sexta-feira, 19 de julho de 2013

Porque Marina Silva tem tudo para repetir Jânio e Collor! - por Marcos Doniseti!

Porque Marina Silva tem tudo para repetir Jânio e 

Collor! por Marcos Doniseti!




Marina Silva adota discurso que soa como música ao capital especulativo internacional, inclusive defendendo a 'autonomia do Banco Central'. 

Confirmando o que escrevi aqui no blog, a nova pesquisa eleitoral do Ibope/Estadão mostra que Marina Silva é a única que consegue empatar tecnicamente com a presidenta Dilma em um segundo turno. Neste, Dilma teria 35% dos votos, contra 34% de Marina.

Segundo esta pesquisa, os resultados da eleição presidencial, hoje, seriam os seguintes:

Cenário 1:

Dilma - 30%;
Marina - 22%;
Aécio - 13%;
Campos - 5%.
Nenhum - 30%.

Cenário 2:

Dilma - 29%;
Marina - 21%;
Aécio - 12%;
J.Barbosa - 6%;
Campos - 5%.
Nenhum - 27%.

Já quando se inclui o nome do ex-Presidente Lula na disputa, a situação muda completamente de figura, com a eleição sendo decidida no primeiro turno.

Cenário 3:

Lula - 41%;
Marina - 18%;
Aécio - 12%;
Campos - 3%.
Nenhum - 26%.

Cenário 4:

Lula - 39%;
Marina - 17%;
Aécio - 12%;
J.Barbosa - 6%;
Campos - 3%.
Nenhum - 23%.

É importante notar o altíssimo índice de eleitores que não escolhe nenhum dos candidatos, em todos os cenários, sendo que o mesmo chega a 30% no cenário 1. 

Neste, o percentual de Nenhum é semelhante ao de Dilma, inclusive, atingindo os 30%.

Isso demonstra, claramente, o desgaste a que toda a classe política brasileira foi submetida com os protestos que tivemos, em todo o país, em Junho passado. 

Porém, inegavelmente, a Presidenta Dilma foi aquela que mais caiu nas pesquisas, enquanto Marina cresceu nas mesmas. 

O ex-presidente Lula foi o único que não perdeu tanto apoio e caso fosse candidato acabaria sendo eleito no primeiro turno.

No cenário 3, o ex-presidente Lula teria 55,4% dos votos válidos. E no cenário 4, Lula teria 50,6% dos votos válidos, mantendo as chances de liquidar a fatura no primeiro turno.

Portanto, essa pesquisa confirma que Dilma se desgastou muito com as chamadas 'Rebeliões de Junho', que Marina foi a candidata de oposição que mais se beneficiou com as manifestações populares e que Lula seria o único candidato com chances reais de vencer a eleição no primeiro turno, mesmo em um cenário (o de número 4) com cinco candidatos e no qual o ministro do STF Joaquim Barbosa também estaria incluído. 


O ex-presidente Lula é o único candidato que venceria a eleição presidencial no primeiro turno. Enquanto isso, Dilma enfrentaria uma disputa acirrada com Marina Silva, em situação de empate técnico. 

O fortalecimento político e eleitoral de Marina Silva, pelo menos neste momento, me parece inegável, mas isso gera uma série de questionamentos, que apresentarei na sequência e que estão ligados a dois aspectos importantes:

1) As mudanças no discurso de Marina Silva para poder se eleger Presidente da República, aderindo às teses neoliberais, que são as mesmas que o PSDB-DEM-PPS defendem e que estão afundando países tradicionais da Europa numa crise monumental e para a qual não se enxerga nenhuma solução real (Espanha, Itália, Grécia, Irlanda, Portugal). Tal discurso atrairia o voto do eleitorado mais conservador, principalmente o da classe média tradicional. 

2) A imensa fragilidade política, partidária, social e institucional de um eventual governo de Marina Silva, pois o seu partido (que ainda sequer foi criado) teria uma representação muito reduzida no Congresso Nacional, fazendo com que o seu governo se tornasse inteiramente dependente das forças políticas mais conservadoras e que dominam o Congresso Nacional, bem como da Grande Mídia. 


Marina Silva assume a defesa das ideias e teses neoliberais a fim de poder chegar à Presidência da República. 


Vejam o que o site 'Brasil 247' publicou hoje:

"Depois de ganhar a rua, Marina seduz o mercado:

Maior beneficiária dos protestos no Brasil, a pré-candidata Marina Silva, que hoje está em empate técnico com a presidente Dilma, segundo o Ibope, constrói um discurso econômico que soa como música aos ouvidos dos empresários e investidores; em entrevista, ela defende a autonomia do Banco Central, um retorno maior nas concessões de infraestrutura, o corte de ministérios e até a exploração do pré-sal como um "mal necessário"; ela revela ainda que entre seus gurus estão liberais como Eduardo Giannetti da Fonseca e até André Lara Resende; será que a guerrilheira ecológica se converterá em heroína capitalista?".

Bastou ser picada pela mosca azul e Marina Silva já jogou no lixo o seu discurso natura-ambientalista? 

Agora, ela assume a defesa descarada do projeto neoliberal para o Brasil? Será que Chico Mendes gostaria disso? Entendo que não. 

Autonomia do Banco Central? Aumentar a margem de lucro do setor privado nas concessões públicas? Redução de ministérios? Essas são apenas algumas das teses neoliberais encampadas por Marina Silva em sua tentativa de chegar à Presidência da República.

Mas é muita ingenuidade acreditar que ela ficará apenas nisso. 

Com certeza, o pacote inteiro do Neoliberalismo será defendido e implantado por Marina Silva em um eventual governo comandado por ela: 1) Arrocho salarial; 2) Eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários; 3) Corte nos gastos e nos investimentos públicos; 4) Privatizações de empresas estatais (BB, CEF, Petrobras, etc); 5) Aumento da abertura comercial e financeira em benefício dos produtos, serviços e capitais especulativos externos; 6) Corte dos gastos sociais públicos, entre outras medidas defendidas pelos neoliberais do Brasil e do Mundo. 

Além das suas contradições e o abandono de suas bandeiras históricas, a fim de atrair o apoio do Grande Capital,  da Grande Mídia e da classe média conservadora e abastada, um outro grande problema da sua candidatura é que ela não terá uma legenda forte para dar sustentação, no Congresso Nacional e tampouco na sociedade, ao seu governo.



Com a fraqueza política e eleitoral dos tucanos, Marina Silva teria o perfil ideal para implantar as políticas neoliberais da época do governo FHC, inclusive aprofundando as mesmas, com a criação de um Banco Central independente. 

É bom lembrar que isso já aconteceu com Jânio Quadros e Fernando Collor. Deu no que deu...

Com isso, Marina Silva se tornaria totalmente refém dos clãs políticos conservadores que controlam o Congresso Nacional (Sarney, Collor, clã ACM, Alves, Renan, etc). 


Em função disso, é mais do que evidente que o seu governo seria muito, mas muito mais conservador do que os de Lula e até do que os de FHC. 

Afinal, Marina não conseguiria aprovar coisa alguma no Congresso Nacional se não entregasse o controle do seu governo para estas lideranças políticas tradicionais (Renan, Sarney, Collor, o clã ACM, etc) que dominam o Parlamento brasileiro.

Penso, inclusive, que este é o grande sonho do Grande Capital Financeiro internacional para o Brasil: Ter um governo cujo (a) Presidente (a) seria extremamente frágil nos aspectos partidário e social para que o mesmo fosse um mero pau-mandado (a) dos seus interesses. 


Assim, tal governo, não teria como resistir ao que eles desejam impor ao país, que é enfiar goela abaixo do povo brasileiro as mesmas políticas neoliberais da Era Collor-FHC e que afundaram com nações tradicionais da Europa como Espanha, Portugal, Grécia, Itália e Irlanda.

Vejam que mesmo os governos do PT (Lula -Dilma, é claro) que são moderadamente reformistas (de Centro-Esquerda) e que contam com o apoio de partidos com certa base social e popular organizada (PSB, PCdoB, PDT) e também de movimentos sociais organizados (CUT, MST, UNE, etc), têm imensas dificuldades para fazer aprovar os seus projetos de mudança e de reformas no Congresso Nacional. 

As gigantescas resistências colocadas pelas legendas mais conservadoras às propostas de Constituinte Exclusiva, do Plebiscito e da Reforma Política que foram apresentadas pelo governo Dilma, recentemente, após as 'Rebeliões de Junho', comprovam que quando tem os seus interesses ameaçados ou contrariados, as forças políticas e sociais mais retrógradas se unem e barram as mudanças. 

E força política e social para isso, os conservadores têm de sobra, pois as legendas mais direitistas dominam 80% do Congresso Nacional, enquanto que os partidos de Centro-Esquerda (PT, PSB, PCdoB, PDT) possuem apenas 20% dos parlamentares. E elas também tem uma força imensa na Mídia, no Poder Judiciário, entre outras instituições fundamentais ao funcionamento da Democracia Representativa no país. 

E se isso acontece com governos (Lula-Dilma) que tem um apoio político, partidário e social muito maior, então imaginem o que aconteceria com um governo, que seria o de Marina Silva, que não teria nenhuma base política e social para lhe dar o apoio e a sustentação necessárias para aprovar os projetos de interesse do seu governo? 

Como ela iria governar, sem tais apoios?


Marina Silva defendeu Feliciano. Pode isso, Arnaldo?

Aliás, é interessante notar que Marina Silva mesmo conseguindo se fortalecer com vistas à eleição presidencial de 2014, continua tendo gigantescas dificuldades para poder criar o seu partido, a Rede Sustentabilidade. 

Inclusive, para viabilizá-lo, Marina chegou ao ponto de receber a ajuda do PSDB e até dos seguidores de Silas Malafaia, o que comprova a fragilidade da sua candidatura entre a sociedade organizada e os movimentos populares de perfil mais progressista. 

Nestas condições, a candidatura de Marina Silva é, praticamente, uma candidatura avulsa. 

Em função de tudo isso, não vejo como negar que Marina Silva seria uma Presidenta que teria as suas mãos atadas, seu governo seria extremamente frágil e que o mesmo não passaria de uma reles marionete nas mãos das legendas mais conservadoras (PSDB, DEM, PPS e cia.), bem como da Grande Mídia reacionária e golpista, e da classe média tradicional e conservadora, que são forças políticas e sociais elitistas e que defendem  a adoção, no Brasil, do Neoliberalismo mais radical. 

Tal conjugação de forças políticas e sociais atende, essencialmente, apenas aos interesses do Grande Capital Financeiro Internacional, das quais estes segmentos sociais brasileiros são sócios minoritários. 

E é destes segmentos da sociedade brasileira que Marina ficaria inteiramente dependente para governar. 

Que tipo de governo surgiria dessa mistura toda, não é difícil de imaginar, não é mesmo? 

Com isso, Marina Silva seria obrigada a fazer tudo o que tais forças políticas e sociais, reacionárias e elitistas, desejassem e que é, fundamentalmente, impor o Projeto Neoliberal ao país.

Desta forma, o governo Marina Silva faria o 'trabalho sujo' que os partidos mais reacionários e elitistas (a trinca PSDB-DEM-PPS) não tem nem a força política e nem eleitoral suficiente para fazê-lo. Tais legendas estão muito desgastadas e não conseguem atrair (já há muito tempo) a maioria da população para as suas ideias anti-populares e anti-brasileiras.

Enquanto isso, Marina Silva tem um perfil muito mais adequado à conquista da Presidência da República do que o tucano Aécio Neves, por exemplo.

Marina Silva possui um histórico de participação em movimentos sociais (ambientalistas), foi do PT, é originária das camadas populares, foi ministra do governo Lula e ainda consegue, com um certo sucesso, se apresentar como sendo uma espécie de 'outsider' da política brasileira, tal como Jânio e Collor também o fizeram e com muito sucesso, pelo menos no aspecto da conquista da Presidência da República. 

E é isso que interessa às forças mais conservadoras, ou seja, derrotar Dilma e recuperar o comando do governo federal. 

Logo, a fragilidade dos apoios (político-partidário e social) organizados à candidatura de Marina faria com que ela se tornasse uma Presidenta totalmente dependente das forças políticas e sociais mais retrógradas. 

E caso ela não quisesse adotar as medidas que atendessem aos interesses destes segmentos, autoritários e elitistas, da sociedade brasileira (o que parece não ser o caso, vide a defesa que ela já está fazendo de algumas das principais ideias defendidas pelos neoliberais), então seria muito fácil derrubar o seu governo por meio de um processo de Impeachment, visto que o mesmo não teria nenhuma base parlamentar para lhe dar sustentação. 


A fragilidade gigantesca do partido de Marina Silva faria o seu governo se tornar refém das velhas e tradicionais lideranças que controlam o Congresso Nacional. 

Aliás, foi isso o que aconteceu, recentemente, no Paraguai, onde o Presidente Fernando Lugo foi derrubado porque não tinha nenhuma base política, partidária e institucional que desse sustentação ao seu governo no Congresso Nacional e tampouco nas instituições do Estado (Forças Armadas, Suprema Corte). 

Isso facilitou imensamente o trabalho dos reacionários quando os mesmos promoveram um Golpe de Estado relâmpago contra Lugo e que contou com o apoio e a participação das principais instituições estatais (Congresso Nacional, Suprema Corte, Forças Armadas). 

Com isso, com um eventual governo de Marina Silva, o Brasil teria tudo para repetir as trágicas experiências dos governos Jânio Quadros e de Fernando Collor, que também se elegeram por legendas nanicas e que não possuíam um partido forte e organizado que lhes dessem apoio no Congresso Nacional. 

A renúncia de Jânio Quadros e a recusa de Fernando Collor em se associar aos partidos políticos tradicionais foram tentativas fracassadas de superar essa fragilidade. 

E o país pagou um preço muito alto em função disso.

Como se diz: Errar é humano, persistir no erro é burrice.

Será que nós, brasileiros, estamos dispostos a cometer o mesmo erro, novamente, elegendo uma governante que não terá qualquer base política e social organizada, e muito menos parlamentar, para lhe dar sustentação, correndo o risco de repetir experiências semelhantes e anteriores que já resultaram em fracasso?

Acorda, Brasil!


Links:

Marina seduz o mercado financeiro adotando a defesa do Neoliberalismo:

http://www.brasil247.com/+1gy83

Marina Silva será a grande rival de Dilma na eleição presidencial de 2014:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2013/07/marina-silva-sera-grande-rival-de-dilma.html

Pesquisa Ibope/Estadão mostra empate técnico entre Dilma e Marina Silva no 2o. turno:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/07/lula-superaria-dilma-se-fosse-o-candidato-do-pt-aponta-ibope.html

PSDB ajuda Marina Silva a criar o seu novo partido:

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/97582/

Militantes de Marina Silva pedem apoio de seguidores de Malafaia para criar seu novo partido:

http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2013/06/05/rede-de-marina-coleta-assinaturas-em-passeata-anti-gay/

Marina Silva defende o Criacionismo:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81345-6010-506,00.html

Marina Silva defende Marco Feliciano:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2013/05/15/interna_politica,439515/em-agenda-no-recife-marina-silva-sai-em-defesa-do-pastor-marco-feliciano.shtml#.UZONzRpAnAY.twitter

Marina Silva ataca movimento LGBT, que confronta Feliciano:

http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/05/15/marina-silva-ataca-movimento-lgbt-que-confronta-marcos-feliciano/

6 comentários:

Jan Miller disse...

Discordo. A história é mais complexa que isso, Jânio, Collor e Marina são pessoas diferentes e vivem contextos com situações brasileiras e planetárias diferentes em questão. A Marina pode não presidir no executivo, mas suas ideias precisam ser ouvidas. E penso ser pretensão afirmar que tudo o que um político diz e faz é com objetivo de se chegar no poder. Se isso é percebido em um, então ele deve ser tratado assim, mas não ouvi essa pretensão por parte de Marina ainda, pelo contrário. Ela afirmou ser contra a reeleição e a favor de um mandato de 5 anos para que o executivo dirija seus esforços para o Brasil e não para reeleição.

Maria Véia disse...

Marina não será eleita, pois não tem como enfrentar uma campanha eleitoral. Vai virar picadinho. Mas há outra questão que não está sendo mencionada e sequer pesquisada. Diante dessa rejeição dos políticos, como será composto o próximo Congresso? Certamente que o Senado só será renovado em 1/3, mas quantos dos atuais deputados federais serão reeleitos? Será que as manifestações de junho só vão ter efeito sobre o poder executivo e o legislativo ficará incólume? Os deputados (federais e estaduais) e vereadores deviam começar a se coçar.

Souza disse...

Eu acho muito bonitinho dizer que vai votar na Marina em 2014, ainda estão com o discurso da 3a via socio-ambiental-sustentável ou seja lá o que for que defendeu em 2010. Mas, com essas alianças conservadoras, pegando assinatura em Marchas pra Jesus, esse discursinho neoliberal soft mascarado, não aguenta um debate político nem com o Serra. Aliás, acho que o PIG só tá dando corda pra ela tirar uns votinhos da Dilma...quando perceberem que ela ameaça um segundo turno do Aécio eles começam a dar uma boicotada aqui e outra ali. No fundo, no fundo, com uma pessoa com tantos discursos diferentes em tão pouco tempo, acho q ninguém confia no que ela faria se fosse eleita.

Marcos Doniseti disse...

Jan Miller:

1) É claro que eles (Marina, Collor e Jânio) são pessoas distintas e que as circunstâncias histórias também são diferentes. Garanto que você não é o único a saber disso.

2) Mas a comparação que eu fiz foi outra, totalmente diferente disso que você escreveu.

Para mim, os 3 tem algo em comum, sim, que é a fragilidade dos partidos que deram sustentação às suas candidaturas (Jânio e Collor eram de dois partidos minúsculos, PDC e PRN, e isso tornou ambos dependentes das grandes legendas) e no caso de Marina isso se repete agora.

Jânio tentou um Golpe de Estado, via renúncia, para escapar disso.

E Collor recusou-se a buscar apoio nos grandes partidos para poder governar.

E quando Collor tentou fazer isso, em plena campanha pelo seu Impeachment, já era tarde demais, pois os partidos que poderiam ajudá-lo a governar recuaram quando viram milhões de pessoas nas ruas de todo o país exigindo o seu Impeachment.

No caso da Marina a fragilidade política e social dela é ainda maior do que a de Jânio e a de Collor, pois nem partido político para sustentar a sua candidatura ela tem ainda. E ela encontra grandes dificuldades para conseguir criar seu partido, o que é bastante contraditório.

Afinal, para alguém que tem cerca de 22% a 23% das preferências populares, neste momento, segundo as pesquisas mais recentes, ela deveria estar encontrando muito mais facilidade para criar o seu partido. Milhões de pessoas deveriam estar aderindo ao mesmo e isso não acontece, muito pelo contrário.

Aliás, isso demonstra que grande parte das intenções de voto dela são um tipo de 'voto de protesto' contra tudo que está aí, ou seja, contra a classe política e os partidos tradicionais.

Para muitos eleitores, Marina Silva é o 'Enéas' da vez... Ou o Tiririca ou o Cacareco, como queira.

Com relação ao fato de Marina não querer chegar ao poder, penso que é um absurdo total dizer tal coisa.

Afinal, isso é totalmente contraditório com o fato de que ela foi candidata à Presidente da República em 2010 e está tentando criar um partido político a fim de poder se candidatar em 2014.

Quem não quer chegar ao poder não cria partido político e não se candidata à Presidência da República, certo?

Afinal, qual é o objetivo de se criar um partido político, como Marina tenta fazer neste momento, se não for para chegar ao poder?

Ou a tal 'Rede de Sustentabilidade' da Marina não é um partido? Se não é um partido, é o que então? Uma ONG? Uma escola de samba? Um bloco carnavalesco?

Marcos Doniseti disse...

Maria Véia e Souza:

É claro que tem muita água para rolar embaixo da ponte até a eleição de 2014. Minha análise é de conjuntura, de momento.

Marina Silva poderá vir a ser bombardeada, sim, mas tenho minhas dúvidas se isso irá surtir efeito, pois grande parte da população cansou da política e dos partidos tradicionais.

Entendo que as 'Rebeliões de Junho' deixaram isso bem claro.

E é nesse espaço aberto pelo desgaste das lideranças tradicionais que uma candidatura como a de Marina poderá vir a surpreender.

Aliás, isso já aconteceu em 2010, quando ela cresceu muito na reta final e teve quase 20 milhões.

As circunstâncias, agora, são ainda mais favoráveis do que as de 2010 para uma candidatura com o perfil dela.

Se a Marina irá vingar ou não, já é outra história.

Mas que tem espaço, sim, para uma terceira candidatura competitiva e viável (nem petista e nem tucana) para 2014, ah, isso tem, sim.

José Carlos Lima disse...

Tudo e tão parecido com o Egito, com a diferença que Mubarak era ditador e Dilma foi eleita, mas isso não interessa, estão pedindo a volta da ditadura. E claro que os militares não vão enfrentar Dilma pq esta tem o apoio da sociedade organizada, PT, organizações sociais, outros partidos. E Marina? Aqui a semelhança com o Egito. Marina tem muito a ver com a Irmandade Muçulmana, e longe de mim o preconceito contra os evangélicos, refiro-me a clérigos religiosos tipo Malafaia e Feliciano. Como no Egito, a elite elege Marina e, novamente põe o povo nas ruas para, desta vez, derrubar uma Marina sem apoio da sociedade organizada, do partidos, já vimo esta história com Collor. O Egito tem vivido isso, com a agravante de que, no caso, temos o pré-sal, e os abutres tramando para tomar de conta desse país, tá difícil não, eles estão usando o método de etapa por etapa, se não conseguirem agora, via golpe, conseguirão num improvável governo Marina Silva