terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Brasil, os EUA e as consequências da crise do Capitalismo Neoliberal Globalizado! - por Marcos Doniseti!

O Brasil, os EUA e as consequências da crise do Capitalismo Neoliberal Globalizado! - por Marcos Doniseti!  

(texto revisto, ampliado e atualizado no dia 10/01/2012; publicado originalmente no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/06/2009)


1) Desde a Guerra do Vietnã que os EUA viveram além dos seus recursos, sacando recursos de uma espécie de 'cheque especial' financiado pelo mundo inteiro.

O Grande Irmão do Norte se endividou até dizer chega e, agora, terão que pagar as dívidas acumuladas nas últimas décadas. A dívida pública total do país já atingiu os 150% do PIB e seu déficit público chega a imensos 9% do PIB.

Assim, os EUA viverão um período longo, talvez uns 5 a 10 anos, com a sua economia virtualmente estagnada ou crescendo muito pouco.

A taxa de desemprego cresceu consideravelmente desde a eclosão da crise, em 2008, e não se reduzirá fortemente tão cedo, fato este que, inclusive, ameaça as chances de reeleição de Obama, apesar da mediocridade inacreditável dos pré-candidatos do Partido Republicano;

2) O Brasil está numa situação econômica-financeira bem melhor do que a de quase todos os países do mundo, graças ao importante papel que o Estado ainda tem na economia (via bancos públicos e empresas estatais como a Petrobras e a Embrapa), e às políticas adotadas desde a posse de Lula na presidência da República, em 2003.

Este fato foi reconhecido, inclusive, pela publicação neoliberal mais respeitada do mundo, a revista semanal britânica 'The Economist'.

Os governos Lula-Dilma conseguiram reduzir os déficits público, externo, bem como as dívidas interna e externa do país desde 2003, além de terem conseguido aumentar fortemente as exportações e o superávit comercial do país (que chegou a US$ 287 bilhões entre 2003-2011).



Com isso, hoje o Brasil tem uma situação econômica financeira bem melhor do que a de 2002.

Exemplos disso:

A) A dívida pública foi reduzida de 51,5% do PIB, em 2002, para 36,6% do PIB em 2011 (queda de 28,9%);

B) O déficit público foi reduzido de 4% do PIB, em 2002, para 2,4% do PIB em 2011 (queda de 40%);

C) As reservas internacionais líquidas subiram de US$ 16 bilhões, em 2002, para US$ 352 bilhões em 2011 (crescimento de 2100%);

D) As exportações brasileiras aumentaram de US$ 60 bilhões, em 2002, para US$ 256 bilhões em 2011, acumulando um crescimento de 326,7% no período;

E) Os investimentos públicos subiram de 1,5% do PIB, em 2002, para 2,9% do PIB em 2010, atingindo um crescimento de 93,3% no período;

3) O Estado, mais uma vez, no mundo inteiro, irá salvar o Capitalismo da sua 'Ruína Final', tal como já ocorreu na época da Grande Depressão dos anos 1930.

Basta ver como o Estado ianque salvou as maiores instituições financeiras dos EUA (aliás, há um filme muito bom sobre o assunto, que se chama 'Grande Demais Para Quebrar'... recomendo), que literalmente quebraram entre meados de 2008 e de 2009 e que somente não fecharam as portas devido à ajuda vários trilhões de dólares que o governo dos EUA injetou nas mesmas;

4) A era do Estado Mínimo acabou, mesmo que as políticas neoliberais continuem sendo colocadas em prática em alguns países durante mais algum tempo.

Mas, agora, já se sabe quais são as consequências de se deixar aos mercados desregulados  a tarefa de organizar a economia e a sociedade: aumento brutal da concentração de renda, das desigualdades sociais, do desemprego, da pobreza e da miséria;

5) Os EUA se transformarão numa nação bem mais fraca do que são atualmente.

Eles ainda serão um país rico, influente e poderoso, nos mais variados aspectos (militar, econômico, financeiro, científico, tecnológico) mas terão que dialogar com o mundo, como o Obama já está fazendo, gostem ou não disso. Os dias do Império Ianque Unilateral chegaram ao fim!;



6) Quem atrelou fortemente a sua economia à dos EUA (como são os casos de países como o México, Japão, Grã-Bretanha, Coréia do Sul...) irá sofrer com muito mais intensidade os efeitos da crise, devido à recessão que atingiu os EUA a partir de meados de 2008;

7) Quem ampliou o seu mercado consumidor interno, aumentando o poder de compra do salário mínimo, ampliando os investimentos em programas sociais, gerando empregos formais, elevando os investimentos públicos e manteve empresas e órgãos estatais relevantes (tipo Petrobras, BNDES, CEF, BB, Embrapa) e diversificou as suas relações econômicas, financeiras, comerciais, diplomáticas (deixando de depender de alguns poucos mercados), como fez o Brasil de Lula-Dilma, sofrerá muito menos o impacto da crise e também irá superá-la antes dos demais.

No Brasil, o tsunami da crise global transformou-se, literalmente, numa marolinha, fato este que foi previsto pelo então presidente Lula. Aliás, quando ele fez tal afirmação, os principais colunistas e comentaristas da reacionária e patética Grande Mídia tupiniquim o atacaram duramente. O tempo mostrou que Lula estava certo e o Brasil foi o último país a sofrer os efeitos da crise e o primeiro a sair da mesma. 

8) Estamos vendo e vivendo as dores do parto do nascimento de um novo mundo, multipolar e multicultural, no qual nenhum país, isoladamente, terá mais condições de impor a sua vontade aos demais.

Teremos vários grandes pólos de poder econômico, político, militar, industrial, cultural, científico  e tecnológico no mundo e não apenas um. Tais potências, algumas mais fortes, outras menos, terão que dialogar e chegar a acordos entre si a fim de impedir que os conflitos entre elas saiam do controle e isso acabe resultado numa Guerra generalizada que destruiria com a vida civilizada no planeta.


O grande problema, atualmente, é que, como dizia o genial Gramsci, o mundo velho já morreu, mas o novo ainda não nasceu.

E é justamente por isso que temos tantas crises espalhadas pelo mundo afora, dos mais variados tipos: econômica, financeira, política, social, cultural. Tais crises irão redefinir os espaços de poder que cada país irá desfrutar nas próximas décadas.

E serão os nossos filhos e netos que viverão neste Novo Mundo que está nascendo neste exato momento.

Que seja um mundo bem melhor, mais justo, igualitário, pacífico e democrático do que este no qual vivemos atualmente.

Links:

O crescimento explosivo do desemprego nos EUA:

http://blogs.estadao.com.br/fernando-dantas/2011/09/15/o-pesadelo-do-desemprego-de-longo-prazo-nos-eua/

O presidente Lula e a marolinha:

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,belga-cita-marolinha-e-elogia-lula-em-conduzir-crise,445789,0.htm

Exportações do Brasil chegam a US$ 256 bilhões em 2011:


http://brasil247.com.br/pt/247/economia/33333/Exporta%C3%A7%C3%B5es-somam-US$-256-bilh%C3%B5es-em-2011.htm

Reservas internacionais do Brasil crescem e chegam a US$ 352 bilhões:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172412&id_secao=2

BRICS crescem e mudam relações internacionais:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14774689,00.html

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