sábado, 3 de março de 2012

PSDB: Entre a renovação e a extinção! - por Marcos Doniseti!

PSDB: Entre a renovação e a extinção! - por Marcos Doniseti!

Caciques do PSDB paulista tentar matar no ninho o renascimento da militância tucana!



O PSDB sempre foi um partido de caciques que toma todas as decisões em jantares realizados em restaurantes caríssimos e no qual a participação de filiados e de militantes sempre foi nula. Estes sempre foram chamados apenas para apoiar e referendar as decisões tomadas pelos líderes partidários. Consultar militantes e filiados antes de tomar alguma decisão? Jamais. Como diz a propaganda, 'Nem a pau, Juvenal!'.

Esse fato ficou muito bem demonstrado, nesta semana, quando o presidente do Diretório Municipal do PSDB de Ermelino Matarazzo disse à Serra que 'Nunca estive tão perto de você". A frase ficou marcada pelas muitas risadas que provocou naquele momento, mas expressa com exatidão este gigantesco distanciamento que sempre existiu entre os dirigentes do PSDB e os seus militantes, mesmo os mais fiéis.

A distância que separa líderes e liderados dentro do PSDB é tão grande que mesmo dirigentes do partido confessam que nunca haviam se encontrado tão próximos daquele que é um dos seus principais dirigentes e que foi candidato à presidência da República em duas oportunidades, ou seja, José Serra.

Agora, com a realização dessas prévias para escolher qual seria o candidato do partido à prefeitura de São Paulo, pela primeira vez na sua história, os filiados e militantes tucanos, que já não são muitos e andam com a moral baixa após três derrotas eleitorais consecutivas para a presidência da República, se mobilizaram e se organizaram com muito entusiasmo, reativando a vida interna do partido, que sempre teve um ambiente tão festivo quanto o de um cemitério.

E isso não é pouca coisa em se tratando de PSDB, que é, como já afirmei, um partido onde os caciques impõem as decisões goela abaixo dos filiados e militantes, sem nunca consultá-los para coisa alguma. Eles são chamados apenas quando as decisões já foram tomadas e os candidatos já foram escolhidos após demoradas e complexas conversações mantidas pelos principais caciques partidários.

Daí, quando o partido mostra potencial para intensificar a sua vida interna, promovendo mais debates sobre os rumos partidarios e os destinos da maior cidade brasileira e com uma intensa participação de dirigentes, filiados e militantes, aparecem os mesmos caciques de sempre e tentam, de fato, esvaziar as prévias, transformando-as em um jogo de cartas marcadas?

Isso demonstra que esses caciques tucanos são muito burros, mesmo!.


Não é à toa que a postura recente de Serra tem irritado imensamente a um grande número de militantes e de filiados do PSDB. Antes do dirigente de Ermelino Matarazzo, outra militante do PSDB, Catarina Rossi (que vem a ser a esposa do jornalista Clóvis Rossi, da "Folha"), já havia feito fortes críticas à Serra em função da sua postura arrogante e autoritária com relação à realização das prévias, que tentava cancelar para que o partido o escolhesse, sem a realização de qualquer debate interno ou prévia, como candidato à prefeitura paulistana.

O melhor seria dizer que Serra queria ser ungido candidato, sem qualquer crítica ou contestação.

Esta reação dos militantes e filiados tucanos se deu, com certeza, porque esta foi a primeira vez, desde que o partido existe, em que os mesmos tiveram espaço para discutir as idéias e os planos da legenda e da escolha do candidato da mesma para governar a maior cidade brasileira. Esse processo é inédito na história do PSDB.

Pela primeira vez, os seus militantes e filiados puderam se manifestar livre e democraticamente, o que nunca havia acontecido. Eles conquistaram um espaço importante dentro da legenda e, compreensivelmente, agora não querem mais abrir mão do mesmo.

E é justamente disso que o PSDB precisa para se renovar.

Se quiserem revitalizar o PSDB e torná-lo forte a ponto do partido voltar a ser uma real alternativa de poder no plano federal, os tucanos precisam formar novos líderes, elaborar um novo discurso e adotar novas práticas políticas-administrativas. E isso somente irá acontecer se a legenda abrir espaço para seus militantes e filiados. Sem isso, esqueçam.

As três derrotas eleitorais consecutivas do PSDB para a Presidência da República mostraram um esvaziamento do discurso tucano. Falar do Plano Real e dos supostos 'benefícios' gerados pelo governo FHC não é suficiente para que o PSDB volte a ser uma alternativa real de poder no plano federal, ou seja, para que tenha condições de vencer uma eleição presidencial.

O Plano Real é de 1994, já tem 18 anos que foi adotado e grande parte da população mais jovem nem sabe o que foi o mesmo. E a redução e o controle da inflação foram preservados pelos governos Lula e Dilma. Logo, o discurso de defesa do Plano Real já não surte, e há muito tempo, nenhum efeito eleitoral relevante.

Caso os governos petistas tivessem permitido a volta da inflação alta, esse discurso de defesa e valorização do Plano Real ainda poderia dar resultado. Mas como isso não aconteceu, falar em Plano Real não ajuda em nada nas intenções tucanas de voltar a governar o Brasil.

A baixa popularidade com que o então presidente FHC deixou o governo (com apenas cerca de 30% de aprovação, contra os 87% de Lula) mostram que o discurso de defesa do seu governo (que até poderia ser feito pelos tucanos, mas com um viés crítico, reconhecendo os erros cometidos no mesmo) também não ajudará muito na reconstrução e no fortalecimento do partido. 

É preciso muito mais do que isso.

O PSDB precisa de novas lideranças, com um discurso distinto, com novas propostas e práticas políticas diferentes das dos caciques tradicionais da legenda, que estão cada vez mais enfraquecidos e desgastados, que o diferenciem dos governos Lula-Dilma e que se mostrem atraentes para a maioria da população.

E isso somente será conquistado se um grande processo de debates e discussões, com ampla participação de dirigentes, militantes e filiados se desenvolver dentro do partido. Talvez isso tenha que durar vários anos para dar resultados. Mas somente isso é que permitirá ao PSDB revelar novas lideranças e se projetar, novamente, como uma real alternativa de poder para o país.


Então, o que o PSDB mais necessita, hoje, é abrir espaço para que tudo isso aconteça.

Por isso, fica claro que a eventual escolha de José Serra como candidato do PSDB para disputar a prefeitura paulistana representaria  um gigantesco retrocesso neste processo de renovação que a legenda dos tucanos precisa desenvolver para voltar a se fortalecer.

Serra desagrega o partido (como uma hashtag feita pelos tucanos no Twitter e que ficou entre as mais citadas demonstra claramente) e ainda inviabiliza a luta pela renovação do partido. Serra é 'mais do mesmo' em um momento em que isso é tudo de que o PSDB não precisa.

Qualquer outro candidato tucano à prefeitura de São Paulo terá mais apoio interno do que Serra. E esse novo candidato também terá uma grande vantagem, pois será candidato sem carregar uma imensa rejeição, de cerca de 33% do eleitorado, que é a que Serra tem atualmente.

E essa rejeição poderá, até, vir a crescer durante a campanha, caso os adversários do ex-presidenciálve decidam utilizar o livro 'A Privataria Tucana' na campanha eleitoral. Esta poderia ser a definitiva 'pá-de-cal' nas pretensões do 'mais preparados dos brasileiros' (como diz, ironicamente, a Tia Carmela) de se eleger prefeito da capital paulistana.

O fato concreto é que os caciques tucanos tradicionais, enfraquecidos e envelhecidos, demonstram que não tem mais o que dizer para os seus militantes e tampouco para o eleitorado em geral. Eles deveriam 'pegar o boné e ir para casa cuidar dos netos'.

Somente com novos líderes, adotando um novo discurso e forjando novas práticas políticas é que o PSDB poderá dar início a um ciclo de renovação que impeça a continuidade do seu processo de enfraquecimento e de decadência, que está em pleno andamento e é mais visível do que nunca.

Para constatar isso, basta ver que o partido não tem, hoje, nenhum candidato viável para a eleição da maior cidade brasileira e, muito menos, para a presidência da República em 2014.

A forte reação de dirigentes, militantes e filiados do PSDB paulistano ao adiamento das prévias do partido e as críticas cada vez mais contundentes que Serra sofre dentro da legenda mostram que existem, sim, condições do PSDB dar início a este processo de renovação de lideranças, discursos, propostas e práticas políticas.

Resta saber, no entanto, se os caciques tradicionais da legenda irão permitir que isso prossiga ou se irão matar com este processo no ninho.

Desta escolha dependerá o futuro do PSDB.

Renovação ou extinção: eis o dilema dos tucanos!


Links:

Dirigente tucano detona Serra em reunião com militantes do PSDB:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=urzB_YELAgg

Tucanos atacam Serra no Twitter, com hashtag SerradesagregaoPSDB:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2012/03/02/serradesagregapsdb-tucanos-vao-pra-cima-do-ex-governador/

Catarina Rossi critica José Serra e o chama de de imaturo:

http://www.youtube.com/watch?v=K96SGEVAtVU

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