quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Serra, Alckmin, a eleição paulistana e o futuro do PSDB! - por Marcos Doniseti!

Serra, Alckmin, a eleição paulistana e o futuro do PSDB! - por Marcos Doniseti!



A notícia, divulgada hoje, de que Serra não será candidato à prefeito de SP neste ano mostra que, pelo menos desta vez, o ex-presidenciável tucano de 2010 foi esperto.

Afinal, ele não teria nada a ganhar com a sua candidatura.

Primeiro, porque as suas chances de vitória seriam muito reduzidas, dada a sua imensa rejeição (de 35%) devido ao fato de não ter cumprido com a promessa de terminar o mandato anterior na prefeitura paulistana (compromisso assumido em cartório, aliás).

Na verdade, a única chance de Serra se eleger prefeito da capital paulista seria que Marta fosse candidata, pois a petista também tem um elevado índice de rejeição, apesar de ter feito um ótimo governo, principalmente nas periferias da cidade, com muitos investimentos em educação (com os CEUs), combate à enchentes (seu governo construiu  metade dos piscinões que existiam ao final do seu mandato), programas sociais (implantou o Renda Mínima na cidade, beneficiando cerca de 240 mil famílias carentes), em transporte coletivo, principalmente, na qual renovou quase toda a frota de ônibus da cidade e reorganizou inteiramente o sistema de transporte municipal, adotando o Bilhete Único.

Além disso, o governo de Marta saneou as contas públicas municipais, recuperando a capacidade de investimentos da prefeitura paulistana, mesmo administrando a cidade em uma época de crise econômica e de estagnação da economia brasileira, coma arrecadação de impostos sendo totalmente insuficiente para se atender às necessidades básicas da população paulistana.

Hoje, entretanto, temos uma situação radicalmente distinta, pois o crescimento econômico acumulado pelo Brasil desde 2004 elevou fortemente o valor do orçamento da prefeitura de SP, cujo valor em 2012 chega a R$ 39 bilhões, mais do que o triplo do valor de 2004, que foi o último ano de governo de Marta.


No entanto, com a saída de Marta e a escolha, pelo PT (diga-se: por Lula) de Fernando Haddad como candidato, Serra ficou em maus lençóis, pois corria o sério risco, tal como aconteceu na eleição presidencial de 2010, de ser derrotado por um candidato novato (no caso de Dilma, uma novata, é claro), sem nenhuma trajetória ou histórico de política eleitoral.

Se isso funcionou com Dilma, deve ter pensado o presidente Lula, porque não pode dar certo também com Haddad? O tempo, e o voto dos eleitores paulistanos, dirá se a avaliação de Lula estava certa ou não.

Mas, como o Datafolha mostrou, em sua mais recente pesquisa... ver link abaixo) que 48% dos eleitores paulistanos pode votar em um candidato apoiado pelo presidente mais popular da história brasileira, as chances de que a estratégia de Lula dê bons resultados é muito grande.

E como ministro da Educação, Haddad tem ótimas bandeiras para divulgar em sua campanha, como o ProUni, o ENEM,  a construção de 14 universidades federais e de 214 novas escolas técnicas federais, o Pronatec e o SISU, além do programa Ciência Sem Fronteiras, que levará 100 mil estudantes brasileiros para universidades estrangeiras.


Com uma nova derrota, bastante provável, devido à sua rejeição elevada na capital paulista, para outro candidato desconhecido, a carreira política de Serra estaria definitivamente encerrada, abrindo caminho para que a disputa interna, entre os tucanos, pela escolha do candidato à presidente pelo PSDB em 2014 ficasse restrita à Alckmin e Aécio.

O atual governador paulista não é ainda, declaradamente, candidato à presidente, mas é claro que deseja esta nova chance. E justamente por isso tem procurado se aproximar do governo Dilma, fechando acordos com o governo federal em torno de programas como o Brasil Sem Miséria e o Minha Casa Minha Vida, para que, futuramente, sua eventual candidatura à presidente da República não seja vista, pelo eleitorado brasileiro, como uma ameaça à continuidade de tais projetos. 

Porém, o PSDB paulistano não tem um candidato forte à sucessão de Kassab e os pré-candidatos que se apresentaram até agora não entusiasmam nem o próprio partido. Assim, existe uma grande chance de que os tucanos sejam derrotados na eleição municipal deste ano.

E com Serra fora da disputa, todas as consequências de uma eventual derrota dos tucanos recairá sobre Alckmin, o que poderá enfraquecê-lo na disputa com Aécio (e, na verdade, com o próprio Serra, que sonha em ser, de novo, o candidato tucano à presidente em 2014) pela candidatura do PSDB à presidente.

 Assim, Serra foi esperto o bastante para perceber que o cenário atual não é favorável à sua candidatura, muito pelo contrário, e que as chances de que Alckmin seja considerado como o responsável pela provável derrota na eleição paulistana é considerável.

E é claro que um eventual enfraquecimento de Alckmin será benéfico para Serra, que daí poderá dizer que o governador paulista não terá chance de vencer a eleição presidencial de 2014 e que somente poderia ter alguma chance de derrotar Dilma.


Resta esperar para saber, agora, quais serão os próximos passos de Alckmin. Ele tem várias possibilidades, a saber, duas em especial:

1) Apoiar um candidato tucano, mesmo sabendo que as chances de vitória serão muito remotas. Alckmin sairá momentaneamente enfraquecido pela mais do que provável derrota, mas passará a imagem de um governador que não abandona o candidato do partido, tal como Serra fez em 2012, ao apoiar Kassab (do DEM) e rejeitar o próprio Alckmin como candidato tucano;

2) Fazer uma aliança com o prefeito Kassab, de quem é rival, o que é muito problemático, pois o mesmo é candidato ao governo do estado de SP, em 2014, e isso poderá ameaçar a hegemonia tucana naquele que é o seu grande pilar de sustentação política e eleitoral. Com uma derrota para o governo estadual paulista, o PSDB caminhará rapidamente para a extinção. Sem o governo de SP, o PSDB acaba.

Por outro lado, uma aliança de Alckmin com Kassab aumentará fortemente  as chances de vitória na eleição paulistana e tornará o governador tucano uma espécie de 'sócio' de Kassab, político em ascensão no cenário nacional com a criação do PSD. Restaria definir, ainda, uma série de questões importantes para poder viabilizar uma aliança tão difícil de ser concretizada, como a de quem indicará o cabeça de chapa e como seria a divisão de cargos entre os partidos aliados em caso de vitória.

Assim, é preciso saber se os dois caciques políticos paulistas conseguirão amenizar as diferenças e as ambições de cada um e conseguirão fechar um acordo ou não.

Afinal, se isso acontecer, não será a primeira vez que rivais políticos antigos se unirão para conseguir vitórias políticas e eleitorais, não é mesmo?

Aliás, dentro do próprio PSDB, sempre existiu uma grande rivalidade entre as suas principais lideranças. FHC, Covas, Serra, Aécio e Alckmin sempre trocaram muitas bicadas dentro do ninho tucano, fazendo com que voasse pena para tudo quanto é lado. E isso está muito longe de terminar.


Afinal, como se diz, política é como nuvem: a cada cinco minutos muda tudo.

Independente do resultado final da eleição neste ano, o fato é que Serra foi bastante 'malandro' nessa história e transferiu para o governador Alckmim a tarefa de construir a vitória tucana na eleição municipal paulistana, o que pode até vir a acontecer, mas não será nada fácil.

Link:

Serra desiste da candidatura à prefeito de SP:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,serra-comunica-ao-psdb-que-esta-fora-da-disputa-a-prefeitura-de-sao-paulo,824338,0.htm

Rejeição de Serra chega a 35% na cidade de SP e 48% dos eleitores paulistanos podem votar em candidato apoiado pelo presidente Lula:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1019418-lula-aumenta-forca-em-sp-e-serra-tem-maior-rejeicao-diz-datafolha.shtml

O ódio de Serra contra Aécio Neves:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/serra-destila-odio-contra-aecio-segundo-bergamo

Orçamento da prefeitura de SP chega a R$ 38,8 bilhões em 2012:

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/orcamento-da-prefeitura-cresce-193/

Governo Lula construiu 214 novas escolas técnicas federais:

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/folheto_setec.pdf

Governo FHC proibiu construção de escolas técnicas:

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/10/15/serra-e-fhc-proibiram-escolas-tecnicas-agora-ele-diz-que-vai-construir/

ProUni leva mais alunos de baixa renda às Universidades:

http://revista.brasil.gov.br/reportagens/prouni-leva-mais-alunos-de-baixa-renda-as-universidades/prouni-leva-mais-alunos-de-baixa-renda-as-universidades

DEM entra no STF para tentar acabar com o ProUni:

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/08/18/serra-mente-em-debate-dem-quer-sim-acabar-com-o-prouni/

Com o Pronatec, governo Dilma investirá R$ 24 bilhões em capacitação profissional e  criará 8 milhões de vagas:

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/10/24/pronatec-para-8-milhoes-de-vagas-e-a-maior-reforma-do-ensino-tecnico/

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