sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A decadência dos EUA, suas perspectivas e a eleição presidencial no Brasil!- por Marcos Doniseti!

A decadência dos EUA, suas perspectivas e a eleição presidencial no Brasil!- por Marcos Doniseti!

(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 07/07/2010)



Um leitor do blog do Azenha, Francisco Latorre (cujo estilo de escrita é muito peculiar e, ao mesmo tempo, muito rico em conteúdo) fez algumas observações interessantes em um comentário postado por ele lá no 'Viomundo'.

Daí, escrevi a minha resposta para ele, que foi a seguinte:

A decadência dos EUA, suas perspectivas e a eleição presidencial no Brasil!

1) O fantasma do ‘outro’ ameaçador vai se tornando cada vez mais risível. - Por Francisco Latorre.

R - É verdade, Francisco.

Mas, daí, os USA fazem o que sempre fizeram nestas circunstâncias: eles inventam outra ameaça a fim de justificar o seu deslavado Imperialismo.

Quando o Nazi-Fascismo de Hitler e de Mussolini foi destruído, os ianques inventaram que a URSS era a nova ameaça aos EUA e ao ‘Mundo Livre’. E eles diziam isso mesmo com a URSS tendo sido totalmente devastada pela Guerra, com 27 milhões de mortos e grande parte das suas cidades, indústrias e fazendas destruídas, principalmente a parte européia do seu território, que era e é muito mais rica e populosa do que a parte asiática.

E daí os EUA fabricaram a Guerra Fria, que serviu de pretexto para tudo quanto é Golpe de Estado e intervenções militares pelo mundo afora. A América Latina, com seus Golpes Militares e suas Ditaduras financiadas e organizadas pelos EUA, que o diga... Sem falar das Guerras da Coréia, do Vietnã.

E é claro que a Guerra Fria também serviu como desculpa esfarrapada para manter o Orçamento militar ianque na estratosfera.

Assim, a Guerra Fria virou motivo para os EUA justificarem o seu Imperialismo, camuflando-o sob o discurso da defesa da ‘Democracia’ e da ‘Liberdade’ e da luta sem fronteiras contra a URSS e o 'Comunismo Ateu'.

Quando a URSS e seu bloco de nações-satélite europeu desmoronou e a China, sob a liderança de Deng Xiaoping, consolidou o seu caminho na direção da criação de um tipo de ‘Capitalismo’ dirigido e supervisionado pelo Estado e com significativa participação do capital externo, abandonando o isolamento e as políticas radicais do período Maoísta (embora esta conversão tenha sido iniciada, na verdade, pelo próprio Mao... vide a viagem de Nixon para a China em 1972), os EUA inventaram uma série de novos inimigos: os cartéis de narcotraficantes (Pablo Escobar, por exemplo), o fundamentalismo islâmico e, mais recentemente, o chavismo bolivariano.

Se estes ‘inimigos’ deixarem de representar ou de simbolizar uma ameaça, novos bichos-papões serão criados pelo Império Ianque a fim de justificar a manutenção de suas políticas Imperialistas.

Assim, a política dos EUA é clara: Se não existe um inimigo, invente-o.

2) de repente é por aí... o fascismo cai por ridículo.

R - Ou talvez algum tipo de ‘Fascismo’ seja a ”””solução””” para os principais problemas que os países capitalistas desenvolvidos enfrentam nos dias atuais. Pelo menos é assim que uma parte significativa das elites e da população dos países ricos encara a sua realidade. Tanto isso é verdade que as eleições mais recentes, nos países ricos, tem sido vencidas por candidatos e partidos conservadores. Foi assim na Itália (Berlusconi), França (Sarkozy), Alemanha (Angela Merkel) e Reino Unido (Cameron).

Veja como a xenofobia e o racismo está crescendo rápida e fortemente tanto na Europa Ocidental, como nos EUA, com a adoção de leis e de políticas cada vez mais rígidas contra os ‘imigrantes ilegais’, essencialmente contra aqueles de tom de pele mais ‘escura’ e que pertencem a religiões e culturas muito diferentes das que tradicionalmente predominam no chamado mundo Ocidental.

De certa maneira, o governo Bush também já caminhava nesta direção. Os neocons do Partido Republicano, na verdade, são os neofascistas dos EUA.

Neocon é apenas um eufemismo usado para camuflar o discurso e as políticas neofascistas que o governo Bush adotou.

Mas, neste primeiro momento, a política neocon de Bush não deu certo, o que desencadeou a atual crise enfrentada pelos EUA, tanto interna como externamente.

Daí, é preciso reorganizar o Império, recuperá-lo e fortalecê-lo novamente, a fim de dar continuidade e aprofundar essa política neocon mais adiante.

Essa é a missão de Obama, no fim das contas. Foi para isso que ele foi eleito. Quando ele concluir o trabalho para o qual foi escolhido, os EUA retomarão o caminho de Bush que, aliás, Obama não abandonou, de fato. Vide a sua política externa que, fundamentalmente, é a mesma do governo Bush.

O apoio de Obama ao Golpe Militar em Honduras, o aluguel de 7 bases militares colombianas pelos EUA, o reforço da Guerra no Afeganistão, tudo isso mostra que seu governo é tão belicista quanto o de Bush.

Os EUA estão apenas tomando um fôlego agora, dando um tempo, para respirar, se reorganizar e voltar com tudo mais à frente, ainda mais violentos e agressivos.

Daí, novas guerras virão pela frente.

No fundo, e tragicamente, temos que torcer para que os EUA continuem atolados nas Guerras do Iraque e do Afeganistão, pois se eles resolverem seus problemas nestes locais, darão início à novas guerras pelo mundo afora.

O Irã, a Coréia do Norte e a Venezuela (que já tem 13 bases militares dos EUA cercando o seu território), em especial, que seu cuidem. E muitos outros países serão alvejados pelo Império Ianque posteriormente depois que o mesmo se reorganizar e sair dos atoleiros iraquiano e afegão.

Não esqueça: o Governo Bush elaborou uma lista de 60 países que iriam sofrer intervenções militares, ataques ou invasões por parte deles, ianques.

As Guerras do Iraque e do Afeganistão eram apenas as primeiras da lista.

Mas, havia muitas outras nações que seriam as próximas vítimas.

Os EUA somente não iniciaram estas novas guerras (contra Coréia do Norte, Irã, Cuba, Venezuela, etc) porque se atolaram no Iraque e no Afeganistão. Ficaram empacados por lá e isso impossibilitou o início dos novos conflitos.


3) vale pra uma certa eleição num certo país. o brasil. nosso brasil. de todos... será em outubro... vamos defenestrar os ridículos reacionários.


R – Correto, Francisco.

Mas, aqui estamos vivendo um momento histórico distinto, de retomada e recuperação do processo de construção nacional, levando adiante um projeto de Nação que inclua a todos na mesma, em todos os aspectos: político, econômico, social, cultural, etc.

Este projeto, a meu ver, começou com Vargas, ainda na chamada 'Revolução de 30', e teve continuidade nos governos de seus herdeiros políticos, principalmente os de JK e, especialmente, o de Jango.

Este processo de construção nacional e de inclusão política e social foi interrompido pelo Golpe de 1964, pela Ditadura Militar que se seguiu e pelas políticas neoliberais adotadas nos governos Collor, Itamar, FHC e que já haviam sido ensaiadas no governo Sarney.

Por isso a vitória de Dilma é tão fundamental: É preciso consolidar este processo de construção da Nação brasileira que o governo Lula recuperou.

Uma vitória de Serra iria interromper esse processo de mudanças, jogando no lixo tudo o que já foi feito. Isso impediria que as transformações (ainda moderadas, mas com resultados econômicos e sociais relevantes) iniciadas pelo Governo Lula tivessem continuidade e pudessem ser aprofundadas num futuro governo Dilma.

Por isso, entendo que a nossa palavra de ordem, neste momento, deve ser: Brasil, Urgente, é Dilma Presidente!

Link:


http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-dialogo-do-latorre-com-o-jose-sabino.html

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