sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Obama, os Republicanos e a decadência dos EUA! - por Marcos Doniseti!

Obama, os Republicanos e a decadência dos EUA! - por Marcos Doniseti! 

texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 09/04/2011 

Vejam o comentário ridículo que um leitor direitista fez no blog do Nassif:


"os republicanos mostram como ser oposição, equilibrando as finanças". Wittmann

Adorei a piada... Agora conta a do papagaio, vai!

Quando o Democrata Bill Clinton assumiu a Presidência dos EUA ele encontrou um déficit público anual de US$ 220 bilhões, herdado do Republicano George Bush pai.

Daí, quando ele saiu do governo, deixou para o Republicano Bush Jr um SUPERÁVIT PÚBLICO anual de mais de US$ 300 bilhões.

Inclusive, o grande debate nos EUA naquela época era o que o país deveria fazer com esse dinheiro do superávit, cuja previsão era de que alcançaria os US$ 3 Trilhões em 10 anos.

Daí, Greenspan e Bush Jr se aliaram para destruir com este superávit e o transformaram num déficit público anual superior a US$ 300 bilhões ainda no 1o. mandato de Bush Jr.

Para completar a obra, Bush Jr deixou um déficit público anual superior a US$ 1,5 Trilhão para o pobre coitado do Obama, que não tem aonde cortar, de fato, para reduzir tal déficit. Explicando:

a) Cortar nas guerras e no orçamento militar não dá, pois seria suicídio político-eleitoral, visto que os gastos armamentistas dos EUA são uma das suas principais fontes de lucro (para a indústria armamentista e para Wall Street, que financia tais gastos) e de crescimento.

b) Cortar na Seguridade Social e nos programas Medicare/Medicaid também não dá, pois os aposentados se voltariam contra o seu governo e a saúde privada americana é inacessível para quase 50 milhões de pessoas. Tantos estes 50 milhões, como os 'velhinhos', são potenciais eleitores. A participação dos idosos nas eleições americanas é altíssima e o voto deles é decisivo. Quem contrariar a vontade deles, dança.

Além disso, a geração 'baby boomer' começou a se aposentar em 2008 e durante os próximos 20 anos irá pressionar fortemente os gastos com Seguridade Social e Saúde Pública. Quem retirar direitos e benefícios deles, irá se deparar com a vingança dos mesmos na hora do voto.

c) Cortar o déficit público também não dá, pois retiraria o principal estímulo para recuperar a economia do país neste momento. Se com um déficit público anual de 10% do PIB a economia do país não cresce sequer 3%, o que acontecerá se ele for reduzido drasticamente? O país mergulhará na recessão, é claro.

d) Manter um déficit público tão elevado (de 10% do PIB, herança maldita de Bush Jr) também é muito arriscado. Mais cedo do que tarde, os credores do Estado ianque irão exigir juros maiores para financiar seus gastos e seu déficit. Com isso, o país não crescerá ou crescerá muito pouco. Logo, a arrecadação do Estado não subirá e o déficit público permanecerá elevado.

d) Somente um crescimento econômico robusto poderia resolver os problemas principais da economia ianque (desemprego elevado, economia na base do 'devagar, quase parando', déficit público gigantesco de quase 10% do PIB). Mas, como fazer isso e, ao mesmo tempo, reduzir o déficit público? Sem chance.

A solução seria a adoção de medidas como o aumento do valor do salário mínimo, concessão de reajustes salariais maiores para os trabalhadores de menor renda, aumento dos gastos sociais públicos, um substancial programa de ajuda aos que fizeram empréstimos imobiliários e que, agora, estão virtualmente falidos e, logo, sem condições de voltar a consumir.


Obama deveria ter adotado tais medidas logo no início do seu governo, nos dois primeiros anos de mandato, quando ainda tinha um capital político elevado e possuía maioria absoluta no Congresso. Não o fez, decepcionou o seu eleitorado, principalmente os jovens, e agora paga o preço disso, estando enfraquecido no Congresso e com uma popularidade bem inferior ao do começo de mandato, embora a mesma tenha voltado a crescer nos últimos meses.

Além disso, um programa como esse é tudo o que Wall Street e os Republicanos, agora majoritários no Congresso, rejeitam.

Logo, tais políticas sociais e inclusivas, agora, são inviáveis politicamente.

Com isso, o impasse político aprofundará ainda mais a crise nos EUA, prolongando a estagnação e acelerando a decadência, mais do que evidente, do país.

Obama pode ter jogado fora o seu governo nos dois primeiros anos de mandato. Mas, mesmo assim, dificilmente deixará de ser reeleito, pois os pré-candidatos dos Republicanos são de uma mediocridade absurda. Perto deles, Obama é um gigante político.

Mas, se mantiver a atual linha política, dificilmente o segundo mandato será muito melhor do que o primeiro. Será ‘mais do mesmo’.

Pobre Obama...

Link:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/obama-corta-orcamento-na-carne#comment-427029

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