segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PSDB transforma São Paulo em uma Ditadura neofascista!- por Marcos Doniseti!

PSDB transforma São Paulo em uma Ditadura neofascista!- por Marcos Doniseti!



A brutal repressão desencadeada pelo governo tucano de Geraldo Alckmin aos movimentos sociais (de estudantes, moradores em áreas abandonadas, de usuários de drogas, sem-terra, entre muitos outros) em sua atual gestão mostram, claramente, que o PSDB decidiu que não pode perder o apoio do eleitorado de Direita, conservador, do estado de SP.

A própria sobrevivência do PSDB está sob sério risco caso o partido perca o controle do governo do estado de SP na próxima eleição, daqui a dois anos, em 2014.

A hegemonia tucana entre esses eleitores conservadores paulistas vem desde o brutal enfraquecimento pelo qual passaram os ex-governadores Paulo Maluf e o já falecido Orestes Quércia.

E a partir de 1995, com a posse de Mário Covas no governo do estado de SP, o PSDB passou a ter a clara preferência do eleitorado de Direita paulista que, anteriormente, votava em políticos bastante conservadores, como Ademar de Barros, Jânio Quadros, Maluf e Quércia.

Este domínio tucano entre o eleitorado direitista de SP se deu principalmente depois que o governo de FHC também promoveu uma brutal repressão aos movimentos sociais durante a sua gestão, o que resultou, entre outros fatos deprimentes, na repressão à greve dos petroleiros, em 1995, e no massacre de Eldorado dos Carajás, em 1997.

No caso do estado de SP, mesmo o então governador Mário Covas, que tinha um passado político mais progressista, tendo sido, inclusive, cassado pela Ditadura Militar quando era deputado federal, por suas críticas à mesma, acabou adotando uma política extremamente conservadora com relação aos movimentos sociais, escolhendo o caminho da repressão, em vez do diálogo e da tentativa de se chegar a acordos com os mesmos. 

Um exemplo perfeito dessa escolha foi a greve dos professores, em 1995, quando Covas recusou-se a dialogar com as entidades representativas dos professores paulistas e chegou, até, a entrar em choque com os professores estaduais acampados em frente à secretaria da Educação. 

Essa postura de Covas, logo no início do seu governo, mostrava que o PSDB já não sabia mais, ou não queria, dialogar com os movimentos sociais.



Nos anos seguintes, essa repressão se intensificou e resultou numa política cada vez mais violenta e de recusa ao diálogo com os principais movimentos sociais do país, seja, de sem-terra, sem-teto, ocupantes de áreas urbanas abandonadas, trabalhadores assalariados, estudantes, etc. 

Portanto, há todo um histórico de repressão por parte dos governos do PSDB desde que o mesmo chegou ao poder, em 1995, com as vitórias de FHC na eleição presidencial e de Covas no governo do estado de SP, bem como de outros tucanos em MG, RJ, PA, GO, entre outros estados. 

Desta maneira, o PSDB se transformou num partido fortemente Conservador, retrógrado, direitista e passou a agir, com os movimentos sociais, exatamente da mesma maneira como a Ditadura Militar o fazia: recusa ao diálogo, criminalização e repressão indiscriminada aos movimentos sociais.  

A criminalização dos movimentos sociais, cujos integrantes, na visão dos tucanos, são todos baderneiros e agitadores, é uma característica marcante do PSDB atual. Os tucanos paulistas passaram a atuar de maneira que em nada os diferencia de outros partidos e movimentos de Extrema-Direita, neofascistas ou neonazistas. 

Não foi à toa, aliás, que na última campanha eleitoral o tucano José Serra tenha sido escolhido como o candidato do partido à presidência da República, pois o seu governo no estado de SP se adotou a mesma política de repressão e de criminalização dos movimentos sociais que vinha desde os governos de FHC e de Covas. Essa política foi adotada em relação aos estudantes, professores e até com relação aos policias, o que quase gerou uma guerra civil entre a PM e a Polícia Civil do estado.

 
Durante a campanha presidencial de 2010, Serra fez uso, inclusive, de um discurso flagrantemente reacionário com relação aos movimentos sociais e extremamente conservador com relação aos temas de sua campanha. Seu discurso religioso foi tão forte e presente na campanha eleitoral que em determinado momento ficou-se na dúvida: Afinal, Serra era candidato à presidente da República ou a Papa? Será que ele queria se transformar no primeiroAiatolá tupiniquim?

Agora, no governo Alckmin, vemos a continuidade dessa política do PSDB de criminalizar os movimentos sociais e os segmentos populares da sociedade. Isso ficou patente quando seu governo decidiu reprimir os estudantes da USP, os usuários de crack e, agora, os moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos. 

Desta maneira, o atual governador tucano de SP mostra para o eleitorado conservador e de direita do 'Texas brasileiro' que ele não mudou em um milímetro sequer a política de criminalizar e de reprimir os movimentos sociais e que os reacionários paulistas podem continuar confiando totalmente nele para dar sequência à tal política.

O PSDB paulista enfrenta, na eleição municipal deste ano, um sério problema na capital paulista, que é a virtual ausência de um candidato suficientemente forte e que tenha chances reais de vitória. Com a desistência de Serra, que é rejeitado por 35% dos paulistanos, não sobrou nenhum nome tucano de expressão para disputar a eleição paulistana. Com isso, as chances de uma derrota humilhante por parte do PSDB cresceram fortemente.

E isso acontece por vários motivos, como o fato do PT ter escolhido Fernando Haddad, ministro da Educação por seis anos e em cuja gestão deixou muitos marcas e realizações importantes, como são o caso do ProUni, do SISU, do ENEM, da construção de 14 universidades federais e de 214 escolas técnicas federais.

Além disso, pesquisas recentes, como a do Datafolha, mostram que o presidente Lula terá um papel decisivo na eleição deste ano, pois 48% dos eleitores paulistanos dizem que poderão votar em um candidato apoiado por ele. 

Logo, mesmo sendo inexperiente em campanhas eleitorais e quase que totalmente desconhecido pelo eleitorado paulistano, o fato concreto é que Haddad terá grandes chances de vitória. No mínimo, ele deverá ir para o 2o. turno tendo alcançado uma grande votação no primeiro turno da disputa. 


Além disso, o atual prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, se propõe a fazer uma aliança com Haddad, pela qual ele  indicaria o vice-prefeito do candidato petista. E daí, em 2014, na eleição para o governo do estado, Kassab e o PT estariam novamente juntos.

Caso essa aliança venha a se formalizar, o PSDB estará correndo o sério risco de perder as duas eleições, tanto na capital paulista em 2012, como para o governo do estado em 2014.

Afinal, Kassab consegue atrair para si o apoio de uma parcela expressiva dos eleitores conservadores da capital e do estado, conquistando muitos votos que, normalmente, se destinariam aos candidatos do PSDB. Aliás, foi isso que aconteceu na última eleição para a prefeitura de SP, onde os bairros paulistanos mais ricos, que sempre votam em candidatos de Direita, votaram maciçamente em Kassab. Neles, o atual prefeito de SP chegou a obter até 80% dos votos válidos, em alguns casos.

E é neste cenário de crescimento de Kassab, que ameaça conquistar uma parte do eleitorado conservador paulista, e do virtual enfraquecimento do PSDB no estado de SP, que não tem nenhum candidato forte para a eleição paulistana em 2012 e com um José Serra fortemente desgastado, que o governo de Alckmin intensificou a política de criminalização e de repressão aos movimentos sociais e aos setores populares da sociedade.

Os eleitores conservadores adoraram essa política repressiva e não se cansam de defendê-la publicamente, inclusive nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.

Com isso, os tucanos acreditam que poderão evitar uma grande perda de votos conservadores para Kassab nas duas próximas eleições, neste ano e em 2014. É como se o PSDB estivesse adotando uma política de demarcação de território e dizendo algo como "os eleitores conservadores de SP são nossos".

Desta maneira, o PSDB pensa que poderá enfraquecer Kassab, impedindo que o mesmo conquiste votos do eleitorado mais conservador.

Até porque, por mais conservador que seja o atual prefeito paulistano, é literalmente impossíve para ele conseguir competir com os tucanos em matéria de repressão e de criminalização dos movimentos sociais e dos segmentos populares. 

Afinal, para concorrer com o PSDB, hoje, neste aspecto, somente conseguiriam isso ditadores genocidas e assassinos como Hitler, Pinochet, Somoza, Médici e Mussolini, mesmo. Mais ninguém.

O PSDB sabe  que a sua sobrevivência política, inclusive como um partido de alcance nacional, depende fundamentalmente de manter o governo do estado de SP sob o seu controle. 


Sem o governo de SP em suas mãos, o PSDB iria se esvaziar rapidamente e caminharia para se tornar um partido cada vez menor. Provavelmente, caminharia para a extinção.

Assim, é neste sentido, de preservar a sua hegemonia junto ao eleitorado conservador no estado de SP e garantir a hegemonia no estado, que deve ser compreendida a escolha de intensificar a política de criminalização e de repressão aos movimentos sociais e aos segmentos populares da sociedade.

Essa política, como vimos aqui, não começou hoje, mas ela se tornou essencial para garantir a hegemonia dos tucanos no estado de SP. E dela depende, hoje, a sobrevivência do próprio PSDB enquanto partido nacional.

Triste fim, esse, o do PSDB: Em vez de um partido social-democrata moderno, de Centro-Esquerda, defensor da democracia, dos direitos humanos e da justiça social, ele transformou-se num partido reacionário, neofascista, de extrema-direita, e cujo discurso e políticas que adota, hoje, refletem essa escolha feita já há muitos anos e que, agora, está sendo reforçada para evitar o naufrágio do partido.

Links:

Serra reprime professores paulistas em greve:

http://www.youtube.com/watch?v=_0OVc7fHLFw

Massacre de Eldorado dos Carajás em 1997:

http://www.abcdeluta.org.br/materia.asp?id_CON=544

Mário Covas entra em choque com os professores paulistas em 1995:

http://www.youtube.com/watch?v=wIFy-OuZVFg

Kassab propõe aliança com o PT em SP para eleição de 2012 e 2014:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1031724-gilberto-kassab-propoe-alianca-com-pt-em-sao-paulo.shtml

A repressão tucana no Pinheirinho em 2012:

http://www.youtube.com/watch?v=D-vUahC2QA4

http://www.youtube.com/watch?v=ZwRITkDD02Y&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=kWaCCk7gvF4&feature=related

A greve dos petroleiros em 1995:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/quem-usou-o-exercito-para-reprimir-petroleiros.html


Governo Alckmin reprime moradores pobres do Pinheirinho:

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=23644:pinheirinho-governo-paulista-ignora-federacao-e-barbariza-contra-mais-de-7-mil-moradores&catid=257:repressom-e-direitos-humanos&Itemid=131

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