sábado, 21 de janeiro de 2012

Brasil vive ciclo de crescimento econômico de longo prazo! - por Marcos Doniseti!

Brasil vive ciclo de crescimento econômico de longo prazo! - por Marcos Doniseti!




O Orçamento da União para 2012 mostra que o Estado brasileiro gastará cerca de 7% do PIB com o INSS. Esse valor, sozinho, já supera o que é gasto com o pagamento dos juros da dívida pública, que deverá ficar em torno de 5% do PIB. 

É claro que os financiadores do Estado são aqueles que detém grandes quantidades de capital disponível para isso (fundos de investimento, bancos, fundos de pensão, etc). 


Afinal, como é que um pensionista do INSS que ganha R$ 622 irá comprar títulos públicos, não é mesmo?
Então, a concentração dos títulos públicos nas mãos de poucos financiadores não deve surpreender ninguém. 


A classe média ainda tem recursos para comprar títulos públicos, mas não tem a tradição de fazer isso diretamente. Ela os compra apenas indiretamente quando, por exemplo, aplica os seus recursos em fundos de investimentos, pois os mesmos possuem grande quantidade de títulos públicos em sua carteira de investimentos. Ou então quando contribui para fundos de pensão (inclusive os das empresas estatais, como o Centrus, Previ, Petrus, etc), que também detém grandes volumes de títulos públicos. 

Muitas pessoas reclamam dos gastos elevados com o pagamento de juros da dívida pública e defendem o fim da política de superávit primário. Aliás, este não é superávit coisa nenhuma. 


O que se chama (sabe-se lá o motivo disso...) de 'superávit primário' é apenas o fato do Estado separar uma parte do que ele arrecada para pagar os juros da dívida pública. 


Cadê o superávit nessa história? Não existe. Superávit público existe, apenas, quando o Estado arrecada mais do que gasta e isso já não acontece, no Brasil, há várias décadas. Desde o governo de JK, pelo menos. 


Porém, é bom esclarecer, também, que se o governo não pagasse os juros da dívida pública o valor dos mesmos (em torno de R$ 200 bilhões em 2012) seria incorporado ao principal da dívida e, com isso, a mesma iria crescer feito uma bola de neve. 


Como resultado disso, seria apenas uma questão de tempo para que o Estado brasileiro ficasse inadimplente e quebrasse, literalmente.


A quebra do Estado, por sua vez, impediria que ele continuasse não somente a pagar os juros da dívida (pois o valor dos mesmos seriam infinitamente maiores em relação ao patamar atual), como também teria que cortar brutalmente todos os seus investimentos públicos, tanto na infra-estrutura, como na área social e nos gastos com funcionalismo.

Com isso, políticas e programas sociais importantes, e que contribuem para a melhoria da distribuição de renda e das condições de vida dos assalariados e dos mais pobres (como o Bolsa-Família, a política de aumento real permanente para o salário mínimo, o Luz Para Todos, o ProUni, entre muitos outros), bem como os investimentos públicos em infra-estrutura (rodovias, ferrovias, aeroportos, etc) teriam que ser interrompidos, pois não haveria mais recursos públicos suficientes para financiá-los. 

Assim, o Estado brasileiro entraria em colapso e nenhum credor mais iria querer emprestar um centavo que fosse para que o mesmo financiasse as suas atividades e os seus investimentos. E se fosse concordar em emprestar, ele exigiria juros tão elevados que o financiamento se inviabilizaria. Na prática, o Estado ficaria sem fontes de financiamento para cobrir o seu déficit e pagar a sua dívida, quebrando.

Até mesmo o pagamento de salários e de benefícios aos funcionários públicos estaria sob sério risco de serem interrrompidos.

Essa situação de falência completa do Estado brasileiro, também levaria a um brutal processo de fuga de capitais para o exterior e não apenas de investidores estrangeiros, mas também de brasileiros, que prefeririam levar seus recursos para países mais seguros, nos quais o Estado honra os seus compromissos e contratos. 




Desta forma, as reservas internacionais do país diminuiriam rapidamente, gerando uma maxidesvalorização do Real. Como consequência disso, o país teria que declarar moratória no pagamento da dívida externa, teríamos que recorrer ao FMI, a inflação iria disparar, aconteceria uma recessão brutal (e chegaríamos a uma Depressão, com certeza), um grande número de empresas iria à falência, o desemprego cresceria rápida e fortemente, aumentando brutalmente a pobreza e a miséria no país. 


Essas seriam algumas das principais consequências de uma política irresponsável no trato das contas públicas e da dívida do Estado.


Portanto, a política de pagamento de juros da dívida pública é fundamental para se manter o endividamento do Estado sob controle, impedindo que ele dispare, e até para que o mesmo possa ser reduzido, tal como aconteceu durante o governo Lula, e continua em andamento no governo Dilma. Em 2011, a dívida pública caiu de 38% para 36,6% do PIB. 


Durante a campanha eleitoral de 2010, a nossa  atual presidenta da República disse que pretendia reduzir a dívida pública para 30% do PIB até 2014. Embora esta seja uma tarefa muito difícil de ser alcançada, seria muito bom que isso acontecesse. Porque? Simples. 
Com uma dívida pública menor (cujo pagamento, no entanto, não impeça o crescimento da economia), o Estado terá vários benefícios, tais como:

A) Reduzir a taxa real de juro cobrada sobre a dívida pública;
B) Reduzir o percentual do Orçamento e do PIB que é usado para pagar os juros da dívida pública;

C) Aumentar o percentual do Orçamento e do PIB que é usado para fazer investimentos públicos, principalmente em infra-estrutura e na área social.


D) Com investimentos públicos maiores, teremos mais crescimento econômico, com geração de empregos, melhorias dos salários, redução da pobreza e da miséria, entre outros inúmeros benefícios para o país e o seu povo.  


Aliás, foi exatamente isso que aconteceu nos governos  de Lula e Dilma, entre os anos de 2003-2011. Neste período, a dívida pública foi reduzida de 51,5% para 36,6% do PIB (queda real de 29%) e o valor gasto com o pagamento de juros da dívida pública foi reduzido de 7,5% do PIB (em 2003) para 5,3% do PIB (2010), acumulando uma redução real de 29,3% no período (2003-2010).  

E o próprio déficit público nominal (que inclui os gastos com juros) diminuiu de 4% do PIB, em 2002, para 2,3% do PIB em 2011 (acumulado de Janeiro a Novembro).  
No mesmo período, de 2003 a 2010, os investimentos públicos aumentaram 93,3%, passando de 1,5% do PIB para 2,9% do PIB, segundo o IPEA (obs: os números relativos a 2011 ainda não foram fechados).


Sem essa redução do endividamento público, teria sido impossível criar e lançar o PAC, ampliar os programas de inclusão social e tampouco reduzir a taxa Selic. 

Assim, a redução da dívida pública permitiu que o Estado brasileiro quase dobrasse os seus investimentos como proporção do PIB durante o governo Lula. E é claro que isso colaborou para a retomada do crescimento da economia brasileira, que ingressou num novo ciclo de crescimento de longo prazo desde 2004. 


E essa diminuição do endividamento público também contribuiu para que a taxa real juros (Selic menos a inflação acumulada) fosse reduzida de 12,5% ao ano em 2002 para os atuais 4% ao ano (10,5% de taxa Selic, contra inflação anual de 6,5% em 2011). 
O mais importante de tudo, portanto, é que esse processo de redução da dívida pública tenha continuidade no governo Dilma, sem que isso impeça o crescimento da economia brasileira, é claro. 
 
Desta maneira, os investimentos públicos, principalmente na área social e na infra-estrutura, poderão continuar crescendo cada vez mais, o que é fundamental para que o atual ciclo de crescimento econômico do país tenha continuidade. 




Esse ciclo de crescimento econômico começou em 2004, como já afirmei aqui, e o mesmo tem tudo para durar, pelo menos, de 25 a 30 anos. O atual momento econômico brasileiro é extremamente favorável, tanto que transformou o país na 6a. maior economia mundial, e tem como seus principais pilares de sustentação as seguintes características:
A) Distribuição de renda, com aumentos reais de salários (tanto no setor público, como no setor privado) e elevação dos gastos sociais públicos, fazendo com que a participação da renda do trabalho na renda nacional aumentasse de 39% do PIB para 43% do PIB entre 2004-2010. 


Com isso, 50 milhões de brasileiros ingressaram no mercado consumidor e até mesmo a chamada 'classe D', de menor nível de renda, consegue participar do mesmo (seu patamar de consumo chegará a R$ 400 bilhões em 2012);
B) Controle da inflação, mantendo-a dentro das metas determinadas pelo Conselho Monetário Nacional,  e que vão de 2,5% a 6,5% ao ano. Aliás, desde 2005 que a taxa de inflação brasileira fica dentro das metas;
C) Saneamento das contas públicas, com a redução constante da Dívida e do Déficit públicos, liberando mais recursos para investimentos públicos, principalmente na infra-estrutura e na área social, que ainda tem carências imensas devido ao quase que total abandono a que foram relegadas no período da Longa Estagnação que atingiu a economia brasileira e que durou de 1981 a 2003;
D) Exportações crescentes, que aumentaram 327% no período 2003-2011 (elas passaram de US$ 60 bilhões em 2002 para US$ 257 bilhões em 2011). Em função disso, a participação das exportações brasileiras passou de 0,96% para 1,38% do total mundial entre 2002-2010. Isso resultou na conquista de um crescente e elevado superávit comercial, somando US$ 290 bilhões no período 2003-2011;
E) Recuperação da capacidade de investimento do Estado brasileiro, com o aumento dos investimentos públicos em infra-estrutura e na área social, comprovado pela criação do PAC (1 e 2) e pela significativa ampliação dos programas sociais. Entre 2004-2010 os investimentos públicos tiveram um crescimento real de 16,2% ao ano. 
F) Contas externas sob controle, com o déficit externo em transações correntes permanecendo estável nos últimos, sempre girando em torno de 2% do PIB , sendo facilmente financiável, graças ao aumento das exportações e ao forte crescimento dos investimentos externos diretos (produtivos) na economia brasileira.


Para manter o atual ciclo de crescimento de longo prazo da economia brasileira, basta que os governos de nosso país, neste período de tempo (nos próximos 25 a 30 anos), não venham a fazer nenhuma bobagem monumental.


Uma bobagem monumental seria, por exemplo, dar um calote no pagamento da dívida pública e acabar com a política de 'superávit primário' (na verdade, de pagamento dos juros da dívida pública... O superávit primário não existe, como já foi dito aqui), como defendem amplos setores das Esquerdas radicais tupiniquins, que nunca administraram nada na vida, nem carrinho de pipoca.
Outra bobagem monumental seria a de privatizar os bancos públicos (BB, CEF, BNDES, Banco do Nordeste), o FGTS, o FAT e as estatais como a Petrobras e a Embrapa, como defendem os patéticos, medíocres e incompetentes demotucanos. Estes já administraram, e ainda administram, infelizmente, muitas cidades e estados do país, mas não conseguem fazer um governo que preste em parte alguma. 


Para eles, os demotucanos, as privatizações (ou melhor, a privataria) é a solução para todos os problemas do país. Eles são um bando de patetas incompetentes e medíocres e que não tem capacidade nenhuma de governar ou de administrar o que quer que seja, nem uma escola de samba que fosse, com todo o respeito que as escolas de samba merecem. 


Será esse ciclo de crescimento econômico de longo prazo, que já está em pleno andamento, que fará do Brasil, finalmente, um país rico, desenvolvido, justo, soberano e que o transformará em uma Nação onde todo o seu povo poderá viver com dignidade, deixando de viver 'deitado eternamente em berço esplêndido' e sempre sob o domínio de grandes potências externas ou de retrógradas e pré-históricas elites internas (as mesmas que dizem que as leis trabalhistas e os programas sociais estimulam a vagabundagem). 


Que assim seja. 

Links:


Orçamento da União para 2012 prevê 7% do PIB para o INSS:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2012/01/orcamento-da-uniao-2012-inss-tera.html


Esposa de José Serra chama Bolsa-Família de Bolsa-Vagabundagem:


http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/08/23/para-mulher-de-serra-%E2%80%9Cbolsa-familia%E2%80%9D-e-o-%E2%80%9Cbolsa-vagabundagem%E2%80%9D/


Investimentos estrangeiros no Brasil quadruplicam entre 2005 e 2010:



http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2011/12/15/investimentos-estrangeiros-no-brasil-quadruplicam-em-5-anos.jhtm
 
Evolução da taxa de inflação no Brasil:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Infla%C3%A7%C3%A3o#Hist.C3.B3rico_do_Quadro_Inflacion.C3.A1rio_no_Brasil



Evolução da taxa de juros (Selic) no Brasil:


http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS


Déficit em transações correntes (contas externas) brasileiro é de apenas 2% do PIB entre Dezembro de 2010 e Novembro de 2011:


http://www.bcb.gov.br/?ecoimpext


Evolução do Comércio Exterior Brasileiro entre 1950-2010:


http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1486&refr=608


Investimentos públicos cresceram 16,2% ao ano entre 2004-2010:


http://economia.ig.com.br/governo-ve-no-pac-base-para-estimular-crescimento-em-2012/n1597573398568.html



Brasil se torna a 6a. maior economia mundial:


http://www.cartacapital.com.br/economia/brasil-sexta-economia-do-mundo/


Consumo da classe D chegará a R$ 400 bilhões em 2012:


http://www.cartacapital.com.br/economia/consumo-da-classe-d-ira-superar-r-400-bilhoes-em-2012/


50 milhões de brasileiros ingressaram no mercado consumidor entre 2003-2010:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/09/mercado-consumidor-brasleiro-ganhou-50.html


Classe C cresce e representa 53% da população brasileira:
 
http://economia.ig.com.br/classe+c+cresce+e+representa+53+da+populacao+brasileira/n1238185353304.html


Classes médias do Brasil, Índia e China irão mover o consumo global:


http://economia.ig.com.br/classes+medias+do+brasil+india+e+china+vao+mover+consumo+global/n1237993521926.html

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