sábado, 7 de janeiro de 2012

Povo brasileiro não dá a mínima para a brigalhada política - por Marcos Doniseti!

Povo brasileiro não dá a mínima para a brigalhada política - por Marcos Doniseti!


Já vi, na Internet, várias pessoas criticarem a suposta inaptidão da presidenta Dilma para promover articulações políticas. 

Bem, o fato concreto, e que é do conhecimento até do mundo mineral, como diria Mino Carta, é que Dilma não gosta de tratar desse ‘varejo político’, desse trololó com líderes políticos, desse eterno tomaládacá da política miúda, que é uma característica da política partidária no mundo inteiro e que, no Brasil, é exacerbado, chegando aos ‘píncaros da glória’, devido à inexistência de fidelidade partidária e à hiper-fragmentação da representação partidária no Congresso Nacional, com quase 20 partidos com congressistas eleitos.

Dilma nunca fez isso, em toda a sua trajetória política, e não gosta de fazê-lo. Ela nunca teve esse perfil de articuladora política. O perfil da presidenta é o de uma administradora (brilhante, por sinal) e que tem um forte perfil de liderança, mas que nunca gostou de se envolver com articulações políticas.

E qual é o problema quanto a isso? Nenhum, oras, desde que tenhamos pessoas que façam esse trabalho de articulação política em nome dela e pelo seu governo, que é o que acontece, na prática.

Daí, o fato de que ela deixa para outras pessoas do seu governo, ou de fora dele (caso do presidente Lula), em alguns momentos, a tarefa de cuidar das articulações políticas.

Enquanto isso, o presidente Lula é um mestre nisso, entende tudo de articular policamente e, mais importante, ele gosta de fazer isso. Lula respira política. Dilma, não.

Além disso, não se pode esquecer que foi o então presidente Lula, e não Dilma, quem articulou essa grande coalizão partidária que deu sustentação à candidatura presidencial dela e que, agora, apóia o seu governo.

Daí, ser algo perfeitamente normal e natural que, em situações mais críticas, Dilma peça a colaboração do presidente Lula para resolver problemas mais graves relativos à articulação política do governo.

Tal iniciativa não diminui em nada a autoridade da presidenta Dilma, afinal as articulações políticas são feitas sob a sua autoridade e com o seu apoio.

Até porque, a articulação política do governo Dilma, em seu primeiro ano, colecionou inúmeras vitórias no Congresso Nacional. E mesmo tendo problemas com as demissões de alguns ministros , de vários partidos, a base política-partidária do governo continua unida em torno do seu governo. 

Aliás, se fizermos uma pesquisa perguntando aos brasileiros quais os nomes dos ministros demitidos por Dilma em 2011, duvido que as pessoas consigam se lembrar de pelo menos três.

Vamos fazer um teste mental rápido: Sem procurar no Google, tentem se lembrar (caros leitores deste modesto blog) do nome do ministro da Agricultura que foi demitido por Dilma. E o sucessor dele, como se chama? Viu só como eu estava certo...

Não é surpresa, portanto, que mesmo com todo o noticiário midiático negativo sobre o seu governo, Dilma terminasse 2011 com um índice de aprovação pessoal de 72%, o maior da história para um (a) presidente (a) da República em seu primeiro ano de mandato.

O mais importante, porém, é que a população, na sua imensa maioria, está se lixando para a brigalhada política-partidária, fortemente presente no noticiário midiático e na Internet, principalmente nas redes sociais e nos blogs, e está muito mais preocupada com o seu bem-estar, com a melhoria das suas condições de vida.

Isso ajuda a explicar, inclusive, porque a popularidade de Lula, e agora, de Dilma permanecem tão elevadas mesmo com um noticiário político tão negativo. É que as pessoas estão se lixando para toda essa brigalhada política.

Aliás, isso é uma coisa que eu já venho dizendo e há muitos anos.

Inclusive, observo esse desprezo da população pela escandalização da política nas minhas relações com amigos e conhecidos, que não dão a mínima para essas denúncias e acusações contra ministros disso ou daquilo, acusações de corrupção contra 'fulano, beltrano e sicrano'.

Lembro-me que, numa ocasião, na época da campanha presidencial de 2010, no auge do noticiário a respeito da “quebra do sigilo do Eduardo Jorge”, quando não se falava de outro assunto na Grande Mídia e na Internet, eu estava almoçando com outros sete colegas de trabalho e perguntei a eles quem sabia alguma coisa sobre o Eduardo Jorge.

Ninguém soube responder e isso aconteceu depois de umas três semanas, pelo menos, em que a Grande Mídia não falava de outro assunto.

A pessoa que chegou mais perto da resposta correta perguntou: ‘Esse Eduardo Jorge não é o vice do Serra?”…

Isso comprova que todo esse noticiário midiático a respeito de conflitos e escândalos políticos é solenemente ignorado pela quase totalidade da população. Essas baboseiras sobre conflitos políticos, quedas de ministros, acusações disso ou daquilo, entram todas por um ouvido das pessoas e saem, rapidamente, pelo outro.

Ninguém liga a mínima para todas essas baboseiras, pois não são assuntos diretamente relacionados à vida das pessoas como são, por exemplo, a questão da educação, do saneamento básico, do transporte coletivo, das enchentes,  da segurança pública, dos congestionamentos, entre outros que, de uma forma ou de outra, afetam a vida da população. 

A Grande Mídia golpista somente não descobriu isso, ainda, porque ela é comandada por um bando de fanáticos e de reacionários que vive numa realidade paralela e que não tem nada a ver com a vida dos cidadãos comuns.

Quem sabe, um dia, eles descobrem a América e passam a perceber que a população está preocupada com a sua própria vida e não com essa brigalhada política que sempre existiu e que sempre existirá.


Links:

Com 72% de aprovação, Dilma é mais popular que Lula e FHC:

http://200.189.161.92/pt/247/poder/30522/Com-72-Dilma-%C3%A9-mais-popular-que-FHC-e-Lula.htm

Dilma coleciona vitórias no Congresso; 2012 terá oposição acuada:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19285

Brasileiros estão mais otimistas, mostra IPEA:

http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=12791&Itemid=2

Nenhum comentário: