quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Revolução Cubana, os EUA, a Emenda Platt, a Máfia e a Ditadura de Fulgêncio Batista!- por Marcos Doniseti!

A Revolução Cubana, os EUA, a Emenda Platt, a Máfia e a Ditadura de Fulgêncio Batista!- por Marcos Doniseti!

(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 29/11/2009; atualizado no dia 04/01/2012)


Um leitor do blog do Nassif, chamado Francisco Venancio, escreveu um ótimo texto sobre a política externa por lá e eu decidi comentar um trecho do mesmo e, daí, escrevi o seguinte texto em resposta para ele. Vamos lá, então:
 

"Cuba e Irã realizaram golpes contra ditaduras apoiadas pelos EUA há mais de 50 anos no caso cubano e 30 anos no caso iraniano. Cuba nunca conheceu um regime democrático e o Irã não conhece um a mais de 55 anos." (por Francisco Venancio)
 

R - Na verdade, Cuba e Irã não realizaram 'golpes' contra ditaduras, mas Revoluções populares, que possuíam um forte caratér nacionalista, para se obter uma autêntica e verdadeira independência nacional.

A Revolução Cubana derrubou uma Ditadura apoiada e financiada pelos EUA, a de Fulgêncio Batista, que se instalara no poder em 1952, através de um Golpe de Estado, implantou um regime corrupto, brutal e repressivo no país e ainda se associou à Máfia norte-americana na exploração do jogo, da prostituição e do tráfico de drogas.

A economia cubana era quase que totalmente dominada pelos EUA, principalmente o setor açucareiro, que era a grande fonte de riqueza do país na época. Inclusive, a produção de açúcar cubana se destinava, inteiramente, a abastecer o mercado dos EUA. 



Logo, existia uma brutal dependência da economia cubana em relação aos EUA.


E nos demais setores da economia cubana o quadro não era diferente, com domínio quase que total dos investimentos estadunidenses, como a Coca-Cola, a Texaco, etc. 


E Cuba ainda sofreu, desde 1898, a interferência dos EUA nos seus assuntos internos. Na época, os cubanos lutavam pela sua independência, contra a Espanha, e os norte-americanos entraram na guerra, ao lado dos cubanos, ajudando a expulsar os espanhóis da Ilha caribenha. 


Porém, esta 'ajuda' teve um alto preço para o povo cubano, pois os EUA passaram a determinar o tipo de governo que deveria ser implantado no país. 


Assim, Cuba trocou uma relação de dependência e de subordinação, com a Espanha, por outra, com os EUA. E é claro que isso gerou uma imensa raiva e uma grande frustração por parte de uma parcela significativa do povo cubano.

Os EUA chegaram ao extremo de incluir na Constituição cubana da época um artigo que permitia que os EUA invadissem a Ilha sempre que os seus interesses fossem contrariados. Foi a chamada "Emenda Platt"... Platt foi o nome do Senador dos EUA que elaborou a emenda.


Além disso, os EUA construíram, sem pedir nenhuma autorização ao povo ou ao governo cubano, uma base naval em Guantánamo, que existe até os dias atuais e na qual há uma prisão para onde os EUA levam os seus inimigos, principalmente aqueles que são considerados, pelo governo ianque, como sendo 'terroristas', pois ali a tortura é uma prática liberada.

E de fato Cuba sofreu várias intervenções militares dos EUA durante várias décadas. Era a época da chamada política do 'Big Stick' ou o 'Grande Porrete'. O nome desta política já mostra do que se tratava e da maneira como os EUA se relacionavam com os países vizinhos da América Central e do Caribe.


Assim, os marines (Fuzileiros Navais) dos EUA foram largamente empregados em intervenções militares diretas em um grande número de países da América Central e do Caribe, como: Haiti, Cuba, Nicarágua, Honduras, etc.

Depois, com Roosevelt, e em função das mudanças no cenário internacional na década de 1930 (a ascensão do Nazismo na Alemanha e o Imperialismo do Japão) os EUA adotaram a chamada política da 'Boa Vizinhança', interrompendo as intervenções militares na região, mas passando a instalar no poder governos direitistas apoiados nas Forças Armadas e nas classes empresariais locais. 


Isso deu origem à várias ditaduras, algumas delas bastante duradouras, como a da família Somoza na Nicarágua (que governou o país como se fosse sua propriedade particular durante 43 anos - 1936 a 1979 - e com o total apoio dos EUA), a de Trujillo na República Dominicana e assim por diante.


Aliás, sobre Rafael Trujillo, ditador da República Dominicana e que foi um dos mais brutais da história latino-americana, conta-se a seguinte história: Diz-se que um assessor de Franklin D. Roosevelt começou a fazer um relato sobre os crimes e atrocidades que Trujillo cometia em seu país... Roosevelt comentou o seguinte: 'É, o Trujillo é um FDP... Mas é o nosso FDP' (abaixo, na foto, Trujillo abraça Nixon).



Assim, para os EUA, pouco interessava se os governos da região eram ditaduras brutais e corruptas... O que importava é que tais ditadores eram aliados dos EUA. E ponto final.

Logo, a afirmação de que Cuba nunca teve um governo democrático é absolutamente correta. 


Aliás, a época em que mais tivemos democracia e liberdade em Cuba foi no período 1959/1961, nos dois primeiros anos do governo de Fidel Castro, ou seja, até antes da Invasão da Baía dos Porcos.

Mas, os EUA aproveitaram estas liberdades para organizar centenas de atentados contra Cuba, atingindo principalmente alvos econômicos, com o objetivo de desestabilizar e de derrubar o governo de Fidel, além de tentar assassinar o líder cubano centenas de vezes .

Foi em função do Bloqueio Econômico, da Operação Mongoose e da Invasão da Baía dos Porcos que Fidel decidiu fechar o regime e implantar um governo que passou a não tolerar mais a existência de oposição organizada no país. 



Assim, os EUA tiveram um papel fundamental na implantação de regimes autoritários em Cuba, tanto antes, quanto depois da Revolução Cubana de 1959.

A Revolução Cubana, originalmente, tinha um programa de libertação nacional, visando recuperar, para os cubanos, o controle da economia e do governo do país, rompendo com a hegemonia quase total dos EUA na Ilha, bem como a promoção de reformas sociais (reforma agrária, investimentos em saúde e em educação pública, nacionalização da economia do país) que melhorassem as condições de vida dos trabalhadores e dos pobres cubanos, principalmente da área rural do país, onde a miséria era imensa.


Entre os líderes revolucionários cubanos, apenas Che Guevara e Raúl Castro eram comunistas, de fato. Os demais eram reformistas e nacionalistas, incluindo Fidel.

Como parte integrante da sua política de isolar Cuba, os EUA pararam de comprar o açúcar cubano e pressionaram todos os países da América a romper relações diplomáticas com a ilha caribenha e ainda expulsaram Cuba da OEA. 


Logo, foi a agressividade da política norte-americana contra o governo revolucionário, isolando Cuba da comunidade internacional, que levou o país de Fidel a buscar apoio de outros países.

Assim, tal política de isolamento, adotada pelos EUA contra Cuba, foi um fracasso completo e acabou jogando o país de Fidel 'nos braços' da URSS.

E foi justamente por isso que o país se tornou Socialista, pois necessitava do apoio de um outro país que passasse a fornecer ajuda econômica e militar, pois os EUA haviam imposto um brutal Bloqueio Econômico e que, inclusive, dura até os dias atuais. 

link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/revolucao-cubana-os-eua-emenda-platt-e.html

A CIA e as suas centenas de tentativas de matar Fidel Castro:


http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/797371-cia-planejou-envenenar-fidel-com-charutos-e-bacteria-leia-trecho.shtml


Operação Mongoose:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Mongoose

Nenhum comentário: