terça-feira, 18 de agosto de 2015

Afinal, porque a campanha pelo Impeachment de Dilma fracassou? Porque os mais pobres não participaram! - Marcos Doniseti!

Afinal, porque a campanha pelo Impeachment de Dilma fracassou? Porque os mais pobres não participaram! - Marcos Doniseti!
A presidenta Dilma entre o povo do Maranhão, onde recentemente entregou residências do Minha Casa Minha Vida. 
O que se pode concluir da pesquisa Datafolha que mostrou o perfil altamente elitista dos manifestantes que estiveram presentes na Avenida Paulista no dia 16 de Agosto? 

Simples: Que o Impeachment de Dilma, no fim das contas, acabou fracassando porque em nenhum momento essa campanha conseguiu atrair os trabalhadores assalariados de menor renda e aos mais pobres. Tínhamos alguns entre eles, sim, mas sempre foram, desde as primeiras manifestações no início deste ano, uma ínfima minoria. 

Caso os organizadores e líderes deste movimento tivessem atraído, de fato, uma grande parcela da população de menor renda, que ganha até 3 salários mínimos mensais (e que são 79% dos brasileiros, segundo o iBGE), dificilmente Dilma teria permanecido no cargo. Seu impeachment seria virtualmente inevitável. 

Nesta manifestação que tivemos na Avenida Paulista, neste 16 de Agosto, 42,4% dos presentes declararam que ganham mais de 10 salários mínimos mensais,  e 14,4% que ganham até 3 salários mínimos. No Brasil inteiro, 79% ganham até 3 salários mínimos e apenas 3,2% ganham mais de 10 salários mínimos. 

E se consideramos o percentual daqueles manifestantes que declararam ganhar mais de 5 salários mínimos mensais, o percentual sobe para 67,53%, sendo que no Brasil inteiro apenas 10,84% da população recebe mais de 5 salários mínimos mensais.  

Isso significa que o perfil dos manifestantes presentes na Avenida Paulista neste Domingo (16 de Agosto) simplesmente não tem absolutamente nada a ver com a imensa maioria da população brasileira. 

Ela se parecia muito mais com uma manifestação feita por suecos, belgas ou de dinamarqueses, jamais de brasileiros. 

No fim das contas, e tal como já havia acontecido com o então Presidente Lula na crise política que tivemos em 2005, foram os mais pobres que seguraram Dilma no cargo, não porque estejam satisfeitos com este primeiro ano de seu segundo mandato (a insatisfação é inegável, em função do ajuste econômico que está sendo levado adiante neste momento), mas por tudo o que já conquistaram nos 12 anos de governos Lula e Dilma e, talvez, porque os eleitores que votaram em Dilma estejam dando um voto de confiança para ela, acreditando que dias melhores virão pela frente. 

Outra explicação para isso foi dada pelo Antônio David (ver link abaixo), onde ele diz que os mais ricos não conseguem esconder o preconceito, desprezo e a intolerância que nutrem pelos mais pobres, algo que tem raízes históricas, e que estes percebem claramente isso, levando-os a desconfiar intensamente de manifestações que possuem um caráter nitidamente elitista, como essas que tivemos pelo Brasil neste ano contra o governo Dilma.
Se estivesse entre nós, Karl Marx diria, a respeito das manifestações realizadas contra o governo Dilma em 2015, que elas são apenas mais um sinal claro de que a luta de classes está mais viva do que nunca. 'É a luta de classes, estúpido', ele diria, com certeza.
Se Karl Marx estivesse vivo, talvez ele afirmasse: 'É a luta de classes, estúpido'. 

Agora, entendo que a Presidenta Dilma deve aproveitar esse 'voto de confiança' que recebeu dos mais pobres, principalmente daqueles 79% de brasileiros que ganham até 3 salários mínimos, para tomar medidas urgentes no sentido de se promover a retomada do crescimento econômico, reduzir o desemprego (ou, pelo menos, estabilizá-lo num primeiro momento, para que o mesmo volte a cair posteriormente) e melhorar os salários dos trabalhadores.

Isso poderia ser feito concedendo um reajuste maior para o salário mínimo em 2016 e em 2017 do que aquele que está previsto em lei ou ainda reduzindo a tributação do Imposto de Renda sobre os trabalhadores que ganham até 3 salários mínimos. Em compensação, poderia ser criada uma nova alíquota de Imposto de Renda, de 35%, justamente para os 3,24% da população que recebe mais de 10 salários mínimos mensais. 

Tais medidas sinalizariam para a população de menor renda que o governo Dilma não os abandonou e que ela poderá contar com o mesmo para que possa continuar melhorando as suas condições de vida e que isso irá acontecer por muitos anos ainda. 

E com isso, Dilma poderá recuperar, gradualmente, uma boa parte da popularidade perdida neste ano. 

Que assim seja. 


Links:

Datafolha: 42,44% dos manifestantes da Avenida Paulista ganham mais de 10 salários mínimos:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/08/datafolha-elite-branca-era-maioria-na-paulista/

IBGE: 79% dos brasileiros ganham até 3 salários mínimos mensais; Apenas 3,24% ganham mais de 10 salários mínimos:

http://contee.org.br/contee/index.php/2014/08/populacao-que-recebe-ate-tres-salarios-minimos-e-a-que-mais-gera-arrecadacao-de-tributos-no-pais/#.VdOzePlViko

Elite branca protesta contra Dilma na Avenida Paulista, diz o Datafolha:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com/2015/08/elite-masculina-de-alta-renda-e-de.html

Antônio David: Elite branca que repudia os pobres era a imensa maioria na Avenida Paulista:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/08/datafolha-elite-branca-era-maioria-na-paulista/

Lincoln Secco: A classe média vai às ruas!

http://jornalggn.com.br/noticia/a-classe-media-vai-as-ruas-por-lincoln-secco#.VdMwdX9L9yY.facebook

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