quinta-feira, 7 de junho de 2012

O governo Dilma, a Esquerda, a Correlação de Forças e a Maldição do Faraó! – por Marcos Doniseti!

O governo Dilma, a Esquerda, a Correlação de Forças e a Maldição do Faraó! – por Marcos Doniseti!


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 25/02/2011)




A verdadeira correlação de forças existente, de fato, na política e na sociedade brasileira está representada no Congresso Nacional, onde 80% dos parlamentares foram eleitos por legendas de Direita ou de Centro-Direita (PMDB, PP, PTB, PR, DEM, PSDB, PPS...).

A Centro-Esquerda (PT, PDT, PC do B, PSB) e a Esquerda (PSOL, PSTU, PCO, PCB) tem apenas 20% dos congressistas. E olhe lá...

Como o Brasil é um país Parlamentarista (envergonhado, mas é), onde TUDO precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para entrar em vigor, é pura maluquice acreditar que um programa radical de Esquerda (que defendesse a estatização do sistema financeiro, uma reforma agrária que desapropriasse os latifúndios produtivos do agronegócio, que promovesse o calote no pagamento da dívida pública, etc) seria aprovado por um Congresso controlado pela Direita.

Quem acredita nisso, também deve acreditar em Papai Noel, Cegonha, no Monstro do Lago Ness e na Maldição do Faraó.

Um Presidente da República eleito com apoio da Centro-Esquerda e de alguns segmentos da Esquerda (como Lula e Dilma) consegue, no máximo, equilibrar um pouco o jogo político-social, viabilizando políticas de redistribuição de renda (exemplos: aumento real do salário mínimo, programas sociais inclusivos) e obrigando as forças de Direita (que controlam tudo no país: Justiça, Poder Legislativo, atividades econômicas, Mídia, etc) a fazer algumas concessões em benefício dos mais pobres e dos trabalhadores.

Mais do que isso, é impossível!

Afinal, por que Lênin mandou fechar a Assembleia Constituinte russa logo na primeira sessão de funcionamento, em Janeiro de 1918? Porque os bolcheviques tinham eleito apenas 25% dos parlamentares para a mesma. Nada além disso. Sabem quando seria possível implantar o Socialismo numa situação dessas? NUNCA!

Daí, Lênin mandou essa tal de democracia às favas, fechou a Constituinte e seu sucessor (basicamente, Stalin, depois de alguns anos de NEP e da trinca Bukharin-Kamenev-Zinoviev governando a URSS) implantou o Socialismo Real nas terras soviéticas a base de 'ferro e sangue'.

Se alguém deseja implantar o Socialismo no Brasil, então só tem um jeito de se fazer isso: Fechar o Congresso Nacional e governar a base de 'ferro e sangue', na base de uma Ditadura de partido único que elimine com toda e qualquer oposição, pois é mais do que óbvio que a burguesia (nem a brasileira e tampouco a internacional) jamais entregará um país como o nosso (ainda mais agora, com a descoberta do petróleo do pré-sal) de mãos beijadas para os seus inimigos.

Aliás, quando foi que (ao longo da história da Humanidade) uma classe dominante, mesmo enfraquecida ou decadente, entregou o poder de graça para os seus inimigos? NUNCA!

A Nobreza feudal europeia fez isso? Claro que não. A Burguesia europeia promoveu inúmeras Revoluções para poder conquistar o poder em todo o continente europeu. Se não o tivesse feito, então ela jamais teria se tornado a classe dominante no Velho Mundo. E como os EUA conquistaram a sua Independência? Distribuindo florzinhas para os britânicos e pedindo, de forma educada e gentil, que eles encarecidamente fossem embora do seu país para que as 13 Colônias pudessem se tornar Independentes? Façam-me o favor... Nenhuma classe dominante jamais fez tal coisa. Isso é ficção-científica. E a burguesia também não o fará, é óbvio.

É mais fácil acreditar na Maldição do Faraó do que acreditar numa ‘transição pacífica’ para o Socialismo, algo que, pelo que me consta, jamais aconteceu em momento e em lugar algum na história da Humanidade. Quando foi que isso aconteceu? Onde?

Se a Esquerda brasileira (que é ridiculamente fraca se a limitarmos ao PSOL, PSTU, PCO e PCB) ou mesmo a Centro-Esquerda (PT, PDT, PSB e PC do B) tentar implantar o Socialismo, no Brasil, dentro das regras do jogo democrático, o fracasso será inevitável, pois a Burguesia direitista e reacionária partirá para o Golpe de Estado (como já fez em 1945, 1954, 1955, 1956, 1957, 1961 e, finalmente vitoriosa, em 1964) ou até, se necessário for, para a Guerra Civil.

Esse é o único jeito de promover mudanças radicais no país sem levar em consideração a correlação de forças existente no Estado e na Sociedade brasileira: na base do ‘ferro e sangue’.

Dentro das regras do jogo democrático-liberal, que vigora no país atualmente, e com a atual correlação de forças existente na sociedade brasileira, o máximo que conseguiremos avançar e conquistar é a construção de uma ‘semi-Social-Democracia’ à la Keynes/Roosevelt/Vargas/Lula, ou seja, uma mistura de políticas defendidas ou praticadas por todos eles (uma combinação de reformas sociais com nacionalismo), pois é claro que o Brasil da primeira metade do século XXI não é uma uma cópia fiel da realidade existente nos EUA e no Mundo da década de 1930/1940.

Mais do que isso é impossível.

O resto são sonhos de uma noite de verão, que podem até ser belos sonhos, mas que jamais se transformarão em realidade.

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