domingo, 14 de outubro de 2012

PSDB se enfraquece em SP, MG, PR e GO! - por Marcos Doniseti!

PSDB se enfraquece em SP, MG, PR e GO! - por Marcos Doniseti!



O primeiro turno da eleição municipal deixou bem claro algo que a maioria dos comentaristas políticos da Grande Mídia procurou esconder (o que não foi o caso, justiça seja feita, de Fernando Rodrigues), que é o nítido processo de enfraquecimento  do PSDB em quatro estados fundamentais para o partido e que, atualmente, são governados pela legenda dos tucanos.

Estes estados são Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. 

Em todos eles, os tucanos colheram resultados muito preocupantes. 

Em São Paulo, nas 25 maiores cidades do estado, o PSDB somente garantiu a vitória, no 1o. turno, em duas: Santos e Piracicaba. E tudo indica que os tucanos serão derrotados pelos petistas em São Paulo e Guarulhos. 

Mesmo grandes centros urbanos do interior paulista que, há muitos anos, são governados pelos tucanos, deverão cair nas mãos da oposição em 2013. 

Estes são os casos de Sorocaba, onde PMDB e PSDB estão no 2o. turno, mas os eleitores do PSOL e do PT, 3o. e 4o. colocados, deverão migrar maciçamente para a candidatura do partido de Michel Temer, e de Jundiaí, onde o candidato do PCdoB (com vice do PT) obteve 49,98% dos votos no 1o. turno. 

O que pode ajudar, um pouco, aos tucanos, são algumas possíveis vitórias (mas que não estão garantidas) em Campinas, onde Alckmin apóia Jonas Donizette (PSB, mas com vice tucano) e em Taubaté (Ortiz Jr.). Mas em Campinas, o candidato do PT, Marcio Pochmann, cresceu muito na reta final e poderá surpreender. 

Porém, no geral, o cenário deste segundo turno é bastante desfavorável aos tucanos em todo o estado de SP, principalmente pela quase que inevitável derrota de Serra para Haddad na capital paulista. Tracking do PT feito ontem mostrou Haddad com 58% e Serra com 42%. 

E este processo de enfraquecimento do PSDB não se limita a São Paulo. 

Em Goiás, por exemplo, o PT venceu as eleições em Goiânia e em Anápolis (3a. maior cidade do estado) e o PMDB (rival tradicional dos tucanos no estado) ganhou em Aparecida de Goiânia (2a. maior cidade do estado). Em Luziânia e em Rio Verde, 4a. e 5a. maiores cidades de Goiás, os vitoriosos foram candidatos do PSD.

Assim, nenhuma das cinco maiores cidades de Goiás elegeu prefeito do PSDB. 

Em Minas Gerais, analistas políticos apontam que Aécio Neves saiu enfraquecido quando se leva em consideração os resultados alcançados nas dez maiores cidades do estado. Destas, os tucanos venceram em Betim (com candidato próprio) e em Belo Horizonte, onde apoiaram o candidato do PSB, Márcio Lacerda. 

Nas outras oito grandes cidades mineiras, o PT foi vitorioso em quatro (Uberlândia, Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Ipatinga) e disputará o segundo turno em três (Contagem, Juiz de Fora e Montes Claros), contra candidatos de PRB, PMDB e PCdoB, que também não são do grupo de Aécio. Em Uberaba, o segundo turno será disputado por candidatos do PMDB e do PSB, que também não são aliados de Aécio.

E no Paraná, o enfraquecimento do PSDB também é um fato, sendo que o candidato do PSB, Luciano Ducci, mesmo sendo apoiado pelo governador tucano Beto Richa, acabou ficando de fora do segundo turno. Segundo pesquisas, Gustavo Fruet (PDT, com apoio decisivo do PT) lidera com 15 a 20 p.p. de vantagem sobre Ratinho Jr (PSC). Aliás, os dois partidos na disputa fazem parte da base aliada do governo Dilma. 

E nas grandes cidades do interior do Paraná, os resultados do PSDB também foram ruins. O partido elegeu 76 dos 399 prefeitos paranaenses, mas as vitórias se concentraram em pequenas cidades, tanto que a votação total deste 76 prefeitos tucanos foi de meros 323.858 votos, o que é menos do que o número de eleitores de duas zonas eleitorais de Curitiba. 

Tudo isso aponta para um claro enfraquecimento do PSDB nestes quatro estados, que eles governam atualmente, e que são fundamentais para a sobrevivência do partido. Foi controle de governos estaduais importantes como estes que impediu o esvaziamente do partido após as três derrotas consecutivas nas eleições presidenciais (2002, 2006, 2010).

E isso se confirma porque (e ao contrário da eleição presidencial) me parece existir uma vinculação clara e direta entre governos estaduais bem avaliados e os resultados das eleições municipais. 

Quando um governador é bastante popular, o seu apoio acaba, muitas vezes, por fazer a diferença nas disputas municipais. 

Nas cidades, muitas vezes, o governo do estado é a principal fonte de obtenção de recursos para se fazer obras públicas e realizar melhorias para a população. 

Obs: A partir, principalmente, do segundo governo Lula (2007-2010), ocorre uma recuperação da capacidade de investimento do governo federal (que lançou o PAC e, depois, o PAC 2), o que fez com que o mesmo também se tornasse uma importante fonte de recursos para muitos municípios do país inteiro. E como os governos Lula-Dilma foram/são sustentados por uma coalização bastante ampla (em torno de 10 a 11 partidos) e os mesmos não discriminam as cidades em função do partido que as governa, até mesmo cidades governadas pelo PSDB, DEM e PPS se beneficiaram com o acesso aos recursos federais. Quando isso não aconteceu, foi mais em função do desinteresse do prefeito (caso de Kassab, por exemplo, que teve acesso a verbas suficientes para construir 172 creches, mas que não se interessou pelas mesmas, prejudicando a população paulistana, principalmente as mães das famílias de menor renda que, muitas vezes, não tem com quem deixar os filhos) do que qualquer outra coisa.

Isso ficou claro, por exemplo, na disputa pela prefeitura do Recife, onde o governador Eduardo Campos (PSB), com 90% de aprovação na capital pernambucana, elegeu o prefeito, Geraldo Júlio (PSB), já no primeiro turno. No Rio de Janeiro, ocorreu o mesmo fenômeno, com um governador muito bem avaliado pela população, Sérgio Cabral (PMDB), apoiando a candidatura de um prefeito, Eduardo Paes (PMDB) que também é muito popular. Daí, a vitória de Paes se tornou mais do que previsível.

Assim, o fato de que os quatro governadores mais importantes do PSDB (SP, MG, PR e GO) saíram enfraquecidos da eleição no primeiro turno deve, sim, colocar os tucanos com as penas em estado de alerta máximo.


Logo, e analisando friamente os resultados das eleições municipais no primeiro turno, não há como negar que o PSDB saiu enfraquecido desta disputa nos quatros principais estados que governa atualmente. 

E isso deve estar preocupando, sim, e bastante, aos tucanos, pois o fortalecimento da oposição (PT e PMDB, em especial, mas também do PCdoB, PSB e PSD) nestes quatro estados estratégicos para o PSDB irá dificultar, sem dúvida alguma, a intenção dos tucanos de voltar a vencer as eleições para os governos dos mesmos em 2014. E isso deverá ser ainda mais complicado se, nestes quatro estados, os partidos de oposição se unirem com vistas a vencer a eleição estadual que será realizada daqui a dois anos. 

Um exemplo hipotético é o de São Paulo, onde a participação intensa de Gabriel Chalita na campanha de Haddad neste segundo turno cria uma possibilidade muito forte de que PT e PMDB estarão juntos na eleição para o governo do estado de SP em 2014. Já imaginaram se Chalita e Marta (ou Chalita e Mercadante) se unirem para a eleição de 2014 ao governo de SP?

E se os tais forças conseguirem atrair outros partidos médios e pequenos para uma aliança como essa (PCdoB, PSB, PDT, etc), o risco de derrota de Alckmin cresce bastante.

No Paraná, o PT local (liderado pelos ministros Paulo Bernador e Glesi Hoffmann) se uniu ao PDT e apoiou a candidatura de Gustavo Fruet (e, por isso, sofreram muitas críticas) que, agora, tem tudo para vencer a eleição na capital paranaense, com vantagem de 15 a 20 p.p.. 

E em grandes centros do interior do estado o PT foi mutio bem, ao contrário do PSDB (que vence apenas em pequenas cidades). 

O PT (além de estar unido a Fruet, em Curitiba) foi para o segundo turno em Maringá, Ponta Grossa e Cascavel (que são a 3a., 4a. e 5a. maiores cidades do estado). Enquanto isso, o PSDB não foi para o segundo turno em nenhuma das cinco maiores cidades paranaenses. 

Assim, o cenário nestes quatro estados, atualmente governados pelo PSDB, não é nada animador para os tucanos.

Entendo que ninguém é doido de discordar da afirmação de que sem estes quatro estados (SP, MG, PR e GO) em suas mãos, o PSDB acabará. 

Te cuida, tucanada!

Links:

PSDB se enfraquece e eleição de 2014 será decisiva para os tucanos:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2012/10/psdb-se-enfraquece-e-eleicao-de-2014.html


A difícil situação do PSDB no 2o. turno no estado de SP:


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2012/10/a-dificil-situacao-do-psdb-no-2o-turno.html


Aécio perde força em centros urbanos:


http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2012/10/11/aecio-perde-forca-em-centros-urbanos/


PSDB se enfraquece no Paraná:


http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1307465&tit=Tucanos-voam-baixo-no-Parana


Vitória (ES): Candidado do PPS dispara e chega a 66% dos votos válidos, derrotando tucano:


http://www.folhavitoria.com.br/politica/blogs/eleicoes/2012/10/12/luciano-lidera-com-mais-de-50-das-intencoes-de-votos-no-2-turno-em-vitoria/

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