sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O caráter imperialista do conflito entre o Ocidente e o Radicalismo islâmico! - Marcos Doniseti!

O caráter imperialista do conflito entre o Ocidente e o 

Radicalismo islâmico! - Marcos Doniseti!

Esses radicais islâmicos são tão democráticos, né? 

O Ocidente Imperialista e o seu apoio a grupos radicais e extremistas:

Entendo que o conflito, que ocorre já há muito tempo, entre o Ocidente e o Radicalismo Islâmico é um conflito de caráter nitidamente Imperialista. E é justamente isso que procurarei demonstrar nesse texto.

O Ocidente Imperialista cometeu (e ainda comete, infelizmente) muitos erros, sim, principalmente o de, em determinados momentos e circunstâncias, apoiar grupos de radicais islâmicos (ex: Al-Qaeda, Taleban, ISIS/Estado Islâmico), que, se chegarem ao poder, irão expulsar os próprios ocidentais de seus países. 

O objetivo do Radicalismo Islâmico é o de promover a total islamização do Estado e da Sociedade e o mesmo rejeita TUDO o que vem do Ocidente (incluindo a música, costumes, valores, os costumes, direitos das mulheres, etc).

Esse apoio do Ocidente Imperialista, em alguns momentos, a grupos de radicais islâmicos, lembra claramente o apoio que Adolf Hitler e o Nazismo também receberam do mesmo Ocidente (França, Grã-Bretanha e EUA, por exemplo) depois que o mesmo ascendeu ao poder, em Janeiro de 1933. 

Posteriormente, estes mesmos países tiveram que guerrear contra os mesmos nazistas aos quais haviam alimentado e fortalecido anteriormente. 

Na época, o principal objetivo desse apoio ocidental a Hitler era jogá-lo numa guerra fratricida contra a URSS. 

Daí, os dois se arrebentariam na guerra e, mesmo o país vitorioso sairia bastante enfraquecido do conflito. Com isso, o Ocidente (que ficaria de fora dessa guerra entre nazistas e soviéticos), posteriormente, liquidaria com o país vitorioso, eliminando dois de seus maiores rivais e inimigos do cenário mundial. 

Essa foi a estratégia do Ocidente, da França e Grã-Bretanha, em especial, durante toda a década de 30 e somente foi abandonada após o fracasso do Pacto de Munique, de 1938.

E tal estratégia foi adotada mesmo com o Ocidente tendo total conhecimento do caráter brutal, cruel e extremamente violento do regime Nazista, do fato de que este perseguia e reprimia duramente aos judeus, liberais, comunistas, ciganos, entre outros grupos e segmentos da sociedade alemã.

Aliás, a própria Igreja Católica, na época, adotou uma política semelhante à da Inglaterra e França. Inclusive, o Estado do Vaticano foi o primeiro a assinar um acordo e a reconhecer o regime Nazista, ainda em meados de 1933.

A natureza violenta e brutal do regime nazista, portanto, não impediu que o Ocidente Imperialista e a Igreja Católica adotassem uma política que fortalecesse o desumano e cruel regime Nazista.

Como se percebe, os erros do Ocidente Imperialista em relação a grupos extremistas e anti-civilizacionais não é novidade alguma e os mesmos se repetem, agora, em relação ao Radicalismo Islâmico.


Chamberlain, Daladier, Hitler, Mussolini e Ciano durante as negociações para a assinatura do Pacto de Munique, em Setembro de 1938, um dos acordos mais vergonhosos da história e que entregou a Tchecoslováquia e toda a Europa Central para o controle do regime Nazista. O objetivo de franceses e britânicos era evitar uma guerra com a Alemanha Nazista e jogar esta contra a URSS.

Mas que fique bem claro: Condenar o apoio do Ocidente Imperialista a grupos extremistas e anti-civilizacionais (Nazismo, Radicalismo Islâmico) ao longo da história não pode, jamais, servir de desculpa, justificativa e defesa para os atos horrendos que tais grupos cometem.
Podem ter certeza de que se o Radicalismo Islâmico se espalhar pelo planeta e conquistar mais territórios e instalar ou conquistar governos pelo mundo afora, o Ocidente Imperialista irá perceber que cometeu um grave erro ao apoiá-lo, tal como aconteceu em relação ao regime Nazista.
O problema é que, talvez, não venhamos a ter uma URSS para livrar do Ocidente Imperialista e hipócrita.
É como dizem os espanhóis: Não criem corvos, pois quando eles crescerem irão comer os seus olhos.

E tais erros são cometidos muito em função do fato de que países, e Impérios, não tem amigos ou aliados, mas apenas Interesses. E estes sempre falam mais forte na história mundial.

Obs: Os grupos Radicais Islâmicos também são hipócritas, pois ao mesmo tempo em que atacam o Imperialismo Ocidental e rejeitam todos os costumes, valores e ideiais do mesmo, eles recebem, de bom grado e sem hesitar, o apoio, as armas e o financiamento deste mesmo Ocidente Imperialista e hipócrita.

Afinal, quem é que não está sendo hipócrita neste conflito, hein?


O maior sonho dos Radicais Islâmicos é restaurar o Império Muçulmano que, durante séculos, foi o maior, mais rico e poderoso do mundo, tendo submetido e convertido inúmeros povos, à força, para o Islamismo, além de ter conquistado vastíssimos territórios, que iam da Península Ibérica até a Ásia Central e o Sul da Ásia.  


O Radicalismo Islâmico - Características e objetivos:

Parece que algumas pessoas não conseguiram entender bem a minha posição com relação a este assunto (Radicalismo Islâmico).

Então, irei procurar esclarecer isso melhor nesse texto.

Em primeiro lugar, eu sei muito bem que o Ocidente Imperialista, ao longo da história, apoiou e apoia grupos de Radicais Islâmicos pelo mundo afora (Al-Qaeda, Taleban, ISIS/Estado Islâmico, etc). 

Isso não é novidade para ninguém, muito menos para mim, que já li, estudei e comentei a respeito deste tema, inclusive nas redes sociais e nos meus blogs.  

Mas o foco das minhas postagens têm sido outro aqui, que é o de procurar chamar a atenção para quais são a real natureza e os verdadeiros objetivos e finalidades do Radicalismo Islâmico. 

O projeto deste movimento político é o de promover uma total islamização do Estado e da Sociedade, bem como o de restaurar aos muçulmanos o poder e a 'glória' da época do Califado, voltando ao período em que a Civilização Muçulmana (e o Império construído pelos muçulmanos) era o mais poderoso do mundo. E é claro que, nesta época, os imperialistas muçulmanos reprimiam e massacravam outros povos, tal como o Ocidente Imperialista faz atualmente. 

É por isso mesmo que entendo que este conflito entre Ocidente Imperialista X Radicalismo Islâmico não representa nenhum tipo de luta de classes e tampouco um 'Choque de Civilizações'. 

Ele representa, de fato, um Choque de Imperialismos e que estão em conflito já há muitos séculos. 

Vejam que os Muçulmanos conquistaram, por meio de guerras sem fim, inúmeros territórios e povos pelo mundo afora já a partir do século VII. E tal projeto, que tem um caráter claramente Imperialista, começou com o próprio Maomé. 

A expansão muçulmana se deu por meio de Guerras Imperialistas e levaram o Islamismo para o Oriente Médio, o Sul da Ásia, a Ásia Central, China, Península Ibérica, Norte da África e partes do Sul da Europa. 

Muitos territórios e povos foram conquistados pelos muçulmanos nesse processo Imperialista e isso começou já a partir do século VIII. Países atuais da Europa, como a Espanha, Portugal. Grécia, Bulgária, Sérvia, Romênia, entre outros, fizeram parte (durante séculos) deste Império Muçulmano (que se dividiu em várias unidades, os Califados, posteriormente). 

O Radicalismo Islâmico surgiu como resultado da decadência e da crise deste Império Muçulmano, que é um processo que começa já no século XV e continua nos séculos seguintes. 

O Radicalismo Islâmico entende que a causa desta crise e desta decadência foi o fato de que os muçulmanos se afastaram das suas origens, passando a viver em desacordo com a lei islâmica. 


Excelente livro, de autoria de Jason Burke, que explica as origens do Radicalismo Islâmico, mostrando que a origem do mesmo está diretamente relacionada com a crise e a decadência da Civilização Muçulmana, a partir do século XV.


Assim, o que os Radicais Islâmicos desejam conquistar? Entre os principais objetivos, temos:


1) Perseguição e morte aos 'apóstatas': O projeto político do Radicalismo Islâmico visa islamizar totalmente o Estado e a Sociedade conforme a visão de mundo que defende, que é a do Wahabismo e a do Salafismo, em especial. 

Os seguidores das demais vertentes do Islamismo são brutalmente perseguidas e massacradas, sem dó e nem piedade, pois são considerados pelos Radicais Islâmicos como sendo 'apóstatas', ou seja, são tidos como 'falsos muçulmanos'; 

Logo, para conseguir atingir os seus objetivos, os Radicais Islâmicos, tentam submeter toda a população muçulmana às vertentes do Islamismo que eles defendem e propagam. 


2) Converter os outros muçulmanos às suas ideias e objetivos: As principais vertentes são o Wahabismo, de origem saudita (surgiu no século XVIII, criado por um teólogo islâmico), e o Salafismo, de origem egípcia (surgiu no final do século XIX). 

Os integrantes e seguidores das duas vertentes usam de extrema violência, com o objetivo de converter à força os demais muçulmanos. E os muçulmanos que não se submetem aos radicais islãmicos acabam sendo mortos em função disso;


3) Fora Ocidente!: Expulsar tudo o que cheira a Ocidente das terras muçulmanas e isso não se refere apenas ao Imperialismo, mas também aos valores, cultura, música, educação, costumes, enfim, tudo o que vem do Ocidente. Vejam o caso do Boko Haram, que deseja proibir a educação de 'tipo ocidental' na Nigéria e que promove terríveis massacres, incluindo contra outros muçulmanos;



4) Total islamização do Estado e da Sociedade: Somente assim, islamizando inteiramente o Estado e a Sociedade, segundo os radicais islâmicos, será possível criar uma sociedade totalmente e verdadeiramente islâmica.


5) Restauração do Califado Muçulmano (Império): Com a total islamização do Estado e da Sociedade, os Radicais Islãmicos acreditam que será possível restaurar o Califado, o grande Império Muçulmano que foi o mais rico e poderoso do mundo por vários séculos seguidos, especialmente entre os séculos VIII e XV. 


Os radicais islâmicos, de vários grupos extremistas (ISIS/Estado Islâmico; Al-Qaeda, Taleban, Boko Haram) promovem inúmeros massacres e atentados terroristas e a maioria das suas vítimas são muçulmanos que não aceitam se submeter ás vertentes do Islamismo que eles defendem e propagam mundo afora. 

Portanto, o projeto político do Radicalismo Islâmico pode, e muito bem, ser considerado:

1) Intolerante e Anti-Democrático: E isso se dá em vários aspectos (cultural, religioso, comportamental, etc), pois quem não se submete às regras e leis dos radicais islâmicos são sumariamente eliminados;

2) Regressivo: Os Radicais Islâmicos desejam fazer com que todos os muçulmanos voltem a viver tal como os primeiros muçulmanos (da época de Maomé e dos primeiros Califas) viviam, restaurando-se o modo de vida do século VII.

Gostou da ideia? Eu que não.

3) Excludente: Os Radicais Islâmicos rejeitam tudo o que vem do Ocidente, incluindo não apenas o Imperialismo, mas também a música, costumes, cultura, educação. Assim, por exemplo, a visão que predomina no Ocidente a respeito dos direitos das mulheres é totalmente rejeitada pelos Radicais Islâmicos.

Na Arábia Saudita, por exemplo, onde vigoram as leis islâmicas originárias do Wahabismo, as mulheres tem os seus direitos fortemente limitados, não podendo dirigir automóveis ou assistir a jogos de futebol.

E mulheres que lutam por seus direitos chegam a ser enforcadas e acusadas da prática de bruxaria. Qualquer semelhança com a Idade Média europeia não é mera coincidência.

E recentemente um blogueiro saudita foi condenado a 10 anos de prisão e a receber 1000 chibatadas por ter, supostamente, 'insultado o Islã'.

É esse o tipo de sociedade na qual vocês desejam viver?

Brincou, né?

4) Imperialista: Os Radicais Islâmicos morrem de saudade época em que os muçulmanos construíram o maior Império do planeta, dominavam territórios por todo o planeta (Europa, Ásia e África) e submetiam inúmeros outros povos, muçulmanos ou não, a este Império.

Para os Radicais Islâmicos, a islamização total do Estado e da Sociedade é o melhor meio para se promover a restauração deste Império, que foi o mais rico e poderoso do mundo por vários séculos seguidos, em especial entre os séculos VIII e XV.

Portanto, o projeto do Radicalismo Islâmico tem um clara natureza Imperialista e o choque do mesmo com o Ocidente pode, portanto, ser perfeitamente caracterizado e definido como sendo um 'Choque de Imperialismos'.

E da mesma forma que, em séculos anteriores, quando os Muçulmanos é que faziam guerras contra outros povos e dominavam novos territórios, hoje é o Ocidente quem está na ofensiva.

Aliás, quero fazer aqui uma observação: Na época das Cruzadas tivemos vários casos de governantes muçulmanos que fizeram alianças com os Cruzados Cristãos para poder guerrear contra outros governantes muçulmanos.

Portanto, esta hipocrisia do Ocidente Imperialista, que hoje, em determinados locais e circunstâncias, faz alianças e apoia grupos de Radicais Islâmicos e, depois, os acusa de promoverem o Terrorismo no Ocidente e em outros locais do planeta, não é uma exclusividade dos ocidentais.

Os governantes muçulmanos de outros tempos, da época de ouro dos Califados, também eram tão hipócritas quando os seus semelhantes ocidentais dos séculos XIX-XXI.

Afinal, é como eu disse aqui: países e impérios não tem princípios ou amigos, mas interesses.


Ótimo livro, que analisa a história do Radicalismo Islâmico e a sua relação com a crise e decadência da Civilização Muçulmana,


Links:


Blogueiro saudita é condenado a 10 anos de prisão e a receber 1000 chibatadas por ter 'insultado o Islã':

http://www.publico.pt/mundo/noticia/blogger-saudita-que-insultou-o-islao-fustigado-com-50-chicotadas-1681778

Arábia Saudita enforca mulher alegando prática de 'bruxaria':

http://www.aldeiaglobal.net.br/2011/12/alegando-bruxaria-arabia-saudita.html?m=1


Wahabismo, Salafismo e Takfirismo:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2015/01/takfirismo-salafismo-wahabismo-mas-o.html 

O radicalismo islâmico do Boko Haram:


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140513_boko_haram

Autores do atentado em Paris são 'heróis' para o Estado Islâmico:

http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/autores_de_ataque_sao_herois_para_o_estado_islamico.html


O Wahabismo Saudita e a sua conexão com as guerras e atentados terroristas pelo mundo!


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2014/03/o-wahabismo-saudita-e-sua-conexao-com.html


Jason Burke explica a 'A Al-Qaeda e o Radicalismo Islâmico'! 


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2010/01/al-qaeda-e-o-radicalismo-islamico-por.html

Boko Haram: Quem são e quais são os seus objetivos:

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1427778.html

Boko Haram: Uma organização terrorista desvalorizada:

http://observador.pt/opiniao/boko-haram-uma-organizacao-terrorista-desvalorizada/

Nenhum comentário: