terça-feira, 4 de setembro de 2012

As tendências da eleição em São Paulo - por Marcos Doniseti!

As tendências da eleição em São Paulo - por Marcos Doniseti!



Luís Nassif comentou sobre o recente tracking do PT (cujos resultados eu já publiquei aqui no blog e que mostrou Haddad com 18% e Serra com 16%) e escreveu que até o final de semana o Haddad estará à frente de Serra nas pesquisas.

Pois eu sou mais otimista do que o Nassif. Serra já ficou para trás.

A tendência, agora, é o Haddad começar a se aproximar do Russomano. E isso começará a acontecer quando o candidato petista começar a conquistar os votos de simpatizantes do PT que, hoje, ainda dão preferência ao candidato do PRB (ou porque não conheciam Haddad ou então porque duvidavam da sua viabilidade como candidato).

Segundo o último Datafolha, 29% dos votos dos petistas paulistanos (que são expressivos 25% do eleitorado da cidade) ainda eram do Russomano. Isso significa que dos 31% do Russomano, 7 p.p. são de simpatizantes do PT.

Se Russomano perder todos esses votos para Haddad, ele cairá para 24% (caso não conquiste mais nenhum outro voto, é claro) e Haddad subirá para 21% (14% da pesquisa Datafolha anterior mais 7 p.p.).

E caso Haddad conquiste 90% dos votos petistas da cidade, ele já chegará a 22,5% dos votos. Daí, se ele conquistar mais 10% dos votos outros 75% de não-petistas, ele subirá para 30%, passando a liderar a disputa.

Não me parece que nenhuma destas metas seja inviável, não, muito pelo contrário. Podem até demorar um pouco mais para serem atingidas, mas podem muito bem serem alcançadas.

Afinal, qual foi o último candidato do PT que teve menos de 30% dos votos numa eleição para prefeito, governador ou presidente na capital paulista? Sinceramente, não me lembro. Aliás, duvido que isso tenha acontecido alguma vez. A única, que sei, foi com o Eduardo Suplicy na distante eleição de 1985, quando Jânio Quadros derrotou FHC.

Assim, quando Haddad começar a crescer em cima do eleitorado não-petista, mas de oposição a Serra-Kassab, daí ele ultrapassará Russomano e consolidará a sua liderança. Para isso, ele terá que tirar votos não-petistas de Russomano, o que é mais difícil, mas não é impossível de acontecer.

Mas, tal mudança deverá acontecer quando Haddad ultrapassar Serra e começar a se aproximar de Russomano, mostrando que é um candidato forte e viável. Daí, penso que muitos eleitores de Russomano poderão comparar os dois candidatos e concluir que Haddad é muito melhor e mais preparado para governar e a eleição poderá mudar radicalmente de rumo.

E penso que na hora em que Haddad virar, passando a liderar as pesquisas, teremos uma onda  a seu favor, uma espécie de voto útil anti-Serra e anti-Kassab, até para tentar liquidar a eleição no 1o.turno.

Isso aconteceu, por exemplo, em favor de Serra, contra Marta, na eleição de 2004.

Naquela eleição, muitos eleitores malufistas migraram para Serra nos últimos dias, numa tentativa de liquidar a eleição no 1o. turno. Daí, Serra chegou a 43% dos votos já no 1o. turno, enquanto Maluf despencou para apenas 11,9%. Marta fechou o 1o. turno com cerca de 36%.

Agora, é provável que o mesmo fenômeno venha a acontecer, mas em favor de Haddad, quando conseguir ultrapassar Russomano, atraindo para si o voto anti-Serra e anti-Kassab.

Haddad passará a ser visto como Russomano é hoje, ou seja, como o candidato com mais condições para enfrentar e derrotar Serra e se beneficiará desse voto útil, com certeza.

Vamos aguardar as próximas pesquisas e verificar se o atual cenário (estabilidade de Russomano, crescimento de Haddad e queda de Serra). irá se manter ou não.

Link:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2004-10-04/jose-serra-ja-recebeu-mais-de-43-dos-votos-validos-apurados

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