segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Imperialismo e a a Primavera Árabe! - por Marcos Doniseti!

O Imperialismo e a a Primavera Árabe! - por Marcos Doniseti!

Participei de um debate, com um leitor do blog do Nassif (chamado Andre Araujo) a respeito da Primavera Árabe e sobre o papel desempenhado na mesma pelo Ocidente Imperialista.


Abaixo, reproduzo alguns trechos (em vermelho) do texto do Andre (para ler o mesmo na íntegra, cliquem no link http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-decomposicao-politica-do-mundo-arabe#comment-795122) e as minhas respostas ao mesmo (e que estão em negrito).


Boa Leitura!




1) Muitos comentaristas aqui do blog estão reproduzindo clichês anti-imperialistas para o tema da Primavera Arabe no Egito, na Libia e agora na Siria. Os tres processos são bem distintos e não admitem uma abordagem uniforme.

R - 'Clichês imperialistas' é expressão usada por quem não tem argumentos para defender as suas idéias e prefere tentar desqualificar as dos outros. É uma asneira monumental.

E que os três processos são distintos, isso é óbvio para qualquer um que tenha mais do que 2 neurônios. 


2) Na realidade o que os tres paises tem em comum é que os EUA e a UE não estavam tendo dificuldades em conviver com os regimes da situação nesses tres paises.

R - Isso é verdade. Afinal, os EUA e a UE adoram qualquer ditador, por mais sanguinário e corrupto que seja, desde que seja um aliado dos seus interesses. Eles são, como dizia F.D.Roosevelt, 'os nossos FDP'.

3) Não partiu dos EUA e da UE a inicitiva do processo de insurgencia que foi codinominado de Primavera Arabe. Não haveria razão logica para EUA e UE se daram ao trabalho de se envolver em intricados problemas internos desses paises, porque suas relações externas com as grandes potencias eram satisfatorias.

R - E quem foi que escreveu tamanha asneira? Nunca li isso em lugar algum. A luta pela implantação de regimes democráticos no Egito, Tunísia, Marrocos, Barein, Líbia, etc, partiu de seus próprios povos, inicialmente.

4) No caso da Libia, o regime de Khadafi estava plenamente integrado ao sistema das majors de petroleo, alem disso tinha enormes contratos de obras publicas gerenciados em nivel geral pela empresa americana AECOM, a maior empresa de projetos de engenharia do mundo. Os EUA e a UE não tinham razão alguma para derrubar Khadafi. Irrompeu uma insurgencia na região oeste centrada em Benghazi e as potencias tiveram que correr para se ajustar à nova situação porque estava claro que o regime de Khadafi estava esgotado apos 42 anos no poder.

R - Khadafi era inimigo de Israel e das Monarquias Teocráticas e Reacionárias do Golfo (organizadas no CCG), principalmente da Arábia Saudita e do Qatar, e tinha as suas próprias políticas para a África, e que incluía a idéia de criação de uma moeda comum com outros países africanos, o que representava mais uma (entre tantas outras) ameaça à hegemonia do dólar, que é o que de fato sustenta o Império Ianque atualmente.

A Arábia Saudita defende o Wahabismo, uma vertente religiosa do Islamismo com origem local que prega o uso da violência e do terrorismo para se expandir pelo mundo afora. Na Chechênia, a interferência saudita foi tão grande que os líderes muçulmanos locais chegaram a declarar, em 2005, uma Guerra Santa contra o Wahabismo Saudita em função disso.


As lutas inciais dos líbios pela liberalização e democratização do país foram superadas pela intervenção da OTAN, que contou com a participação de agentes secretos ocidentais e forças militares (muitas delas mercenárias) recrutadas no exterior para derrubar Khadafi, bem como da Al-Qaeda.


E a OTAN jogou no lixo o que dizia a Resolução 1973 da ONU, que autorizava apenas a proteção aérea para a população civil líbia. Em vez disso, a OTAN começou uma guerra para derrubar Khadafi, fazendo picadinho da Resolução 1973. 



A OTAN de Obama desmoralizou totalmente a ONU, mais do que o próprio Bush havia feito.
É por isso, aliás, que Rússia e China votaram contra uma nova intervenção 'da ONU', ou seja, da OTAN, na Síria, pois sabiam que isso resultaria na derrubada de Assad e na instalação de um governo submisso ao Ocidente no país e que passaria a ser usado como base de ataques contra o Irã e de intervenção na região, como no Líbano e na Palestina. 


As milícias que hoje controlam a Líbia cometem inúmeras atrocidades, mas agora o Ocidente 'democrata, liberal e cristão' não dá a mínima, pois tem um governo totalmente submisso a ele no país. O atual governo ditatorial líbio não criará problemas para o Ocidente, portanto. E ele pode continuar torturando e matando à vontade, tal como já vem fazendo, segundo denúncias da Anistia Internacional.


5) No caso da Siria, os EUA e UE não gostavam do regime Assad mas tinham boas razões para conviver com ele, pela expectativa prudencial de que era um esquema de poder estavel e conhecido e o que o sucederia poderia ser muito pior e instavel. Mesmo Israel, no complicado xadres do Oriente Medio, já estava acostumado com os Assad, vizinhos há 41 anos e não teria nunca a iniciativa de derruba-lo.

R - A Síria é inimiga de Israel (tal como Khadafi também era), mantém boas relações com o Irã, apóia grupos libaneses que se opõem ao domínio israelense no país, tem bom relacionamento com a China e a Rússia, é rival das Monarquias Teocráticas do Golfo (afinal, o governo da Síria é laico, o que é o mesmo que ser demoníaco para os wahabitas da Arábia Saudita),apóia os Palestinos e seu governo não abaixa a cabeça para os EUA e para o Ocidente.

Estes são motivos mais do que suficientes para derrubá-lo, na  visão do Ocidente, de Israel e das Monarquias Teocráticas Obscurantistas do Golfo.


6) A insurgencia que vem do Sul da Siria, centrado em Homs e Aleppo, capitais economicas do Pais, faz o regime balançar e EUA e UE estão procurando se ajustar ao que parece ser o fim do regime Assad mais cedo ou mais tarde, esta claro que há uma rebelião interna e o nivel de repressão do Exercito sirio é dos mais violentos que se conhece, são 7.000 mortos contados pela ONU e bairros residenciais inteiros de Homs destruidos por tanques e artilharia contra ci is. É ridiculo dizer que as potencias é que estão por trás dos rebeldes. A insurgencia foi uma surpresa para todos e agora começa a haver um aumento perigoso de deserções no Exercito sirio.

R - Assad ainda tem apoio popular parcial e do Exército. Logo, não há nada que permita a alguém concluir que o seu regime já era. Isso não é análise, mas torcida. E há provas de envolvimento externo em atos terroristas visando derrubar o governo Assad.

Até o líder da Al-Qaeda conclamou os muçulmanos a derrubar o governo Assad. EUA e o Ocidente são aliados da Al-Qaeda nessa tentativa de derrubar um governo laico, mesmo que repressivo, na Síria. Caso seja bem-sucedidos, a Síria poderá ter, futuramente, um governo ainda mais repressivo, mas de natureza teocrática, tal como o da Arábia Saudita, por exemplo. Será um imenso retrocesso e haverá um gigantesco derramamento de sangue em função disso.


7) Aqui muitos comentaristas tem dito que o imperialismo está por detrás das insurgencias. Não tem a minima logica. As potencias estão reagindo a situações em decomposição visando a garantir seus interesses no novo e inevitavel governo, não são os grandes paises que estão fomentando as rebeliões, elas são reais e é ABSURDO muita gente aqui negar essa realidade.

R - Absurdo é negar que os EUA intervém pelo mundo afora para defender os interesses do Capitalismo Globalizado. Ou será que eles fazem todas essas guerras e intervenções militares em políticas apenas para se divertir? Isso, sim, é que é uma piada e que não merece ser levada à sério.

E no caso da Líbia, por exemplo, os EUA e o Ocidente não se limitaram a 'reagir' a um governo em situação de decomposição. Eles atuaram, claramente, no sentido de derrubar tal governo. O Ocidente Imperialista não se limitou a 'reagir', portanto, mas ele AGIU para defender e fortalecer os seus interesses ali. 




8) Todos os experientes analistas dos melhores centros de relações internacionais do mundo reconhecem que as insurgencias tem origem interna e respondem a décadas de opressão.

R - Quais Centros de Relações Internacionais? Cite-os. Dê o nome de cada um deles.

E estes 'Centros' são de quais países? Dos EUA e da UE, certo?

Logo, eles apóiam as políticas criminosas de seus governos contra povos e governos que não se submetem aos seus interesses. Eles não são objetivos e nem imparciais em suas 'análises', que são manipuladas de forma grosseira e que,  portanto, não merecem ser levados à sério.

Outra coisa: aposto que estes 'analistas' destes 'Centros' foram os mesmos que diziam que o Iraque possuía armas de destruição em massa e que Saddam tinha sido o responsável pela organização dos atentados de 11 de Setembro e que justificaram e apoiaram a Guerra do Iraque.

E falta a eles reconhecerem que essas rebeliões nos países árabes se deram contra regimes ditatoriais e obscurantistas apoiados, por décadas, pelo Ocidente (caso de Ben Ali, na Tunísia, e de Mubarak, no Egito).

Além disso, os mais brutais e repressivos regimes políticos do mundo muçulmano estão localizados no Golfo e são todos aliados do Ocidente, inclusive contando com bases militares dos EUA em seus territórios, como a Arábia Saudita, Barein, Kuwait e Qatar.

O Barein, uma dessas ditaduras obscurantistas, chegou a ser invadido, com o apoio dos EUA, por tropas enviadas pela Arábia Saudita para sustentar seu governo brutal e sanguinário no poder e, assim, poder reprimir as lutas do seu povo pela democratização do país.

Mas, sobre isso, ninguém diz nada no Ocidente, não é mesmo? Tampouco dizem alguma coisa esses patéticos analistas destes ridículos 'Centros de Relações Internacionais'.

Logo, os EUA somente ajudam a derrubar ditadores, mesmo que sejam antigos aliados deles, quando isso é conveniente para os seus interesses. Quando não é, lhes dão o seu total apoio.

Ocorreram manifestações populares na Arábia Saudita que foram brutalmente reprimidas e ninguém dos EUA e do Ocidente protestou contra isso. Nem os membros desses 'Centros de Relações Internacionais' patéticos e esdrúxulos. 




9) A intervenção das potencias tampouco é atruista ou principista, é para garantir seus interesses na nova situação, da mesma forma que o veto russo e chinês à Resolução do CS sobre a Siria é para defender seus interesses na região. Todos defendem seus interesses mas é preciso ver a situação com realismo e não com chavões de passeata.

R- O veto da Rússia e da China, contra uma intervenção da ONU-OTAN na Síria, se deu porque a OTAN rasgou e jogou no lixo a Resolução 1973 da própria ONU, que autorizou a sua atuação na Líbia, extrapolando totalmente o que o conteúdo dela permitia.

A Resolução 1973 autorizava, apenas, proteger os civis líbios contra supostos ataques do governo Khadafi e terminou com a OTAN atuando no sentido de derrubar Khadafi.

A OTAN desmoralizou a ONU, cujo atual secretário-geral é fraquíssimo e é totalmente submisso às políticas imperialistas do Ocidente.

É isso que explica o veto da Rússia e da China contra uma intervenção da ONU-OTAN na Síria.

Assim, é preciso, sim, analisar a situação com realismo e não inventando histórias da carochinha para boi dormir com o objetivo de defender o indefensável e justificar o injustificável, que é o que você faz.


Links:

Líder da Al-Qaeda manifesta apoio à derrubada do governo da Síria

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/19882/al+qaeda+declara+apoio+a+derrubada+do+governo+na+siria.shtml

A decomposição política do mundo árabe

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-decomposicao-politica-do-mundo-arabe#comment-795122

Pepe Escobar - Síria: Sombras por trás do espelho

http://midiacrucis.wordpress.com/2012/02/08/siria-sombras-por-tras-do-espelho-pepe-escobar/

Forças Especiais do Qatar e do Reino Unido entraram na Síria:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=9&id_noticia=175315


Khadafi defendia integração política, econômica e militar da África:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111021_khadafi_analise_africa_rc.shtml

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