sábado, 30 de junho de 2012

As perspectivas da economia brasileira e o cenário global! - por Marcos Doniseti!

As perspectivas da economia brasileira e o cenário global! - por Marcos Doniseti! 


Três informações divulgadas ontem mostram uma sensível melhor da situação das contas públicas brasileiras neste ano de 2012, e que são os seguintes: 
 
1) A dívida pública (líquida) caiu para 35% do PIB em Maio deste ano. E é provável que ela feche em um patamar ainda menor ao final do ano ou, então, na pior das hipóteses, neste mesmo nível. 

Assim, ela será a menor dívida pública em muitos anos, aproximando-se do patamar no qual se encontrava ao final do governo Itamar Franco, que era de 30% do PIB. É bom lembrar que quando FHC saiu do governo, a dívida pública estava em gigantescos 51,5% do PIB. Então, desde o início do governo Lula nós tivemos uma redução real de 32% da mesma;

2) O déficit público nominal (que inclui os gastos com juros da dívida pública) deverão fechar 2012 em apenas 1,4% do PIB. Em 2002 ele foi de 4% do PIB. Desta maneira, desde 2003 ele caiu 65%;

3) Os gastos com juros da dívida pública irão representar 4,5% do PIB neste ano, contra 7,5% do PIB em 2003 e 5,7% do PIB em 2011. Assim, eles tiveram uma queda real de 40% no período 2003-2012.

Com a dívida pública e o déficit público nominal despencando desta maneira, o governo Dilma pode reduzir ainda mais a taxa Selic. Afinal, os credores do Estado brasileiro sabem que este tem as suas contas em situação cada vez melhor e que ele honra os seus compromissos.

Foi justamente por isso (a redução da dívida e do déficit público) que o governo Lula pôde iniciar um processo de redução da taxa Selic, e que teve continuidade no governo Dilma, com a mesma sendo reduzida de 25% ao ano (em Dezembro de 2002) para os atuais 8,5% ao ano e com boas perspectivas de que ela diminua ainda mais, para cerca de 7% ao ano, até o final de 2012.

Assim, a economia brasileira poderá continuar a crescer de forma sustentada nos próximos anos, dando sequência ao Ciclo de Crescimento de longo prazo que começou em 2004, no segundo ano do governo Lula, após sofrer com uma Longa Estagnação, que durou de 1981 a 2003, na qual a taxa de crescimento da economia foi pouco superior a 2% ao ano, pouca coisa maior do que a taxa de crescimento demográfico do período.

E o mais importante é que o atual ciclo de crescimento da economia tupiniquim se dá graças a uma sensível melhoria da distribuição de renda. 

Vários estudos feitos pelo IPEA e pela FGV comprovam que tanto a renda do trabalho está sendo melhor distribuída, como a participação da renda do trabalho na renda nacional está aumentando.

Como resultado disso, temos a menor concentração de renda (segundo o economista Marcelo Neri, da FGV) desde 1960, quando a mesma começou a ser calculada no país. 

Aliás, essa melhoria da distribuição de renda foi uma das grandes responsáveis, junto com o aumento das exportações brasileiras a partir de 2003 (elas cresceram de US$ 60 bilhões, em 2002, para US$ 256 bilhões em 2011, acumulando um crescimento de 327% no período) pela retomada do crescimento da economia brasileira.

O aumento do poder de compra do salário mínimo em 66% entre 2003-2012, a redução da taxa de inflação (de 12,5% em 2002, para 5,9% em 2010; teve uma pequena alta em 2011, para 6,5%, mas deverá fechar o ano de 2012 com uma taxa entre 4,5% e 5% ao ano) e da taxa de desemprego, que foi reduzido de 10,5% em Dezembro de 2002 para 4,7% em Dezembro de 2011, também contribuíram para essa retomada do crescimento da economia brasileira.

Todas essas significativas melhorias que tivemos no Brasil, a partir de 2003 (aumento de exportações, redução e controle da inflação, diminuição da dívida e do déficit público, aumento real do salário mínimo, queda da taxa Selic, melhoria da distribuição de renda) são as responsáveis pela retomada do crescimento da economia brasileira de forma sustentada e por dar início a um novo Ciclo de Crescimento de longo prazo. 

Inclusive, como resultado disso, até mesmo a indústria brasileira registrou um crescimento expressivo, gerando 920.000 novas vagas entre 2007-2010.  

Alguns economistas tupiniquins, que são (como diz o José Simão) integrantes da 'turma do primário mal-feito', ainda não se deram conta de tudo isso que aconteceu e continuam pregando no deserto, dizendo que o Brasil irá afundar a qualquer momento, embora sem citar qualquer dado que fundamente essa sua discurseira vazia, ridícula e patética. 

Muitos destes supostos economistas são empregados da Grande Mídia reacionária, a mesma que adora apoiar Golpes de Estado contra governos democraticamente eleitos, como o que aconteceu recentemente no Paraguai. 

E é justamente em função dessa sensível melhora que tivemos no Brasil a partir de 2003 que, mesmo com a economia mundial enfrentando a sua pior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930, esse processo de crescimento econômico do Brasil não foi interrompido. 

Em 2008 tivemos a quebra do sistema financeiro privado dos EUA, que foi devidamente resgatado (ou seja, foi salvo) pelo Estado ianque. 

Somente esse salvamento, promovido pelo 'ineficiente e obsoleto' Estado, é que impediu que os EUA mergulhassem numa Grande Depressão de longo prazo, semelhante àquela que atingiu o país na década de 1930. 

Na verdade, os EUA até enfrentaram uma 'mini-Depressão' recentemente, que durou de meados de 2008 até meados de 2009, mas ela foi interrompida pela ação Estatal, que salvou o sistema financeiro da total falência. 

E foi justamente em função dessa operação de salvamento que a dívida pública ianque praticamente dobrou deste então, passando de 45% para 100% do PIB, e que o déficit público disparou, chegando a atingir 11% do PIB. 


Agora, com essa tímida retomada da economia americana, o déficit público sofreu uma queda, para algo em torno de 8% do PIB. 

Mas até agora o mercado de trabalho do país não se recuperou, tendo um índice de desemprego ainda superior aos 8%, contra 4,4% em meados de 2007. 

E se os trabalhadores que desistiram de procurar emprego forem incluídos no cálculo, o desemprego nos EUA está num patamar muito maior, chegando a 14% da sua força de trabalho. 

Agora, em 2011-2012, estamos vendo a possibilidade de que o sistema financeiro privado europeu tenha o mesmo destino que o do americano em 2008, ou seja, que vá à falência devido à virtual quebra de alguns dos seus principais devedores, que são os governos dos chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Spain-Espanha), que estão todos falidos. 

E se estes países quebrarem e deixarem de pagar os seus compromissos, o sistema financeiro europeu também irá para o buraco. 

E é justamente para evitar que isso aconteça que a UE está promovendo o chamado 'resgate' dos PIIGS, ou seja, está tentando tirá-lo da falência em que se encontram. 

Mas, como essa política implicou em forte crescimento do desemprego (chegando a quase 25% na Espanha, no qual mais de 50% dos jovens estão desempregados) e em cortes drásticos nos salários e nos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, resultando num rápido processo de empobrecimento dos europeus, a mesma se tornou altamente impopular em toda a Europa.

Com isso, nas  recentes eleições realizadas na Alemanha (regionais), Grã-Bretanha (municipais), Itália (municipais) e França (nacionais) tivemos a vitória de partidos que se opõem, parcial ou totalmente, a tais políticas. 

Na Grécia, o Syriza (partido que uniu inúmeros partidos e movimentos da Esquerda Radical do país) teve um crescimento expressivo em pouco tempo, tornando-se a segunda maior força política-eleitoral do país e se tornando uma alternativa real de poder na terra de Sócrates e de Platão. 

Essa reação dos europeus às políticas de austeridade é que levou a UE a adotar essas medidas que procuram estimular a economia do Velho Mundo, ao mesmo tempo em que aliviam um pouco as exigências sobre os PIIGS. 

Basta ver que no caso da Espanha a concessão de empréstimos de até 120 bilhões de euros aos bancos do país ibérico não implicou na imposição de maiores exigências ao país, tal como aconteceu na Grécia, por exemplo.

Assim, foi a resistência popular crescente dos europeus que obrigou a UE a tomar um rumo distinto daquele que estava seguindo e que, basicamente, impotos pela odiada Chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Esta, como se nota nas recentes reuniões realizadas entre os governantes europeus, perdeu a primazia e ficou em segundo plano, limitando-se a comentar as decisões tomadas pelos demais dirigentes da UE.

Neste sentido, a recente vitória de François Hollande, na França, foi fundamental para que se promovesse essa mudança de rumo, pois enquanto Sarkozy apoiava Merkel em tudo, o novo presidente francês diverge bastante da governante germânica e defende um alívio nas medidas de austeridade e a adoção de medidas pró-crescimento, que foi exatamente o caminho adotado a partir desta semana. Assim, Merkel ficou isolada.

 Então, em função de todo esse cenário global conturbado, principalmente na UE, é claro que o Brasil é afetado pelo que acontece no mundo afora. Afinal, vivemos num mundo totalmente globalizado, certo? Mas isso se dá de forma muito menos intensa quando comparamos com o que acontecia no passado, antes do governo Lula, quando 'a Tailândia espirrava e o Brasil pegava uma pneumonia'. Agora, são os EUA e a UE que pegam uma pneumonia e o Brasil é que se limita a espirrar.

Antes, uma crise em países com um PIB de tamanho reduzido, de pequeno para médio, e com os quais temos uma relação econômica-comercial muito limitada (como são o caso da Indonésia, Malásia, Filipinas e da Tailândia, países da Periferia Asiática que quebraram em 2007) já era suficiente para jogar o Brasil de joelhos, levando o governo brasileiro (FHC, é claro) a elevar fortemente a taxa Selic, a reduzir drasticamente os gastos públicos, a arrochar violentamente os salários, a elevar os impostos e a pedir dezenas de bilhões de dólares emprestados junto ao FMI (foram três empréstimos entre 1998-2002, no valor total de US$ 86,5 bilhões, jogando o país na recessão, aumentando o desemprego e a pobreza. 

Atualmente, entretanto, são as maiores economias do mundo (EUA, UE e Japão, em especial) que entraram em crise e, mesmo assim, o Brasil continua crescendo, a um ritmo menor, o que é algo normal, pois até as economias da China e da Índia, que são as que mais crescem no mundo há muitos anos, enfrentam uma forte redução do seu ritmo de crescimento neste momento. A China cresceu apenas 8% no 1o. trimestre de 2012, contra mais de 10% nos anos anteriores.

Tudo isso afetou a economia brasileira, é claro, mas sem que o processo de crescimento da economia tupiniquim fosse interrompido, como acontecia antigamente, quanto o país entrava em recessão mesmo quando a economia de alguns poucos países, de importância reduzida na economia global, entravam em crise.

Agora, com as recentes medidas tomadas pela UE nesta semana, tudo aponta para uma redução da intensidade da crise no Velho Mundo nos próximos meses, embora muito ainda precise ser feito para tirar a economia européia do péssimo estado em que se encontra, principalmente no caso dos PIIGS. 

As sucessivas derrotas de candidatos neoliberais, defensores de uma rígida austeridade, em vários países da Europa é que levaram à mudança de rumo nas políticas adotadas pelo Bloco Europeu e, com isso, haverá uma retomada da economia européia em breve, contribuindo para que a economia global volte a se acelerar.  E é evidente que isso irá beneficiar o Brasil.

Assim, caso a UE seja bem-sucedida nas mudanças adotadas em suas políticas nesta semana, que dão um fôlego maior para os PIIGS e estimulam a retomada do crescimento, tudo indica que o pior momento da Grande Recessão (como é chamada pelo FMI) que começou nos EUA a partir do segundo semestre de 2007, já passou.

Aliás, não foi por outro motivo (a perspectiva de melhora da situação econômica européia) que as bolsas tiveram uma forte valorização e o preço do petróleo já aumentou bastante nestes dias, pois um maior crescimento global implicará em aumento do consumo do produto. E o mesmo irá acontecer com as demais commodities, como algumas daquelas que são exportadas pelo Brasil (minério de ferro, soja, milho, etc).

Essa aceleração do crescimento econômico mundial irá contribuir, sem dúvida alguma, para que a economia brasileira volte a crescer de forma mais rápida nos próximos anos, o que permitirá dar continuidade ao atual processo de crescimento econômico combinado com inclusão social que foi iniciado no governo Lula. 

As recentes medidas tomadas pelo governo Dilma (redução da Selic, aumento dos investimentos públicos, redução de impostos para automóveis, etc)também  irão contribuir decisivamente para uma aceleração do crescimento brasileiro. 

Logo, deveremos ter, nos próximos meses, uma combinação de melhorias no cenário internacional e interno. 
E com isso, a presidenta Dilma continuará batendo novos recordes de popularidade, tal como a pesquisa CNI-Ibope demonstrou nesta semana. 

Em função da continuidade da melhoria das condições de vida da população em seu governo, o que já havia começado no governo Lula, Dilma tem um índice de aprovação pessoal de 77% e o seu governo é considerado como ótimo/bom por 59%. 

Nem mesmo o ex-presidente Lula tinha tamanha popularidade com o mesmo tempo de governo. Mas, é bom ressaltar que Lula herdou um país quebrado (que não conhecia emprestar um mísero centavo no mercado internacional e que devia até as calças para o FMI) e teve que tomar algumas medidas amargas no início do seu mandato, enquanto Dilma recebeu um país que havia melhorado muito durante a gestão do ex-líder sindical. 

Tudo aponta, portanto, para uma aceleração do crescimento da economia brasileira nos próximos meses.

E para concluir, quero dizer apenas mais uma coisa: Fora, Angela Merkel! 

Links:

UE adota medidas para combater crise financeira e estimular o crescimento:

UE irá criar organismo de supervisão bancária:


Bolsas européias fecham no seu maior nível em 7 semanas:

Dívida pública cai para 35% do PIB! Déficit público e gastos com juros diminuem!

CMN reduz taxa de juros e aumenta oferta de crédito para agropecuária para R$ 115 bilhões:

Indústria brasileira criou 920 mil novas vagas entre 2007 e 2010:

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