quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O feriado de 9 de Julho e o Golpe Contra-Revolucionário e Reacionário de 1932! - por Marcos Doniseti!

O feriado de 9 de Julho e o Golpe Contra-Revolucionário e Reacionário de 1932!  - por Marcos Doniseti


Com a vitória da 'Revolução de 30', o estado de São Paulo perdeu a hegemonia política que desfrutou no Brasil durante a Primeira República (1889-1930).

Ao contrário do que uma certa historiografia oficial ensinou durante muito tempo, a chamada 'Revolta Constitucionalista de 32' não tinha nada de 'Constitucionalista'.

Ela não passou de uma tentativa de Golpe de Estado que tinha a finalidade de derrubar o então governo Vargas, que mal havia se instalado no poder através da 'Revolução de 30'.

Isso tanto é verdade que, antes mesmo que a 'Revolução de 32' estourasse, Getúlio Vargas já havia concordado com a realização de eleições para uma Assembléia Constituinte e que seriam (e como de fato aconteceu) realizadas no ano seguinte, em 1933.

Portanto, o pretexto utilizado pelos segmentos mais reacionários da sociedade paulista, para tentar derrubar Vargas, já não existia quando a tentativa de Golpe começou, em Julho de 1932. Vargas já havia concordado com as principais exigências dos paulistas, nomeando um interventor paulista para governar o estado e também já tinha aceito a idéia de convocar as eleições para a Assembléia Constituinte.

Logo, não havia mais pretexto para se iniciar uma revolta para derrubar o governo de Vargas.

E é bom não esquecer que estes mesmos segmentos paulistas (golpistas, reacionários e contra-revolucionários) que se levantaram contra Vargas nesta tentativa de Golpe, foram os mesmos que, junto com os mineiros, controlaram o poder federal durante várias décadas, a partir de 1893, quando Prudente de Morais se elegeu Presidente da República.



Segmentos da população e da sociedade paulista chegaram a defender o separatismo durante a Contra-Revolução de 1932. 
E o controle do poder federal pela aliança de SP e MG (através da famosa política do 'café-com-leite') se deu com o uso de fraudes eleitorais descaradas, da cassação de mandatos de oposicionistas eleitos diretamente pela população e da violência institucionalizada praticada pelo Estado contra qualquer movimento de oposição, principalmente contra o nascente e crescente movimento operário e também contra revoltas autenticamente populares.

Exemplos perfeitos desta política de violência institucionalizada contra os movimentos populares, neste período, foram as Guerras de Canudos (1893-1897) e do Contestado (1912-1916) e a violentíssima repressão contra as Revoltas da Vacina (1904) e da Chibata (1910).

Esta foi a época em que a questão social era tratada como um 'caso de polícia' e não como um caso de política, ou seja, de diálogo e de atendimento das principais reivindicações dos trabalhadores brasileiros.

Portanto, o que tivemos no Brasil entre 1893-1930 foi, de fato, uma Ditadura Civil.

A chamada 'República Oligárquica' ou 'República Velha' chegou até a construir um campo de concentração no Amapá, em Clevelândia, para onde enviava grande parte dos seus adversários e dos oposicionistas. Nisto, ela se antecipou até ao Nazismo e à Hitler.

Logo, esta patética 'Revolta de 32' não passou de uma Contra-Revolução reacionária e de uma tentativa golpista, que visava restabelecer o poder dos segmentos mais retrógrados e primitivos das elites políticas paulistas e que haviam sido defenestrados do poder pela chamada 'Revolução de 30'.

Após a derrota para o governo Vargas, tais setores reacionários da política paulista acabaram cooptados pelo mesmo Vargas e participaram ativamente dos preparativos e da efetivação do Golpe de Estado que implantou a Ditadura do Estado Novo (1937-1945).

Tais segmentos da política paulista eram tão retrógrados, política e ideologicamente, que muitos deles simpatizavam publicamente com o Nazi-Fascismo.

Armando de Sales Oliveira, que se tornou o principal líder destes segmentos reacionários das elites políticas de SP, chegou a fazer discursos elogiando Hitler, do qual era um grande admirador.

Portanto, o caráter classista, elitista, retrógrado e reacionário desta tentativa golpista e contra-revolucionária, que foi a chamada 'Revolta Constitucionalista de 32', é mais do que evidente.

E isso fica claro quando se sabe que um dos principais objetivos do movimento contra-revolucionário paulista era acabar com a legislação trabalhista que o governo de Vargas tinha começado a adotar no país já a partir de 1931, quando criou o Ministério do Trabalho e que, pela primeira vez, na história do Brasil, havia reconhecido direitos pelos quais os trabalhadores brasileiros já lutavam há muito tempo, como a criação da previdência social, a adoção da jornada de 8 horas diárias, o pagamento de horas-extras, as folgas e férias remuneradas, entre outros.


O que se pode esperar de um estado onde os Bandeirantes (notórios assassinos, genocidas e estupradores da pior espécie que botavam fogo nas aldeias indígenas, aos quais escravizavam sem dó e nem piedade)  são glorificados?
Aliás, este foi o motivo principal pelo qual os operários paulistas se recusaram a participar do movimento golpista de SP. Eles sabiam, melhor do que ninguém, que se o Golpe contra-revolucionário paulista fosse vitorioso os direitos trabalhistas recentemente reconhecidos pelo governo Vargas seriam extintos, voltando-se à situação que vigorava no período da chamada 'República Velha', quando os trabalhadores não tinham direito a coisa alguma.

Portanto, qualquer pessoa que se dê ao trabalho de rememorar e de relembrar, de forma elogiosa, a tal movimento golpista, equivocadamente chamado de 'Revolução Constitucionalista' (não foi nem uma coisa e nem outra), e que possuía uma natureza contra-revolucionária e reacionária, estará defendendo um movimento político que tinha um caráter notoriamente retrógrado. E mesmo que não saiba disso, tal pessoa estará manifestando clara simpatia pelo que havia de mais atrasado, primitivo e pré-histórico na sociedade brasileira daquela época.

Por isso, não há nada como conhecer a própria história.


Links:

História do Sindicalismo no Brasil:

http://www.sintet.ufu.br/sindicalismo.htm

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com/2011/08/governo-lula-da-continuidade-aos.html

Vargas e o movimento popular:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=739

Getúlio e Lula - O mesmo combate:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=524

Revolução de 30 reconheceu direitos políticos e sociais dos trabalhadores:

http://meuartigo.brasilescola.com/historia-do-brasil/a-era-vargas-revolucao-30-estado-novo.htm

A eleição para a Assembléia Constituinte de 1933-1934:

http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos30-37/Constituicao1934

Nenhum comentário: