segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A Direita Golpista, o movimento 'Não Vai Ter Copa' e a defesa do Apartheid Social! - por Marcos Doniseti!

A Direita Golpista, o movimento 'Não Vai Ter Copa' e a defesa do Apartheid Social! - por Marcos Doniseti!


Movimentos sociais legítimos organizados (de estudantes, trabalhadores, intelectuais, etc) apoiavam as 'Reformas de Base' que o governo Jango tentava promover no Brasil e que eram fundamentais para o desenvolvimento do país. 

Muitos estão preocupados com os protestos que já estão sendo preparados e que irão acontecer durante a Copa de 2014. Alguns deles já irão acontecer no próximo dia 25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, o que já é motivo para se suspeitar dos mesmos, visto que a capital paulista é, 'coincidentemente', governada por um petista, Fernando Haddad. 

Penso que há motivos, sim, para preocupação. 

Mas também existem motivos para não cair no desespero e nem em provocações estúpidas da Direita Reacionária e Golpista e que sabe que, em circunstâncias normais de temperatura e pressão, Dilma será reeleita Presidenta neste ano. E daí se origina o seu crescente desespero. 

Até mesmo vários dos colunistas mais reacionários da Grande Mídia Golpista (incluindo Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Guilherme Fiúza) já admitiram que Dilma deverá vencer a eleição presidencial deste ano.  

Mas, sinceramente, não vejo como as manifestações que irão acontecer em 2014, e que já começam em Janeiro, possam vir a reunir tantas multidões nas ruas, tal como aconteceu em 2013. 

Em 2013, as primeiras manifestações em São Paulo, organizadas pelo MPL (Movimento Passe Livre), tinham um claro perfil reivindicatório e que era ligado ao desejo de desfrutar de serviços públicos de qualidade e acessível para todos, o que é algo perfeitamente justo, correto e mais do que legítimo. 

Entendo que esse tipo de movimento social organizado é, na verdade, essencial para o aperfeiçoamento da Democracia e para a construção de uma sociedade caracterizada pela justiça social e onde todos possam viver com dignidade. 


Desde quando movimentos sociais legítimos fazem isso? 

Portanto, essa era uma pauta inegavelmente progressista (tanto que se inspirava no projeto de Tarifa Zero que o governo de Luiza Erundina havia tentado colocar em prática em seu governo pelo PT entre 1989-1992) e que atraía, sim, a simpatia da maioria da população, independente de se concordar ou não com a proposta da 'Tarifa Zero' propriamente dita. 

Mas é claro que para os trabalhadores e os mais pobres é essencial que o Estado ofereça serviços públicos de qualidade, até porque a imensa maioria da população não têm condições de pagar por educação, saúde, previdência social e transporte privados. 

No caso da saúde, por exemplo, apenas 25% da população brasileira contribuem com planos de saúde privados, sendo que o acesso de grande parte das pessoas se dá por meio de convênios feitos entre os empregadores e as empresas de saúde privada.

Em 2013 havia, sim, uma insatisfação com relação à qualidade dos serviços públicos no país (o que não era novidade) e que atingia a todos os governos, em todas as esferas (federal, estadual e municipal). Tanto isso é verdade que a queda dos índices de aprovação caiu para todos os governantes do país naquele momento, independente do cargo que ocupavam ou do partido ao qual pertenciam.

E as pessoas deixaram bem claro essa insatisfação nas primeiras manifestações, antes que elas fossem apropriadas por grupos neofascistas, golpistas de extrema-direita, pelo crime organizado, agentes infiltrados e assemelhados. 


No início as manifestações de 2013 reivindicavam serviços públicos de melhor qualidade, o que é uma pauta progressista, inegavelmente.

Mas penso que o próprio fato das manifestações do ano passado terem desembocado em violência irracional contra o patrimônio público, privado, resultando em roubos, enfim, em baderna e vandalismo generalizados, fará com que poucas pessoas participem delas novamente neste ano de Copa do Mundo e de eleição. 

Pesquisa recente do Datafolha mostrou que 95% da população repudia a violência nas manifestações. E como os protestos mais recentes que tivemos descambaram para a violência irracional, a população se afastou das mesmas, que passaram a ser realizadas pelos Black Blocs, membros do crime organizado insatisfeitos com a criação das UPPs (no caso do RJ), agentes infiltrados, membros de grupos de extrema-direita, entre outros.

Oras, tais grupos nem de longe representam qualquer segmento mais expressivo da população brasileira. São uma 'meia-dúzia' de gatos pingados que se fossem se organizar em partidos políticos e participar das eleições não teriam sequer 0,1% dos votos. 

Além disso, entendo que a própria Copa do Mundo será um acontecimento histórico, ao qual os brasileiros saberão dar o devido valor quando a mesma começar. Talvez o Brasil não seja mais o 'País do Futebol' (está aí a Seleção de Handebol Feminino, de Vôlei Masculino e Feminino, que ganham títulos), mas ainda há uma maioria de brasileiros que são, sim, apaixonados pelo futebol e querem que a Copa do Mundo seja um sucesso. 

Pesquisas de opinião feitas na época das manifestações de Junho mostravam apoio da maioria absoluta da população brasileira para a realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo no Brasil. 


Que tal lançarmos o movimento 'Não Vai Mais Ter Pedágios em SP'?

E se ficar claro que algum grupo político organizado ou candidato de oposição estará tentando promover o caos no país, durante a realização da Copa, para tentar tirar algum proveito político e eleitoral do fato, então, com certeza o mesmo estará dando um tiro de canhão no próprio pé. 

Até porque se algo der errado (por exemplo, ocorrer alguma morte de manifestante) aqueles que estimularam, irresponsavelmente, os protestos durante a competição estarão cometendo suicídio político e eleitoral. 

Além disso, e muito diferente do que vimos em 2013, desta vez o governo federal está se preparando para essa eventualidade, criando uma força de segurança capaz de agir na hora certa. 


O Brasil investe bilhões de Reais para organizar a Copa (sendo que a maior parte do dinheiro investido foi em projetos de mobilidade urbana e não em estádios, como muitos desinformados acreditam), sendo que terá um retorno de R$ 142 bilhões com a promoção do evento e, mesmo assim, um bando de imbecis quer fazer de tudo para estragar com a festa. Haja idiotas!

Assim, o fator surpresa, que tivemos em 2013, desta vez não estará presente. 

E o próprio governo da Presidenta Dilma tratou de ouvir a 'voz das ruas' e tomou medidas para atender a algumas das principais reivindicações dos manifestantes, criando o 'Mais Médicos' e liberando R$ 50 bilhões para investimentos em mobilidade urbana (trens, metrô, ônibus).

Dizem que o Faustão, em seu programa de ontem (05/01/2014), convocou a população para sair às ruas, protestando. Marina Silva e os colunistas reacionários da Grande Mídia também estão implorando por novos protestos. 

Então, fico me perguntando se a preocupação com isso representa algum tipo de histeria, mesmo, como vi alguns petistas e simpatizantes de Dilma despreocupados afirmarem por aí (leia-se: Redes Sociais). 

Entendo que a oposição sabe que a única 'bala de prata' contra a candidatura de Dilma que ela terá esse ano são os protestos na época da Copa, pois a economia do país está em boa situação, mesmo com crise global e tudo. 

A inflação está sob controle (desde 2005 a taxa média anual é de 6%, estando dentro das metas determinadas pelo CMN), a taxa de desemprego é a menor da história, a renda dos trabalhadores está crescendo acima da inflação desde 2004, as contas públicas estão equilibradas, os investimentos em infra-estrutura estão aumentando (as concessões de rodovias e do pré-sal foram um grande sucesso), a pobreza e a miséria estão diminuindo a cada ano que passa, a concentração de renda está caindo (o índice de Gini encontra-se encontra-se no seu menor nível histórico) e as reservas internacionais líquidas do país estão em quase US$ 376 bilhões. 


Ascensão social e econômica no Brasil é inegável e é isso o que mais irrita as classes conservadoras da sociedade, que são elitistas e querem a manutenção de um regime de Apartheid Social. 

É claro que a Grande Mídia irá tentar criar um clima de pessimismo, a fim de provocar uma crise econômica e social no país. Mas ela já tentando fazer isso há vários anos e não conseguiu. E no fim das contas, a oposição midiática sabe que não há, neste momento, qualquer possibilidade do Brasil ser atingido por uma crise econômica mais forte, pois os fundamentos econômicos e financeiros do país são bastante sólidos. 

Entendo  que aquilo que a Direita Reacionária quer, com estes protestos, é uma coisa em especial: a criação de uma situação de caos na sociedade, acompanhada de um cadáver que possa colocar no colo da Dilma para poder derrotá-la na eleição presidencial. 

Se isso vai dar certo, já é outra história. 

Mas para quem conhece um pouco da história de como os governos de João Goulart e de Salvador Allende foram derrubados, não custa nada ficar alerta e atento, ok? 

Ao contrário do que patéticos anti-comunistas e elitistas reacionários e imbecis alardeiam por aí, numa grosseira e ridícula tentativa de promover uma falsificação da história do país, o principal motivo para o Golpe de 64 não foi o desejo de combater 'o comunismo e a corrupção'. 

Isso é asneira das grossas e é um discurso que não engana ninguém que tenha mais do que dois neurônios e que os utilize para pensar. 

A razão principal para o Golpe de 64 é que a Direita Reacionária desejava interromper o crescente processo de democratização política, econômica e social que se desenvolvia no país naquele momento, durante o qual tivemos o surgimento e o fortalecimento de movimentos sociais populares organizados (estudantil, operário, de camponeses, de intelectuais, organizados em entidades como a UNE, sindicatos de trabalhadores, o CGT, Ligas Camponesas, em partidos como o PTB e o PCB, etc).

Mas como a Direita Reacionária sabia que seria derrotada na eleição presidencial que seria realizada em Novembro de 1965 e que um processo de Impeachment contra Jango era totalmente inviável (até pelo fato dele ser um Presidente bastante popular, como se sabe agora que várias pesquisas de opinião realizadas na época foram divulgadas) a única maneira que sobrou para que ela chegasse ao poder era por meio de um Golpe de Estado. E foi nisso que ela apostou todas as suas fichas, o que acabou dando certo, infelizmente. 

Assim, já em 1964 sabia-se que o ex-Presidente JK e o então Presidente Jango eram os nomes mais fortes para a eleição presidencial que seria realizada em 1965, embora a Constituição da época não permitisse a reeleição. 

E mesmo que não pudesse se candidatar à reeleição, Jango poderia apoiar decisivamente alguma candidatura e isso poderia fazer a diferença no resultado final da eleição, tal como aconteceu quando Lula apoiou Dilma em 2010.

E na sequência vinha ainda a candidatura de Leonel Brizola, que tinha obtido uma votação consagradora como deputado federal pelo RJ em 1962 e que já havia se transformado na principal lideranças dos movimentos socialistas Nacionalistas Radicais do período (UNE, CGT, etc) passando a rivalizar com o próprio Jango dentro do PTB. 


A Reforma Agrária era uma das principais mudanças pelas quais os movimentos populares lutavam nas décadas de 1950-1960. Golpe de 64 e a Ditadura Militar, que aniquilou com os movimentos de luta no campo, inviabilizaram a realização da mesma. 

Já os nomes da Direita Conservadora e que também participaram do movimento golpista que derrubou o governo Jango (os governadores Ademar de Barros, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto) não tinham chance alguma na eleição de 1965.

Assim, a Direita mais conservadora e reacionária sabia que a sua derrota na eleição presidencial de Novembro de 1965 era inevitável, tal como sabe, hoje, que em circunstâncias normais de temperatura e pressão Dilma será a vencedora da eleição que teremos neste ano. 

E é sempre assim: Quem não tem voto, apela para Golpes. 

Logo, essa Direita Reacionária se encontra, neste momento, em uma situação semelhante à de 1964, ou seja, ela sabe que não têm, de fato, nenhum candidato (a) forte o suficiente para derrotar Dilma nas urnas. 

E para quem não têm votos populares suficientes para chegar ao poder resta apenas uma alternativa: a criação do caos na sociedade a fim de se justificar um futuro Golpe de Estado. 

Foi isso que as Direitas do Brasil e do Chile fizeram em 1961-1964 e em 1971-1973, quando criaram uma situação de caos na sociedade, promovendo atos de violência, vandalismo, estimulando movimentos de insubordinação dentro das Forças Armadas (todos se lembram do notório agente infiltrado Cabo Anselmo, é claro), criando e armando milícias privadas por todo o país (principalmente no caso dos latifundiários, que rejeitavam as medidas de Jango em favor da Reforma Agrária e da implantação das Leis Trabalhistas na área rural). 

Então, neste ano, todo cuidado é pouco com a Direita Reacionária tupiniquim. Ela está desesperada. O seu pessimismo com o futuro político nacional é público e notório. Eles tentam, de todas as maneiras, provar que o 'país vai de mal a pior', mas somente meia-dúzia de fanáticos imbecilizados acreditam nesta asneira. 


Até 2013 o ProUni já beneficiou mais de 1.700.000 estudantes. Mesmo assim, o DEM, com o apoio do PSDB e do PPS, entrou no STF para acabar com o programa. 

O Brasil ainda têm, sim, graves problemas sociais, mas eles eram muito mais graves e já existiam antes dos governos Lula e Dilma. 

Além disso, os governos destes adotaram uma série de políticas que reduziram a concentração de renda, a pobreza e a miséria no país, inegavelmente. Exemplo claro disso é que 50 milhões de brasileiros conseguiram ascender social e economicamente desde 2003, com 40 milhões subindo para a classe C e outros 10 milhões passando a fazer parte das classes AB.

Então, neste caso, é claro que a população brasileira não responsabiliza os governos Lula e Dilma pelos eventuais problemas que o país ainda possui na área social. Mas ela quer soluções para os problemas que enfrenta, sim, principalmente na questão da qualidade precária dos serviços públicos.

Obs: Aqui é bom lembrar que muitos serviços públicos (de educação, saúde, transporte coletivo, saneamento básico, moradia) são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais. 

Assim, nestas condições, a Direita Troglodita sabe que está caminhando para sofrer a quarta derrota eleitoral consecutiva numa eleição presidencial. 

E sempre que a Direita Reacionária foi derrotada a mesma sempre tentou apelar para tentativas de inviabilizar tais derrotas. Em alguns momentos da história ela usava do famoso 'tapetão pseudo-jurídico', ou então batia às portas dos quartéis, exigindo a intervenção dos militares no processo político, ou então promovia a criação de um clima de caos na sociedade a fim de justificar e levar adiante um Golpe de Estado. 

A história brasileira está repleta de exemplos deste tipo. E justamente por isso que as recentes convocações para que os brasileiros saiam 'às ruas' novamente, em 2014, não devem ser ignoradas ou tratadas como algo sem importância. 


Inspirados pelo Trabalhismo de Vargas, JK e Jango venceram a eleição presidencial de 1955. Mas a UDN e militares conservadores tentaram impedir a posse de ambos. Felizmente, porém, o Golpe fracassou.

Então, vamos rememorar alguns destes momentos históricos:

1) Em 1950, por exemplo, quando Getúlio Vargas se elegeu Presidente da República pelo PTB, democraticamente, alcançando 48% dos votos populares, a UDN tentou apelar para a Justiça com o objetivo de impedir a sua posse, dizendo que ele não havia alcançado a maioria 'absoluta' dos votos. E a UDN fez isso mesmo sabendo que a legislação da época não exigia essa 'maioria absoluta'.

Aliás, antes mesmo da eleição acontecer, Carlos Lacerda dizia o seguinte: 'Não podemos permitir que Getúlio seja candidato a Presidente. Candidato, não podemos permitir que ele seja eleito. Eleito, não podemo permitir que ele tome posse. Empossado, não podermos permitir que ele governe'.

Precisa ser mais claro do que isso? 

Obs: Isso mostra que a tentativa das Direitas de usar a Justiça para barrar as suas derrotas políticas e eleitorais não é nenhuma novidade;

2) Em 1955, a UDN (sempre ela...) e um grupo de militares conservadores (alguns deles foram os mesmos que participaram do Golpe contra Vargas em 1954 e também do Golpe contra Jango em 1964) tentaram, num primeiro momento, impedir que JK fosse candidato. 

Porém, JK (do PSD varguista) não se acovardou, encarou a empreitada e foi vitorioso (com o Jango, do PTB, como candidato a Vice-Presidente) na eleição presidencial. E o que aconteceu? Novamente a Direita Reacionária (ou seja, a UDN...) veio com o mesmo papo de 'maioria absoluta' para que JK pudesse tomar posse. 

Não funcionou, de novo. 


O Marechal Lott, militar democrático e legalista que liderou um Contra-Golpe e garantiu a posse dos recentemente eleitos JK e Jango. 

Daí, os direitistas reacionários tentaram, no mesmo ano (1955), um outro Golpe de Estado, que contou com a participação ativa de Café Filho, que assumiu a Presidência da República após o suicídio de Vargas (Café Filho era do PSP de Ademar de Barros, com o qual Vargas se aliou em 1950, prometendo retribuir o apoio na eleição de 1955 para o governador paulista, Adhemar de Barros). 

O plano golpista consistia em provocar a demissão do Ministro da Guerra, o Marechal Lott, que era um Democrata autêntico e um convicto defensor da Constituição e que os golpistas sabiam que seria um obstáculo a qualquer tentativa de Golpe de Estado. 

Os golpistas sabiam que com o Marechal Lott comandando o Exército qualquer tentativa de Golpe acabaria fracassando. 

Assim, os golpistas criaram uma crise e conseguiram afastar Lott do Ministério da Guerra, substituindo-o por um general comprometido com o Golpe de Estado. 

E tal movimento golpista somente não foi vitorioso porque um grupo de generais do Exército (defensores da Legalidade Democrática e do respeito à Constituição) percebeu que Lott havia caído numa armadilha dos golpistas e se levantaram contra o Golpe. Daí, eles convenceram o Marechal Lott a promover um Contra-Golpe e que foi vitorioso. Assim, garantiu-se a posse de JK e de Jango na Presidência e na Vice-Presidência da República no final de Janeiro de 1956;

3) Mesmo depois de empossado na Presidência da República, JK ainda sofreu mais duas tentativas de Golpe de Estado durante o seu governo, com as revoltas militares de Jacareacanga, em 1956, e de Aragarças, em 1959. Ambos os movimentos golpistas tiveram a participação de militares da Aeronáutica ligados à Carlos Lacerda (da UDN, é claro...), mas eles foram derrotados devido ao seu isolamento dentro das próprias Forças Armadas e em relação á sociedade, que desejava a manutenção do regime Democrático Liberal no país naquele momento;


Carlos Lacerda, o principal líder da UDN (União Democrática Nacional, mas também conhecida como 'Unidos Destruiremos a Nação), em um dos raros momentos em que não estava tramando um Golpe de Estado contra um governo democraticamente eleito.

4) O Golpe contra a posse de Jango na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, em Agosto-Setembro de 1961. 

Tal movimento golpista foi desencadeado pelos três ministros militares (da Guerra, Marinha e Aeronáutica) e visava impedir a posse de Jango como Presidente da República, embora a Constituição do país fosse clara e garantisse a posse do Vice em caso de renúncia ou morte do Presidente. 

No entanto, a Rede da Legalidade criada pelo corajoso governador do RS, Leonel Brizola, conseguiu mobilizar a maior parte da opinião pública em defesa da Constituição.

Com isso, o movimento golpista foi derrotado e Jango tomou posse na Presidência do país após concordar com a instalação do regime Parlamentarista de governo, tendo o ex-ministro da Justiça de Vargas, Tancredo Neves, como Primeiro-Ministro; 

5) O Golpe de 1964, é claro, que foi promovido pelas forças mais conservadoras da sociedade e das Forças Armadas e que foi precedido de vários anos de agitação política e social e que visava promover uma situação de caos na sociedade. 

E eles conseguiram isso, sem dúvida alguma, tanto que segmentos expressivos da sociedade brasileira, como a classe média tradicional e conservadora (lembram-se das famosas Marchas da Família, certo?), as classes capitalistas, os militares, a Igreja Católica, os latifundiários, mais as multinacionais e o governo dos EUA, participaram ativamente do movimento Golpista e comemoraram efusivamente a vitória do mesmo, que acabou por derrubar o governo Jango em 01 de Abril de 1964. 

E como eu já afirmei aqui, o grande objetivo de todos estes movimentos golpistas era o de interromper o crescente processo de Democratização que ocorria no Brasil naquele momento histórico, com as camadas populares crescentemente mobilizadas e organizadas na defesa e ampliação dos seus direitos políticos, econômicos, sociais, culturais, entre outros. Naquele momento histórico, a Democracia formal brasileira estava se transformando, cada vez mais rapidamente, em uma Democracia real, com um crescente processo de participação popular nas decisões do governo e no próprio Estado brasileiro. 


O que não gostamos em você é o seu Fascismo, mesmo...

Assim, entre 1945-1964, os operários, estudantes, camponeses, intelectuais, lideranças políticas nacionalistas e reformistas levaram adiante um intenso e cada vez mais forte movimento de mobilização e de organização das camadas populares, com o objetivo de promover a realização das chamadas 'Reformas de Base'.

O principal objetivo dos movimentos Nacionalistas Reformistas com as 'Reformas de Base' era construir uma Nação soberana (portanto, nada de submissão aos EUA, como as classes conservadoras mais tradicionais tanto gostavam), justa e desenvolvida, com forte participação do Estado (e no qual as classes populares teriam uma imensa influência) na economia e na sociedade. 

E foi para impedir que este crescente processo de Democratização tivesse continuidade e se fortalecesse cada vez mais que as forças Conservadoras da sociedade brasileira, e com o decisivo apoio do governo dos EUA (via CIA, embaixada, USAID, etc), promoveram e organizaram o Golpe de 1964.

'Coincidentemente', a única eleição presidencial que tivemos no período 1945-1964 e cujos resultados as forças Conservadoras nunca questionaram foi a de 1960, na qual o conservador (mas excessivamente instável e extremamente autoritário) Jânio Quadros, candidato pelo pequeno PDC, e apoiado pela UDN, foi o vitorioso. 

Afinal, Jânio teve a maioria absoluta dos votos? Claro que não, mas agora isso não importava mais para a UDN. O que interessava é que a Direita finalmente tinha conseguido derrotar os herdeiros de Vargas na eleição de 1960. 

Porém, a renúncia de Jânio, em Agosto de 1961, estragou tudo para a UDN e para as Direitas tupiniquins e que viam os herdeiros de Vargas (Jango e Tancredo) governando o Brasil novamente. 

E daí toca organizar outro Golpe de Estado...


Para o colunista da 'Folha' e da 'Veja', Reinaldo Azevedo, a África do Sul era boa, mesmo, na época do Apartheid...

Portanto, a história brasileira é mais do que evidente em um aspecto: as Direitas brasileiras, os segmentos mais Conservadores de nossa sociedade, nunca respeitaram os resultados das eleições quando os mesmos lhes foram desfavoráveis. 

Em todas as oportunidades em que isso aconteceu, entre 1945-1964, tais forças sociais conservadoras apelaram para tentar impedir a candidatura (de Vargas, em 1950, e de JK, em 1955), a posse (de Vargas em 1951, de JK em 1955 e de Jango em 1961) de lideranças políticas que não se submetiam ou que não concordavam com a visão elitista, reacionária, anti-democrática e anti-nacional que elas defendiam.

O fato histórico concreto é que os segmentos mais conservadores da sociedade brasileira possuem uma visão de mundo profundamente elitista e reacionária. O que eles defendem, de fato, é a existência de um regime de Apartheid social, e que disfarçam usando de um rasteiro e pré-histórico discurso anti-comunista e anti-corrupção (o que também não é nenhuma novidade, pois a UDN e Carlos Lacerda usaram, sem sucesso, desse discurso nas décadas de 1940-1960).


Salvador Allende foi um dos presidentes democraticamente eleitos, na América Latina, que acabaram vítimas de Golpes de Estado direitistas e reacionários apoiados pelos defensores de um Apartheid Social.

Portanto, a verdade é que, sob o disfarce da indústria do anti-comunismo e da anti-corrupção, atuam os segmentos da sociedade que são os maiores defensores da manutenção de um regime de Apartheid Social, de uma sociedade profundamente elitista, a qual procuram manter intacta nas suas estruturas. 

E eles fazem isso apoiando e promovendo Golpes de Estado (em suas várias versões: judiciário, midiático, civil-militar) que geram a instalação de Ditaduras Militares que são sustentadas politicamente por estes setores elitistas, anti-democráticos e profundamente reacionários da sociedade. 

Este é o mesmo pessoal que participou das 'Marchas da Família' em 1964, do 'Cansei' em 2007, que diz que a África do Sul era melhor na época do regime racista do Apartheid e que a aprovação da Lei Áurea, das Leis Trabalhistas e do 13o. Salário seria desastroso para o Brasil (e que diziam a mesma coisa sobre a Lei Áurea seriam medidas de consequências nefastas e desastrosas para o país e o seu povo. 

Resumindo: Este movimento anti-corrupção e anti-comunista é organizado pelos segmentos da sociedade que não tolera a ascensão (social, econômica, cultural, política) dos trabalhadores e dos mais pobres. 

O resto é conversa fiada para boi dormir.



Para os setores mais reacionários da sociedade brasileira, os mesmos que idolatram o regime do Apartheid sul-africano, o Fascismo promove a construção do tipo ideal de Estado e de Sociedade, pois nele as forças de Esquerda são totalmente massacradas e aniquiladas.

Por tudo isso, não devemos menosprezar e tampouco ignorar as mobilizações que estes mesmos segmentos reacionários e anti-democráticos estão convocando e já anunciam para 2014.

Mas, entendo que muito dificilmente elas irão mobilizar as mesmas multidões que vimos nas ruas do país em Junho de 2013.

Primeiro porque aquelas mobilizações pegaram todos os governantes e lideranças políticas do país de surpresa. E este fator surpresa, como eu já afirmei aqui, não estará presente em 2014. 

Em segundo lugar, porque algumas das principais demandas das manifestações do ano passado estão sendo atendidas pelo governo federal e por vários governos estaduais e municipais, com a ampliação dos investimentos em Saúde, em Transporte Coletivo e em Habitação, por exemplo.


Sempre é bom lembrar destas coisas, não é mesmo, coxinhas?

E alguns governantes também já perceberam (né, Alckmin?) que um dos principais motivos para que as manifestações de Junho de 2013 tenham atraído multidões tão numerosas foi o fato deles terem promovido uma repressão policial exagerada e absurda contra os movimentos quando estes ainda tinham um caráter predominantemente reivindicatório.

E isso aconteceu quando as manifestações ainda não tinham se transformado em algo totalmente diferente, quando passaram a ter um perfil claramente desestabilizador da ordem política e social do país, que foi o que aconteceu a partir de um certo momento, em que membros e militantes de partidos e organizações de Esquerda passaram a ser hostilizados e expulsos, com extrema violência, das manifestações. Até os líderes do MPL chegaram a ser expulsos de manifestações que eles mesmos convocaram, mostrando que eles não tinham o controle de coisa alguma.

Além disso, a violência irracional que tomou conta das manifestações posteriormente afastou a população das mesmas. Pesquisa do Datafolha realizada no final de Outubro de 2013 mostrou que 95% dos brasileiros repudiam o uso da violência nas manifestações populares.

E talvez tenha sido em função dessa violência desenfreada que as manifestações convocadas para o 7 de Setembro tenham sido um total e absoluto fracasso.

Aliás, isso é algo que poucos estão se lembrando neste momento, ou seja, que as mais recentes manifestações que foram convocadas no país não atraíram praticamente ninguém, caindo num total e absoluto vazio.

Estaria, assim, esgotada essa forma de luta? Penso que não. Mas estou convencido de que a população não voltará a participar das mesmas caso perceba que a razão delas estarem sendo organizadas não é conquistar a melhoria das suas condições de vida, mas promover o caos na sociedade, com o objetivo de se promover um retrocesso político, econômico, social e institucional no país, tal como já foi tentado em outros momentos da história brasileira (1950, 1954, 1955, 1956, 1959, 1961, 1964), tal como já analisei neste texto


Para quem é contra a existência de partidos políticos: 'Parabéns. Mussolini concordava com você...'.

Portanto, a julgar pelo que vimos nos últimos meses, e principalmente depois do fracasso das manifestações convocadas para o 7 de Setembro do ano passado, entendo que as chances de que novas manifestações possam reunir novamente imensas multidões nas ruas das cidades brasileiras é algo muito improvável. 

É provável que estas manifestações venham a reunir, na época da Copa, alguns poucos milhares de pessoas por todo o país (e essencialmente serão militantes e simpatizantes de partidos políticos de oposição ao governo federal e a alguns governos estaduais), mas sem chegar sequer próximo das mobilizações que vimos em Junho de 2013.

Porém, todo cuidado é pouco com esses grupos organizados, pois não são necessárias multidões gigantescas nas ruas para que se promova um verdadeiro festival de baderna, violência e vandalismo.

Não Passarão!


Links:

Dilma anuncia investimentos de R$ 50 bilhões em mobilidade urbana:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-24/dilma-anuncia-mais-r-50-bilhoes-para-obras-de-mobilidade-urbana

Manifestações de 7 de Setembro tem baixa adesão, mas gera confrontos e violência:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/09/1338803-manifestacoes-no-7-de-setembro-tem-baixa-adesao-confrontos-e-detidos.shtml

Há conspiração golpista contra a Copa?

http://tijolaco.com.br/blog/?p=12235

O programa Mais Médicos:

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/acoes-e-programas/mais-medicos


Depois do escândalo do Metrô, ficou difícil continuar usando esse discurso, né, tucanada?


Uso de violência em manifestações é repudiado por 95%;

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1362856-95-desaprovam-black-blocs-diz-datafolha.shtml

Fascistas expulsam quem estava de vermelho no ato convocado pelo MPL:

http://www.brasildefato.com.br/node/13305

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