quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Revolução Cubana e o Imperialismo dos EUA! - por Marcos Doniseti!

A Revolução Cubana e o Imperialismo dos EUA! - por Marcos Doniseti!

É impossível entender a situação cubana sem levar em consideração o histórico das relações com os EUA. Estes, na prática, impediram a Independência de Cuba, em 1898, quando interferiram na Guerra de Independência do país contra a Espanha. 
 
E depois disso, os EUA ainda construíram a Base Naval de Guantanámo e impuseram aos cubanos a Emenda Platt (que tem esse nome porque foi elaborada por um Senador dos EUA chamado… Platt) adicionada à Constituição de Cuba contra a vontade dos cubanos, e que garantia o direito dos EUA invadir Cuba sempre que os interesses dos EUA fossem contrariados. 

Depois disso, os EUA ainda promoveram várias intervenções militares em Cuba.

Com a Política de ‘Boa Vizinhança’ de Roosevelt, a partir de 1934, os EUA retiraram os soldados que ocupavam o país, mas mantiveram a Base de Guantánamo e colocaram no poder um grupo de militares cujo líder mais importante era Fulgêncio Batista. Este, deu um Golpe de Estado, em 1952, que explicitou o caráter ditatorial do regime cubano. 

Tal ditadura foi integralmente apoiada e financiada pelo governo dos EUA e pelas grandes empresas multinacionais da terra de Tio Sam que dominavam quase que inteiramente a economia cubana, principalmente a produção e exportação de açúcar para os… EUA.
 
A Revolução Cubana não foi, de fato, Socialista, mas ‘Nacional-Libertadora’, e visava, fundamentalmente, recuperar a independência pela qual o povo cubano lutou e que os EUA impediram que se concretizasse após intervir na Guerra de Independência de Cuba, em 1898, liderada por José Martí, grande intelectual e líder político e revolucionário cubano que sempre exerceu uma grande influência sobre Fidel Castro.


E sem falar da Máfia ianque, que, antes da Revolução, faturava centenas de milhões de dólares em Cuba explorando o jogo, a prostituição e o tráfico de drogas.

Depois da vitória da Revolução Cubana, em 1959,  cujo programa era reformista e nacionalista e não socialista como, equivocadamente, se pensa, os EUA adotaram uma política de desestabilização que visava derrubar o governo revolucionário. 

Isso culminou na Invasão da Baía dos Porcos, cujos invasores foram treinados, equipados e financiados pela CIA e após o fracasso da mesma, a CIA organizou atentados terroristas praticamente diários na Ilha e que faziam parte de um plano (’Operação Moongoose’) comandado secretamente por Robert Kennedy, então Procurador-Geral do governo do seu irmão.

O Bloqueio Econômico começou a ser adotado já em 1960, bem como o plano da invasão da Baía dos Porcos também começou a ser elaborado e colocado em prática neste mesmo ano, em pleno governo Eisenhower, do Partido Republicano. 

Ambas as políticas, de bloqueio econômico e invasão, são anteriores, portanto, à vitória de John Kennedy na eleição presidencial e à sua posse como o novo presidente dos EUA, no início de 1961. Quando isso aconteceu, os planos para invadir Cuba já estavam prontos e bastava a ordem de Kennedy para que a mesma se concretizasse. 

Tal política, extremamente agressiva, dos EUA contra a Revolução Cubana é que levou Fidel declarar o caráter Socialista da Revolução… Isso, aliás, aconteceu apenas com a invasão da Baía dos Porcos, em 1961), ainda no governo Eisenhower.


O fechamento político do regime cubano foi, portanto, uma reação do governo revolucionário às políticas imperialistas e de interferência do governo dos EUA nos assuntos internos de Cuba, políticas estas que vinham desde o século XIX e que representavam uma clara violação dos princípios estabelecidos pela ONU no pós-guerra, que pregam o respeito à autodeterminação dos povos. 

Paradoxalmente, a Carta da ONU foi, basicamente, elaborada pelo governo de Franklin D. Roosevelt. Mas, depois da 2a. Guerra Mundial, nenhum país a violou e a desrespeitou mais do que os próprios EUA.

Portanto, como foram os EUA os grandes responsáveis por provocar o fechamento político do regime cubano, também cabe aos EUA tomar as medidas necessárias para que o governo da Ilha caribenha possa iniciar um plano de liberalização da vida política do país.

Entre estas medidas, estão:

1) Fim do Bloqueio Econômico;

2) Fechamento da Base de Guantánamo;

3) Respeito à autodeterminação de Cuba.

Sem que os EUA (que, como vimos, tanto interferiram em Cuba ao longo da história da Ilha) tomem tais medidas, é pura hipocrisia exigir do governo cubano qualquer atitude que leve a uma maior liberalização política da Ilha.

Foram os EUA que forçaram o governo cubano a fechar politicamente o país. E cabe aos EUA, portanto, tomar as medidas que criem as condições necessárias para que se promova a liberalização política da Nação caribenha.

Fora disso, não há solução. Quem pensa o contrário, ou é ingênuo ou nada sabe a respeito da história das relações entre os EUA e Cuba.

link:
Moniz Bandeira e a Revolução Cubana:

http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-wikileaks-de-moniz-bandeira.html

Nenhum comentário: