domingo, 15 de dezembro de 2013

O Brasil de FHC, segundo a 'Folha'! - por Marcos Doniseti!

O Brasil de FHC, segundo a 'Folha'! - por Marcos Doniseti!

Olha a manchete da edição da 'Folha' de 04 de Julho de 2001. Precisa dizer mais alguma coisa?

Atualmente, vemos inúmeros tucanos criticando a política econômica do governo Dilma, repetindo as infindáveis asneiras ditas pelos pseudo-analistas da Grande Mídia (Miriam Leitão e cia).

E eles fazem isso mesmo sabendo que, hoje, a situação do Brasil é muito melhor do que aquela que existia antes do governo Lula, .em especial a que tínhamos no país no último ano do governo FHC, usando para efeito de comparação uma matéria publicada pela 'Folha' no dia 19/12/2002.

Neste momento, temos o seguinte retrato da economia brasileira:

1) Inflação média anual de 6% ao ano (média anual desde 2005);

2) Taxa de desemprego reduzida (4,6% em Dezembro de 2002);

3) Redução da dívida pública de 60% para 35% do PIB, comprovando que não existe caos fiscal algum no país;

4) Taxa Selic reduzida de 25% para 10% ao ano, com uma taxa real de juros tendo sendo reduzida de 12,5% a.a. em 2002 para 4,2% a.a. atualmente;

5) Déficit público anual em torno de 2,5% do PIB nos últimos anos (menor do que os 3% exigidos pela UE dos países-membros);

6) Oferta de crédito crescendo e atingindo 54% do PIB, barateando o custo do crédito para a população e para as empresas;

7) Distribuição de renda melhorando, com o índice de Gini atingindo o seu menor nível desde que o mesmo começou a ser usado no Brasil, em 1960;

8) Ascensão social de 50 milhões de brasileiros, com 40 milhões subindo para a classe C e outros 10 milhões chegando às classes AB;

9) Crescimento econômico moderado, mas constante e permanente (em torno de 2,5% ao ano) e que ocorre em um ambiente de grave crise internacional, com as maiores economias do mundo estagnadas ou em recessão há vários anos (EUA, UE, Japão) ou que passam por uma forte desaceleração do seu rimo de crescimento (casos da China, Índia, Rússia, América Latina).

10) Formalização crescente do mercado de trabalho, com o percentual de trabalhadores que possuem carteira assinada crescendo de 45,3% em 2001 para 56% em 2011.


Olha cada manchete 'maravilhosa' que tínhamos na época do governo FHC.

No entanto, como era a situação brasileira na época do governo FHC? É o que eu mostro e comento logo a seguir.

Uma matéria da 'Folha' publicada em Dezembro de 2002 dizia o seguinte:

1) “A deterioração do mercado de trabalho ganhou força no último ano de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O baixo crescimento econômico dos últimos anos é apontado por economistas e pesquisadores da área como o principal responsável pelo fenômeno do desemprego crescente. Os juros altos, a política cambial dos primeiros anos da era FHC e as privatizações aparecem como alimentadores do processo, na avaliação de especialistas”;

Obs: Portanto, foram as políticas adotadas pelo próprio governo tucano que provocaram o aumento do desemprego no país. Cai por terra, portanto, aquela asneira de dizer que a culpa foi das 'crises internacionais'.

Não foi.

2) “Os anos FHC começaram em janeiro de 95 com uma taxa de desemprego de 4,3% da PEA... Em outubro deste ano, a taxa de desemprego alcançou, descontadas as variações sazonais, 7,7% da PEA.”.

Obs: Assim, a taxa de desemprego, no governo FHC, teve um crescimento gigantesco, de 79%.

Pode isso, Arnaldo?

3) "A sobrevalorização do câmbio, que durou até o início de 99, combinada com uma abertura pouco criteriosa às importações, maltratou grande parte da nossa indústria e impulsionou o desemprego".

Obs: Logo, o governo FHC nada fez para beneficiar a indústria brasileira, muito pelo contrário, permitiu que ela fosse fortemente prejudicada por uma concorrência externa predatória. Já no governo Dilma tivemos a redução das tarifas de energia, a desoneração da folha de pagamento, a redução de impostos e a ampliação dos empréstimos feitos pelo BNDES (com uma TJLP menor, de 5% ao ano).

4) A matéria da 'Folha' também diz o seguinte:

As taxas crescentes de desemprego não resultam apenas do fechamento de postos de trabalho. O problema é que o aumento das ocupações não tem acompanhado a necessidade de abertura de vagas para as pessoas que chegam ao mercado de trabalho. "Com isso, temos visto o crescimento do emprego informal e temporário”...

O governo FHC não conseguiu chegar ao fim com uma recuperação do emprego. Pelo contrário, os últimos dados mostram o percentual de desocupados crescendo".

Obs: Desta maneira, além do desemprego ter crescido fortemente durante o governo FHC, os poucos empregos gerados eram de péssima qualidade, sendo que a imensa maioria dos mesmos eram informais e temporários.

Trágico.

5) A matéria da 'Folha' também diz que "enquanto o desemprego cresceu 155% entre 95 e 2000, segundo pesquisa do IBGE, o volume de recursos para geração de emprego e assistência aos desempregados aumentou apenas 64,7%.".

Obs: Portanto, o governo FHC nada fez de relevante para combater o desemprego e tampouco se preocupou em beneficiar os desempregados cada vez mais numerosos no país. FHC deixou milhões de trabalhadores desempregados e nada fez para ajudá-los a sair desta situação;

6) Sobre o crescimento econômico, vejam o que a matéria da 'Folha' diz:

"O primeiro semestre deste ano foi especialmente desanimador. O PIB registrou crescimento de apenas 0,14%. Para o ano, as estimativas são de que o crescimento da economia fique em torno de 1,5%.".

Obs: 0,14% de crescimento do PIB no primeiro semestre de 2002? Isso é que é 'pibinho', hein!

7) "O baixo crescimento manteve a renda per capita quase estagnada nos últimos anos. E esse último ano de governo FHC não foi diferente".

Obs: Logo, o baixo ritmo do crescimento acabava prejudicando a população brasileira, que teve a sua renda estagnada durante vários anos seguidos. E por isso a pobreza continuava em patamares altíssimos no país, tendo terminado o governo FHC com cerca de 29% dos brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Atualmente, este percentual é de cerca de 12%;

8) Sobre a taxa de desemprego, os dados do IBGE não captavam totalmente a realidade do mercado de trabalho (obs: uma nova metodologia passou a ser usada a partir de Março de 2002, mas ela somente passou a ser considerada como sendo a oficial em Janeiro de 2003) e os dados do Dieese mostravam uma realidade ainda pior.

Vejam o que diz a matéria da 'Folha':

"Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a Ped registrou uma taxa de desemprego de 19% no mês de outubro... O IBGE mede apenas o desemprego aberto (pessoa que trabalhava, foi demitida ou pediu demissão, procura novo emprego e não acha). Já o levantamento do Dieese/Seade mede também o chamado "desemprego oculto por desalento", que é quando a pessoa procurou emprego nos últimos 12 meses, mas desanimou nos últimos 30 dias, e o desemprego oculto por trabalho precário, que se refere à pessoa que exerceu apenas um trabalho eventual nos últimos 30 dias.".

Obs: 19% de desempregados? Cacilda!

São esses tucanos que entregaram o país nesta situação que vimos acima que, agora, dizem que o Brasil está numa situação ruim e que afirmam que o país precisa voltar ao que era feito durante o governo FHC?

Fala sério, vai!



Um comentário:

Eddie Lamas disse...

Excelente análise. Comparações equilibradas ao longo do texto. A situação radicalmente antagônica tem que ser ressaltada, para evitar que a pouca memória do brasileiro deixe os incautos acreditarem nesta ladainha derrotista proporcionada pela mídia dominante.