendo, mesmo que a um ritmo menor do que o atual. E o Brasil, como grande exportador de soja, milho e minério de ferro para o mercado chinês, está neste grupo de países que não sofrerá nenhuma interrupção no seu processo de crescimento, salvo algum desastre maior na economia dos EUA, da UE e da China.

Além disso, em 2012, teremos o maior maior aumento real dado ao salário mínimo desde 2003, quando o mesmo foi reajustado em 20%, contra uma inflação acumulada de 12,5% em 2002.

O reajuste do mínimo será de 14,7%, subindo para R$ 625, contra uma inflação de 6,5% em 2011. O aumento real será de expressivos 8,2%, o que é bastante para um único ano. E é claro que quem recebe salário mínimo, gasta tudo o que ganha e, portanto, esse reajuste irá aumentar o consumo interno e ajudará a aumentar a taxa de crescimento do PIB brasileiro. E o número de pessoas que, no Brasil, têm a sua renda atrelada ao salário mínimo chega a 45 milhões de pessoas. Logo, qualquer aumento real concedido ao mesmo gera uma significativa expansão do consumo interno, principalmente dos mais pobres, é claro.

E como a taxa de inflação caiu para o teto da meta (6,5% ao ano), já neste ano, e ruma para uma queda ainda maior, indo para 5,5% em 2012, a taxa Selic poderá continuar sendo reduzida, e deverá cair para 9,5% ao ano. Esta redução, aliás, já está prevista pelo próprio mercado financeiro.

Além disso, a taxa média anual de desemprego está caindo a cada ano que passa. Mesmo com a desaceleração da economia em 2011, fecharemos o ano com a geração de, no mínimo, 2 milhões de empregos com carteira assinada, algo bastante significativo.

Para comparar, basta dizer que, em Dezembro de 2002, a taxa de desemprego brasileira era de 10,5% (calculada já com o uso da nova metodologia, que passou a ser empregada pelo IBGE a partir de Março de 2002) e em Dezembro de 2010 ela foi de 5,3%, tendo sido reduzida pela metade durante o governo Lula. Agora mesmo, o IBGE acabou de divulgar que a taxa de desemprego em Novembro deste ano foi de 5,2%, sendo que esta é a menro taxa para o mês desde que a nova metodologia passou a ser utilizada pelo IBGE, em Março de 2002.

Agora, com a continuidade do crescimento econômico nos próximos anos, a taxa de desemprego cairá ainda mais. Isso, por sua vez, favorece fortemente aos trabalhadores, que passam a ter um maior poder de barganha nas negociações com os patrões, permitindo que eles consigam sucessivos aumentos reais de salário, todos os anos.

Dados divulgados pelo Dieese mostram que, no primeiro semestre de 2011, 84% das categorias de trabalhadores conquistaram reajustes salariais superiores ao índice de inflação.

E como se não bastasse tudo isso (queda inflação e da taxa Selic, aumento real dos salários, redução do desemprego), não se pode esquecer que 2012 é um ano eleitoral, o que faz com que todas as esferas de governo gastem muito mais em obras e programas sociais, a fim de que os governantes atuais possam ganhar a eleição, reelegendo-se ou elegendo o sucessor. 


Isso também representará mais um estímulo ao crescimento econômico em 2012.

E com o recente acordo fechado na cúpula da União Européia, as decisões tomadas na mesma evitam que o bloco afunde de uma hora para a outra. As causas da crise européia não foram atacadas, longe disso, mas o desmoronamento da zona do Euro e da UE foram evitadas, pelo menos neste momento. Os europeus, basicamente, ganharam tempo (talvez mais uns 3 ou 4 anos) para tentar colocar a 'casa em ordem' de uma vez por todas e, assim, poder voltar a crescer.

Logo, a economia européia dificilmente crescerá nos próximos anos, mas tampouco irá cair em uma crise profunda. A estagnação é o caminho mais provável para a economia da Europa nos próximos 5 anos, pelo menos. Porém, o simples fato dela não desmoronar já é algo positivo para a economia mundial.

Portanto, em função de todos estes fatores, tudo aponta para a continuidade do processo de crescimento econômico brasileiro, que se iniciou em 2004 e que continuará em 2012 e nos anos seguintes.

Somente uma Grande Depressão de alcance mundial, que derrube fortemente a economia dos países emergentes, principalmente da China, é que poderia impedir o Brasil de continuar crescendo.

Mas, pelo menos neste momento, este cenário não está à vista. Tudo aponta para a continuidade do crescimento da economia mundial, mesmo que a uma taxa menor, nos próximos anos.

Que assim seja.

Links:


Obras do PAC 2 irão impulsionar o crescimento em 2012:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=171549

BRICS são a locomotiva da economia mundial:

http://www.enemvirtual.com.br/paises-do-bric-sao-a-locomotiva-da-economia-mundial/

Dieese mostra que 84% dos reajustes salariais superaram a inflação no 1o. semestre de 2011:


http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/08/18/dieese-84-dos-reajustes-salariais-foram-acima-da-inflacao-399498.asp

Aumento real do Salário Mìnimo beneficia 45 milhões de pessoas:

http://sul21.com.br/jornal/2010/10/salario-recupera-a-renda-de-45-milhoes-de-pessoas-no-governo-lula/

Taxa de Desemprego de Novembro de 2011 é a menor da história, mostra IBGE:

http://economia.ig.com.br/taxa-de-desemprego-no-pais-e-a-menor-da-historia-diz-ibge/n1597419701018.html

Mercado financeiro estima inflação de 5,39% e taxa Selic de 9,5% para 2012:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economa%20brasl,mercado-eleva-previsao-de-inflacao-em-2011-e-reduz-em-2012,96448,0.htm


CEPAL estima crescimento de 3,5% para o Brasil em 2012:

http://www.onu.org.br/brasil-deve-crescer-35-em-2012-afirma-cepal/


Crescimento econômico da China desacelera no 1o. semestre de 2011, mas chega a 9,5% no 2o. trimestre:


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110713_china_economia_fm_is.shtml

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