terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A política econômica brasileira durante a Ditadura Militar! - por Marcos Doniseti!

A política econômica brasileira durante a Ditadura Militar! - por Marcos Doniseti!

O chamado 'Milagre Econômico' da época da Ditadura Militar durou apenas 6 anos, entre 1968-1973, e cobrou um alto preço em termos de aumento de inflação e do endividamento externo. 

O primeiro governo militar pós-64, que foi o de Castello Branco, foi um governo neoliberal, com a economia sendo comandada pela dupla Bulhões-Campos, dois neoliberais de carteirinha.
Daí veio o resultado que sempre acontece no Neoliberalismo: arrocho salarial, aumento de impostos, corte brutal de gastos públicos, recessão, falências, desemprego (qualquer semelhança com o plano de governo de Aécio e Marina não é mera coincidência).
O arrocho foi tão forte que a mesma classe média que saiu às ruas para comemorar o Golpe em 64, se voltou contra a Ditadura em função do aumento da pobreza promovida pela mesma, apoiando ostensivamente os estudantes (grande parte, com certeza a maioria, vinha da classe média empobrecida pelos militares) que se rebelaram em 1968.
Também tivemos a formação da Frente Ampla (por Lacerda, JK e Jango) e greves operárias em Osasco e Contagem. Daí, veio o governo de Costa e Silva, que optou por dois caminhos para impedir uma eventual derrocada da Ditadura: intensificou a repressão e abandonou a política de arrocho, colocando o Delfim Netto para comandar a economia.
Delfim soube aproveitar de um momento de forte expansão econômica nos países industrializados (estimulada pelos gastos gerados pela Guerra do Vietnã), do petróleo barato e de um excedente de capital que existia nos mesmos, para atrair o capital estrangeiro e adotar uma política econômica expansionista, abandonando o neoliberalismo recessivo da época de Bulhões-Campos.


Daí, Delfim adotou medidas como o aumento da oferta de crédito (para empresas e consumidores), amenizou a política de arrocho salarial, estimulou a agricultura (procurando modernizá-la, o que resultou na criação da Embrapa, no final de 1972), criou novas empresas estatais, elevou os gastos púbicos, apoiou as exportações e ainda procurou manter a inflação sob controle (via controle de preços).
Com isso, tivemos o famoso 'Milagre Brasileiro'.
Geisel decidiu, com a economia do país sob o comando de Mário Henrique Simonsen, continuar com a política econômica expansionista, adotando II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), mesmo após o estouro do primeiro choque do petróleo em 1973 (Guerra do Yom Kippur) e do segundo choque do petróleo em 1979 (Guerra Irã-Iraque), o que levou a um forte aumento da dívida externa brasileira entre 1974-1982.

O índice de Gini mede a distribuição da renda do trabalho e quanto mais próximo de 1, maior é a concentração. Como se percebe, a Ditadura Militar promoveu um grande aumento da concentração de renda, que somente começou a cair de forma significativa a partir do governo Lula. 

No governo de Ronald Reagan, os EUA enfrentavam uma taxa de inflação de dois dígitos anuais (chegou a 12% ao ano).
Para derrubar a inflação, tivemos uma forte elevação dos juros pelo então presidente do FED (Paul Volcker) e que chegaram a 22% ao ano nos EUA naquela época, algo quase impossível de se imaginar atualmente, quando os juros do FED estão em 0,25% ao ano devido à forte crise econômica que se abateu sobre o país a partir de 2007 (crise do subprime) 2008 (quebra do Lehman Brothers e de todo o sistema financeiro privado dos EUA).
Isso resultou na impossibilidade do Brasil de continuar pagando os juros da sua dívida externa (afinal, o dinheiro acabou), que cresceu rapidamente entre 1974-1982, o que levou Delfim a decretar a moratória no pagamento da dívida externa em 1982.

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Ferrovia do Aço nunca foi concluída:

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