sábado, 10 de janeiro de 2015

Os jihadistas islâmicos e os seus objetivos! - Marcos Doniseti!

Os jihadistas islâmicos e os seus objetivos! - Marcos Doniseti!


Prisioneiros sendo executados pelo Estado Islâmico. 

Já vi comentários de pessoas, nas redes sociais, nas quais elas demonstram um certo desconhecimento sobre o fenômeno do Radicalismo Islâmico, pensando que os jihadistas islâmicos matam apenas ocidentais. 

Errado. 

Os radicais islâmicos também matam muçulmanos. E fazem isso aos montes, aos milhares, todos os anos, pelo mundo afora.

Eles fazem isso porque desejam promover uma islamização total do Estado e da Sociedade, querendo obrigar todos os muçulmanos a viver, única e exclusivamente, de acordo com as regras de um Islamismo de séculos atrás (século VII, quando Islamismo surgiu na Península Arábica) que eles vêem como o 'verdadeiro e puro Islamismo', que não se desvirtuou das suas origens. 

E os muçulmanos que não concordam com isso são chamados, pelos jihadistas, de 'Apóstatas' (estes seriam os 'traidores da fé islâmica', são aqueles que se 'desviaram' do caminho original) e muitos deles são mortos de forma implacável pelos extremistas. 

Um grande número de grupos extremistas islâmicos que atuam pelo mundo afora seguem os princípios do chamado Wahabismo Salafista, que foi criado no século XVIII por um teologo islâmico chamado Mohammed ibn Abd al-Wahhab na atual Arábia Saudita. 

Para Al-Wahhab, a mensagem original do profeta Maomé havia sido modificada e distorcida por séculos de 'bida', ou seja, inovação, e ele defendia que era necessário retornar às fontes originais do Islamismo.

Segundo Al-Wahhab, somente se todos os muçulmanos praticassem rigorosamente as leis do Islã é que seria possível criar uma sociedade islâmica verdadeira. Ele também condenava dançar, tocar música e usar jóias, pois seriam práticas que trangrediriam os princípios observados e seguidos pela primeira e melhor geração de muçulmanos. 

Para os seguidores de Al-Wahhab, morrer pela causa também lhes garantiria a entrada no céu na qualidade de mártires, tornando-os combatentes extremamente eficazes. Durante o século XVIII, e com o apoio do líder tribal do clã Saud (que deu origem à Arábia Saudita), Al-Wahhab e seus seguidores promoveram uma série de guerras que expandiram a fé Wahhabista para grande parte da Arábia central e oriental. No século XX, eles retomaram as guerras, aproveitando-se do enfraquecimento do Império Otomano. Com isso, a dinastia Al-Saud pôde consolidar, com o apoio do Império Britânico, o seu poder na Arábia e o estado da Arábia Saudita foi proclamado em 1932. 

Os jihadistas pensam que ao promover atentados terroristas contra alvos ocidentais (seja qual for o pretexto para promovê-los... um filme, charges, etc) e contra os muçulmanos 'apóstatas' eles conseguirão convencer outros muçulmanos a lutar ao lado deles, aderindo à sua 'causa'. 

E aqueles que morrem em atentados terroristas passam a ser considerados mártires, heróis, cujo exemplo deve ser seguido por outros muçulmanos.

É por isso que grupos de jihadistas islâmicos como a Al-Qaeda, o Boko Haram e o ISIS (criador do Estado Islâmico) promovem tantos crimes, atrocidades, atentados e massacres, mesmo contra milhares de outros muçulmanos. 


O Estado Islâmico e as suas crucificações. 

Assim, tais grupos extremistas apostam na radicalização de sua luta, pois acreditam que é justamente isso que irá fortalecê-los e que irá levá-los à vitória contra o Ocidente imperialista e contra os muçulmanos 'apóstatas', que se recusam a viver de acordo com a leitura e interpretação que tais grupos fazem do Islamismo. 

Vejam o que essa reportagem da BBC diz sobre o Boko Haram, grupo jihadista islâmico da Nigéria:

"Seus integrantes seguem a seguinte frase do Alcorão, o livro sagrado dos mulçumanos: "Qualquer um que não é governado pelo que Deus revelou está entre os transgressores". O Boko Haram prega uma versão do Islã que proíbe que os muçulmanos tomem parte em qualquer atividade política ou social relacionada com a sociedade ocidental. Isso inclui votar em eleições, vestir camisas e calças ou receber uma educação secular... O Boko Haram ficou conhecido, inicialmente, pelo uso de homens armados em motocicletas que matavam policiais, políticos e qualquer um que o criticasse, incluindo clérigos de outras tradições muçulmanas e pregadores cristãos.".

O ISIS, criador do Estado Islâmico, é outro grupo de radicais islâmicos que também mata milhares de outros muçulmanos. E os sobreviventes são obrigados a viver de acordo com as regras do Wahabismo Salafista do qual o ISIS/Estado Islâmico é um notório defensor. 

O Wahabismo Salafista é a corrente do Islamismo que tem no governo da Arábia Saudita o seu maior defensor e propagador, sendo que o mesmo financia e apoia inúmeros grupos salafistas por todo o mundo (como é o caso do Boko Haram da Nigéria). 

É isso que está por trás do atentado contra o Charlie Hebdo, cuja autoria já foi assumida publicamente pela AQAP (Al Qaeda da Penínsura Arábica ou do Iêmen, como também é denominada). 

Logo, pode-se perfeitamente concluir que as charges podem ter sido o pretexto para o atentado promovido pelos radicais islâmicos em Paris, mas nunca foram a causa do mesmo.


Integrantes do Boko Haram, grupo de radicais islâmicos da Nigéria, que é defensor do Wahabismo Salafista de origem saudita e que promove inúmeros atentados, massacres, entre outros crimes e atrocidades. Seu objetivo é criar um Estado Islâmico. E quem se recusar a seguir as regras impostas pelo mesmo estará com a sua vida em risco, para dizer o mínimo.

Por isso, pode-se dizer que as vitórias obtidas grupos de radicais islâmicos em vários pontos do planeta representam, claramente, uma ameaça a todos aqueles que desejam viver com um mínimo de liberdade, mesmo que sejam muçulmanos fiéis. 

E o triunfo destes grupos de jihadistas islâmicos também representa, inegavelmente, uma ameaça à existência de qualquer tipo de sociedade minimamente civilizada, independente de qual seja a religião predominante na mesma. 


Bibliografia: Al-Qaeda: A verdadeira história do Radicalismo Islâmico; Jason Burke; Jorge Zahar Editora. 

Links:

Al-Qaeda da Península Arábica assume a autoria do atentado em Paris:


http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39110/al+qaeda+no+iemen+assume+autoria+do+atentado+a+revista+charlie+hebdo+em+paris.shtml

Jihadistas são mais nocivos para o Islã do que as caricaturas, diz líder do Hezbollah:

http://www.afp.com/pt/noticia/jihadistas-sao-mais-nocivos-para-isla-que-caricaturas-diz-hezbollah

O Boko Haram:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140513_boko_haram

Jason Burke conta a história do Radicalismo Islâmico:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2010/01/al-qaeda-e-o-radicalismo-islamico-por.html

O Wahabismo Salafista da Arábia Saudita e as suas conexões com o Terrorismo Islâmico:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2014/03/o-wahabismo-saudita-e-sua-conexao-com.html

Como o Estado Islâmico se tornou mais poderoso do que a Al-Qaeda:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140812_iraque_estado_islamico_dg

Autores do atentado em Paris são 'heróis' para o Estado Islâmico:

http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/autores_de_ataque_sao_herois_para_o_estado_islamico.html

Atentado contra o Charlie Hebdo não tem nada a ver com a liberdade de expressão:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2015/01/atentado-contra-o-charlie-hebdo-nao-tem.html

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