sábado, 14 de janeiro de 2012

A taxa Selic, o câmbio e o controle de capitais! - por Marcos Doniseti!

A taxa Selic, o câmbio e o controle de capitais! - por Marcos Doniseti!


Muito se comenta sobre a necessidade do governo brasileiro reduzir a taxa real de juros que vigora na economia nacional neste momento. E isso é necessário, sem dúvida alguma.  


Atualmente, a taxa real de juros brasileira está em 4,5% ao ano. Essa é a diferença entre a taxa Selic de 11% ao ano e a inflação de 6,5% acumulada em 12 meses (Janeiro-Dezembro de 2011). Com a redução, quase que certa, da taxa Selic para 10,5% ao ano, na próxima reunião do Copom, nesta semana, a taxa real cairá para 4% ao ano. 


Essa taxa ainda é superior àquela que vigora na economia mundial, principalmente nos países ricos, onde está próxima de zero. 


Porém, é claro que isso somente acontece porque suas economias estão em recessão ou estagnadas já há vários anos, a taxa de desemprego é altíssima e continua crescendo em economias importantes da Europa e é necessário estimular a retomada do processo de crescimento econômico. 


Nos EUA, por exemplo, a taxa de desemprego chega a 8,5% (Novembro de 2011) e está em um processo de queda gradual, mas ainda se encontra em um patamar muito alto se levarmos em consideração que essa taxa era de 4,9% no final de 2007. Somente a retomada econômica garante que essa queda terá continuidade.


Já na zona do Euro a situação é muito pior e a taxa de desemprego chegou a elevadíssimos 10,3% em Novembro de 2011. Essa é a maior taxa desde Julho de 1998 e significa que 16,372 milhões de pessoas estão sem emprego. 


Dados mais recentes sugerem que o ritmo de aumento do desemprego diminuiu, mas ainda é incerto quando começará uma recuperação do mercado de trabalho da região. 


Isso, se começar a se recuperar, já que a crise econômica e financeira da zona do Euro não dá sinais, neste momento, de diminuir de intensidade. Muito pelo contrário. 


Afinal, algumas das mais importantes economias da UE (França, Itália, Espanha, Áustria e Portugal) tiveram as suas notas rebaixadas pela agência de risco S&P neste final de semana. 


Portanto, as baixas taxas de juros, próximas de zero, que vigoram nos países ricos, devem ser vistas dentro desse contexto de gravíssima crise que suas economias enfrentam neste momento, principalmente a zona do Euro.




Agora, que a taxa real de juros brasileira precisa ser reduzida, é verdade, embora ela já seja, atualmente, bem menor do que em 2002, por exemplo. No final de 2002, a taxa Selic era de 25% ao ano, contra uma inflação anual de 12,5% (IPCA).


Logo, a taxa real de juros, na época, chegava a 12,5% ao ano, e era mais do que o triplo da taxa atual, portanto (já estou levando em consideração a redução certa da taxa Selic para 10,5% ao ano na próxima semana). 




Mas também é verdade que se o governo Dilma não adotar medidas mais drásticas para controlar a entrada e a saíde de capitais, principalmente os de curto prazo, altamente especulativos, a redução da Selic, apenas, não será suficiente para impedir a continuidade de distorções na taxa de câmbio (com a supervalorização do Real) e na competitividade externa da indústria e da economia brasileiras. 




É preciso adotar uma quarentena para o capital externo, obrigando-o a um período mínimo de permanência no país (6 meses, pelo menos).



Com isso, essa especulação desenfreada que temos aqui irá diminuir sensivelmente, permitindo-se o controle mais forte da taxa de câmbio. 

Não há como controlar o câmbio sem que existam mecanismos de controle de entrada e saída de capitais, principalmente com a adoção de uma quarentena para o capital especulativo.

Não se trata de fechar o Brasil para o investimento externo, mas de selecionar o tipo de capital que desejamos atrair. O capital de longo prazo, produtivo, que gera empregos, aumento da capacidade de produção e de exportação do país, que tráz novas tecnologias, é bem vindo. 

Mas o capital especulativo não gera benefício algum para o Brasil ou para qualquer outro país. 

Basta ver a gravíssima crise que a União Européia e os EUA enfrentam atualmente para se constatar isso. 

Essa é, essencialmente, uma crise provocada pelo colapso de um processo de desenfreada e irracional especulação financeira que tomou conta das economias européia e americana nas últimas décadas, principalmente a partir dos governos de Reagan e Thatcher.



O Chile, tão prezado pelos neoliberais e defensores do livre mercado, adotou a política da quarentena para o capital externo durante grande parte da década de 1980-1990.



Essa política foi fundamental para permitir que a economia do país se tornasse competitiva e retomasse o processo de crescimento econômico. Isso permitiu ao governo chileno controlar a quantidade de capitais e selecionar o tipo de capital que entrava e saía do país, o que viabilizou o controle da cotação do câmbio. 

Tal política de quarentena  beneficiou as exportações chilenas, que se tornaram fortemente competitivas, e assegurou o controle da inflação, pois os empresários sabiam que o câmbio estava controlado e, logo, a inflação não iria subir e, com isso, a promoção de investimentos produtivos tornava-se mais previsível. 

 
Com isso, a economia do país conseguiu se recuperar da trágica experiência dos medíocres e patéticos 'Chicago Boys', cujas políticas neoliberais e de não-intervenção estatal e de abertura unilateral para investimentos, bens e serviços externos foram um total e completo fracasso, empobrecendo violentamente o Chile e o seu povo. 

Portanto, é necessário que o governo brasileiro adote a política da quarentena para o capital externo, a fim de afugentar o capital especulativo de nosso país. 

Os benefícios dessa política serão colhidos e de forma relativamente rápida, beneficiando enormemente ao Brasil e ao seu povo. 




Links:


Nota de risco da França é rebaixada e agrava crise do país:


http://noticias.r7.com/economia/noticias/nota-de-risco-da-franca-e-rebaixada-veja-consequencias-20120113.html


S&P rebaixa nota de 9 países europeus:


http://blogs.estadao.com.br/economia-tempo-real/2012/01/13/sp-mantem-nota-da-alemanha-e-confirma-cortes-das-notas-da-franca-italia-e-espanha/

Economista da CEPAL defende quarentena para capital externo:

http://blogdofavre.ig.com.br/2010/11/deveria-haver-prazo-minimo-para-permanencia-de-dolar-na-bolsa/


CNI defende quarentena para capital externo:


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/831807-cni-propoe-quarentena-e-ir-sobre-investimento-estrangeiro-para-conter-cambio.shtml

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