domingo, 16 de junho de 2013

Afinal, quem são os jovens que protestam pelas ruas do país? - por Marcos Doniseti!

Afinal, quem são os jovens que protestam pelas ruas do país? - por Marcos Doniseti!

Jovens integrantes presentes na manifestação que foi brutalmente reprimida pela PM do governo Alckmin, no dia 13/06/2013. 

Escrevi mais um texto no qual comento e analiso as manifestações que estão se espalhando pelo país afora, principalmente na capital paulista.

Vamos lá, então:

O movimento é um verdadeiro 'samba do manifestante doido'...

Nele, têm de tudo: punks, skinheads (inimigos mortais dos punks... o pau quebra direto entre eles), juventudes do PT e do PSOL, militantes do PSTU e do PCO, filhinhos de papai reacionários (até já quebrei o pau com alguns deles no Face...), jovens estudantes e trabalhadores pobres da periferia, 'maconheiros', defensores dos direitos LGBT, professores, estudantes da USP, etc, etc, etc...

Penso que o foco que mantém o movimento unido ainda é a questão da melhoria da qualidade dos serviços públicos (transporte coletivo, saúde, educação, segurança pública, etc) e que são muito ruins na cidade de São Paulo.

É isso que une todo esse povo que, do contrário, não se juntaria jamais nem para fazer um churrasco ou beber uma cervejinha no 'buteco'.

E como as organizações tradicionais (partidos, sindicatos, igrejas, etc) não abrem espaço para estes segmentos sociais se manifestarem, então eles se mobilizaram e se organizaram 'por fora' dos movimentos sociais usando as redes sociais (Facebook, principalmente)

Mas temos outras questões envolvidas no movimento, sim, além da questão da qualidade precária dos serviços públicos, tais como:

1) A rejeição às organizações hierarquizadas (partidos, sindicatos, igrejas, etc) onde os militantes seguem determinadas lideranças e que não abrem espaço para a atuação destes segmentos;

2) O desejo de ter a sua opção e forma de vida respeitada: beber e fumar o que tiverem vontade; se divertir do jeito que desejarem; transar com quem quiser, sem que sejam discriminados e hostilizados por isso;

3) A rejeição a este este patético 'Estatuto do Nascituro', que transforma um estuprador em pai, defendido por lideranças religiosas com um discurso retrógrado e medieval (Feliciano, Malafaia, etc) que dizem que 'Jesus é o caminho, mas nós cobramos o pedágio' para chegar ao Paraíso. Aliás, já tivemos vários protestos específicos contra o Estatuto do Nascituro, organizados por jovens, especialmente, pelo país afora. Entre muito destes jovens, Malafaia e Feliciano não tem vez e nem voz;

4) A luta pelo direito de se manifestar e de protestar sem ser brutalmente reprimido pela Polícia;

5) A frustração com o fato de que a imensa maioria dos empregos que são gerados no Brasil, mesmo aqueles com carteira assinada, ainda são os de baixos salários (até 3 salários mínimos) e que não oferecem, ainda, condições dignas de trabalho, caracterizando um 'precariado', tal como definido pelo sociólogo Ruy Braga.

E o interessante é que a principal bandeira do MPL (Movimento Passe Livre), cuja horizontalidade e ausência de lideranças pré-definidas foi o que mais atraiu os jovens para o movimento, é o projeto de 'tarifa zero' que o governo de Luiza Erundina tentou implementar em sua gestão pelo PT (1989-1992) na capital paulista, mas que não conseguiu.

Assim, é uma bandeira política inegavelmente progressista que está sendo defendida pelo MPL, embora o movimento tenha, sim, muitos jovens conservadores entre os seus simpatizantes.

Fundamentalmente, entendo que aquilo que os integrantes do movimento mais deseja é desfrutar de uma qualidade de vida melhor e de serem respeitados pelos governantes e pela sociedade. E isso vale tanto para a sua vida pessoal (liberdade e autonomia individual; pensar por sua própria cabeça), bem como na vida pública (na condição de cidadão que depende e usa os serviços públicos).

Este é o grande nó paulistano, atualmente, e o governo de Haddad terá que melhorar a qualidade destes serviços, pelo menos naquilo que é de sua alçada, como é o caso do transporte coletivo por ônibus e vans, escolas e creches municipais, lazer, esportes, cultura, entre outros.

E para isso, Haddad tem que abrir o seu governo para o diálogo, com todos os segmentos da cidade, inclusive os novos, que apareceram agora no cenário político e social do país, como ele já está fazendo, aliás.

Sem isso, Haddad será um 'novo Pitta', um 'novo Kassab', levando ao fracasso do seu governo. E a frustração que isso poderá acarretar poderá levar a movimentos de protesto ainda maiores e mais radicais no futuro.

Links:

Piora a qualidade do serviço de transporte coletivo em SP entre 2003-2012:


A Geração Facebook e a Nova Classe Trabalhador chegam às ruas do Brasil:



O governo Haddad, a cidade de SP e a Democracia como solução:

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