quarta-feira, 6 de junho de 2012

Salário Mínimo deveria subir para R$ 700 em 2013!- por Marcos Doniseti!

Salário Mínimo deveria subir para R$ 700 em 2013!- por Marcos Doniseti!



Economia mundial pisa no freio! Situação da Espanha se agrava e zona do Euro está cada vez mais frágil! EUA, China e Índia sofrem desaceleração econômica!

Por que o Governo Dilma tem que tomar medidas mais fortes para estimular o crescimento da economia brasileira!


Todas as informações mais recentes divulgadas sobre o comportamento da economia mundial mostram, claramente, que ela está desacelerando.

O ritmo do crescimento econômico está diminuindo no mundo inteiro e isso se dá ao mesmo tempo em todas as grandes economias.

Na China, por exemplo, a produção industrial e o PIB continuam a crescer, mas a taxa de crescimento econômico chinês deverá ficar em torno de 8% em 2012, bem abaixo dos 10,4% de 2010 e dos 9,2% de 2011.

Na zona do Euro, a taxa de desemprego está em 11% e a economia europeia (tanto da UE, como da zona do Euro) ficou estagnada neste primeiro trimestre de 2012, isso após sofrer uma queda de 0,3% no 4o. Trimestre de 2011.

A economia da Índia teve, por sua vez, no 4o. Trimestre de 2011, a sua menor taxa de crescimento anualizada dos últimos 10 anos, chegando a apenas 5,3%.

E nos EUA, o ritmo de crescimento econômico também diminuiu no primeiro trimestre de 2012, quando chegou a apenas 2,2% em termos anuais, contra 3% de crescimento anualizado no último trimestre de 2011.

E é claro que, em função desta forte desaceleração da economia mundial, e que atinge a todas as maiores economias do mundo simultaneamente, o Brasil também sofreria uma queda no seu ritmo de crescimento, o que aconteceu nestre primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 0,8% (comparado com o mesmo período de 2011).

Porém, no caso brasileiro, o alento é que esta queda esteve concentrada na agropecuária, que caiu 7,3%, enquanto que o setor industrial cresceu 1,7% (comparado ao 1o. Trimestre de 2011) e o de serviços avançou 0,6%. O consumo das famílias continuou crescendo, acumulando um crescimento de 2,5% quando comparado ao primeiro trimestre de 2011.

Um dado negativo foi a queda dos investimentos, que diminuiu 2,1% frente ao 1o. Trimestre de 2011.

Em função disso, já se prevê que o crescimento do PIB brasileiro, em 2012, será quase igual ao de 2011, ou seja, em torno de 2,7%, o que é menos do que esperava no início deste ano

Esses dados mostram que o governo brasileiro precisa tomar medidas que estimulem os investimentos produtivos, a fim de acelerar o ritmo de crescimento da economia.

Como o cenário internacional ainda permanece muito ruim, com todas as economias mundiais se desacelerando (como vimos aqui), é claro que somente um maior crescimento do consumo interno pode levar os empresários a voltar a elevar os seus investimentos.

E para isso torna-se fundamental que se adotem algumas medidas, tais como:

1) Continuidade da redução da taxa Selic (até porque a inflação está desacelerando e se aproxima do centro da meta, de 4,5% anuais) para cerca de 6,5% ao ano, o que permitiria, ao setor público, economizar várias dezenas de bilhões de reais anualmente. Tais recursos deveriam ser destinados para aumentar os investimentos públicos;

2) Aumento dos investimentos públicos, principalmente em obras públicas, em especial aquelas destinadas a melhorar a infra-estrutura urbana, como são os casos do transporte coletivo, saúde, saneamento básico, habitação e educação;



3) Redução do superávit primário neste e no próximo ano, pelo menos em 0,5% do PIB, a fim de estimular a economia; 

4) Sustentar o dólar cotado em um patamar de R$ 2 a R$ 2,10, aproximadamente, pois isso levará a um processo de substituição de importações, estimulando a produção industrial do país; 

5) Redução de impostos para setores (principalmente os industriais) que sofrem com o deslavado dumping cambial praticado pelas maiores economias mundiais (China, EUA, UE); 

6) Promover um maior aumento do salário mínimo previsto para 2013, elevando-o para R$ 700, situando-o em um patamar acima do que determina a política de valorização do mesmo (ou seja, ele é reajustado como resultado da soma da taxa de crescimento do PIB de 2 anos antes com o da taxa de inflação do ano anterior), pois isso estimularia o consumo interno e, claro, contribuiria para um maior crescimento da economia. 

Se o reajuste de 2013 for de acordo com a política atual de valorização do mínimo, o mesmo deverá ficar em torno R$ 667-670, aproximadamente.

Já com um salário mínimo de R$ 700 para o próximo ano, o mesmo teria um reajuste de 12,5%, contra uma inflação bem menor, de cerca de 4,5% em 2012.

Isso representaria um significativo ganho real para o mínimo, fortalecendo a política de valorização do mesmo, que contribui, de maneira importante, para o crescimento da economia, para a melhoria da distribuição de renda e para a redução da pobreza e da miséria no país.

Tal reajuste do salário mínimo teria, também, um componente simbólico importante, mostrando, para toda a população, a forte determinação do governo Dilma em apostar na manutenção das políticas de distribuição de renda para continuar com o processo de crescimento econômico do país que se iniciou no governo Lula.

Não se pode esquecer que o cenário internacional não é nada promissor, como já vimos aqui, e tudo aponta para o agravamento do mesmo nos próximos meses. 



Na Europa, em todas as mais recentes eleições (França, Alemanha, Grã-Bretanha) tivemos a derrota dos partidos e candidatos identificados com as políticas de austeridade e de arrocho, mostrando uma crescente insatisfação dos europeus com as mesmas.

A situação econômica da Espanha, que é uma economia bem maior e bem mais importante do que as da Grécia, Irlanda ou Portugal, se agrava a cada dia e mostra que a situação européia ainda deverá piorar muito antes que qualquer sinal de melhora apareça no horizonte.

Nos EUA, a taxa de desemprego parou de cair e até Obama já avisou, recentemente, a presidenta Dilma (na viagem que esta fez aos EUA) que o ritmo de recuperação da economia ianque será bem lento. China e Índia, como já vimos, também sofrem um rápido processo de desaceleração de suas economias.

Logo, qual a contribuição que a economia internacional poderá dar no sentido de promover um maior crescimento econômico do Brasil? Nenhuma, é claro. Muito pelo contrário.

Assim, é fundamental que o governo Dilma atue firmemente no sentido de se promover uma aceleração do crescimento econômico e, para isso, é necessário que se tome um conjunto de medidas que apontem nesta direção, como a de aumentos dos investimentos públicos, redução dos juros e de alguns impostos setoriais, manutenção da cotação do dólar no patamar de R$ 2 e um maior reajuste do salário mínimo para 2013, elevando-o para R$ 700.

Somente com uma economia interna aquecida será possível ao Brasil crescer cerca de 3,5% a 4% ao ano, pois o cenário internacional não irá ajudar em nada no crescimento da economia brasileira, muito pelo contrário.

Portanto, é hora de agir, presidenta Dilma.

Salário Mínimo de R$ 700 em 2013!


Links:



Economia chinesa cresce apenas 8,1% no 1o. trimestre de 2012:


http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1101537-china-reduz-juros-para-estimular-crescimento-economico.shtml
PIB dos EUA desacelera no primeiro trimestre de 2012:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/04/120427_eua_economia_desacelera_rn.shtml


PIB da Índia tem menor crescimento dos últimos 10 anos:

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201205311127_AFP_81261017

Economia européia fica estagnada no 1o. Trimestre de 2012:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1100961-exportacoes-evitam-recessao-na-zona-do-euro-no-trimestre.shtml

Diminui o ritmo de crescimento econômico da China:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2012/01/17/crescimento-do-pib-chines-se-desacelera-em-2011-92.jhtm

Produção industrial desacelera na China:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/05/120524_china_crise_rn.shtml

Desemprego na zona do Euro:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1098816-desemprego-se-mantem-em-11-na-zona-do-euro-e

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