sábado, 14 de janeiro de 2012

Democratas X Republicanos e o 'bipartidarismo único' dos EUA! - por Marcos Doniseti!

Democratas X Republicanos e o 'bipartidarismo único' dos EUA! - por Marcos Doniseti!


Nos EUA, hoje, os dois partidos dominantes, Democratas e Republicanos, são conservadores.

A diferença entre eles é que o Partido Democrata é de Centro-Direita, mas que, quando governa, costuma fazer muitas concessões aos setores mais conservadores e direitistas da sociedade e do sistema político do país, tal como aconteceu durante o governo Obama.


Já o Partido Republicano consegue ser ainda pior, pois é de Direita e ainda possui dentro dele uma fatia expressiva de lideranças e de militantes que professam idéias extremistas de Direita, incluindo neocons defensores de uma cruzada global contra o 'terrorismo', fundamentalistas cristãos que abominam homossexuais e feministas e neoliberais que tem horror à intervenção do Estado na economia em favor dos trabalhadores e dos mais pobres.


Infelizmente, nos EUA, as demais alternativas políticas são totalmente marginalizadas, e são mantidas longe do processo político-partidário-eleitoral dito 'normal'. Existem outros partidos políticos nos EUA, mas eles não conseguem alcançar uma penetração nacional que viabilize o enfrentamento aos projetos políticos, bastante conservadores, dos dois partidos dominantes.


Aliás, as semelhanças entre Democratas e Republicanos são tantas que muitos analistas falam que, na verdade, existe nos EUA um sistema que pode ser caracterizado como sendo de 'bipartidarismo único'.

É como se os dois partidos dominantes fossem apenas duas grandes facções de um partido maior, embora eles próprios, Democratas e Republicanos, sejam divididos em inúmeras correntes internas. 


Entre os Republicanos, por exemplo, é muito forte a presença de fundamentalistas cristãos, de neocons e de neoliberais, como já afirmei. 


Muitos integrantes do Tea Party encontraram espaço dentro do Partido Republicano, algo que já não acontece dentro do Partido Democrata, e começaram a se eleger pelo mesmo. Já entre os Democratas, existe uma atuação significativa de feministas, do movimento negro e de sindicalistas. 

Existem, sim, diferenças entre os dois partidos dominantes, mas elas se concentram, principalmente, em questões internas, em assuntos como o direito ao aborto, políticas de ação afirmativa, direitos dos homossexuais. Os Democratas, tradicionalmente, defendem tais direitos e políticas, enquanto os Republicanos as condenam inteiramente.

Mas, na verdade, quando se trata de assuntos de política externa, atualmente, há muito mais semelhanças do que diferenças entre Democratas e Republicanos. Basta ver que, somente agora, às vésperas da eleição presidencial, Obama retirou os últimos soldados estadunidenses do Iraque. 



E a 'Guerra contra o Terror', herdada de Bush, não foi abandonada pelo governo do Democrata, muito pelo contrário. 


Ela sofreu apenas algumas mudanças, como o fato do governo Obama, por exemplo, ter priorizado a Guerra do Afeganistão e a perseguição a 'terroristas' que atuam em países como Paquistão e Iêmen e não a Guerra do Iraque, como fez o governo Bush. 

A nova 'Doutrina Obama',  que já comentei aqui no blog, não irá diminuir a intervenção americana pelo mundo afora, mas esta se adaptará aos novos tempos de guerras que os EUA não conseguem vencer e de cofres públicos vazios, devido aos imensos e crescentes déficit (de 9% do PIB) e dívida (de 150% do PIB) públicos.


O fato do governo Obama também ter apoiado o Golpe de Estado contra o presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, e de ter mantido em funcionamento a prisão na Base de Guantánamo (embora com um número bem menor de prisioneiros, mas onde a tortura é livre) e o Bloqueio Econômico contra Cuba também geraram uma grande frustração entre o eleitorado.

Essa frustração do eleitorado Democrata foi muito grande, principalmente entre os jovens universitários, que o apoiaram de forma maciça e que se entusiasmaram com a candidatura presidencial de Obama em 2008 e que votou nele, confiando que o mesmo daria início a um processo de mudanças nas políticas interna e externa dos EUA. Milhares destes jovens chegaram, inclusive, até a trabalhar ativamente, como voluntários, sem ganhar um centavo sequer, na campanha presidencial de Obama há quatro anos. Agora, pouquíssimos farão o mesmo.


Todo esse entusiasmo desapareceu nos últimos anos, com a política fortemente continuísta que o governo Obama adotou em relação ao governo, catastrófico e criminoso, de George Bush Jr.

Mesmo no caso da crise econômica, a política de Obama priorizou não a ajuda aos 8 milhões de novos desempregados que a crise gerou, a partir de 2007, e tampouco aos trabalhadores mais pobres ou para as milhões de famílias que ficaram fortemente endividadas e que perderam as suas casas (milhares delas foram 'morar' em automóveis...). Nada disso. 




O governo Obama, de maneira equivocada, deu total atenção para o programa de salvamento das instituições financeiras privadas dos EUA que, basicamente, estavam falidas no final do governo Bush. Vários trilhões de dólares de dinheiro público foram 'torrados' na ajuda à Wall Street, enquanto que a taxa de desemprego subia de 4,4%, em 2007, para 9,9% em Abril de 2010.

Somente nos últimos meses é que ocorreu uma queda mais significativa na taxa de desemprego, para o atual patamar de 8,5% (Dezembro de 2011). Caso essa queda continue durante 2012, então é provável que Obama recupere uma parte da popularidade perdida e se fortaleça para a disputa presidencial, que deverá ser travada contra Mitt Romney, um Republicado bilionário e 'moderado' (para os padrões do partido de Reagan, é claro, que tem inúmeros celerados e desequilibrados entre os seus integrantes).

Felizmente, para Obama, esse desânimo não atinge apenas o eleitorado Democrata, mas também o Republicano, como a matéria de Heloisa Villela, que reproduzi no meu outro blog (o Guerrilheiro do Entardecer... ver link abaixo) mostra claramente.

Os Republicanos estão fortemente divididos internamente e o seu provável candidato, Mitt Romney, está longe de agradar aos setores mais conservadores do partido, porque ele é visto como sendo excessivamente moderado para o gosto de grande parte dos líderes e dos eleitores Republicanos. 



Romney é um bilionário mormón que governou Massachusetts. 


Contra ele, dentro do Partido Republicano, pesa o fato de que promoveu um reforma no sistema de saúde pública, quando governou o estado de Massachusetts (um dos mais liberais dos EUA, berço político da família Kennedy e que sempre vota nos Democratas em eleições  presidenciais), muito semelhante à que o presidente Obama aprovou em seu mandato. 

Isso faz com que muitos Republicanos conservadores não simpatizem com ele, mas é claro que votarão em Romney, até por falta de opção e para, assim, tirar Obama e os Democratas da Casa Branca.

Não é à toa, portanto, que em meio a toda essa crise, a participação popular no processo de escolha dos candidatos à presidente, dos dois partidos, está diminuindo e existe um desânimo generalizado com relação às próximas eleições.

Além disso, há vários anos se desenvolve um processo de radicalização política intenso nos EUA, chegando até ao extremo de acontecerem atentados contra políticos identificados como sendo mais liberais ou progressistas, tal como ocorreu com a deputada democrata Gabrielle Giffords, no Arizona.


No médio e longo prazos, existe um sério risco nesse processo: caso o crescente distanciamento entre Governo/Estado e Povo/Sociedade continue, o sistema político dos EUA irá se enfraquecer cada vez mais.




E isso poderá contribuir para que um dia o Grande Império Ianque venha a desmoronar, tal como aconteceu com a URSS e com inúmeros outros Impérios que existiram na história da Humanidade.

Internamente, o país até pode se manter unido, mas a presença e o poderio dos EUA no mundo deverão diminuir bastante nas próximas décadas, até pelo crescimento acelerado de outros países, principalmente dos BRICS. 


Previsão do FMI aponta que, já em 2016, a China passará a possuir um PIB maior do que o dos EUA, tornando-se a maior economia mundial. Muitos analistas esperavam que isso somente iria acontecer por volta de 2030.

Aliás, é bom que os EUA fiquem de sobreaviso e saibam que TODOS os Impérios que existiram, até hoje, na história da Humanidade, desmoronaram. 


Com os EUA  não será diferente.


Quem viver, verá.

O caminho dos EUA rumo  à decadência será longo, mas já está traçado e é, de fato, irreversível.



Obs: O Brasil que se cuide, pois na última campanha presidencial, o candidato do PSDB, José Serra, se aliou a vários grupos extremistas, incluindo aí fundamentalistas cristãos, integralistas, neonazistas, entre outros. 


A imagem abaixo mostra que há mais em comum entre a celerada da Sarah Palin (ver foto nesta postagem, segurando uma arma) e o tucano José Serra do que se pensa:



 
Links:

EUA perderam 8 milhões de empregos com a crise:
Obama X Republicanos: Faz diferença?
Mitt Romney e a divisão do Partido Republicano:
Economia da China ultrapassará a dos EUA até 2016, diz FMI:
Heloisa Villela e o desânimo na campanha presidencial dos EUA:
Gabrille Giffords sofre atentado no qual morrem outras 6 pessoas no Arizona:
Taxa de desemprego chegou a 10,2% nos EUA em Outubro de 2009 (crescimento de 5,3 p.p. sobre Dezembro de 2007, quando era de 4,9%):

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