domingo, 23 de fevereiro de 2014

Como será possível derrotar e isolar o movimento golpista no Brasil! - por Marcos Doniseti!

Como será possível derrotar e isolar o movimento golpista no Brasil! - por Marcos Doniseti!

'Manifestantes' em SP e a sua principal palavra de ordem: "Escuta Dilmaaa, cê vai caí; abre seu olho qu'a Ucrânia é aqui"! 

Nazistas ucranianos, que passaram a ser muito admirados pelos 'manifestantes' brasileiros que desejam inviabilizar e derrubar o governo Dilma. 

Em sua página no Facebook, o Breno Altman, como sempre, postou um excelente texto a respeito de qual deve ser a resposta do governo Dilma e das forças democráticas e progressistas brasileiras à essa crescente radicalização política e social que é promovida por grupos políticos extremistas minoritários, mas que são bastante agressivos e barulhentos, como são os tais Black Blocs e os seus aliados (PSOL, PSTU, Rede, PSDB, etc).

Mas discordo do caminho que ele aponta como sendo a solução para derrotar essa mobilização que tem, claramente, o objetivo de inviabilizar e derrubar o governo Dilma, que é o de fazer como Nicolás Maduro, ou seja, o de levar o povo para as ruas do país e confrontar os golpistas.

E discordo do Breno porque penso que isso é uma armadilha.

Senão, vejamos: As esquerdas democráticas e progressistas (PT, PCdoB, CUT, MST...) colocam o povo nas ruas, certo?

Daí os fascistas de sempre se ouriçam, dão o troco e promovem caos, baderna e vandalismo pelo país afora, o que eles já demonstraram que sabem fazer muito bem, mesmo que em pequenos grupos.

E como a quase totalidade dos brasileiros é contra essa quebradeira irracional que ocorre nas ruas do país, vide pesquisa Datafolha de Outubro de 2013, que mostra que 95% dos paulistanos rejeitam a tática Black Bloc, é claro que Lula-Dilma-PT e as forças democráticas e progressistas é que serão os maiores prejudicados, política e eleitoralmente, com a instalação da desordem em todo o território nacional. 

E daí o PT, Lula e Dilma voltarão a ser identificados pelo povo brasileiro, pelo cidadão comum como sendo sinônimo de baderna, caos, violência e vandalismo, jogando a população contra os mesmos. 

Aliás, é exatamente isso o que derrotava Lula e o PT nas eleições presidenciais antes de 2002, tal como o André Singer demonstrou em 'Os Sentidos do Lulismo'.

Então, penso que adotar a estratégia da confrontação pura e dura contra os movimentos golpistas (minoritários, mas barulhentos e agressivos), é justamente o que eles mais desejam.

Até porque foi exatamente assim que os movimentos golpistas de 1961-1964 e de 1971-1973 foram vitoriosos no Brasil e no Chile, respectivamente, o que resultou na derrubada dos governos progressistas, democráticos e constitucionais de João Goulart e de Salvador Allende.

Então, entendo que a resposta, aqui, tem que ser outra, se diferenciando tanto daquela que o governo deposto da Ucrânia adotou (a repressão pura e simples, que somente alimentaria e fortaleceria ainda mais ao movimento golpista), como a que o governo de Maduro deu, apelando para a massiva mobilização popular, que levaria a uma crescente radicalização política, social e ideológica da qual os maiores beneficiários seriam justamente os movimentos golpistas. 

No Brasil, me parece que os dois caminhos (tanto o ucraniano, como o venezuelano) serão rejeitados pela população que, majoritariamente, deseja ordem e progresso para si e para o Brasil.

 O povo foi para as ruas em 1964. Mas as forças reacionárias e golpistas também foram. E todos sabem qual foi o resultado disso... Um processo de radicalização política, social e ideológica é algo que interessa apenas a quem está fora do governo. Para quem está governando, e para a imensa maioria da população, o importante é que haja desenvolvimento econômico e social. E isso não se consegue promovendo o caos, a desordem e nem o vandalismo, que beneficiam apenas a grupos minoritários, extremistas e que não conseguem chegar ao poder pelo caminho das urnas. E justamente por isso apelam para o caos, a violência e o vandalismo. 

Penso que a resposta aos movimentos extremistas e golpistas, em nosso país, deve se dar em duas direções:

1) Continuar adotando e aprofundando políticas públicas que melhorem as condições de vida da população, investindo cada vez mais em educação, saúde, transporte coletivo, saneamento básico, segurança pública, etc;

2) Isolar os radicais e extremistas, de todas as estirpes (sejam os de extrema-direita ou os de extrema-esquerda), evitando de fazer aquilo que eles mais desejam, que é justamente a de promover uma crescente radicalização e polarização da sociedade brasileira, levando a que o caos e a desordem se tornem rotineiras no país.

Taxa de desemprego brasileira de Janeiro de 2014 foi a menor da série histórica.

Assim, entendo que se as condições de vida da população brasileira continuarem melhorando e os grupos extremistas ficarem isolados, essa pregação radical e essas posturas extremistas ficarão restritas a pequenos grupos, sem maior representação social. Eles cairão no vazio e ficarão pregando no deserto. E o povo brasileiro irá ignorá-los. E sem a sustentação de uma base popular mínima o Golpe de Estado que tais grupos desejam promover estará inviabilizado.

Não podemos esquecer que, em 1964, os Golpistas vitoriosos tiveram, sim, o apoio forte e decidido de setores importantes e poderosos da sociedade brasileira, como a Igreja Católica, o grande capital nacional e estrangeiro, a classe média tradicional, a Grande Mídia, os latifundiários e a alta e média oficialidade das Forças Armadas.

Até o momento os grupos extremistas 'brazileiros' (pois é mais do que evidente que eles contam com financiamento externo, tal como acontece na Venezuela e na Ucrânia e que as fontes de financiamento são as mesmas, made in USA) estão longe de conseguir o apoio destes segmentos sociais. Eles até podem contar com simpatizantes e apoiadores dentro de todos estes setores da sociedade, mas daí a dizer que a maioria deles apoia um movimento golpista vai uma certa distância.

Os golpistas brasileiros ainda não conseguiram um nível de apoio popular organizado minimamente satisfatório para que tenham condições de levar os seus planos golpistas adiante e fazer com que os mesmos venham a ser vitoriosos. E eles ainda estão longe de conseguir isso.

Já na Ucrânia e na Venezuela as teses golpistas conseguiram um apoio popular infinitamente maior, sem dúvida alguma, entres setores expressivos da sociedade, que se opõem radicalmente aos governos de seus países.

Até porque a situação econômica brasileira é bem melhor do que a da Venezuela (que sofre com as sabotagens do empresariado) e da Ucrânia, cuja economia está virtualmente quebrada.

A situação da economia brasileira é, de longe, muito melhor do que a destes dois países.


Já são 10 anos consecutivos com a taxa de inflação dentro das metas estabelecidas pelo CMN, o que é inédito na história do país.


No Brasil o cenário é radicalmente distinto e enquanto a população tiver emprego, seus salários continuarem subindo, a inflação continuar controlada e o país continuar oferecendo possibilidades concretas de ascensão social e econômica para a maioria da população, penso que a chance de que os grupos extremistas venham a conseguir uma grande adesão popular a seus intentos golpistas é praticamente nula.

O Brasil têm crescimento econômico moderado (em torno de 2,5% em 2013), mas constante e que é um dos maiores entre as grandes economias do mundo (em 2013, a economia dos EUA, por exemplo, cresceu apenas 1,6%, a economia do México cresceu somente 1,3% e economia da Zona do Euro cresceu apenas 0,4%), inflação controlada (6% ao ano, em média, desde 2005), desemprego reduzido (ficou em apenas 4,3% em Dezembro de 2013, a menor taxa da história), salários e renda familiar aumentando anualmente e sempre acima da inflação, contas públicas em boa situação (dívida pública líquida diminui a cada ano), robustas reservas internacionais (US$ 376 bilhões) e crescentes investimentos em infra estrutura (energia, transportes, telecomunicações), bem como no setor industrial (petróleo, refinarias, fertilizantes, construção naval, etc), além de promover um inegável processo de redução das desigualdades sociais.

A safra de grãos brasileira bateu novo recorde histórico em 2013, ultrapassando os 188 milhões de toneladas. E para 2014 a previsão é de que a mesma passará dos 195 milhões de toneladas. 
O índice de Gini (que mede a distribuição da renda do trabalho) se encontra no menor patamar de nossa história, desde que o mesmo começou a ser usado no país, em 1960. E a participação da renda do trabalho na renda nacional está aumentando desde 2004, segundo o respeitado economista Márcio Pochmann, acumulando um crescimento de 14% entre 2004-2010.

E aqui também não existe uma 'Ucrânia do Oeste' pró-Ocidente e nem uma 'Ucrânia do Leste' pró-Rússia. E tampouco atingimos o grau de polarização e de radicalização política, social e ideológica da Venezuela.

Então, a nossa resposta para esses barulhentos movimentos extremistas e golpistas, porém minoritários na sociedade brasileira, deve ser diferente.

E essa resposta PRECISA ser diferente, senão estaremos cometendo um grave erro, sem dúvida alguma.

Então, entendo que a resposta do governo Dilma e das forças democráticas e progressistas do país a esse crescente processo de radicalização que a extrema-direita e a extrema-esquerda (que estão, claramente, unidas e coesas em torno do objetivo de inviabilizar e derrubar o governo Dilma) estão promovendo é justamente a de continuar melhorando as condições de vida do povo brasileiro e a de isolar os extremistas. 

Segundo o Dieese, desde 2003 o salário mínimo brasileiro teve um aumento de 72,35% no seu poder de compra. Isso beneficia cerca de 48 milhões de pessoas, cuja renda está atrelada ao valor do salário mínimo.

Qualquer outra estratégia será fazer o jogo do inimigo, não importando se a mesma será a da repressão indiscriminada (que foi o fracassado caminho ucraniano) ou a de sair para as ruas, radicalizando os conflitos políticos e sociais que se processam em nosso país atualmente (que é o caminho venezuelano).

E isso é tudo o que não podemos fazer.

Links:

Manifestantes em SP gritam palavra de ordem defendendo a solução ucraniana (Golpe de Estado) para o Brasil:


Participação da renda do trabalho na renda nacional cresceu 14% entre 2004 e 2010:


Dieese: Salário Mínimo acumula aumento real de 72,35% em uma década:



Salvador Allende fez um governo moderado. Daí o que o governo dos EUA fez para derrubá-lo? Estimulou a radicalização política, social, econômica e ideológica, apoiando grupos de extrema-direita e, também, os de extrema-esquerda. Qualquer semelhança com o que está acontecendo, hoje, no Brasil (embora com uma escala e intensidade menores do que no Chile), na Venezuela e na Ucrânia não é mera coincidência. 

Taxa de desemprego de Dezembro de 2013 é de 4,3%, a menor da série histórica:


Taxa de inflação no governo Dilma (2011-2014) fechará no mesmo patamar do alcançado no governo Lula (2003-2010):


Renda real dos trabalhadores cresceu 3,6% em 2013:


Faturamento real da indústria brasileira cresceu 3,8% em 2013:


Brasil bate recorde e produz 188,2 milhões de toneladas de grãos em 2013:

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