quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Como os EUA promovem processos de desestabilização! E porque a vitória de Dilma foi um verdadeiro milagre! - Marcos Doniseti!

Como os EUA promovem processos de desestabilização! E porque a vitória de Dilma foi um verdadeiro milagre! - Marcos Doniseti!

Livro de Moniz Bandeira mostra como os EUA promovem a desestabilização e a derrubada de governos que não se submetem aos seus interesses. 
Quem deseja conhecer melhor como os EUA promovem o processo de desestabilização e a derrubada de governos, mundo afora, que não se submetem aos seus interesses, então quero sugerir que leiam o livro 'A Segunda Guerra Fria', de Luiz Alberto Moniz Bandeira. No mesmo, vocês perceberão que muito do que os EUA fazem pelo mundo afora (Venezuela, Ucrânia, Egito, etc) também foi aplicado no Brasil em 2013.

E no Brasil, tal como em muitos outros países, a Direita Reacionária local é mera pau-mandada dos interesses dos EUA. 

Para se constatar isso, basta ver quem criou a Rede Globo. 

Esta que é uma das maiores corporações midiáticas do planeta foi uma criação da Ditadura Militar, que concedeu dois canais de TV para Roberto Marinho - um em SP e outro no RJ - em 1965. E a Globo também recebeu uma significativa ajuda dos EUA, por meio da Time-Life (outra grande corporação midiática ianque), que foi quem modernizou a Globo, enviando dinheiro, equipamentos modernos e recursos humanos para a emissora carioca.

Além disso, vejam que praticamente toda a Grande Mídia brasileira defende a aplicação, no país, das políticas neoliberais, de livre-mercado, que promovem arrocho salarial, aumento do desemprego, crescimento da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria. 

Oras, estas são exatamente as políticas que os EUA e a Troika (BCE, Comissão Europeia, FMI) defendem que sejam implementadas em todos os países que, de uma forma ou de outra, dependem e ou estão submetidos aos interesses do capital especulativo globalizado.

Tais políticas resultam na virtual destruição e eliminação dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários e acabam por reduzir a classe média à pobreza, levando-a a mesma sofrer um processo de proletarização. Os únicos beneficiários com a adoção das políticas de arrocho são os grandes capitalistas do sistema financeiro e as grandes corporações, dos mais variados setores da economia, que são dependentes ou são controladas pelo mesmo capital financeiro especulativo globalizado. 

Também quero sugerir que leiam o livro 'Todos os Homens do Xá', de Stephen Kinzer, que mostra como a CIA e o MI5 (serviço secreto britânico) organizaram um Golpe de Estado vitorioso no Irã, em 1953, que derrubou o governo democrático de Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo iraniano que, anteriormente, era controlado pela British Petroleum (na época a empresa tinha outro nome). 


Além disso, Mossadegh também criou um conjunto amplo de leis trabalhistas.

É como se Mossadegh sintetizasse, em sua figura, as personalidades de D.Pedro I e de Getúlio Vargas. D.Pedro I porque ao promover a nacionalização do petróleo iraniano, isso representou, na prática, uma virtual declaração de independência para o Irã. E a comparação com Getúlio Vargas é válida porque foi o governo de Mossadegh que criou as leis trabalhistas. 

Não é à toa que, até os dias atuais, Mossadegh é a liderança política mais popular da história do Irã, superando até mesmo o falecido Aiatolá Khomeini.

Aliás, não é nenhuma coincidência que esse processo de desestabilização que tivemos no Brasil em 2013-2014 tenha acontecido logo depois que foram descobertas as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal e que o governo Lula tenha aprovado e sancionado o Regime de Partilha do pré-sal.

Na prática, ao aprovar o Regime de Partilha, o governo Lula estatizou esse petróleo, já que 75% da renda líquida gerada pelo mesmo ficará com o Estado Brasileiro. Além do mais, a Petrobras será a única operadora do pré-sal (ou seja, nenhuma outra empresa poderá extrair o petróleo do pré-sal), tendo sido criada ainda uma nova empresa, a PetroSal, que irá gerir os contratos de exploração e que tem o poder de vetar qualquer decisão que as empresas investidoras tomarem.

É claro que tal modelo de exploração, fortemente nacionalizado e estatizado, não é do interesse das grandes empresas petrolíferas americanas e europeias (Exxon, BP, Shell, Chevron, etc). Para estas, seria muito mais interessante a adoção do modelo de concessão, no qual o petróleo é da empresa que o descobrir. 

Excelente livro de Stephen Kinzer mostra como a CIA e o MI5 organizaram um processo de desestabilização que levou à derrubada do governo democrático, nacionalista e reformista de Mossadegh.
Oras, no caso do pré-sal, não há mais o que descobrir. Todos sabem da existência das imensas reservas de petróleo existentes na camada do pré-sal. Basta perfurar, que o petróleo é descoberto. 

Então, se o modelo de concessão fosse adotado, é claro que as grandes empresas petrolíferas investiriam maciçamente para confirmar a existências das reservas e poderem se tornar as donas deste petróleo, pois no regime de concessão o petróleo não pertence ao Estado (tal como ocorre no Regime de Partilha) mas à empresa que confirmar a sua descoberta. 

E será coincidência, também, que a Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo (quase 300 bilhões de barris) viva sofrendo tentativas de Golpes de Estado e processos de desestabilização que são, comprovadamente, financiados pelos EUA? Já foram divulgados inúmeros documentos que comprovam o financiamento dos grupos de oposição direitistas venezuelanos pelos EUA, seja pelo governo ianque (CIA, NED, USAID) ou por parte de entidades privadas. 

A fundação Open Society, pertencente ao especulador financeiro George Soros, é uma das entidades que vive financiando estes processos de desestabilização pelo mundo afora e que sempre visam derrubar, é claro, governos que não aceitam se submeter às vontades e aos interesses do Império Ianque. 

Tais políticas de desestabilização, que são sempre promovidos contra governos de perfil nacionalista e reformista, são resultados da adoção, pelo governo dos EUA, do chamado PNAC (Projeto para um Novo Século Americano), que visa impor uma Ditadura Global dos EUA e que não tolera a existência de qualquer governo, em todo o mundo, que resista aos interesses dos EUA, que são, essencialmente, os interesses do grande capital finaceiro globalizado, do complexo industrial-militar, das empresas petrolíferas e das empresas de alta tecnologia ianques.  

No caso do Golpe de Estado que derrubou o governo nacionalista e reformista de Mossadegh, uma das táticas usadas pela CIA no Irã, em 1953, foi a de pagar para que 'manifestantes' saíssem pelas ruas da capital do país, Teerã, quebrando tudo, promovendo distúrbios, tal como aconteceu no Brasil em 2013-2014 com os tais Black Blocks e que ocorreu na Ucrânia no início de 2014 e também acontece na Venezuela.


Ótimo livro de Tim Weiner, que mostra como a CIA agiu desde a sua fundação de maneira a desestabilizar e derrubar governos que contrariam os interesses dos EUA, promovendo Golpes de Estado, assassinados de líderes políticos e revolucionários, fraudando eleições e manipulando a Mídia pelo mundo afora. 
No Irã, a CIA chegou ao ponto de disfarçar 'manifestantes' de comunistas e pagou para que eles saíssem por Teerã arrebentando com tudo. Daí, a própria CIA mandou espalhar a notícia de que os comunistas estavam promovendo um Golpe de Estado.

Com isso, ela apresentou o Golpe de Estado dela como sendo um Golpe 'preventivo', para evitar que os comunistas tomassem o poder no Irã, o que era uma deslavada mentira, pois esse perigo era inexistente. 

Então, podem ter certeza de que muitos dos supostos 'esquerdistas' e outros fantasiados de Black Blocks que saíram quebrando tudo no Brasil em 2013-2014 eram pagos, sim, para provocar distúrbios e promover um processo de desestabilização que levasse à queda de Dilma.

Desta maneira, um governo direitista e neoliberal assumiria o poder e colocaria em prática as políticas que são, única e exclusivamente, dos interesses dos EUA e do capital financeiro especulativo globalizado. 

Porém, as violências e pancadarias promovidas pelos tais Black Blocs e a oposição virulenta promovida pela Grande Mídia reacionária e golpista que tivemos no Brasil, em 2013-2014, não foram suficientes para provocar a derrota de Dilma na eleição presidencial do ano passado. 

Livro de Daniel Yergin mostra como o Petróleo, e os interesses gigantescos associados ao mesmo, já foi a causa de inúmeros Golpes de Estado e de Guerras pelo mundo afora. Mas parece que poucos se dão conta disso aqui no Brasil. 
Era mais do que evidente que o objetivo deste processo de desestabilização era jogar o Brasil numa crise econômica e social brutal, que levasse à derrota de Dilma na eleição presidencial. 

E com isso teríamos a ascensão de um governo que iria promover o desmonte das políticas de distribuição de renda e de inclusão social implantadas pelos governos Lula e Dilma,  bem como o mesmo acabaria com o Regime de Partilha do pré-sal, adotando o Regime de Concessão para a exploração do mesmo, o que significaria, na prática, entregar estes 100 bilhões de barris para o total controle das empresas petrolíferas estrangeiras, americanas e europeias em especial. 

Aliás, a proposta de acabar com o Regime de Partilha do pré-sal estava presente nos planos de governo dos dois principais candidatos de oposição ao governo Dilma (do PSDB e do PSB). Basta ler o plano de governo que eles divulgaram na época para se constatar isso. 

Aliás, olhando em retrospectiva, não deixa de ser incrível constatar como o governo Dilma conseguiu resistir a uma campanha de desestabilização tão brutal e violenta como essa que tivemos nos dois últimos anos do seu primeiro mandato. 

Este é um assunto que terá de ser exaustivamente estudado, pesquisado e analisado futuramente a fim de se comprender melhor como é que, afinal, o governo Dilma conseguiu resistir a essa fúria golpista e reacionária e, mesmo sofrendo ataques odiosos e virulentos, durante 24 horas diárias, todos os dias, o ano inteiro, por inúmeros meios de divulgação e de informação (rádio, jornais, revistas, TV, Internet, redes sociais, Whatsapp) Dilma ainda tenha conseguido obter aquela que foi a mais difícil e significativa vitória e que foi alcançada contra a mais poderosa coligação de forças reacionárias e entreguistas da história do país. 

Vejam que no segundo turno da eleição presidencial o candidato do PSDB recebeu apoio de quase todos os outros candidatos, com a exceção dos candidatos dos pequenos partidos de Esquerda (PSOL, PSTU, PCO, PCB). Os demais candidatos (do PV, PSB, etc) apoiaram o candidato tucano, que é um notório defensor do Neoliberalismo e da total submissão do Brasil aos interesses dos EUA e do capital financeiro especulativo globalizado. 

Mesmo Getúlio Vargas, quando se elegeu Presidente da República em 1950, enfrentou forças oposicionistas bem mais fracas, tanto que ele teve 48% dos votos e o candidato da oposição, Brigadeiro Eduardo Gomes, não passou de 30%. 

Afinal, nunca, na história do Brasil, tivemos algo parecido com a pancadaria midiática e oposicionista que o governo Dilma sofreu em 2013-2014 e que chegou às ruas de grande parte do país (via os famigerados Black Blocks). Nem mesmo os governos de Vargas e Jango foram tão violentamente atacados, o tempo inteiro, pela oposição midiática golpista. 

Portanto, não é nenhum absurdo concluirmos que se levarmos em consideração tudo o que aconteceu no Brasil em 2013-2014, podemos considerar que a vitória de Dilma na eleição presidencial foi um verdadeiro milagre.
Black Blocs: Afinal, quem os financiou? Talvez a CIA, NED, USAID e o George Soros saibam quem foi, não é mesmo?
Links:

Moniz Bandeira, o Império Americano e o PNAC:

Aécio e Marina defendem o fim do Regime de Partilha do pré-sal:

George Soros admite participação no Golpe de Estado na Ucrânia:

As vantagens, para o Brasil, do Regime de Partilha do pré-sal:

Advogados diz que jovens participavam de manifestações em troca de pagamento de R$ 150:

Golpistas do Brasil e da Venezuela pagam a manifestantes:

A Guerra Fria nunca terminou:

A conexão existente entre a Ditadura Global dos EUA, a Petrobras e a tentativa golpista contra o governo Dilma:

EUA e o PNAC: 

O modelo dos Golpes da CIA, da época da Guerra Fria, volta à cena:

Venezuela: Tentativas golpistas no país estão ligadas ao petróleo:

Nenhum comentário: