domingo, 3 de março de 2013

FHC e a decadência deselegante do PSDB! - por Marcos Doniseti!


FHC e a decadência deselegante do PSDB! - por Marcos Doniseti!

FHC mostra a sua grande obra...

Em um artigo publicado hoje, o ex-presidente FHC afirma que não quer mais saber de comparação entre os governos de Lula-Dilma e o seu, o que ele chama de 'picuinhas'. 

Coitado do FHC... Ele diz isso porque ele sabe que quando essa comparação é feita, fica muito claro para todos que Lula e Dilma fizeram governos muito melhores do que o dele. Oras, não fazer tal comparação é que seria ridículo. Afinal, todos os partidos e governantes gostam de dizer que fizeram 'isso ou aquilo' para poder justificar o voto neles. 

Então, as comparações sempre fizeram parte, e sempre farão, da disputa política. 

Pedir para que isso não seja feito é como pedir para o time adversário não chutar a bola contra o seu gol, o que é patético. 

FHC também diz que o governo federal precipitou a campanha eleitoral de 2014. 

Errado, cara-pálida! Quem fez isso foi você mesmo, quando lançou a candidatura do Aécio para Presidente da República. Ou além de ter esquecido tudo o que já escreveu, também já se esqueceu disso? 

FHC reconhece que foi necessário expandir o gasto público para poder superar os efeitos da crise financeira global quando esta começou, com a falência do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Verdade? Então, porque em seu governo você fez exatamente o contrário? 

Afinal, sempre que estouravam crises externas (México, Periferia Asiática, Rússia, Argentina) o governo FHC aumentava violentamente a taxa de juros (chegou a 45% ao ano em Março de 1999), reduzia gastos públicos, eliminava direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, aumentava os impostos. Assim, FHC elogia hoje o que ele nunca fez quando foi Presidente. Haja hipocrisia.

Mas, daí ele diz que isso virou algo permanente, reduzindo a credibilidade do BC (onde? quando?) e tornando o país mais vulnerável na área fiscal Errado! FHC também cita que o tripé de política econômica (metas de inflação, câmbio flutuante, responsabilidade fiscal estão ameaçados). 

PSDB-DEM-PPS tentaram acabar com o ProUni, criado pelo governo Lula e que já beneficiou mais de 1 milhão de estudantes carentes. 

Errado!

Nos governos Lula-Dilma a dívida pública e o déficit público foram reduzidos. 

Quando acabou o governo FHC, a dívida pública era de 51,5% do PIB. Agora, é de 35,2% do PIB, acumulando uma queda 31,7%. Enquanto isso, depois que estourou a crise, em Setembro de 2008, países como EUA, R.Unido e França dobraram a sua dívida pública. 

O Brasil foi um dos poucos países do mundo que conseguiu reduzir a dívida pública mesmo em meio à pior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 1930. E o déficit público era de 4% do PIB quando terminou o governo FHC e agora está em 2,8% do PIB. E antes da crise de 2008 estourar, a dívida líquida pública brasileira era de 38% do PIB e agora caiu para os 35,2% que citei aqui. 

Então, não existe nenhum problema fiscal à vista no Brasil, muito pelo contrário. 

A política de câmbio flutuante foi modificada, sim, pelo governo Dilma, mas isso foi feito para garantir maior competitividade às exportações brasileiras, que foram muito prejudicadas pelas maxidesvalorizações cambiais promovidas pelas maiores economias do mundo (EUA, UE, China, etc) nos últimos anos, logo depois da crise global começar. 

Todos eles desvalorizaram fortemente as suas moedas para tornar as suas exportações mais competitivas e isso prejudicou o Brasil. Então, quando o governo Dilma promoveu a elevação do Dólar para o atual patamar de R$ 2,00 essa foi uma reação a essa situação nova que surgiu na economia mundial. 

Mas FHC esquece de tudo isso, novamente, em seu artigo ridículo.

E FHC falar de vulnerabilidade externa é piada, né? Afinal, ele recorreu 3 vezes ao FMI, fazendo empréstimos no valor de US$ 86,5 bilhões, justamente em função disso. 

Sem falar que, hoje, o Brasil tem quase US$ 380 bilhões em reservas internacionais líquidas, contra os ridículos US$ 16 bilhões que tínhamos no final do governo tucano. O déficit externo brasileiro em transações correntes tem fechado em torno de 2,2% do PIB nos últimos anos, o que é perfeitamente financiável, contra os mais de 4% do PIB que tivemos durante vários anos no governo FHC e que não era financiável.

Com reservas elevadas e déficit externo sendo financiado sem nenhuma dificuldade, isso significa que não temos nenhuma ameaça ao Brasil no setor externo de nossa economia neste momento e que por um bom tempo isso continuará assim. 

O resto é conversa fiada para boi dormir. 

Além disso, no mundo inteiro as políticas neoliberais, que são as mesmas que FHC aplicou em seu govenro e que cujo retorno ele defende, afundaram com as economias dos países mais ricos do mundo, que entraram em recessão e que se encontram estagnadas já há vários anos, mesmo com o Estado injetando trilhões de dólares e de euros para salvar o sistema financeiro privado que faliu nos EUA, em 2008-2009, e na UE, nos anos seguintes. 

Exemplo disso é que em Janeiro-Fevereiro de 2012, o BCE colocou à disposição dos bancos do bloco a 'módica' quantia de 1 Trilhão de euros, sob a forma de empréstimos e com juros de 1% ao ano. Na prática, trata-se da DOAÇÃO de dinheiro público aos banqueiros, pura e simplesmente. 

Mas a respeito disso, FHC não diz absolutamente nada, preferindo criticar o governo brasileiro, que fortaleceu os bancos públicos (BNDES, CEF, BB) a fim de aumentar a oferta de crédito e reduzir os juros. E isso resultou no aumento dos lucros destes bancos, que ganharam mercados dos bancos privados, sendo responsáveis, hoje, por 47,6% da oferta de crédito na economia brasileira. 

É bom ressaltar que isso somente foi possível porque, graças à resistência dos brasileiros, o governo FHC não conseguiu privatizar o BNDES, o BB e a CEF, além da Petrobras, o que era (e ainda é) amplamente defendido pelos economistas tucanos responsáveis pela elaboração dos planos econômicos do PSDB (Edmar Bacha, André L. Resende, Pérsio Arida). 

Com certeza, foram as vitórias de Lula e de Dilma que impediram que isso fosse feito. 

Pobreza despencou no Brasil a partir do governo Lula, sendo reduzida a menos da metade daquela que existia no final do governo FHC.


FHC também diz que são as compras chinesas de minérios e alimentos do Brasil que estão ajudando o país a manter uma situação econômica favorável. Bem, o mesmo pode ser dito a respeito de todos os outros países que exportam bastante para a China, como é o caso da Alemanha, por exemplo, que aumentou fortemente as suas exportações para o mercado chinês nos últimos anos. 

E é claro que FHC não podia deixar de defender, novamente, que o Brasil e a América Latina sigam a liderança e se submetam à hegemonia dos EUA. Isso é genético no FHC e nos tucanos. Nem uma terapia genética de última geração resolveria isso. 

Afinal, tucano que não defende a submissão aos interesses globais dos EUA não é tucano. 

E FHC, novamente, diz que deu início às políticas de inclusão social, como as 'Bolsas' (Escola, Família), tentando se apropriar da criação das mesmas. Isso é uma deslavada mentira. 

O primeiro grande programa de Bolsa-Escola do Brasil foi o do governo PETISTA de Cristovam Buarque, que administrou o Distrito Federal entre 1995-1998, e que se inspirou num projeto de lei do Senador PETISTA Eduardo Suplicy, de 1991, que propunha a criação de um programa de Renda Mínima. 

Daí, Buarque pegou a idéia de Suplicy e associou a mesma com a exigência das famílias de manter seus filhos frequentando a escola para pode ter direito ao benefício, criando o Bolsa-Escola. 

Mas, depois, o sr. Joaquim Roriz, com o total apoio do PSDB, venceu a eleição para o governo do DF em 1998 e, em seu governo (1999-2002), acabou com o programa. E o então PFL, também com o apoio do PSDB-PPS, entrou no  STF para acabar com o ProUni, programa este que foi criado pelo governo Lula (na gestão do então ministro da Educação, Fernando Haddad) e que já colocou mais de 1 milhão de estudantes carentes na Universidade. E mais recentemente eles (PSDB-DEM-PPS) fizeram o mesmo com a política de cotas, tentanto impedir que elas fossem implementadas no Brasil. 

E também não se pode esquecer que os tucanos sempre se referiram ao Bolsa-Família e assemelhados como sendo o 'Bolsa-Vagabundagem', o 'Bolsa-Esmola' e o 'Bolsa-Cachaça'. Até a esposa de Serra, Monica Allende, disse isso na campanha presidencial de 2010 e nenhum tucano veio a público para contestar o que ela disse, nem o próprio FHC. 

Assim, se dependesse dos tucanos e dos seus aliados, os programas de inclusão social  jamais teriam sido colocados em prática no Brasil.

Mas disso o FHC também já se esqueceu, coitado, e ele insiste em dizer que eles é que criaram tais políticas de inclusão social, às quais eles sempre condenaram e que já tentaram inviabilizar em várias oportunidades. 

É muita cara-de-pau!


Portanto, o artigo que FHC publicou neste Domingo contém uma série de distorções, mentiras e manipulações grosseiras. 

Isso mostra o quanto ele e o PSDB decaíram, no plano político e também no intelectual. E isso acontece sem que tal processo esteja associado a nenhuma elegância. 

Essa é a decadência deselegante do PSDB!



Link:

Texto de FHC publicado neste Domingo:

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/95085/FHC-pede-fim-de-picuinhas-e-olhar-para-frente.htm

Eduardo Suplicy, o Renda Mínima e as Bolsas (Escola e Família):

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2010/01/projeto-de-renda-minima-de-eduardo.html

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