terça-feira, 11 de agosto de 2015

Brasil e Argentina mostram resultados muito parecidos em suas eleições presidenciais! - Marcos Doniseti!

Brasil e Argentina mostram resultados muito parecidos 
em suas eleições presidenciais! - Marcos Doniseti!
Daniel Scioli (que foi Vice-Presidente de Nestor Kirchner) é apoiado pela atual presidente argentina, Cristina Kirchner. Ele se propõe a dar continuidade às políticas de estímulo ao crescimento econômico e de distribuição de renda que foram adotadas nos governos dos Kirchners (Nestor e Cristina). 
Os resultados da eleição presidencial brasileira, no 1o. turno, em 2014, e os das eleições primárias na Argentina, que se realizaram neste Domingo (09 de Agosto) foram incrivelmente semelhantes.
Vejam isso. 

Resultado da eleição presidencial:

Brasil (1o. Turno):
Dilma 41,5%;
Aécio 33,5%;
Marina 21,3%.

Argentina (Eleições Primárias):
Daniel Scioli (aliado da Presidenta Cristina Fernandez de Kirchner) : 38,4%;
Mauricio Macri (Direita Neoliberal): 30,1%;
Sergio Massa (Frente Renovadora; ex-aliado de Cristina Kirchner): 20,5%.

Notem as semelhanças:
A) Candidatos progressistas ficaram em 1o. lugar nos dois países e com percentuais de votos muito próximos (41,5% para Dilma e 38,4% para Scioli). 
Ambos se apresentaram perante o eleitorado como os candidatos que iriam dar sustentação e continuidade às políticas de distribuição de renda e favoráveis ao crescimento econômico. A diferença de votação entre os dois foi de apenas 3,1 p.p., praticamente dentro das famosas 'margens de erro' que toda pesquisa possui;
B) Candidatos da Direita Neoliberal também obtiveram resultados muito semelhantes nos dois países: Aécio teve 33,5% dos votos e Macri obteve 30,1% (diferença de apenas 3,4 p.p.).
Ambos os candidatos se apresentaram como sendo os representantes 'da mudança', embora sejam políticos tradicionais em seus países. O partido de Macri, inclusive, se chama 'Cambiemos';
No Brasil, a taxa de pobreza era de 34,4% em 2002. Na Argentina, na mesma época. ela ultrapassou os 45%. 
C) Os terceiros colocados (Marina Silva e Sergio Massa), nos dois países, já foram aliados dos atuais governos do Brasil e da Argentina. 
Marina Silva é uma ex-petista que foi ministra do governo Lula e Sergio Massa foi chefe de Gabinete do governo de Cristina Kichner por cerca de um ano. 
E ambos procuraram se apresentar como uma alternativa aos outros dois candidatos mais fortes na disputa, tentando representar uma 'terceira via', que iria diminuir a intensidade dos conflitos políticos e sociais em seus países. E ambos também tiveram uma votação muito semelhante (Marina teve 21,3% e Massa 20,5%).
A questão é: Afinal, porque tivemos tantas coisas em comum nestas eleições presidenciais realizadas nos dois países mais importantes da América do Sul?
Pode-se procurar por várias respostas. Uma das possíveis é a de que as sociedades das duas nações ficaram mais parecidas e em vários aspectos.
Na área econômica, o Brasil cresceu se fortaleceu mais do que a Argentina, se levarmos em consideração os acontecimentos das últimas duas décadas nos dois países.
Argentina: Taxas de pobreza e de pobreza extrema atingiu o seu ponto máximo em 2002, como resultado do colapso econômico gerado pelos fracasso das políticas neoliberais adotadas pelos governos de Menem e De la Rua. Elas caíram fortemente nos governos Kirchners (Nestor e Cristina).
Enquanto a Argentina enfrentou uma brutal crise durante os governos de Menem e De la Rua, no Brasil a crise econômica também aconteceu, durante o governo FHC, mas não foi tão intensa quanto na Argentina, onde a taxa de desemprego atingiu os 25% e a taxa de pobreza ultrapassou os 45% no período final do governo de Fernando de La Rua. E quase 30% da população argentina caiu para uma situação de pobreza extrema, algo inédito num país que foi um dos mais ricos do mundo entre 1880 e 1945. 
No Brasil, em 2002, último ano de governo FHC, o desemprego foi de 12,6% (taxa média anual) e a taxa de pobreza era de 34%, bastante elevadas, mas bem inferiores às do país vizinho.
Na sequência, com os governos de Lula/Dilma, no Brasil, e dos Kirchners (Nestor e Cristina), na Argentina, tivemos um processo de redução da pobreza nos dois países. 
Mas notem que a diferença entre as taxas dos dois países já não é tão grande quanto foi no passado, há uns 40 ou 50 anos. 
Assim, atualmente, os dois países possuem um perfil social e econômico relativamente parecidos. Até as taxas de desemprego dos dois países são próximas. Enquanto no Brasil, ela é de 6,9%, na Argentina ela está em 7,1%, muito próximas, portanto.

No Brasil, em 2012, a taxa de pobreza era de 15,9%, muito próxima do índice de 14,3% da Argentina em 2010. 
Além disso, o Brasil e a Argentina passaram a ser governados por Lula e Nestor Kirchner (ambos tomaram posse em 2003), que deram início a inúmeras políticas que promoveram a retomada do crescimento econômico e distribuíram melhor a renda e reduziram a pobreza, a miséria e o desemprego. 
Tais políticas tiveram continuidade e foram aprofundadas pelos governos de Dilma e Cristina Kirchner (2007-2015), o que levou ambas a conseguirem a reeleição.
Assim, Brasil e Argentina estão sendo governados, desde 2003, por líderes reformistas, nacionalistas e de Centro-Esquerda que sempre tiveram grande respaldo popular.
Porém, tais políticas, que beneficiaram aos assalariados de menor renda e aos mais pobres, geraram uma insatisfação crescente por parte de setores elitistas (representados fortemente por uma Grande Mídia de caráter monopolista e extremamente conservadora) ou de classe média mais tradicional e abastada, que rejeita as políticas que beneficiam aos mais pobres por entender que a ascensão social e econômica deles ameaça a sua posição e o seu prestígio na sociedade. 
E com isso, nas duas grandes nações sul-americanas, tiveram início processos de radicalização política por parte destas oposições altamente elitistas, conservadoras e reacionárias contra os governos progressistas dos dois países (Lula-Dilma, no Brasil, e Nestor e Cristina Kirchner, na Argentina). 
E nos dois países parece que um determinado setor da sociedade se cansou deste processo de radicalização política e passou a votar em candidatos que se apresentam perante o eleitorado como representantes de uma 'terceira via', que procuraria fazer uma síntese das propostas das duas tendências políticas (Esquerda/Centro-Esquerda, de um lado, e a Direita Conservadora de outro). 
Sergio Massa, que foi chefe de Gabinete do governo de Cristina Kirchner, criou uma nova força política no país, a Frente Renovadora, e obteve surpreendentes 20,5% dos votos nas eleições primárias. Seu apoio poderá ter uma grande influência no resultado final da eleição presidencial argentina, cujo primeiro turno será realizado em Outubro. 
Tais candidatos foram Marina Silva, no Brasil, e Sergio Massa, na Argentina. E como já observei aqui, ambos tiveram cerca de 20% dos votos do eleitorado de seus respectivos países, tornando-se figuras importantes na disputa que os candidatos de Centro-Esquerda e de Direita travaram no segundo. 
No Brasil, no entanto, o apoio de Marina Silva à candidatura presidencial do PSDB não foi suficiente para levá-lo à vitória e a presidenta Dilma conseguiu se reeleger, obtendo 51,64% dos votos no segundo turno. 
Resta saber, agora, se no segundo turno da eleição argentina o candidato apoiado por Cristina Kirchner conseguirá atrair a maioria dos votos dados a Sergio Massa, um ex-aliado. 
Se conseguir isso, Daniel Scioli vencerá a eleição.
Que assim seja.

Links:

Argentina no final do governo de Fernando de La Rua:

Resultado da eleição presidencial no Brasil no 1o. turno:

Resultados das eleições primárias na Argentina:

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