sábado, 6 de abril de 2013

A crise global do neoliberalismo, o crescimento econômico e o futuro do Brasil! - por Marcos Doniseti!

A crise global do neoliberalismo, o crescimento econômico e o futuro do Brasil! - por Marcos Doniseti!

Dilma e Lula: Os presidentes que estão transformando, com significativo apoio popular, a realidade brasileira. 

O governador de Pernambuco e presidenciável (mesmo que negue), Eduardo Campos, disse que a crise econômica ameaça chegar ao Brasil. 

Isso é uma asneira monumental. 

O governo Lula enfrentou e derrotou a crise de 2008-2009, que foi muito pior do que a atual (embora esta seja continuidade daquela), pois durante a mesma todo o sistema financeiro privado dos EUA e da Grã-Bretanha faliu. E isso levou a que seus governos (Obama e Gordon Brown, respectivamente) tomassem medidas drásticas para salvá-los. 

Enquanto o governo de Gordon Brown estatizou todo o sistema financeiro do país, o governo de Obama optou pela injeção de trilhões de dólares nos bancos americanos a fim de garantir a existência dos mesmos. E o governo ianque também estimulou a fusão de vários destes bancos, criandos as famosas instituições financeiras que são 'grandes demais para quebrar' (obs: há um filme com esse título sobre a crise financeira de 2008-2009; recomendo que assistam)

Neste processo, as dívidas públicas dos EUA e do ex-Império Britânico dobraram, como resultado do virtual colapso das políticas neoliberais que vigoraram no mundo desde os governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

E dizer que ambos (EUA e Grã-Bretanha) eram tidos como os exemplos a serem seguidos pelo mundo todo, com suas políticas neoliberais de desregulamentação econômica, privatizações, eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, enfim, de criação do Estado Mínimo.

Mas quando se tratou de ter que salvar o sistema financeiro privado, daí eles pegaram todo esse arcabouço teórico neoliberal e jogaram na lata de lixo, apelando para o uso maciço de recursos públicos a fim de salvar a própria pele e manter a economia funcionando.

No início de 2012, o Banco Central Europeu liberou empréstimos no valor de 1 Trilhão de Euros para o sistema financeiro privado da União Européia e cobrando a espantosa taxa de juros de 1% ao ano. 

Na prática, isso representou uma gigantesca doação de dinheiro público para os bancos do Velho Mundo, feito com o claro objetivo de salvá-los da quebradeira generalizada que ameaçava atingir aos mesmos devido à falência dos governos dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). 

Assim, o Estado 'ineficiente e corrupto' salvou da falência generalizada ao setor privado 'moderno e eficiente'. E com isso evitou-se uma nova Grande Depressão, que teria sido ainda mais catastrófica do que aquela que tivemos nos anos 1930. 

Pelo fato de ter criado o New Deal, Roosevelt era chamado de comunista pelos reacionários ianques. E olha que ele tirou o Capitalismo global da sua pior crise, hein! Como se percebe, a ignorância e o reacionarismo das Direitas são genéticos. 


No Brasil, o enfrentamento da crise de 2008-2009 se deu de maneira distinta. 

Em vez de injetar dinheiro público em bancos privados, como se fez nos EUA e na UE, o governo Lula optou por combater a crise por meio de políticas de redução dos juros, aumentos dos gastos públicos, redução de impostos, aumentos de salários reais e elevação da oferta de crédito pelos bancos públicos. Uma receita tipicamente keynesiana e que Franklin D. Roosevelt, criados do New Deal, também teria aprovado. 

Desta maneira, tal crise foi enfrentada e derrotada pelo governo Lula. 

O que temos hoje é uma economia brasileira crescendo menos do que antes da crise, é claro, afinal essa forte desaceleração do crescimento ocorreu no mundo inteiro e não apenas em terras tupiniquins. Na China aconteceu o mesmo... Até meados de 2010 o PIB chinês crescia quase 12% ao ano e agora cresce apenas 7,5% a.a.. No resto do mundo aconteceu a mesma coisa, com muitas economias importantes desacelerando ou mesmo entrando em recessão (EUA, UE, Japão). 

E o processo de agravamento da crise da Zona do Euro está longe de terminar. O episódio de Chipre é apenas o caso mais recente, sendo mais um elemento a tornar a situação internacional muito mais instável e perigosa. 

Como se percebe, a administração da UE e da Zona do Euro não são muito populares, não...

Porém, no caso do Brasil, o mais importante é que o ciclo de crescimento de longo prazo no qual o país ingressou em 2004 não foi interrompido mesmo com o mundo enfrentando a pior crise econômica mundial desde a Grande Depressão. Ocorreu uma desaceleração, sem dúvida alguma, mas a economia do país continuou crescendo. 

E é isso que explica porque o Brasil tem, hoje, a menor taxa de desemprego de sua história recente, os salários dos trabalhadores continuam tendo aumentos reais todos os anos, a inflação permanece no patamar de 6% ao ano (o que já acontece há uma década, pelo menos) e as contas públicas continuam equilibradas. 

O déficit oúblico nominal caiu de 4% do PIB em 2002 para cerca de 2,8% do PIB atualmente e a dívida pública foi reduzida de 51,5% do PIB em 2002 para 35,7% agora. O déficit externo, que chegou a ultrapassar os 4% do PIB durante o governo FHC, estabilizou-se em torno de 2,3% do PIB nos últimos anos. 

E caso a economia global consiga manter o seu crescimento por um longo período de tempo, mesmo que em um ritmo menor e que este crescimento esteja inteiramente concentrado nos países emergentes, nos BRICS em especial, e as bases do atual processo de crescimento da economia brasileira forem mantidas, teremos pelo menos uns 25-30 anos de crescimento contínuo para o Brasil. 

Para isso, o Brasil precisa manter a inflação sob controle, o que está conseguindo, aliás, pois desde 2005 que a taxa de inflação não ultrapassa os 6,5% ao ano (naquele ano ela foi de 5,7%). Nos dois primeiros anos do governo Dilma a taxa de inflação média foi de 6,17%, abaixo do teto da meta, que é de 6,5% ao ano. 

Logo, não temos nenhum problema mais sério com a taxa de inflação no Brasil, o que demonstra que o cenário do país neste aspecto é totalmente diferente deste 'terror inflacionário' que tomou conta do noticiário da Grande Mídia, que adora mentir e manipular o tempo inteiro. O inexistente racionamento de energia elétrica, que a mesma Grande Mídia disse que iria acontecer em 2012, comprova a sua inegável vocação para enganar a população. 

Além disso, as contas externas e as contas públicas não podem ficar desequilibradas, principalmente as primeiras: o governo deve ficar atento para impedir que o déficit em transações correntes cresça, atuando decisivamente para que ele não ultrapasse os 3% do PIB e ambos necessitam continuar sendo financiados sem maiores dificuldades. 

Os investimentos produtivos precisam continuar aumentando. Tivemos uma importante retomada dos mesmos no último trimestre de 2012 e os dados sobre o primeiro trimestre de 2013 são muito animadores com relação à produção de máquinas e equipamentos. A defesa da produção industrial do país precisa continuar e ser intensificada, garantindo um câmbio mais competitivo, reduzindo a carga tributária e os custos de produção, investindo na qualificação da mão-de-obra e em inovação. 

A produção do petróleo do pré-sal já passou de 300 mil barris diários e deverá chegar a 1 milhão em 2017, o que irá contribuir fortemente para a continuidade do crescimento econômico brasileiro, pois dentro de mais alguns anos o Brasil se tornará um dos maiores exportadores mundiais de petróleo. 

A infra-estrutura do país tem que continuar sendo ampliada e modernizada, o desemprego continuar caindo (o governo Dilma já criou 3,7 milhões de empregos formais), os salários reais aumentando, as políticas de inclusão social (como o ProUni, Luz Para Todos, a política de Cotas, a PEC das Empregas Domésticas, etc) tem que ser mantidas, aperfeiçoadas e aprofundadas. 

Enfim, precisamos continuar com a atual política de inclusão social, política, econômica e cultural dos setores historicamente abandonados pelos governantes brasileiros, e que foi iniciada pelo governo Lula e que tem, agora, sua continuidade e aprofundamento com o governo Dilma. 

A produção de petróleo do pré-sal irá crescer continuamente nos próximos anos, graças aos investimentos crescentes da Petrobras. 

O abandono a que os trabalhadores brasileiros foram relegados pelos seus governantes, e que aconteceu principalmente durante a 'Era das Trevas' representada pela Ditadura Civil-Militar (1964-1985) e pelo período de hegemonia neoliberal (1990-2002), gerou uma sociedade brutal, violenta, injusta, fortemente desigual e que atingiu, no final do governo FHC, a triste e lamentável condição de país com a segunda maior concentração de renda do mundo. 

Somando-se os dois períodos (1964-1985; 1990-2002), tivemos 48 anos de predomínio de governos que viraram as costas para as necessidades mais básicas dos trabalhadores brasileiros e do seu povo, como o de ter um emprego, ganhar um salário decente, ter acesso à educação e saúde pública gratuitas e de qualidade, comer 3 refeições diárias, ter acesso à cultura e lazer, entre muitas outras. 

Neste processo histórico que está em pleno andamento em nosso país, o principal para o Brasil será criar uma sociedade muito mais justa, democrática, moderna e igualitária do que aquela que temos hoje. 

Se isso não for alcançado, tal fato representará o nosso fracasso enquanto Povo e Nação e não podemos permitir que isso aconteça. 

Links:

Dilma desonera folha de pagamento de indústria e serviços:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/04/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-para-industria-e-servicos

Governo zera IOF para financiamento de projetos de infra-estrutura:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/04/governo-zera-iof-para-financiamento-de-projetos-de-infraestrutura

Governo mantém redução de IPI para setor automobilístico até o fim de 2013:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/03/reducao-de-ipi-para-carros-e-caminhoes-vai-ate-o-fim-o-ano

Taxa de Desemprego é a menor da história para Fevereiro e Renda cresce 2,4%:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/03/estavel

Vendas de veículos tem alta de 20,8% em Março:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/04/vendas-de-veiculos-tem-alta-de-208-em.html

Economia brasileira cresceu mais de 4% no 1o. trimestre de 2013:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/03/economia-brasileira-cresceu-mais-de-4.html

Inadimplência cai para 7,7% em Fevereiro:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/03/bc-taxa-de-inadimplencia-cai-para-77-em.html

Crédito imobiliário cresceu 15,7% no 1o. bimestre de 2013:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/03/credito-imobiliario-cresceu-157-no.html

Dieese: 95% dos acordos salariais proporcionaram ganhos reais em 2012:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/03/dieese-aponta-95-das-negociacoes.html

Desembolsos do BNDES cresceram 39% no 1o. bimestre de 2013:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/03/bndes-diz-que-alta-de-39-nos-desembolsos-este-ano-indica-retomada-da-economia

Se não fosse pelo BNDES, criado em 1952, no governo democrático de Vargas, o Brasil ainda seria uma imensa fazenda...
Governo Dilma já criou 3,7 milhões de empregos formais:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/03/para-ministerio-do-trabalho-caged-de-fevereiro-pode-ser-sinal-de-reacao-do-mercado

Produção de petróleo do pré-sal ultrapassou os 300 mil barris diários:

http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2013/02/28/producao-no-pre-sal-bate-novo-recorde-e-alcanca-300-mil-barris-de-petroleo-por-dia/

Produção do petróleo do pré-sal irá superar 1 milhão de barris diários em 2017:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/03/producao-do-petroleo-no-pre-sal-brasileiro-deve-superar-1-milhao-de-barris-em-2017

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