sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Terceira Guerra Mundial já começou! - por Marcos Doniseti!











Pepe Escobar é genial. Quem se assustar com o tamanho da entrevista concedida por ele, sugiro que não desista, pois ela vale realmente a pena. 

Aprende-se mais, sobre os conflitos mundiais e as grandes questões internacionais, com a leitura desta entrevista fantástica do que com a leitura de 'trocentos' outros textos publicados pela grande mídia global afora. Pepe está atualizadíssimo sobre sobre o cenário mundial atual. Não deixem de ler. É imperdível.


Agora, sobre o que o Pepe fala, levanto algumas questões:


1) Pepe deixa claro que está em andamento uma 'nova Guerra Fria' entre as grandes potências (EUA, Rússia e China, em especial) e com outras potências menores - muitas restritas a uma atuação regional ou de caráter mais limitado - também envolvidas (França, Reino Unido, Israel, Arábia Saudita, Qatar) e que, muitas vezes, essa guerra fria se torna bem quente. 

Todas essas potências - as maiores e as menores - procuram, continuamente, ganhar influência e aumentar o seu poder nas regiões estratégicas do planeta. 

Isso não é novidade nenhuma em termos de história da Humanidade, mas esse processo está sempre em andamento e passa por mudanças significativas periodicamente, tal como acontece neste momento histórico. E é a natureza desta reconfiguração do poder mundial que Pepe analisa com brilhantismo inigualável.

Neste processo de mudanças, ninguém é mais agressivo do que os EUA, que usaram a 'Guerra contra o Terror' como mero pretexto para ampliar a sua presença militar direta nas regiões estratégicas do planeta, como são o Oriente Médio (que tem 60% do petróleo do mundo), a Ásia Central, o Norte da África e a América do Sul, devido à sua importância como grandes fontes de fornecimento de recursos naturais que são essenciais ao funcionamento da economia mundial.



2) Lembram-se quando muitos analistas diziam, lá por volta de 1989-1990, quando a URSS desmoronou, que existia uma nova economia, baseada apenas em conhecimento, e que os recursos naturais não tinham mais importância alguma? Pois então, esqueça dessa bobagem monumental. Isso não passa de uma asneira e de uma estupidez sem limites.

A entrevista de Pepe mostra que, na realidade, todas as guerras importantes que estão em andamento pelo mundo afora deve-se à disputa pelo controle de territórios ricos em recursos naturais (água, petróleo, gás, minérios, etc). 

Aliás, não foi à toa que, recentemente, os EUA anunciaram que o Afeganistão possui reservas minerais avaliadas em US$ 1 trilhão (link: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,eua-descobrem-reservas-minerais-de-r-1-trilhao-no-afeganistao-diz-nyt,22736,0.htm).


3) Pepe mostra que os EUA estão procurando passar a controlar, diretamente, todas as regiões que são estratégicas para o funcionamento da economia ianque e da economia capitalista globalizada, e que são aquelas que tem grandes reservas de recursos naturais. 

Isso ajuda a explicar, e muito, o motivo do expansionismo ianque desenfreado pelo mundo afora, principalmente no Oriente Médio, Ásia Central, América do Sul e África. Em alguns casos, esse expansionismo se manifesta através de guerras (Iraque, Afeganistão, Líbia). 

Em outros momentos isso acontece através de Golpes de Estado (exemplos: Venezuela em 2002, Bolívia em 2008 e Equador em 2010). E em outros casos, isso ocorre através de ações militares secretas - e outras não tão secretas - feitas em territórios inimigos ou onde inimigos dos EUA atuem com certa desenvoltura (caso do Irã, Paquistão, Iêmen).



4) A entrevista de Pepe mostra que os EUA perderam poder e influência na Ásia Central, onde Rússia e China aumentaram significativamente a sua presença, tendo formalizado uma aliança econômica entre elas, a chamada Organização de Cooperação de Xangai (OCX), inclusive, para conter o expansionismo ianque nesta região e que está crescendo e incorporando novos países: (link: http://portuguese.ruvr.ru/2011/05/14/50290439.html).

A Rússia, liderada por Vladimir Putin, não aceita se submeter à vontade dos EUA, tal como aconteceu durante o governo de Boris Ieltsin e diz isso de forma muito clara, com o primeiro-ministro russo dizendo que os EUA querem vassalos e não aliados (ver link mais abaixo).

Isso também aconteceu na América Latina, principalmente depois de 2002, quando fracassou o Golpe de Estado contra Chávez. E o fracasso dos golpes contra Evo Morales (em 2008) e Rafael Corrêa (em 2010) e as contínuas vitórias eleitorais de candidatos nacionalistas e reformistas de Centro-Esquerda e de Esquerda (Lula, Kirchner - Nestor e Cristina - Chávez, Rafael, Evo, Lugo, Ortega, Funes, Ollanta) na América Latina também levou a uma significativa redução da influência e do poderio dos EUA na região. 

A criação da Unasul e da Celac representam, claramente, um sinla bem claro da perda do poderio dos EUA na região. Os países da área estão procurando intensificar e aprofundar o processo de integração entre eles, deixando os EUA e o  Canadá de fora do mesmo. 

A Venezuela tem relações muito fortes com a Rússia, na área militar, e com a China, na área de petróleo. Isso, é claro, limita o poder dos EUA de continuar interferindo no país de Bolívar. 

A comprovação de que a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo (informação confirmada pela OPEP... ver link abaixo) e de que as reservas de petróleo do pré-sal brasileiro podem chegar a 100 bilhões de barris, transformaram a América do Sul em uma região altamente cobiçada pelos grandes consumidores de petróleo do mundo. Em função disso, Brasil e Venezuela já estão tratando de se fortalecer militarmente a fim de garantir o controle destas gigantescas fontes de riqueza (ver links abaixo).


5) Pepe também demonstra que a 'Primavera Árabe' representa uma grande ameaça aos interesses dos EUA, de Israel e das Monarquias obscurantistas do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, EAU, Bahrein, Kuwait) e que a intervenção da OTAN na Líbia foi feita, em grande parte, com o objetivo de tentar conter o fortalecimento e o crescimento da mesma, que poderia, em algum momento, chegar a se desenvolver nestas Monarquias ditatorias do Golfo. 

Ele também deixa claro que tais monarquias são, na prática, províncias do Império Ianque e que atuam como uma força Contrarevolucionária em todo o Oriente Médio e no Norte da África (regiões que os EUA chamam de 'Grande Médio Oriente') e que elas tiveram um papel decisivo na derrubada de Khadafi, que era um inimigo declarado destas Monarquias do Golfo, bem como do Estado sionista de Israel. 


6) Um comentário muito importante feito pelo Pepe é relativo ao uso do dólar como moeda reserva de valor, por parte de governos e de investidores. É isso, de fato, que garante aos EUA a obtenção dos recursos necessários ao financiamento do seu consumismo e, principalmente, de suas guerras e de seus gastos militares. É o fato de que o dólar é a moeda mais utilizada, mundo afora, como moeda de reservas e em transações econômicas e financeiras internacionais que permite aos EUA se financiarem. 


Porém, mesmo isso está sob risco, pois a participação do dólar como moeda de reserva tem diminuído a cada década. 

Atualmente, cerca de 62% das reservas internacionais são em dólar, mas há cerca de uns 30 anos esse percentual passava dos 90%. Isso aconteceu devido à criação do euro e ao progressivo fortalecimento de outras moedas mundo afora (Yuan, Real, Rublo, Rúpia indiana). 

Como as economias destes países, no caso dos BRICS, crescem muito mais do que a dos EUA, então este processo deve continuar nas próximas décadas. E vários países já estão usando cada vez menos o dólar nas transações comerciais entre eles. Nestes últimos dias, por exemplo, China e Japão decidiram reduzir o uso do dólar nos negócios realizados entre si (ver link abaixo).


Caso este processo, de fato, tenha continuidade e se aprofunde nas próximas décadas, os EUA terão dificuldades cada vez maiores para se financiarem, o que os obrigará a financiar as guerras e os gastos militares com recursos próprios. Para isso, será necessário aumentar impostos e arrochar a renda dos consumidores estadunidenses, reduzindo consideravelmente o padrão de vida dos mesmos.



7) A chamada 'Guerra Infinita', iniciada pelo governo Bush, a pretexto de combater o terrorismo pelo mundo, representa, na prática, o início da Terceira Guerra Mundial por parte dos EUA que, a partir daí, aumentaram significativamente seus gastos militares (sozinhos, os EUA gastam 43% de todas as despesas militares mundiais - ver o link http://cebrapaz.org.br/site/todas-as-noticias/370.html ) e criaram novos campos de batalha pelo mundo afora, principalmente no Oriente Médio (Irã, Síria, Iraque, Iêmen), na Ásia Central (Afeganistão e Paquistão, principalmente) e na África (Líbia). 

Neste processo, os EUA se utilizam da OTAN, com seus 'sócios minoritários' nas guerras contribuindo para tal ofensiva (caso do Reino Unido, da França e da Itália, principalmente). 




Esse cenário demonstra que a política da 'Guerra Infinita' representa uma clara ofensiva bélica global por parte dos EUA, ou seja, são guerras feitas para ampliar o poderio americano no mundo e conter o crescimento dos países emergentes, principalmente dos BRICS, e que o mesmo conta com o apoio de países aliados da OTAN (que é inteiramente controlada pelos EUA) e das Monarquias obscurantistas do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, etc), entre outros 'sócios minoritários' espalhados pelo mundo e que, de alguma maneira, procuram se beneficiar com isso.


Tal expansionismo dos EUA, porém, enfrenta uma forte resistência de outras grandes potências emergentes, mais tradicionais, como Rússia e China,  de outras 'menores', como Brasil e Índia, mas que estão crescendo rapidamente. 

Estas potências percebem, claramente, que essa 'Guerra Infinita' ianque significará perda de poder, de influência e de soberania para eles, pois caso os EUA saiam vencedores destas guerras, estes países ficarão na dependência dos EUA até mesmo para conseguir acesso a produtos essenciais ao funcionamento das suas economias, como são os minérios, o gás natural e o petróleo. 

Com isso, o seu desenvolvimento será prejudicado, pois o acesso aos mercados destas regiões terá que ser obtido através de negociações com os EUA, que cobrarão caro por tal acesso, ou seja, exigirão a submissão aos interesses ianques para concedê-lo. 

Isso ajuda muito a explicar porque Rússia, China e Brasil (e outros países pelo mundo afora) resistem à política de 'Guerra Infinita' dos EUA (e dos aliados deste: OTAN e as Monarquias do Golfo, principalmente) e que o começo dessa, na prática, significou o início da Terceira Guerra Mundial.  

Temos, claramente, neste momento, um cenário mundial no qual os EUA e seus aliados iniciaram uma ofensiva política-militar global, de maneira a controlar todas as grandes fontes de fornecimento de recursos naturais que são essenciais para o funcionamento da economia mundial. 

E neste processo eles iniciam guerras, promovem golpes de estado, tentam desestabilizar governos inimigos ou que não se submetem inteiramente aos seus desígnios (Líbia, Síria, Irã, Venezuela, Iraque, Bolívia, Equador, Honduras, Afeganistão, Paquistão, Iemên... a lista é interminável), espalham sua presença militar pelo mundo inteiro e tentam impedir que governos aliados sejam derrubados.


Enquanto isso, governos de países como Brasil, Rússia, Índia, China, Venezuela, entre muitos outros, lutam para defender a sua independência e garantir a possibilidade de se desenvolverem de maneira autonôma e soberana.


Assim, tudo isso demonstra que o século XXI já está sendo, e será, uma época, como dizem os chineses, na qual viveremos 'tempos interessantes', ou seja, de graves crises, de conflitos intensos e de grandes transformações. 

Links:

Entrevista com Pepe Escobar:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-alteram-se-as-tendencias.html


A Líbia, a OTAN e o Grande Médio Oriente - por José Luís Fiori:

http://www.outraspalavras.net/2011/09/12/a-libia-a-otan-e-o-grande-medio-oriente/

Jogo de Xadrez na Eurásia - por Pepe Escobar:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-jogo-de-xadrez-na-eurasia.html

Unasul condena tentativa de Golpe de Estado contra Rafael Corrêa:


http://noticias.terra.com.br/mundo/americalatina/crisenoequador/noticias/0,,OI4710941-EI17049,00-Unasul+condena+tentativa+de+golpe+contra+Rafael+Correa.html

Golpe de Estado contra Evo Morales em 2008:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15222

EUA são responsáveis por 43% de todas as despesas militares mundiais:

http://cebrapaz.org.br/site/todas-as-noticias/370.html


O sonho da OTAN é uma Guerra Civil na Síria, diz Pepe Escobar:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-o-sonho-da-otan-guerra.html

Guerra de Sombras na Síria - por Pepe Escobar:


http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-guerra-de-sombras-na-siria.html

Venezuela e China fecham acordos no valor de US$ 6 bilhões:

http://www.brasileconomico.com.br/noticias/venezuela-e-china-fecham-contratos-de-petroleo-de-us-6-bi_109704.html


China apóia a criação da Celac:


http://www.vermelho.org.br/rn/noticia.php?id_noticia=170223&id_secao=9

China e Japão decidem reduzir o uso do dólar:


http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,japao-e-china-fazem-acordo-para-reduzir-uso-do-dolar,97231,0.htm

Organização de Cooperação de Xangai (OCX) incorpora novos países:


http://portuguese.ruvr.ru/2011/05/14/50290439.html

Qatar criou força mercenária anti-Síria:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172183&id_secao=9

EUA vendem 84 caças F-15 para a Arábia Saudita: valor do negócio chega a US$ 29,4 bilhões:


http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/4169/Domino-Arabe---EUA-vendem-cacas-a-sauditas-e-enviam-forte-mensagem-a-regiao

OPEP comprova que Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo:


http://www.cartacapital.com.br/economia/venezuela-supera-arabia-saudita-em-reservas-de-petroleo/

Índia irá adquirir 126 novos caças médios:


http://www.aereo.jor.br/tag/forca-aerea-indiana/

Venezuela compra 24 novos caças Sukhoi da Rússia:


http://cavok.com.br/blog/?p=12914

Brasil aumenta seu poder naval para proteger petróleo do pré-sal:


http://www.defesanet.com.br/naval/noticia/3795/Brasil-aumenta-poder-naval-para-proteger-reservas-de-petroleo

Obama vai a Austrália para garantir presença militar permanente dos EUA:


http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/3562/Obama-vai-a-Australia-para-acertar-presenca-militar-permanente

EUA querem vassalos e não aliados, diz Vladimir Putin:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18541/vladimir+putin+estados+unidos+querem+vassalos+nao+aliados.shtml

2 comentários:

miro disse...

Gostei muito dos temas tratados e pretendo visitar este blog para me manter informado. A minha preocupação não é pessoal pois estou já no ocaso da vida, mas sim com as gerações futuras que de certa forma continuam alienadas dos problemas internacionais e as reais intenções das potencias beligerantes deste nosso mundinho tão louco.
Miro. valmiro-miroblogspot.com

Marcos Doniseti disse...

Obrigado por visitar o blog e pelo seu comentário aqui. De fato, temos que lutar para a construção de um mundo melhor para todos, inclusive para as gerações futuras, que herdarão a Terra.

Espero que não seja uma Terra devastadas, pois existem forças à solta em nosso mundo que parece que não se importam com os outros, mas apenas consigo mesmos.

Mas, eles não passarão!

abraço