quinta-feira, 7 de junho de 2012

As 'democracias ocidentais' e o expansionismo Nazista na Europa durante a década de 1930! - por Marcos Doniseti!

As 'democracias ocidentais' e o expansionismo Nazista na Europa durante a década de 1930! - por Marcos Doniseti! 


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 22/01/2011)

(Obs: texto escrito com base nas informações retiradas do livro 'Ascensão e Queda do Terceiro Reich', ao qual estou lendo neste exato momento).



Muito se fala e se discute, ainda hoje, a respeito do pacto germânico-soviético de 1939, entre Hitler e Stalin. Mas quase sempre a discussão vem acompanhada de um festival interminável de mentiras, omissões e de manipulações que acabam por impedir que se compreenda as razões do mesmo ter sido assinado.

O fato concreto é que Adolf Hitler tinha decidido invadir a Polônia no dia 01/09/1939 e, para se sentir seguro nessa nova 'aventura' (ele mesmo disse a Goring, uma vez, que eles eram um bando de aventureiros), ele precisava ter a garantia de que não enfrentaria uma guerra em duas frentes (contra URSS e a Polônia, no Leste, e contra a França e a Grã-Bretanha no Oeste).

Assim, Hitler ficou em estado de puro nervosismo e ansiedade com a perspectiva de fechar esse acordo com a URSS, pois daí ficaria livre para atacar a Polônia sem precisar temer em enfrentar uma guerra em duas frentes, a qual os próprios generais alemães diziam que, se tal cenário acontecesse, a Alemanha sairia derrotada do conflito.

Além disso, quem primeiro fez um acordo com a Alemanha Nazista foi a Grã-Bretanha e não a URSS.


Em Junho de 1935, o governo britânico assinou com a Alemanha Nazista o ‘Acordo Naval Anglo-Alemão’, que transformou o Tratado de Versalhes em pó e que permitiu a reconstrução da Marinha de Guerra alemã. Mas, hoje, parece que ninguém mais quer se lembrar de informações tão importantes, não é mesmo?

Obs: Quem também fez um acordo com o regime nazista foi o Vaticano, que assinou uma 'Concordata' com o mesmo e já em 1933, primeiro ano da ditadura de Hitler.

E quando a Alemanha Nazista invadiu a Renânia, em 1936, franceses e britânicos nada fizeram, mesmo sabendo que o poderio militar alemão, nesta época, ainda era muito limitado. Hitler usou apenas 3 brigadas (cerca de 30 mil soldados) para ocupar a Renânia. A França, cujo exército possuía um efetivo superior a 1 milhão de soldados, não fez nada.

É um consenso de que se a invasão da Renânia pelos alemães fracassasse, Hitler teria sido derrubado e sem maiores dificuldades. Aliás, o próprio Hitler reconheceu isso, na época. O mesmo poderia ter sido feito, por franceses e britânicos, quando ocorreu o Anschluss (anexação da Áustria).

Mas, novamente, franceses e britânicos não fizeram nada, bem como nada fizeram para salvar a Tchecoslováquia, entregando-a de mãos beijadas para a Alemanha Nazista, mesmo sendo um país democrático, industrializado e que possuía forças armadas modernas, bem equipadas e bem treinadas.


Aliás, a Tchecoslováquia era o único país da Europa Central com essas características. 

 Todos os outros países da Europa Central (incluindo a Polônia, Hungria, Romênia e Bulgária) eram governado por ditaduras, eram militarmente fracos e com economias basicamente agrárias. 

 Assim, qualquer possibilidade de se manter a Europa Central independente em relação à Alemanha Nazista dependia da manutenção da Independência e da integridade territorial da Tchecoslováquia (até Winston Churchill, um conservador e feroz anti-comunista, disse isso na época, inclusive).


Sem isso, toda a Europa Central cairia sob o domínio Nazista. 

 Portanto, foram as democracias ocidentais que entregaram toda a Europa Central de mãos beijadas para o controle da Alemanha Nazista. 

 Além disso, os próprios generais alemães avaliaram, na época, que não teriam como conquistar militarmente a Tchecoslováquia devido ao formidável sistema de fortificações que os tchecos construíram (com ajuda francesa) entre 1936 e 1938, na fronteira com a Alemanha. Quando os generais alemães visitaram tais fortificações (após a conquista do país pela Alemanha) eles fizeram boquiabertos e disseram que jamais teriam conseguido ultrapassá-lo. 

Assim, a Tchecolováquia era o único país da Europa Central, na época, que tinha condições reais de lutar e de resistir, com sucesso, contra uma invasão da Alemanha Nazista.

Mas, tal invasão não foi necessária, pois os governos britânicos e francês fizeram a 'gentileza', para Hitler, de lhe entregar o controle da Tchecoslováquia e, desta forma, de toda a Europa Central sem que fosse necessário disparar um único tiro.

Além disso, há muitos motivos pelos quais Stalin aceitou assinar tal pacto com o governo alemão. E são estes que iremos comentar agora.


Um destes motivos, o principal, foi a recusa dos governos franceses e britânicos em fechar um acordo militar com a URSS a fim de destruir com a Alemanha Nazista. 

Stalin fez tal proposta, de aliança, logo depois do Anschluss.


Inclusive, ele deu garantias ao governo da Tchecoslováquia, ou seja, de que se a Alemanha Nazista invadisse o país, o Exército Vermelho lutaria ao lado dos tchecos contra os nazistas. E ele voltou a fazer tal proposta de aliança logo após a conquista dos Sudetos pela Alemanha Nazista. 

Em ambas as oportunidades as propostas de Stalin foram rejeitadas por Chamberlain, primeiro-ministro britânico. Este chegou até a discursar no Parlamento britânico para justificar tal recusa.

 Até mesmo Winston Churchill (do Partido Conservador, o mesmo de Chamberlain) criticou duramente ao primeiro-ministro por tal recusa, alertando-o de que seria impossível derrotar a Alemanha Nazista sem fazer uma aliança com a URSS (a história provou que Churchill estava certo).

Além disso, e mesmo às vésperas do ataque alemão à Polônia, o governo deste país recusou a formação de uma aliança com a URSS (e também com a Grã-Bretanha e com a França).

 O governo soviético deu garantias ao governo polonês de que caso os alemães invadissem a Polônia, o Exército Vermelho lutaria ao lado dos poloneses. Mesmo assim, tal proposta do governo soviético foi recusada pelo governo polonês. 

 Obs: Ninguém diz, mas o governo polonês, na época, era uma Ditadura Militar de Direita que simpatizava com o regime nazista e com o qual já havia assinado vários acordos. Talvez isso ajude a explicar porque o mesmo se recusou a participar de uma aliança com a URSS a fim de conter o expansionismo nazista pela Europa. De certa maneira, não seria errado considerar que o governo polonês cometeu suicídio ao rejeitar tal aliança com os soviéticos, pois suas Forças Armadas eram mal equipadas e mal treinadas. E sua economia era basicamente agrária. E com uma base industrial frágil, ou inexistente, é literalmente impossível montar Forças Armadas poderosas, bem equipadas e bem treinadas. 

O Exército polonês era tão obsoleto que, durante a invasão alemã, uma divisão de Cavalaria do mesmo atacou uma divisão de Panzers alemã. Creio que não é difícil imaginar qual foi o resultado da batalha, não é mesmo?

Assim, as sucessivas propostas soviéticas para se montar uma grande aliança a fim de destruir com a Alemanha Nazista foram rejeitadas pelos governos da França e da Grã-Bretanha, e mesmo o governo polonês recusou a oferta de aliança, contra a Alemanha Nazista, feita pelo governo soviético.

Que Stalin foi um ditador brutal e cruel, isso estão todos 'carecas' de saber.  Até Lênin recomendou o afastamento dele do cargo de secretário-geral do Partico Comunista da URSS, justamente em função disso.

Mas no aspecto da contenção do expansionismo nazista pela Europa durante os anos 1930 ele,Stalin,  é quem menos teve culpa. As tais democracias ocidentais erraram muito, mas muito mais, mesmo. E os outros países aliados da França e da Grã-Bretanha, como o governo da Polônia, também erraram feio. 

Na verdade, quem estudou, mesmo, este período da história, também está ‘careca’ de saber que os governos britânico e francês estavam doidos para jogar a Alemanha Nazista numa guerra fratricida contra a URSS. Eles imaginavam que esta seria uma guerra brutal e que os dois países (e independente de quem fosse o vencedor) sairiam bastante enfraquecidos da mesma.

Com isso, França e Grã-Bretanha se livrariam destas duas Nações que os incomodavam tanto e, ainda, consolidariam e manteriam intactas a sua posição de grandes potências europeias.

Stalin (que pode ter sido um ditador cruel, mas que de bobo e burro nunca teve nada) percebeu claramente qual era o jogo dos franceses e dos britânicos e jogou a Alemanha Nazista de volta contra eles, assinando o pacto germânico-soviético.

Aliás, franceses e britânicos não eram os únicos que defendiam tal política, de jogar Hitler contra Stalin e, assim, promover a destruição de ambos.

Harry Truman, em 1941 (ainda como Vice-Presidente de Roosevelt) disse o seguinte na época: ‘Se a Alemanha estiver derrotando a URSS, então deveremos ajudar os soviéticos. Mas, se os russos estiverem ganhando a guerra, então deveremos ajudar aos alemães”.

Vejam como Truman era 'sensível' e ‘preocupado’ com o destino dos povos envolvidos nesta guerra. E dizer que esse cara virou Presidente dos EUA depois...

Felizmente, Truman não era o Presidente dos EUA nessa época, mas Roosevelt. Este era muito menos conservador politicamente do que o seu Vice, e jamais colocou tal política em prática.

Porém, quando se fala do pacto germânico-soviético, hoje em dia, todas estas informações são ignoradas.

Por que será, hein?

Para mim, a omissão de todas estas informações caracteriza um caso de deslavada desonestidade intelectual. Ou então é desinformação, mesmo. Nem mais, nem menos.



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http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2011/01/as-democracias-ocidentais-e-o.html

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